• Sonuç bulunamadı

ÜÇÜNCÜ BÖLÜM

3. ĐHRACATI ETKĐLEYEN FAKTÖRLERE ĐLĐŞKĐN BĐR MODEL DENEMESĐ

3.1. Araştırma Model

3.1.1. Zaman Serilerinde Durağanlık ve Birim Kök Testler

As idéias de John Ruskin estiveram presentes no projeto de

industrialização do Brasil elaborado por Rui Barbosa e Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro, ainda no império de D. Pedro II. Foi através da proposta de Reforma do Ensino Primário138, publicado em 1883, que Barbosa idealizou a mudança de um país agrário para um industrial. E foi com a fundação do Liceu de Artes e Ofícios, em 1856, que o ensino do desenho pretendeu criar um mercado de trabalho composto por mão-de-obra qualificada na estética para ser o alicerce do Brasil industrial.

A estratégia de Barbosa era alterar a estrutura de ensino do país. Propôs substituir a pedagogia de influência jesuítica, com base na memorização, por outra que chamou de ensino intuitivo, com base na

observação da natureza e no ensino do desenho. Rui Barbosa adotou parte da concepção de estética de John Ruskin para conceber esse projeto.

Alguns anos antes, em 1856, havia sido fundado o Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro. Diferente de Barbosa, influenciado por um inglês, este é de influência francesa139. Apesar das fontes diferentes, ambos têm a mesma proposta: industrializar o Brasil através do ensino do desenho.

O Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro foi fundado pelo arquiteto Francisco Joaquim Béthencourt da Silva, discípulo de Grandjean de Montigny membro da Missão Francesa chefiada por Lebreton. A Sociedade Propagadora

das Belas Artes, sua mantenedora, tinha por propósito difundir a estética nos

138 Ba rb o sa , R. Re fo rma d o Ensino Primá rio e Vá ria s Instituiç õ e s C o mp le me nta re s d a Instruç ã o

Púb lic a . O b ra s C o mp le ta s d e Rui Ba rb o sa . Rio d e Ja ne iro : Ministé rio d a Ed uc a ç ã o e Sa úd e , 1946.

139 A o rig e m fra nc e sa d o L.A.O .:

“ Na Fra nç a , e m 1675, C o lb e rt e nc o me nd o u à Ac a d e mia d e C iê nc ia s d e Pa ris um e stud o so b re a s a rte s e o fíc io s, o q ue se inse ria na p o lític a ma nufa ture ira le va d a à p rá tic a p o r e le . De ssa e nc o me nd a re sulto u a De sc rip tio ns d e s Arts e t Mé tie rs Fa ite s o u Ap p ro uvé e s p a r Me ssie rs d e l’ Ac a d é mie Ro ya le d e s Sc ie nc e s, a ve c Fig ure s, o nd e e sta va m re p re se nta d o s to d a s a s fe rra me nta s e má q uina s, e m p la nta , vista s e c o rte s, c o m p o rme no re s d e c e rta s p e ç a s

imp o rta nte s. A o b ra fo i inic ia d a e m 1693, ma s o p rime iro d e se us 76 vo lume s só sa iu g ra ç a s a o s e sfo rç o s d e Ré a umur e d e Duha me l d u Mo nc e a u e m 1761. A Enc ic lo p é d ia d e Did e ro t e D’ Ale mb e rt c o ro o u o e sfo rç o fe ito na Fra nç a ne sse c a mp o . (G a ma , R. A Te c no lo g ia e o Tra b a lho na Histó ria . Sã o Pa ulo : No b e l/ Ed usp , 1987, p . 56).

espaços da cidade e no modo de vida em geral. A cidade passaria a ser uma

obra de arte. O belo, para o Liceu, deveria estar presente nos espaços do dia-

a-dia das pessoas comuns. Assim, a padaria, a farmácia, o restaurante, o açougue, a alfaiataria, além dos edifícios públicos (já tratados como arte), comporiam a cidade enquanto uma obra de arte.

O Liceu se propôs a educar a população trabalhadora para o aprendizado do desenho. Com cursos noturnos, gratuitos e sem restrição a qualquer tipo de pessoa, posição social, nacionalidade ou gênero, abriu-se para toda a sociedade. O seu objetivo era instruir uma mão de obra qualificada para a formação de um mercado de trabalho, ou seja, pretendia ser o agente de transformação de um país agrário para um industrial.

A ênfase no ensino do desenho provinha das notícias do que ocorria com a industria européia. A que mais impacto causou na época foi a crítica à péssima qualidade estética dos produtos industriais da Exposição de Londres em 1851. O ensino do desenho foi considerado a saída para superar esse problema. No entanto, segundo Gama, o ensino do desenho significou muito mais do que uma mera resposta à Exposição Londrina, expressou o

aprofundamento do rompimento entre o modo de produção capitalista com o feudal.

Embora o Brasil não fosse um país industrial, existia o desejo, expresso por alguns intelectuais, para que o fosse. O Liceu de Artes e Ofícios e a

Reforma do Ensino Primário de Rui Barbosa formaram um projeto idealizado para este fim. Um dos maiores obstáculos que enfrentaram, segundo

Béthencourt da Silva, foi o preconceito em relação ao trabalho manual. Esse tipo de trabalho era praticado por escravos e por isso era uma atividade

proibitiva para o homem de bem. No entanto, esses intelectuais sabiam que, se o país queria deixar de ser agrário, teria que construir a sua classe

trabalhadora. Portanto, as artes mecânicas teriam que ser valorizadas.

O Liceu e Barbosa se propuseram a alterar essa cultura através da educação que valorizasse o trabalho manual. Queriam formar uma sociedade voltada ao trabalho.

O Liceu foi contra o trabalho escravo, contrário também ao sistema de ensino das corporações de ofício ainda existentes no país140. O fato de ser uma escola já é uma oposição ao método de ensino das corporações. O seu

objetivo era formar mão-de-obra qualificada para construir um mercado de trabalho141, coisa impossível de ser feita com a mão-de-obra escrava ou com as corporações de ofício.

Para o Liceu e Barbosa, a educação tinha o poder de alterar os costumes sociais, coisa que, na época, desde Rousseau, era aceito como verdadeiro.

“No século XVIII um dos grandes nomes da história da educação é o suíço Jean Jacques Rosseau. Na obra Emílio, considerada o grande clássico da utopia

pedagógica, propõe a educação para a reforma da sociedade. Artz lembra Rousseau, assim como La Chalotais e Condillac, seguia a teoria de Locke sobre o conhecimento humano e a sua origem nas sensações – bases do pensamento reflexivo – e que a experiência direta e a razão deveriam ocupar o lugar da autoridade na educação. Insiste por isso no valor do aprender fazendo; declara explicitamente seu ódio aos livros, que apenas nos ensinam a falar de coisas de que não sabemos nada. É por aí que chega, mais do que qualquer outro escritor, a considerar as artes manuais em seu

140 Emb o ra a s c o rp o ra ç õ e s d e o fíc io ha via m sid o p ro ib id a s no Bra sil e la s a ind a e xistia m.

Na s c o rp o ra ç õ e s d e o fíc io nã o e xistia d ife re nç a e ntre p ro d uç ã o e e nsino . O me stre a d o ta va um a p re nd iz c o nfo rme uma c e rta q ua ntia d e d inhe iro e fa zia -o tra b a lha r c o nfo rme a s sua s o rd e ns. O a p re nd iz e ra a o me smo te mp o a p re nd iz e se rvo .

141 “ As le is d a s c o rp o ra ç õ e s d a Id a d e Mé d ia imp e d ia m me to d ic a me nte (...) a tra nsfo rma ç ã o d e

um me stre a rte sã o e m c a p ita lista , limita nd o se ve ra me nte o núme ro d e C o mp a nhe iro s q ue e le tinha o d ire ito d e e mp re g a r. Ta mb é m só lhe e ra p e rmitid o e mp re g a r C o mp a nhe iro s no o fíc io e m q ue e ra me stre . A c o rp o ra ç ã o se d e fe nd ia ze lo sa me nte c o ntra q ua lq ue r intrusã o no c a p ita l me rc a ntil, a únic a fo rma livre d e c a p ita l c o m q ue se c o nfro nta va . O c o me rc ia nte p o d ia c o mp ra r to d a s a s me rc a d o ria s, ma s nã o o tra b a lho c o mo me rc a d o ria . Só c irc unstâ nc ia

to le ra d a c o mo d istrib uid o r d o s p ro d uto s d o s a rte sã o s. Se c irc unstâ nc ia s e xtre ma s se sub d ivid ia m e m sub e sp é c ie s o u se fund a va m no va s c o rp o ra ç õ e s junto à s a ntig a s, se m q ue d ife re nte s o fíc io s se re unisse m numa únic a o fic ina . A o rg a niza ç ã o c o rp o ra tiva e xc luía , p o rta nto a d ivisã o

ma nufa ture ira d o tra b a lho , e mb o ra muito c o ntrib uísse p a ra a s c o nd iç õ e s d e e xistê nc ia d e sta , e sp e c ia liza nd o , se p a ra nd o e a p e rfe iç o a nd o o s o fíc io s. Em g e ra l, o tra b a lha d o r e se us me io s d e p ro d uç ã o p e rma ne c ia m ind isso luve lme nte unid o s, c o mo o c a ra c o l e sua c o nc ha , e a ssim fa lta va a b a se p rinc ip a l d a ma nufa tura , a se p a ra ç ã o d o tra b a lha d o r d e se us me io s d e p ro d uç ã o e a c o nve rsã o d e sse s me io s e m c a p ita l (...) O e nsino té c nic o – o e nsino e sp e c ia l, o e nsino p rimá rio sup e rio r, c o rre sp o nd ia a no va s ne c e ssid a d e s, d e o rd e m té c nic a e p ro fissio na l, q ue a s g ra nd e s tra nsfo rma ç õ e s e c o nô mic a s d o sé c ulo XIX fize ra m na sc e r, p a rtic ula rme nte o d e se nvo lvime nto d a g ra nd e ind ústria e d a a d ministra ç ã o p úb lic a e p a rtic ula r. O s a ntig o s c e ntro s c o rp o ra tivo s, a lud id o s e m 1791, nã o ha via m c o nse g uid o re c o nstituir-se . Po r o utro la d o , o s o p e rá rio s q ua lific a d o s nã o p o d ia m ma is c o nte nta r-se c o m re c e b e r, c o mo o utro ra , na o fic ina d o me stre a rte sã o o u na fa mília , a s tra d iç õ e s c o nc e rne nte s à p rá tic a d o s o fíc io s” . (G a ma , R. A Te c no lo g ia e o Tra b a lho na Histó ria . Sã o Pa ulo : No b e l/ Ed usp , 1986, p . 109, 122).

verdadeiro valor educacional: um jovem aprende mais em uma hora de trabalho manual do que num dia inteiro de instrução verbalizada.”142

A industrialização do Brasil, na opinião de Barbosa e Béthencourt da Silva teria que primeiro passar por uma transformação cultural, isto é, formar uma sociedade voltada ao trabalho manual, para só depois surgir a estrutura fabril propriamente dita. Eles estavam plantando as sementes do projeto de um Brasil industrial, assim como aponta o quadro de Carlos Oswaldo no qual um operário jovem (O Brasil jovem) espalha as sementes das artes (literatura, pintura, música) no solo nacional.

78

C a rlo s O swa ld o . Ág ua fo rte . O p e rá rio se me a nd o a s a rte s no Bra sil

A Reforma do Ensino Primário de Barbosa se propôs a alterar o sistema educacional brasileiro, começando no nível primário indo ao profissionalizante.

Foi por esta porta que as idéias de John Ruskin, trazidas pelas mãos de Rui Barbosa, conhecidas internacionalmente desde a Exposição de Londres, vieram participar do primeiro projeto de industrialização do Brasil.

É importante atentar que o desenho, para Ruskin, é a derivação de uma ética que se expressa na dissolução da diferença entre as artes liberais e mecânicas, mas além disso, propõe um tipo de relacionamento na produção que elimina a hierarquia de quem pensa sobre quem faz. Barbosa sabia disso, pois foi um assíduo leitor de Ruskin, no entanto, não trouxe para o Brasil a proposta inglesa dos Arts and Crafts, como se poderia imaginar, utilizou apenas algumas das idéias de Ruskin, mais especificamente a sua teoria da percepção sem seguir a risca os desdobramentos desta.

O Arts and Crafts inglês foi a expressão mais acabada dos pensamentos de Ruskin em relação à indústria.