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1. STRES VE STRES YÖNETĠMĠ

1.2. Stres Yönetimi

1.2.1. Bireysel Stres Yönetimi

Lispector (1990) escreve em sua Paixão:

[...]Eu tenho à medida que designo – e este é o esplendor de se ter uma linguagem. Mas eu tenho muito mais à medida que não consigo designar. A realidade é a matéria-prima, a linguagem é o modo como vou buscá-la – e como não acho. Mas é do buscar e não achar que nasce o que eu não conhecia, e que instantaneamente reconheço. A linguagem é meu esforço humano. Por destino tenho eu que ir buscar e por destino volto com as mãos vazias. Mas volto com o indizível. O indizível só me poderá ser dado, através do fracasso de minha linguagem. ... Só quando falha a construção, é que obtenho o que ela não conseguiu. (PAIXÃO SEGUNDO G.H. CLARICE LISPECTOR, 1990, p. 180)

Palavra e silêncio – igual valor, em Clarice, em Paixão segundo G.H, sendo que o silêncio acaba sendo o fim último e utópico de sua escrita, no entanto ela sabe que se o silêncio é a expressão máxima do indizível, é somente através da palavra que se chega a essa conclusão.

Clarice interage com as coisas, com os objetos e com o que deles faça parte. Nela, o próprio ato de observação do objeto é uma experiência mística, à proporção que se constrói a consciência dos personagens, a partir dele: o observador se observa, através do objeto observado e, assim, atinge a iluminação.... Não posso ficar olhando demais um objeto,

o pensamento, é a “coisa”. A coisa que está às mãos, milagrosamente concreta. É o que

escreve em Um sopro de vida ( Lispector, 1988, p.101). Obviamente, essa experiência, que não é vivida pela maioria das pessoas, necessita de uma mediação para que seja compreendida pelo leitor; mediação essa que se dá pela palavra transformada, isto é, pela palavra despida das limitações impostas pelos seus significados convencionais.

De Clarice, então, pode-se dizer o que George Steiner (1988) diz de Mallarmé: ...

faz das palavras atos, não fundamentalmente de comunicação, mas de iniciação a um

mistério particular, ... usa as palavras correntes em sentidos ocultos e enigmáticos; nós as

reconhecemos, mas elas nos dão as costas. (p. 46)

Emblemático desse processo de apagamento dos sentidos atribuídos às palavras (e também do processo de fusão com o objeto), o conto-ensaio O ovo e a galinha (1991) se constrói, a partir do jogo de linguagem estabelecido entre o objeto “ovo” e a palavra “ovo” que o nomeia, numa aproximação lúdica e simultânea da linguagem infantil se esboçando, e da mais abstrata especulação filosófico-metafísica, na qual se busca, incessantemente, através da reiteração do nome, definir o objeto, sem que, no entanto, se chegue a atingir essa meta, já que, quanto mais se acumulam as definições, mais se distancia a essência do objeto.

Paralelamente a essa fúria aproximativa do objeto, contudo, há a preocupação do narrador em não entendê-lo, pois se o entender estará errando. A linguagem do conto, então, não se propõe a elucidar o mistério do ovo; quer apenas mostrar que é mistério, e o que se delineava como apreensão do objeto, no início do texto, no final revela-se como um desapego supremo, pois o ovo é um esquivo, e somente quando deixado livre, impensado, é que pode se revelar em sua verdadeira essência.

Sobre a obra de Lispector, Bosi (1994), em algumas idéias traçadas sobre o que lhe parece ser o significado da obra dessa escritora singular, no contexto da nova literatura brasileira, revela:

Há na gênese dos seus contos e romances tal exacerbação do momento interior que, a certa altura do seu itinerário, a própria subjetividade entra em crise. O espírito, perdido no labirinto da memória e da auto-análise, reclama um novo equilíbrio. Não mais na esfera convencional de algo-que-existe-para-o-eu (nível psicológico), mas na esfera de sua própria e irredutível realidade. O sujeito só “se salva”, aceitando o objeto como tal; como a alma que, para todas as religiões, deve reconhecer a existência de um Ser que transcende para beber nas fontes da sua própria existência. Trata-se de um salto do psicológico para o metafísico, salto plenamente amadurecido na consciência da narradora.( p. 424)

Clarice, em sua Paixão Segundo G.H (1990), traz à luz essa consciência, quando diz: Além do mais, a “psicologia” nunca me interessou. O olhar psicológico me

impacientava e me impacienta, é um instrumento que só transpassa. Acho que desde a

adolescência eu havia saído do estágio do psicológico. (p. 26)

Bosi (1994), a respeito dessa obra, diz

ser ela toda um romance de educação existencial. O monólogo de G.H., entrecortado de apelos a um ser ausente, é o fim dos recursos habituais do romance psicológico. Nele não há propriamente etapas de um drama, pois cada pensamento envolve todo o drama: logo, não há um começo definido no tempo nem um epílogo repousante (nesse sentido é uma obra aberta, como aberta ao passado da memória e ao futuro do desejo é a corrente da consciência).( p. 426- 427)

Diante da singularidade do texto de Clarice, tem-se que ele extrapola a condição do meramente literário, colocando-se, conscientemente, à margem de toda e qualquer tradição literária e se inscreve na estirpe dos antigos alquimistas, que viam na matéria o pretexto para tingir o infinito. Segundo Sá (1993),

[...] um exemplo da pouca importância que Clarice dava à inserção de sua obra em alguma tradição literária é a seguinte declaração, feita durante uma

entrevista: “Já ouvi me dizerem para agradar: “Você faz parte da literatura brasileira”. “Mas que inferno, e eu lá desejo entrar em alguma literatura do mundo?” (p. 344)

Textos em mutação, as narrativas de Lispector sublinham a precariedade e o nomadismo da consciência e da existência, entre as aleluias e as agonias do ser.

Enfim, o que a escritura de Clarice Lispector anuncia, na esfera da ficção introspectiva, intimista, dá-se também na do romance, voltado para o horizonte social. Serão as vicissitudes do regionalismo.