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8. Hikâye anlatıcılığı

F

2.3.1.3 Linha da Criatividade

Imagem 7 - A expressão da criatividade através do movimento corporal. Vivência do I Congresso Internacional de Educação Biocêntrica e XXI Encontro Nordestino de Biodanza, João Pessoa- PB,

2010

Fonte: Foto de Valu Ribeiro - 2010

Criatividade é inovação, construção e imaginação. Toro nos diz (2008, p. 88) que esta Linha está ligada ao instinto de exploração e impulsos de inovação que é parte integrante de todo organismo vivo, que apresenta fenômenos de criação espontânea a cada instante. Desse modo, os processos de adaptação e de integração são extremamente criativos. Esta criatividade presente em todas as formas de vida “é uma atividade que forma parte integrante da transformação cósmica, um caminho do caos a ordem. No ser humano esta se manifesta pelo impulso de inovação” (TORO, 1997, p. 3).

Na Biodanza, esta Linha tem por objetivo trabalhar o desenvolvimento do nosso instinto exploratório e do nosso impulso para inovar, despertando-nos para a criação existencial. Para Toro (2002, p. 89), “a atividade criadora é o desenvolvimento natural de uma função biológica”. A Biodanza atua no sentido de favorecer a expressão desta função criadora que é própria de todo e qualquer ser humano.

A criatividade é um potencial humano, que pode ser estimulado ou reprimido. Toro (2002, p. 88) nos convida a mudar a concepção de que existe dissociação entre o ser e sua obra ou ainda a mudar a crença de que a criatividade é apenas mérito de algumas pessoas extraordinárias. Extraordinário e maravilhoso é o nosso próprio viver, criando o nosso próprio

existir, pois “é chegado o momento de assumir a nossa grandeza, não só na dimensão intelectual ou cognitiva, mas na existência”. Criar a si mesmo é a maior obra que podemos deixar para a humanidade. Todos temos criatividade, e esta pode se manifestar em nossas histórias. “Ser criativo é ser flexível e saber agir levando em conta o fluxo da história” (GONÇALVES, 2001, p.128).

Para Sanclair, a sua vivência de criatividade se manifesta pelo desenvolvimento da confiança na vida, como criatividade existencial. Diz:

"Desenvolvi em mim a confiança na vida.[...]A coragem de abandona r a Universidade, de viver na incerteza do amanhã[...]Eu não tenho medo, nem dúvida de que vou trabalha r o ano que vem. Vai acontecer de alguma maneira. Isto é um bom exemplo de criatividade existencial."

“Vou criando a mim mesma”, é o modo como Mônica se mostra, sem medo do julgamento do outro. Sente-se feliz de ser assim, pois já experimentou viver muito presa aos julgamentos dos outros.

Desse modo vai se enraizando no mundo, assumindo sua missão como criador de si mesmo. Diz Sobral:

"A forma como eu comecei trabalha r com a Biodanza era extremamente criativa[...] A Biodanza me ajudou muito, não só na conexão criativa, mas na habilidade prática [...]Eu enraizei mais."

Carla fala de uma série de coisas que são mais difíceis sem a prática da vivência da Biodanza, que torna a vida mais fluida, não mais fácil. Mais fluida no como lidar com as adversidades, no como resolver conflitos, no como lidar com o sofrimento, e tendo um ímpeto de pensar uma alternativa.

Para Régia, a criatividade em seu viver acontece pelas mudanças de estratégias: "Na minha casa, mesmo, quando alguém está com dificuldades ou eu mesma, digo, Não! Eu não vou ficar morrendo, nem ficar criticando. Digo, não! Vou arrumar uma maneira para que a gente consiga, porque sinto que quando eu estou bem, todos estão, ali as coisas vão equilibrando [...] Às vezes nem falando, eu mudo as estratégias e vou fazendo e as coisas vão fluindo. Faço isso e dá certo, porque quando está em equilíbrio, tudo flui."

Claudete nos diz que esta possibilidade de criação existencial é contínua. A cada momento ela está criando, inovando e buscando os meios. Assim pode criar sua realidade existencial.

Do grupo focal registrei no diário de campo que a característica bem marcante das vivências de criatividade foi a alegria. Das interações de todo o grupo surgiram estas expressões:

“criar para não ficar com aquela apatia”; “harmonia na superação dos atritos familiares”; “percepção do equilíbrio na vida”; “capacidade de sair das coisas e ficando bem” ;“as coisas acontecem e como que vai saindo daquela situação”;“a Biodanza só traz para mim muita coisa boa”;“tudo de bom”; “coisas que eu jamais imaginava de conseguir vencer e consegui”; “alegria, felicidade e desejo de manifestar tudo isso para as pessoas”;“paz e felicidade”;“uma coisa gostosa e prazerosa”; “muito bom”; “equilíbrio e bem-estar”;“harmonia e resolução pela conversa”;“ser uma nova pessoa e desejo que outras pessoas conhecessem a Biodanza”; “sensação de paz, de felicidade, de grupo de pessoas, de convivência”;“aquela coisa bem gostosa, bem prazerosa”; “aquela coisa legal, uma coisa que não tem como dizer o que é realmente{...}bem do fundo do coração, da alma, muito bom”;“equilíbrio - quando se está equilibrada, vê de outra forma as coisas e a meta de estar no grupo é o equilíbrio”.

Das entrevistas e do grupo focal, foi possível perceber que a fluidez e a criação de estratégias são provenientes de atitudes bem diferentes daquelas padronizadas com respostas prontas e de concepções rígidas. A flexibilidade são efeitos coerentes com o impulso de inovação e exploração. Somos construtores de nós mesmos a cada dia. Quanto mais estamos abertos para o fluxo da vida que é inovador, mais teremos possibilidades de sermos felizes e de estarmos em harmonia com a própria vida, além de termos a alegria de criar o próprio viver e de não apenas levarmos a vida, como se ela fosse um fardo.

A atitude criativa em expansão nos leva a conceber e viver a vida como uma grande dádiva que pode ser celebrada, e, agradecidos, manifestar o desejo de expandi-la, expressão essa da confiança no mistério da própria vida, que é impossível de ser enquadrada nos nossos conceitos. Sair de um padrão de vida mecânico, permitir-se, mostrar-se, é assumir esta dimensão criadora que pode estar reprimida pelo medo de experimentar a intensidade criadora da vida que habita cada ser vivo.