2. Kavramsal Çerçeve
2.7. İlgili Araştırmalar
2.7.1. Yurtiçinde yapılan araştırmalar
A história da China é caracterizada pela constante preocupação com a subsistência de alimentos. Momentos de fome tiraram milhões de vidas, inclusive no século XX, tendo, entre seus motivos, o número restrito de terras cultiváveis. Embora as condições do camponês tenham melhorado durante o governo maoísta, a situação ainda era precária.
No final dos anos 1970, a China era um país com 80% da população rural. Nesse sentido, a transformação da estrutura de desenvolvimento de mercado foi iniciada nas áreas rurais, através da dissolução das comunas e do estabelecimento de um programa de reforma agrária pela criação de fazendas familiares que passaram a ter autorização de comercializar o excedente de produção. O resultado foi positivo, de forma que a produção rural duplicou entre 1980 e 1986; o aumento da riqueza rural estimulou a expansão da indústria de bens de consumo, que passaram a ser exportados. Embora as reformas de mercado da China tenham- se iniciado na zona rural, o objetivo estratégico dos dirigentes do PCC era incentivar a exportação de produtos industrializados como forma de criar poupança interna para dinamizar o potencial de investimento do Estado. Dessa forma, era fundamental a criação inicial de riqueza no campo, para liberar força de trabalho que poderia se deslocar para as atividades industriais exportadoras.
Nas áreas rurais, paralelamente ao aumento da produtividade do campo obtido através da reforma agrária, o Estado chinês passou a estimular o desenvolvimento de empresas rurais voltadas para a produção de manufaturas. Essas empresas, conhecidas como Empresas de Aldeias e de Municípios (EAMs), são cooperativas de produção industrial de propriedade coletiva no meio rural. Do ponto de vista da produção, essas empresas baseadas principalmente no uso intensivo de mão de obra compõem uma peça estrutural da distribuição territorial dos trabalhadores do país.
As EAMs têm suas raízes nas empresas com sistema de comunas ainda no período maoísta (1949-76), e o sucesso de sua produção contou com a participação fundamental daquele período histórico devido à construção de obras hidráulicas e a criação de empresas industriais estatais produtoras de insumos modernos para a agricultura, que puderam atender à crescente demanda das unidades familiares camponesas.10 No entanto, deve ser salientado que as EAMs no período maoísta não tinham como objetivo a busca de acumulação de capital,
10 OLIVEIRA, Carlos Alonso Barbosa. Reformas econômicas na China. Revista Economia Política
mas sim atendia necessidades materiais daquele período histórico, caracterizado pelo apelo de sentimento coletivo.
A partir das reformas de mercado pós-Deng Xiaoping, as EAMs são criadas com o intuito do lucro capitalista. Apesar de sua legislação de cooperativa, a diretriz política do governo central estimula as EAMs a vender sua produção no mercado e a expandir-se. No decorrer do processo de reformas, essas empresas inclusive passaram a competir entre elas.
A política de estímulo ao desenvolvimento das EAMs estabelecido pelos dirigentes do PCC segue uma estratégia do poder central de conter uma explosão de êxodo rural, que, descontrolada, pode comprometer o equilíbrio entre a zona rural e a urbana, situação que representa um dos mais importantes problemas do desenvolvimento chinês.
A melhoria da produtividade do trabalho decorrente das reformas agrícolas pós-Deng Xiaoping, juntamente com o baby-boom dos anos 1950 e 1960, levou a um excedente de força de trabalho cada vez maior nas áreas rurais nos anos 1980, que foi deslocado estrategicamente pelo Estado para as EAMs como forma de contenção das migrações rurais para cidades do leste. A população rural foi encorajada a se deslocar para pequenas cidades, movimento chamado de “desenvolvimento de pequenas cidades”, que tinha como slogan “li tu bu li Xiang” (deixando sua terra, mas não).11
Além de diminuir a pressão do êxodo rural, a criação das EAMs representava uma importante alternativa de produtividade do Estado chinês, na medida em que permitia aos governos locais capacitarem regiões rurais e ao mesmo tempo incentivava a produção em áreas afastadas dos centros mais dinâmicos da economia, concentrados principalmente em áreas costeiras. Dessa forma, os trabalhadores das EAMs, embora trabalhem em atividades urbanas, habitam áreas do interior e rurais.
Segundo Gipouloux, o dinamismo da industrialização do campo teve por resultado um grande crescimento na absorção de trabalhadores: em 1980, as EAMs empregavam 30 milhões de pessoas, número que passou para 128 milhões em 2000 e 138 milhões em 200412. Os números apontam a importância crescente na geração de empregos do longo desenvolvimento chinês.
Para Arrighi13, sobre a importância das EAMs no processo de desenvolvimento chinês, entre 1980 e 2004 estas geraram quatro vezes mais empregos do que se perdeu em emprego público e urbano coletivo, dado significativo, considerando que nos anos 1990 ocorreu um
11 SHI, Li. Rural Migrant Workers in China: Scenario, Challenges and Public Policy. Working Paper N. 89. Geneva: Policy Integration and Statistics Department, International Labour Office, 2008.
12 GIPOULOUX, F. A China do século XXI: uma nova superpotência? Lisboa: Instituto Piaget, 2005, p. 101. 13 ARRIGHI, G. Adam Smith em Pequim. São Paulo: Boitempo, 2008, p. 367.
grande processo de desmantelamento de empresas públicas, como será discutido posteriormente neste trabalho. Em 2004, as EAMs empregavam o dobro do número de trabalhadores das empresas urbanas estrangeiras, privadas e de propriedade conjunta somada.
Portanto, no quadro das reformas de mercado nas zonas rurais, a dissolução das comunas substituídas por fazendas familiares propiciou um aumento de produtividade no campo, o que proporcionou mão de obra excedente que foi incorporada pela indústria exportadora. Além disso, as EAMs desempenharam um papel estrutural no equilíbrio socioeconômico da China, devido à realização de atividades não agrícolas, o que proporcionou o desenvolvimento de forças produtivas que se adequavam à vontade do Estado de modernização da estrutura econômica e ao mesmo tempo serviam como um mecanismo de equilíbrio para evitar um excessivo movimento migratório para as grandes cidades costeiras.