• Sonuç bulunamadı

B. Din Sosyolojisinin Doğuşu

1. ZİYA GÖKALP

Para analisar os programas jornalísticos, Gomes (2007) propõe que, além de considerar os elementos que configuram os dispositivos propriamente semióticos da TV, para compreender as estratégias de configuração dos modos de endereçamento também é preciso eleger operadores de análise que favoreçam a articulação dos elementos semióticos aos discursivos, sociais, ideológicos, culturais e comunicacionais.

No entanto, a autora ressalta que não se trata de categorias de análise, nem de regras, mas do modo de configuração dos programas que dirá ao analista a partir de quais operadores um programa se constrói. Dito de outra forma, os operadores são lugares de observação, como explica Gomes (2007):

Os operadores se articulam entre si, não devem ser observados nem interpretados isoladamente. Ao mesmo tempo, é importante tomar em conta que o objetivo de análise não deve ser descrever ou interpretar cada um dos operadores isoladamente, mas, através dos operadores, acessar o modo de endereçamento de um programa específico: os operadores de análise são os “lugares” para onde o analista deve olhar, não o fim último do esforço analítico. (GOMES, 2007, p.24)

Em que pese termos analisado alguns dos operadores analíticos citados acima, de forma destacada, de maneira a desenvolver com maior detalhe aspectos que lhes são relativos, entendemos que são indissociáveis, ou seja, eles se afetam mutualmente. Discorremos abaixo sobre o que remete cada um deles:

Mediador – Os programas jornalísticos de televisão contam com apresentadores ou âncoras, comentaristas, correspondentes e repórteres. Para Gomes (2007) o apresentador é a figura central, aquele que representa a “cara” do programa e constrói a ligação entre o telespectador, os outros jornalistas que fazem o programa e as fontes.

Para compreender o modo de endereçamento é fundamental analisar quem são os apresentadores, como se posicionam diante das câmeras e, portanto, como se posicionam para o telespectador. Os vínculos que este jornalista estabelece com o telespectador, no interior do programa e ao longo da sua história dentro do campo, à familiaridade que constrói através da veiculação do programa, à credibilidade que constrói no interior do campo midiático e que carrega para o programa, ao modo como os programas constroem a credibilidade dos seus profissionais e legitimam os papéis por ele desempenhados. (GOMES, 2007, p.24)

A autora também considera que a noção de performance, tal como utilizada no teatro, tem sido um importante recurso descritivo para este operador de análise. A performance do mediador é um aspecto central nos “ modos de endereçamento” dos telejornais.

O mediador é o responsável pela predominância do verbal na televisão e, nesse sentido, temos adotado como ferramenta para observação do texto verbal dos mediadores as estratégias narrativas e argumentativas

desenvolvidas, considerando os recursos retóricos e persuasivos empregados. (GOMES, 2007, p.25)

Assim, a figura do mediador e as suas estratégias de criação e manutenção de vínculos com os telespectadores devem ser levados em consideração para uma análise de um produto telejornalístico. Apesar de considerarmos o que diz Fausto Neto (2008) sobre a fragilidade do poder de mediação dos jornalistas na sociedade em vias de midiatização- marcada pela descentralização da produção jornalística- ainda acreditamos que os jornalistas, em especial os apresentadores, ainda detém o poder de mediação, uma vez que eles constroem o elo de ligação direto entre produção e recepção.

Contexto comunicativo – Entendido por Gomes (2007) como as circunstâncias espaciais e temporais em que se dá o processo comunicativo, esse operador de análise se refere ao “contexto comunicativo” em que o programa televisivo atua, compreendendo tanto o do emissor quanto o do receptor. “A comunicação tem lugar em um ambiente físico, social e mental partilhado” (GOMES, 2007, p.25). A autora explica melhor pelo recurso à noção de instruções de uso de um texto, ou seja, aqueles princípios reguladores da comunicação – os modos como os emissores se apresentam, como representam seus receptores e como situam uns e outros em uma situação comunicativa concreta. Segundo Gomes (2007) “um telejornal sempre apresenta definições dos seus participantes, dos objetivos e dos modos de comunicar explicitamente” (GOMES, 2007, p.25).

Esse operador também inclui o espaço que o telejornal ocupa na grade de programação da emissora e a relação com a concorrência. Dessa forma, este operador de análise requer uma observação sistemática por parte do pesquisador, pois compreende aspectos concretos e abstratos, já que significa não apenas compreender o ambiente físico e social em que ele se encontra, mas entender qual o tipo de relação que este programa mantém com seus telespectadores.

No nosso caso, esse operador é particularmente relevante para entender como o telejornal se comporta em resposta à evasão dos telespectadores para a concorrência, logo, um contexto físico local, quanto para o contexto mais indefinido geograficamente da web.

Pacto sobre o papel do jornalismo – Para a autora, a relação entre o programa e o telespectador é regulada através de acordos, ou como Gomes (2007, p.26) intitula “um pacto sobre o papel do jornalismo na sociedade”. É esse pacto que dirá ao telespectador o que ele deve esperar do telejornal. Para a compreensão desse pacto, Gomes (2007) propõe a análise

como o programa atualiza as suas premissas, valores, normas e convenções que constituem o jornalismo como instituição social, em outras palavras, como lida com as noções de objetividade, imparcialidade, factualidade, interesse público, responsabilidade social, liberdade de expressão e de opinião, atualidade, quarto poder, como lida com as ideias de verdade, pertinência e relevância da notícia, com quais valores-notícia de referência opera.

Sendo assim, observar qual tipo de relação que o telejornal promete manter junto aos receptores, o modo como lida com as questões técnicas (edição, emprego das tecnologias), a utilização dos formatos das entrevistas e até mesmo o script do telejornal são alguns dos elementos que compõem esse “pacto” entre telejornais e receptores.

Esse operador também é fundamental para entender as formas que o telejornal busca para a construção de uma identidade mais próxima dos telespectadores, pois também é a partir dessa relação entre os dois (telejornal/telespectador) que se sustenta a credibilidade, a relação com as fontes de informação, a posição, o lugar de fala das fontes e de que forma o cidadão comum é configurado nos programas jornalísticos.

Organização temática – Todo telejornal, independente de ser especializado ou não em uma editoria (política, policial, esporte, entretenimento) deve seguir uma lógica, organizada pelos produtores, de acordo com o seu perfil. Segundo Gomes (2007, p.27) “arquitetar um telejornal a partir de suas temáticas significa apostar em certos interesses e competências do telespectador”.

No caso dos telejornais que não são temáticos, a análise da organização temática, que visa justamente entender como os assuntos e temas são tratados no noticiário e o grau de importância de cada um deles, demanda maior atenção e por vezes apenas pode ser compreendida através da observação do modo específico de organizar e apresentar as diversas editorias e o modo específico de construir a proximidade geográfica com sua audiência. Dessa forma, saber quais assuntos são mais discutidos no telejornal também faz parte da análise para entender como este constrói uma identificação com o público.

Face à nossa problemática que considera a presença do JPB1 nas redes sociais e os seus modos de interação nessa mídia, propomos um quinto operador analítico: circulação. Circulação como operador analítico: redes sociais e telejornais - Até aqui conhecemos os operadores analíticos eleitos por Gomes (2007) e suas implicações para o entendimento da nossa problemática. Porém, consideramos que na atualidade não se pode analisar um telejornal em sua complexidade sem levar em conta as interações que também ocorrem na

web, especialmente, nas redes sociais. Pois, partimos do pressuposto de que essas interações afetam o telejornal, no nosso caso, nos seus modos de identificação.

Assim, entendemos que os pesquisadores de telejornal devem aproveitar a “visibilidade” dessa “circulação” entre produtores e receptores em suas pesquisas como fonte de informação valiosa. Noutras palavras, buscamos entender as estratégias de extensão de conversação, de apropriação de linguagens e de aproximação do telejornal com o telespectador/internauta a partir desses novos espaços circulatórios, que fizeram com que as relações entre produtores e receptores obtivessem uma maior visibilidade.

No contexto da sociedade midiatizada e dos processos de convergência midiática que afetaram a forma de se fazer jornalismo, a “circulação” pode ser considerada como um “terceiro pólo” (FAUSTO NETO, 2010, p.63) onde telespectadores/internautas assumem novas lógicas, difundindo e compartilhando informações.

Circulação – transformada em lugar no qual produtores e receptores se encontram em “jogos complexos” de oferta e de reconhecimento – é nomeada como dispositivo em que se realiza trabalho de negociação e de apropriação de sentidos, regidos por divergências e, não por linearidades.

Como define o autor, a circulação é esse ambiente em que produtores e receptores se encontram e se tornam visíveis ao pesquisador. O fato é que a web é considerada pela televisão como um espaço a ser trabalhado, pois:

É a ameaça de sua permanência em uma “zona de solidão”, provocada pela circulação, que leva as mídias a redesenhar seus produtos e, sobretudo, seus protocolos de interação com os seus consumidores (FAUSTO NETO, 2010, p.64)

Assim, entendendo as redes sociais como espaços circulatórios, buscaremos entender através do operador analítico “circulação” como se dão essas novas interações e como essa relação telejornal/telespectador/internauta é construída e interfere nos processos identitários do JPB1.

Através das páginas do telejornal, que nada mais são do que “zonas de contato” apropriadas pelos produtores para estabelecer interações com o público, podemos compreender como o “modo de endereçamento” do telejornal vem sendo reconstruído. Antes, o noticiário era o único lugar de observação analítica, mas seguindo as novas lógicas da midiatização, o telejornal se expande e se apropria de outros espaços, usa de outras linguagens para tentar uma aproximação com os seus telespectadores e/ou internautas.

Como enfatiza Recuero (2009), é nos ambientes digitais, em especial nas Redes Sociais, que os telespectadores se apropriam dessa ferramenta para criar novas relações com os produtores midiáticos. Assim, podemos inferir que esses espaços são valiosos na construção de sentidos, tanto sobre as relações entre atores sociais como entre atores e instituições.

Como vimos no capítulo teórico, Cajazeira (2009) aponta a noção de “audiência convergida” do telejornal nas Redes Sociais. O noticiário televisivo se apropria dos espaços do internauta e, possível telespectador, para se transformar em um produto para além de televiso, isto é, multiplataforma. Na observação da circulação como operador analítico, buscamos também encontrar pistas de como ela interfere no produto midiático em si e na construção de sua identidade. A seguir, iremos expor o corpus da pesquisa.