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2.2 İlgili Araştırmalar

2.2.2. Yurtdışında Yapılan İlgili Araştırmalar

O avô de Olga era alfaiate, de raça negra pelo lado paterno e origem italiana pelo materno. Em relação aos dados dos antecedentes familiares de Olga, foi pelo lado de D. Madalena que obtivemos um número maior de informações. O pai desta tem suas raízes na roça, de onde foi para uma cidade próxima, ao que parece Ouro Preto ou Mariana;

provavelmente Mariana. Numa dessas cidades é que ele conheceu sua mulher, a mãe de D. Madalena. Esta não teve atividade assalariada.

D. Madalena nasceu em Belo Horizonte, no Bairro Sagrada Família, quase na confluência com Floresta, em 1936. Até sair de casa para se casar, ela viveu nesse bairro, caracteristicamente de classe média.

Ela teve uma infância muito pobre; paupérrima, segundo Olga. Ela era uma das mais novas de uma fratria de nove irmãos: oito irmãos e uma irmã. O pai adoeceu muito cedo; porisso fechou a oficina de alfaiate onde trabalhava no centro da cidade, trabalhou uns tempos em casa e, finalmente, se aposentou. Como os proventos de sua aposentadoria eram muito baixos, os irmãos de D. Madalena tiveram que começar a trabalhar muito cedo, aos 14 anos. Ela própria também começou a trabalhar

precocemente; no Instituto de Educação de Minas Gerais1, especificamente, onde

trabalhou até aposentar-se, iniciou quando ainda era solteira.

Ela estudou até a 4ª série primária, no Grupo Escolar Barão de Macaúbas, situado no bairro Floresta, próximo à sua casa. Suas lembranças de escola, tanto aquelas contadas por ela própria, quanto aquelas comentadas por Olga, enfatizam uma experiência difícil, marcada por muitas humilhações. Em virtude da pobreza em que vivia, era obrigada, por exemplo, a frequentar a escola descalça, o que era motivo de muito constrangimento. Não tinha sapato nem de plástico, como as filhas tiveram, ela conta, através de Olga. Da Caixa Escolar ela ganhava o tecido, com o qual sua mãe costurava seu uniforme. D. Madalena afirma que, à medida em que foi crescendo, por volta da 3ª série, é que foi tomando consciência da discriminação na escola, por parte “de professores, de alguns professores; de colegas, de alguns colegas.” Nesse sentido, ela afirma também que sua experiência escolar teve um momento bom, enquanto “ela era inocente, era uma criança”, quando “muita coisa não lhe afetava.” Sendo a mãe de D. Madalena extremamente cuidadosa, apesar de ir descalça para a escola, ela usava um

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O Instituto de Educação de Minas Gerais, instituição pertencente à rede estadual de ensino, caracteriza-se, tradicionalmente, como uma escola que oferece ensino de boa qualidade, sobretudo no que diz respeito à formação de professores e pedagogos. Fundado em 1906 como escola normal modelo, passou a oferecer, posteriormente, cursos de aperfeiçoamento para supervisores e administradores escolares e para professores do curso de magistério. Em 1970, criou-se em seu interior o Curso Superior de Pedagogia, que, a partir de 1995, passou a integrar a UEMG - Universidade Estadual de Minas Gerais. Oferecendo, num determinado momento de sua história, todos os níveis de ensino, extingue hoje, paulatinamente, seu curso a nível de pré- escolar, tendo em vista diretrizes da Lei Diretrizes e Bases em vigor.

uniforme “impecável”: era muito limpo e engomado. “Tinha aqueles lação na cabeça; minha mãe engomava; ficava durinho de goma!” Ela conta que o uniforme de um irmão que estudava no Grupo Escolar José Bonifácio era todo branco, com uma gravata azul marinho. ”Todo dia o uniforme dele tava engomadinho, clarinho... Nesse ponto aí... ele ia descalço, porque nenhum de nós tinha sapato, mas ia limpinho da cabeça aos pés”, afirma.

A falta de material escolar foi também objeto de muito sofrimento. “A lista de material do início do ano, não tinha valor nenhum; o pai não podia comprar...”. Ela refere- se em particular à exigência de um “caderno de pontos” de 200 folhas, que nunca pode ter. “Eu só tinha aquele caderno fininho; copiava os pontos, o caderno acaba depressa... eu sei que... tinha que comprar outro caderno... era aquela dificuldade pra comprar outro caderno!”

Olga conta que sua mãe, da forma como descreveu o tratamento recebido de uma determinada professora, que tem seu nome atualmente numa escola estadual, fez com que ela tomasse “ódio” dessa professora. O sofrimento descrito, se transformado num romance, “arrancaria lágrimas de qualquer leitor”, afirma Olga. A Sociologia da Educação, hoje, considera como um dos fatores explicativos de sucesso escolar, o domínio, pela família, de informações sobre o sistema de ensino, como o que foi demonstrado acima por D. Madalena, acerca do nome de uma escola estadual mineira. Bourdieu (1966) já alertara para essa importância, ao defender que os filhos das classes populares que chegam ao ensino superior parecem pertencer a famílias que diferem da média de sua categoria, em alguns traços; a posse de um “capital de informações sobre o cursus”, encontra-se, para esse autor, entre esses traços.

D. Madalena sofreu reprovação escolar, que ela explica pela falta de material escolar e pela necessidade de trabalhar. De sua época de menina, ela recorda de um trabalho de entrega de leite a domicílio. Sendo difícil para as mães de seu bairro, que tinham crianças pequenas, saírem para buscar leite, uma vez que esse só se encontrava longe de casa, no “Entreposto do Estado, lá na Avenida do Contorno”, ela “arrumou uma freguesia de leite”. Ou seja, ela passava nas casas das freguesas, à tarde, recolhendo os recipientes de leite, para os quais sua mãe confeccionou sacolinhas de pano, e o dinheiro. Saía bem cedo, buscava o leite no Entreposto, e o entregava de casa em casa, antes de

ir para a escola. Nem sempre dava para tomar café, porque todo o trajeto do trabalho e da escola era realizado a pé.

Quando concluiu a 4ª série, D. Madalena não colocava em seu horizonte o prosseguimento dos estudos: “a minha ansiedade era pra trabalhar; eu via a dificuldade que tinha lá em casa”. As circunstâncias familiares obrigaram, então, que ela saísse da escola ao final dessa série. A respeito desse momento ela comenta que “tava na hora mesmo; tava passando da hora, inclusive”, acrescentando o fato de já ter sido reprovada uma vez. Só muito mais tarde, quando já era casada e viúva, com as filhas grandes, é que retomou os estudos, para fazer o supletivo de 1º grau, que chegou concluir. Para prestar as provas do supletivo, ela estudava em casa, utilizando-se do material das filhas. Ela iniciou também o supletivo de 2º grau, mas desistiu quando faltavam algumas matérias para concluí-lo. O que estava no seu horizonte naquele momento, era a obtenção de certificados escolares que lhe possibilitassem prestar concursos no Estado. Seu sonho era aposentar em cargo melhor do que o de servente escolar. Não apareceu, no entanto, nenhuma oportunidade de concurso. Ela não teve condições de participar do único concurso aberto no período, porque esse aconteceu em época muito conturbada de sua vida familiar, quando seu marido morreu.

Seu Gonçalo, pai de Olga, exerceu a profissão de mecânico, era alcólatra e morreu quando ela tinha 7 anos. A partir de então, D. Madalena sustentou sozinha a família. Além de trabalhar como servente escolar no Instituto de Educação, ela fazia outros serviços de faxina em casas, consultórios e escritórios. Quando era possível, fazia ainda horas extras no próprio Instituto de Educação. A pensão deixada pelo marido era exígua.

Queremos salientar, para concluir a respeito da biografia de D. Madalena, que esta revelou algumas características que a distinguem em relação a seu meio social de pertencimento, supondo que estas características estejam relacionados, de alguma forma, com a longevidade escolar de suas filhas. Nesse aspecto, inspiramo-nos em Laurens (1992); esse autor defende que a existência de determinados traços posicionais nas trajetórias das famílias de camadas populares, podem se constituir como fatores potenciais de sucesso escolar. Nesse sentido, apontamos, em primeiro lugar, que D. Madalena viveu toda sua infância, adolescência e juventude no Bairro Sagrada Família,

ou seja, em ambiente de classe média. Por outro lado, destacamos também sua origem urbana. A pesquisa de Zéroulou (1988) acerca de casos de sucesso e fracasso escolar em famílias de camadas populares, mostra que, ter uma origem urbana, revelou-se como uma das características distintivas do conjunto de famílias, cujos filhos tiveram sucesso na escola.

Ressaltamos ainda um ponto que, embora não se caracterize como característica posicional, marca também, num certo sentido, a biografia de D. Madalena: o fato dela ter retomado os estudos mais tarde, via supletivo, quando já estava casada e com filhos e, nessas circunstâncias, ter concluído o ensino fundamental.

Trajetória residencial de Olga: importante ilustração da situação econômica e

Benzer Belgeler