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Ayşe İdil Aybars 1

II. Yurttaş Gazeteciliği ve Ana Akım Haber Medyası

Imagem 1 - O Grupo de Biodanza na participação do XXII Encontro Nordestino de Biodanza, Salvador-BA, 2011

Fonte: Foto de Maria Márcia da Silva, 2011

Powell e Single (1996) definem o grupo focal como um conjunto de pessoas escolhidas e reunidas por investigadores, objetivando discutir e comentar um tema de pesquisa, a partir de sua experiência pessoal (apud GATTI, 2005, p.7). Para Gatti (2005, p. 9- 11), a pesquisa com grupos focais possibilita compreender processos de construção da realidade. Ressalta que os participantes precisam sentir confiança para expressar suas opiniões e exercer uma participação ativa. Assim, “o grupo focal permite fazer emergir uma multiplicidade de pontos de vista e processos emocionais, pelo próprio contexto de interação criado”.

Nesta pesquisa, considerou-se o grupo de Biodanza como um grupo focal, pois este tem as características de identificação, conforme apresenta Gatti (2005), tais como: formado por uma adesão voluntária; formado por pessoas que partilham alguns traços em comum, relevantes para o estudo do problema visado; pode ser utilizado na fase preliminar de uma pesquisa para apoiar a construção de outros instrumentos (questionários, entrevistas, roteiros e observação); permite fazer levantamento de dados que se produzem pela dinâmica

interacional de um grupo, com um facilitador; ter clima de abertura e confiança para expressão e participação ativa, livre de ameaças.

No grupo de Biodanza, vivenciava-se uma situação apropriada para a utilização dessa técnica, sobretudo pelo clima de confiança, onde cada participante pode se expressar não somente pela palavra, pois o clima que se cria quando o grupo alcança o “nível básico” de integração é de um mundo sem barreiras. Neste clima de integração, os corpos se tornam permeáveis à presença e potência do outro, com a manifestação de emoções integradoras de grande intensidade (TORO, 1991, p. 594).

O grupo se torna um laboratório de vivências, pois nele se tem a oportunidade de se expressar através dos movimentos corporais em conexão com a deflagração da emoção, de acordo com as músicas previamente selecionadas. É um espaço de experimentar o corpo em movimento, em busca do encontro consigo mesmo, valorizando-se e reforçando a sua identidade pessoal, através das vivências.

Fui constatando que as vivências de Biodanza são uma forma de sair do estado prosaico para o estado poético. Conforme Morin (2007, p. 135), este estado prosaico é a vivência do racional e utilitário, ligado às nossas atividades de sobrevivências, com ausência ou recalcamento da afetividade, enquanto o estado poético, é a vivência de um estado de graça, em que o nosso ser e o mundo são transfigurados. É o estado da emoção, da afetividade, onde se tem a alegria, a embriaguez, o deslumbramento, comunhão, entusiasmo, etc.. Há diversos caminhos para alcançar este estado poético: cantos, danças e rituais são alguns desses.

O grupo de Biodanza, no desenvolvimento de uma aula induzida pela força da música e pela sequência dos exercícios, vivencia um estado poético com diferentes funções: será permissivo, facilitador, deflagrador, integrador, criador e transcendente. Em exercendo essas funções, diminui a força dos mecanismos de defesa, reforça a expressão saudável de cada participante, torna-se um catalisador de processos integrativos, como uma matriz de renascimento das pessoas (TORO, 1991, p. 596).

No seu modelo vivencial, são seguidos os princípios da progressividade e da autorregulação, respeitando os níveis de grupos para iniciantes, intermediários e grupos num nível de aprofundamento das vivências.

Santos (1997, p. 105) fala que cada grupo é singular pela composição de seus participantes que determinam seu processo, e também pelo estilo do facilitador que vai imprimindo uma fisionomia no grupo. Ela faz uma classificação dos grupos de acordo com o número de participantes: Grupo mínimo - de seis a dez participantes; Grupo pequeno - de onze a dezesseis participantes; Grupo médio - de dezessete a trinta e seis participantes; Grupo grande - de trinta e sete a cinquenta participantes e Grupo gigante, acima de cem participantes, que são vivências esporádicas, realizadas em eventos.

O grupo de Biodanza, objeto desta pesquisa, funciona há dez anos, na Escola Municipal de Ensino Fundamental Cleto Marques Luz, em Maceió - AL. Este se formou a partir do interesse e do convite de duas professoras: Maria Edna Silva e Maria Régia de Oliveira, ambas desta escola. Estas duas professoras já haviam passado pela experiência da Biodanza, através de um grupo regular, e constataram o quanto foi importante para suas vidas e para o seu ser profissional esta vivência. Esta experiência foi a motivação para o início de um grupo de Biodanza, dentro do seu espaço de trabalho. Ao somar a motivação, o interesse e o diálogo dessas duas professoras com a direção da escola, com a facilitadora de Biodanza e com outras pessoas convidadas, houve uma mobilização que culminou com uma adesão de pessoas interessadas em número suficiente para se criar um grupo.

Este grupo teve continuidade. Mesmo com um período prolongado de existência, não houve interrupção, mas uma renovação, com abertura para novas pessoas e saídas de outras. Permaneceram as duas professoras que motivaram a criação do grupo, mesmo depois de aposentadas, no início de 2010. Estas continuaram participantes assíduas e foram motivadoras de outros participantes antes, durante e depois da realização da pesquisa.

Fui percebendo, no grupo, as pessoas que muito contribuíram para sua existência, através da manifestação de sua força de agregação, de mobilização, de entusiasmo e de superação de alguma dificuldade para o acontecer de todos os encontros semanalmente. Essas mulheres, considerei-as como quatro pilares que mobilizavam o grupo em torno de vivências e ações no grupo, e para além dele, em várias atividades como passeios, retiros espirituais, viagens, comemoração de aniversários, solidariedade em momentos de doenças, sofrimentos e morte.

Como grupo regular, reunia-se semanalmente na escola, com uma média de dez participantes. Todas eram mulheres, com idade de 31 a 77 anos. A maioria com formação de nível superior, com cursos voltados para a educação. Neste grupo, uma é viúva, outra é

divorciada, duas são solteiras e seis são casadas. Oito são mães e cinco já são avós. Quatro já são aposentadas, sendo que três dessas exerciam a profissão de educadoras.

Neste grupo, o tema para cada vivência semanal não era visto em torno do debate e do discurso, e sim em torno de uma temática que era vivenciada corporalmente, e eu, no papel de facilitar e investigar, sentia-me com entusiasmo e alegria pela teoria e pela vivência junto a este grupo.

Foram registrados os comentários de que o grupo é um espaço em que a pessoa se abre, se expressa, ninguém ignora ninguém, é o espaço da vivência onde se criam vínculos, uma pessoa querendo ajudar a outra.

Fui percebendo que as participantes veem o grupo como renovador de energia, motivador, e vêm em busca desta troca, desta convivência, proporcionadas pela vivência poética e afetiva da Biodanza. A vivência grupal é o espaço de se manter em harmonia e em equilíbrio. Isto é percebido pelas expressões: “eu acredito muito no grupo”,“o grupo é muito importante”, “eu me sinto muito bem neste grupo de Biodanza”,“este grupo aqui é energia positiva”, “ isto que me faz bem”.

Para Toro (1991), o grupo se transforma em um espaço para o cultivo do desenvolvimento do ser humano autêntico. E quando se conseguem encontros autênticos, iniciam-se, de fato, as modificações na identidade.

De acordo com Toro (1991, p. 597), o conhecimento recíproco entre os participantes de um grupo se realiza de modo progressivo. As pessoas vão se conhecendo de acordo com suas afinidades, e vão criando relações diferenciadas conforme o contato que estabelecem. Toro diz que o grupo tende a formar uma estrutura orgânica de base afetiva. A unidade de um grupo não pode ser imposta pelo facilitador, pois ninguém está obrigado a estabelecer relações com pessoas que não são do seu agrado, pois “o grupo é um catalisador de processos integrativos e não um sistema de elaboração analítico verbal”.

É importante ressaltar que toda esta reflexão do grupo é um resultado das vivências corporais, que é experimentar o corpo como laboratório das vivências, gerando uma consciência e uma elaboração posterior de si mesmo, de um conhecimento que toca diretamente a nossa humanização em conexão com nossas forças vitais, e que promovem as transformações orgânicas e existenciais. Para Toro (1991), o grupo de Biodanza é uma abertura para a experiência do amor inocente e universal. O grupo integrativo reforça as

expressões saudáveis de cada participante, estimula o ímpeto vital, o desejo de contato, a alegria e a criatividade. É um estimulador da expressão dos potenciais de cada participante, elevando-o a um novo nível de sua evolução.