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Ziyaret Programlarının Finansmanı

TTB-UDEK / UYEK EĞİTİM KURUMLARINI ZİYARET PROGRAMININ ESASLARI

XI. Ziyaret Programlarının Finansmanı

Essa produção foi concebida e coreografada na Índia em 2001. O espetáculo solo é uma homenagem ao deus Sol (Surya), invocado nas mais antigas escrituras da Índia, os Vedas, como o magnânimo benfeitor da humanidade. As quatro

coreografias apresentadas formam um ciclo completo: o transcorrer de um dia, do nascer ao pôr-do-sol, é retratado como uma metáfora da evolução da consciência. As coreografias de Surya são realizadas por dois grandes mestres e bailarinos de Odissi, Sharon Lowen e Kelucharan Mohapatra.

II.3.2.3 Apresentando Patrícia Romano

Patrícia Romano (Fig. 7) é uma bailarina e professora de dança dedicada completamente à pesquisa da cultura e da arte indiana. Ela é diretora da Natyalaya, escola de danças clássicas indianas no Brasil.63 Patrícia também

divulga a cultura indiana realizando

apresentações e workshops sobre

Bharatanatyam e Mohini Attam seguindo as orientações do Instituto Kalamandalam Sumathi, da Índia. Regularmente, organiza eventos com artistas indianos e brasileiros, criando um intercâmbio cultural entre Índia e Brasil.

Adolescente, Patrícia estudou balé clássico na Royal Academy of Dancing School of London e, depois de se formar, ministrou aulas de balé por alguns anos. Pesquisou diversos estilos de dança ocidental: moderno, contemporâneo e folclórico, e percebeu que o balé era somente um exercício físico desprovido do elemento espiritual. Com o passar do tempo, concluiu que havia outras possibilidades de expressão além do balé, pois o que ela realmente buscava era uma maneira de expressar a si mesma e também a Deus. Teve uma intuição de que a dança clássica hindu seria um meio adequado para essa expressão.

63 A Natyalaya é uma filial da Natyalaya School of Classical Dances, cuja sede está situada no Estado indiano

de Kerala. A sede foi fundada em 1964 por Shrimati Kalamandalam Sumathi para divulgar a dança indiana tanto na Índia quanto no Ocidente.

Em 1995, A dançarina indiana Shrimati Kalamandalam Sumathi realizou uma turnê pelo Brasil e também ministrou aulas de dança Bharata Natyam. Esse foi um fator chave na vida da Patrícia, pois ela participou dessas aulas. Mais tarde, apaixonada pela dança hindu, deixou seus três filhos no Brasil e foi para a Índia com Sumathi, na casa de quem permaneceu por algum tempo.

Na Índia, Patrícia incorporou o espírito da tradição indiana de guru-shishya (mestre-discípulo). Iniciou-se sua aprendizagem da dança no estilo Kuchipudi, passou em seguida ao estilo Mohini Attam e finalmente chegou ao estilo Bharata Natyam. Retornou à Índia diversas vezes para aperfeiçoar sua técnica e abriu em São Paulo uma filial da academia indiana Natyalaya. Em relação à reação dos indianos aos estrangeiros, ela afirma em tom de brincadeira:

Tenho fisionomia de uma mulher indiana. Quando estou lá, ando com as roupas indianas. Além disso, Natya Shastra foi escrita antes do nascimento do Catolicismo, as pessoas do Estado de Kerala acolhem todas as religiões. A arte é uma, sendo ela una, e convida a todos a aprenderem.64

No Brasil, a filial Natyalaya foi fundada em 1998 sob a orientação de sua mestra, Sumathi Kalamandalam. Patrícia, co-fundadora, atualmente ministra aulas de dança e promove apresentações públicas com seus alunos. O principal objetivo da Natyalaya no Brasil é divulgar a cultura indiana e mostrar a importância de sua forma peculiar de aprendizado. É interessante notar a seguinte afirmação de Patrícia: “a dança é um tipo de meditação, o aluno deve desapegar-se de seus

pensamentos e sentimentos e dar espaço para Deus em seu coração”65 Ao

mesmo tempo, ela não descarta as possibilidades de dançar em qualquer lugar, inclusive lugares profanos, como restaurantes, hotéis, etc. Além disso, está aberta à inovação, tem no seu repertório coreografias feitas para músicas populares.

Dois aspectos interessantes devem ser notados na trajetória de Patrícia Romano. Primeiramente, sua abertura para outras manifestações estéticas, fazendo uma passagem da música clássica para a música popular indiana, usando a técnica da dança Bharata Natyam. Ela própria chama isso de “masala

64 Entrevista realizada em janeiro de 2003. 65 Idem.

dance”, quer dizer dança de mistura. Em suas apresentações públicas, a masala dance é muito mais elogiada do que as danças exclusivamente clássicas. “A mistura é um caminho para a pureza”, afirma, “também é um incentivo para que os

estudantes se interessem pela dança sagrada”.66

Outro ponto a ser considerado é sua abertura aos novos lugares de performance. Todos os demais bailarinos de dança clássica hindu se revelam cautelosos em relação à escolha dos lugares da apresentação, ao passo que Patrícia afirma que todos os lugares são adequados:

A pureza está na atitude, na intenção do dançarino. As coisas estão mudando. Nós não podemos permanecer os mesmos, também devemos mudar. O que não muda é aquele desejo de ter a união com Deus. Esse sentimento permanece para sempre.67

Segundo Patrícia, os bailarinos devem perceber que o público, seja ele qual for, também é Deus. O fundamento dessa crença encontra-se na compreensão de que Deus se encontra em todos os lugares e está acima de todas as religiões. Antigamente, as devadasis (“dançarinas do Senhor”) dançavam nos templos somente para as deidades com amor e dedicação. Patrícia afirma que “devemos levar essa relação das devadasis para fora do âmbito sagrado e mostrar ao público a possibilidade de se manter essa relação de amor e devoção, na

sociedade”.68 O rompimento com a tradição trouxe a Patrícia um grande desafio

porque, segundo ela, no templo a dedicação era mais fácil, uma vez que a dançarina estava afastada da sociedade, enquanto que os dançarinos de hoje estão inseridos no contexto social.

O trabalho da Patrícia hoje é reconhecido pelos órgãos oficiais da Índia representados no Brasil, como a Embaixada da Índia e o Consulado Geral da Índia. Em 1998, foi homenageada pelo Consulado Geral da Índia em São Paulo e foi considerada pela Associação Indiana de São Paulo um dos maiores expoentes da dança clássica hindu no Brasil. Na Índia, seu trabalho também foi reconhecido

66 Entrevista realizada em janeiro de 2003. 67 Idem.

pela imprensa, que ficou encantada com sua precisão técnica e a graciosidade do seu grupo brasileiro, que realizou uma turnê pela Índia em 2004.

Patrícia tem em seu repertório mais de dez espetáculos, dos quais apresentaremos sucintamente três.