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Yurtiçinde YapılmıĢ AraĢtırmalar

2. ÖRGÜTSEL STRES KONUSUNDA YAPILMIġ ÇALIġMALAR

2.1. Konu Ġle Ġlgili AraĢtırmalar

2.1.1. Yurtiçinde YapılmıĢ AraĢtırmalar

Drummond em sua luta, em sua procura da palavra, se expressa poeticamente:

As palavras não nascem amarradas, / elas saltam, se beijam, se dissolvem, / no céu livre por vezes um desenho, / são puras, largas, autênticas, indevassáveis. (Consideração do Poema)

Foi a expressão poética a que mais pronta e mais radicalmente se alterou com a viagem modernista.

Renovar a linguagem está no cerne das preocupações e dos projetos de todos, no entanto subsistem divergências sensíveis sobre o modo de entender as fronteiras entre poesia e não-poesia, sobre o tipo de mediação que se deve propor entre o ato estético e os demais atos humanos (éticos, políticos, religiosos, vitais).

E, assim, em meio à aridez que nos cerca, o que esperar das poéticas, a não ser uma agressividade que denuncia e procura uma comunicação mais livre e inteligente com o semelhante.

O primeiro grande poeta que se afirmou, depois das estréias modernistas, foi Carlos Drummond de Andrade. Definindo-lhe, lucidamente o caráter, disse Otto Maria Carpeaux (1943) da sua obra que “expressão de uma alma muito pessoal, é poesia muito objetiva”.( p. 331). Uma aguda percepção do poeta de um intervalo entre as convenções e a realidade.

Visitando sua obra poética, encontram-se lugares, os mais diversos, de realização temática. Ora um arsenal concretíssimo de coisas, ora a atividade lúdica da razão, solta, entregue a si mesma, armando, desarmando dúvidas, mais amiga de negar e abolir que de construir: ...e a poesia mais rica / é um sinal de menos.

Drummond, “poeta público”, vivendo a fase intensa da fúria nazi-fascista, da Guerra Fria, do neocapitalismo, da tecnocracia, das ditaduras de toda sorte, ressoando dura e secamente no “eu” artístico do poeta.

Sentimento do mundo, lembranças simples da infância, autofechamento do espírito, dor do desgaste cósmico, poesia objectual de “Lição de Coisas” (1959-62), livro em que o processo básico é a linguagem nominal: o poeta pratica, mais do que antes, a violação e a

Na verdade, desde “Alguma Poesia”, foi pelo prosaico, pelo irônico, pelo anti- retórico que Drummond se afirmou como poeta, congenialmente moderno. O rigor de sua fala madura, lastreada na recusa e na contensão, assim como o fizera homem de esperança no momento participante de A Rosa do Povo, o faz agora homem de um tempo reificado até a medula pela dificuldade de transcender a crise de sentido de valor que rói a nossa época, apanhando indiscriminadamente as velhas elites, a burguesia afluente, as massas. Inteiramente submergido num vasto mundo, o poeta foi se construindo, a partir da construção de sua poesia, como um ser sensível, capaz de abarcar todas as crises, as próprias – existenciais – e as do mundo, escritas em sua disciplina criativa.

Drummond aportou, coerentemente, a uma opção concreto-formalista, radicalizando processos estruturais que sempre marcaram o seu modo de escrever. Nesse sentido, é possível reportar-se a poemas de 1942 – O Lutador (01) e de 1943 – Procura da Poesia (02):

Fragmentos

Lutar com palavras / é luta mais vã. / Entanto lutamos / mal rompe a manhã. / São muitas, eu pouco. / Algumas, tão fortes / como javali. ...

Insisto, solerte. / Busco persuadi-las. / Ser-lhe-ei escravo / de rara humildade...

Palavra, palavra / (digo exasperado), / se me desafias, / aceito o combate...

Luto corpo a corpo, / luto todo o templo, / sem maior proveito / que o da caça ao vento...

Iludo-me à vezes, pressinto que a entrega / se consumará...

O ciclo do dia / ora se consuma / e o inútil duelo / jamais se resolve. / O teu rosto belo, / ó palavra, esplende / na curva da noite / que toda me envolve. / Tamanha paixão / e nenhum pecúlio. / Cerradas as portas, / a luta prossegue / nas ruas do sono. (01)

Não faças versos sobre acontecimentos. / Não há criação nem morte perante a poesia. / Diante dela, a vida é um sol estático, / não aquece nem ilumina...

Não faças poesia com o corpo...

Não cantes tua cidade, deixa-a em paz...

Não dramatizes, não invoques, / não indagues. Não percas tempo em mentir...

Penetra surdamente no reino das palavras. / Lá estão os poemas que esperam ser escritos./ Estão paralisados, mas não há desespero, / há calma e frescura na superfície intata...

Não forces o poema a desprender-se do limbo. / Não colhas no chão o poema que se perdeu. / Não adules o poema. Aceita-o / como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada / no espaço.

Chega mais perto e contempla as palavras. / Cada uma / tem mil faces secretas sob a face neutra / e te perguntas, sem interesse pela resposta / pobre ou terrível, que lhe deres: / Trouxeste a chave? (02)

No exercício de uma linguagem, freqüentemente conceitual, de extraordinária inventividade metafórica, situada entre as que detêm o mais alto índice de eficiência e expressividade poética na literatura de língua portuguesa, de acordo com a visão dos críticos literários, Drummond lança mão de recursos característicos e reveladores de uma concepção funcional e objetiva da dicção do poema. Ressaltam em sua técnica, além do meticuloso domínio de todos os ritmos verbais, o uso de um amplo esquema de repetições e reiterações expressivas, a associação semântica e fonética de palavras, a revalorização do emprego da rima, do ponto de vista estritamente utilitário, a invenção vocabular, a incorporação consciente de um léxico, tradicionalmente extra-poético, oriundo do cotidiano urbano – elementos que – em conjunto – reformam e aprimoram, ao máximo, a melhor vertente de um bem-escrever de uma literatura brasileira, ainda de olhos postos na civilização européia.

De jornalista à farmacêutico, entre atividades burocráticas, forja-se o homem da poesia e da prosa, firmando-se, finalmente, o poeta. Considerado o maior poeta vivo do Brasil (contra o que, sempre se insurgiu), em sua derradeira entrevista, concedida em

meados de 1987, expressa-se, mais uma vez, o poeta cético, diante do mundo, diante de si, diante, inclusive, de sua obra, declarando, enfim, Minha poesia é cheia de imperfeições. Se

eu fosse crítico, apontaria muitos defeitos. Não vou apontar. Deixo para os outros. Minha

obra é pública.