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5.2. Öneriler

5.3.3 Eğitim Kurumlara Yönelik Öneriler

Os percursos escolares de Olga, Leila e Natália são inseparáveis, tanto do ponto de vista da proximidade temporal, quanto da semelhança em sua configuração. Do Jardim de Infância, ou seja, desde os 4 anos de idade, até o final do 2º grau, todas as três estudaram no Instituto de Educação de Minas Gerais. As duas mais velhas, Leila e Olga, frequentaram, antes de ingressar no Instituto de Educação, uma escola maternal denominada “Boa Viagem”, porque a mãe não tinha com quem deixá-las para ir trabalhar. Essas duas irmãs ainda permaneceram na mesma instituição escolar para fazer o curso superior, enquanto Natália foi para a UFMG. No entanto, todas as três irmãs construíram sua trajetória escolar inteira em instituições escolares que, tradicionalmente, oferecem ensino de boa qualidade. Considerando que Olga foi reprovada uma vez no 1º ano do 2º grau, a única das irmãs que viveu essa experiência, ela permaneceu no Instituto de Educação por um período de 18 anos; Leila permaneceu 17 e Natália, 14. Com exceção de Leila que submeteu-se à exame de seleção para entrar para a 8ª série, exigência de um momento específico, nenhuma delas teve de prestar exame para ingressar em nenhum dos níveis de ensino dessa instituição.

aluna de destaque, foi contemplada - quando cursava as últimas séries do ensino fundamental - com uma bolsa integral de estudo de inglês, oferecida por uma professora do próprio Instituto de Educação que criara um curso de língua estrangeira. A competência nesse campo e o gosto pela língua, provavelmente possibilitado por essa oportunidade, definiu, em grande medida, supomos, seu destino escolar, que culminou nos cursos superior e de pós-graduação, ambos em Letras e na UFMG. Posteriormente à entrevista, Natália foi aprovada em concurso público para Professor de Prática de Ensino de Língua Inglesa, na Faculdade de Educação da UFMG, onde leciona atualmente.

Olga faz algumas restrições ao próprio desempenho escolar, baseando-se na reprovação que sofreu e na performance escolar das irmãs. Ela se define com argumentações do tipo:

“Eu perdi as minhas médias, tomava recuperações. Eu era uma aluna... a partir da 5ª série... eu tive certas dificuldades lá, mas... das três eu era a mais malandrinha. Inclusive fui sempre comparada com minhas irmãs e ajudada por elas. A Leila, então, nos momentos de aperto, era ela que me salvava. (...) Tomei bomba no 2º grau, mas por falta de estudo mesmo. Eu mesma reconheço que nesse ano eu dei uma malandrada boa. E tomei bomba em matemática; não teria necessidade d’eu ter tomado essa bomba”.

Nenhuma delas teve a oportunidade de optar pelo tipo de 2º grau que desejasse. Olga alimentou por um curto período de tempo o desejo de fazer o curso científico, mas as circunstâncias foram desfavoráveis nesse sentido, incluindo aí a firmeza de D. Madalena em mantê-las no Instituto de Educação. De uma certa forma e com exceção de Natália, a escolha do curso superior também escapou à sua escolha. A trajetória escolar dessas meninas estava traçada, pelo fato de estudarem no Instituto de Educação, uma instituição que oferecia ensino gratuito do pré-escolar ao nível superior e de poderem aí permanecer.

Todas as três cursaram, a nível de 2º grau, o magistério. Se para Olga, fazer esse curso tinha o sentido de uma certa “camisa de força”, para D. Madalena, poder fazê-lo era, na verdade, a grande chance que as filhas tiveram de concluir o 2º grau. Ao nível do ensino superior, os itinerários escolares de Olga, Leila e Natália começaram a se

diferenciar. Leila e Olga cursaram Pedagogia no Instituto de Educação, sendo que Olga fez, além desse curso, Letras na UFMG. Natália, como descrito acima, optou por Letras na UFMG, embora também tenha se submetido e sido aprovada, no mesmo ano, no vestibular de Pedagogia do Instituto de Educação. No mestrado estiveram juntas, Leila e Olga, na opção pela área de Educação, enquanto Natália prosseguiu no campo das Letras.

Na passagem do 2º grau para o 3ª, Olga ensaiou algumas tentativas de se afastar do caminho esperado. Em verdade, ela não desejava fazer o curso de Pedagogia, ainda que percebesse vantagens econômicas em fazê-lo, como a possibilidade de um salário melhor que o de professora primária. Ela tinha um grande sonho no momento, que era o de trabalhar na Prefeitura Municipal de Belo Horizonte; nesse contexto, o curso de Pedagogia lhe seria valioso.

Buscou então conhecer os cursos noturnos oferecidos pela UFMG, condizentes com seus interesses. É que ela teria que fazer face às possibilidades e limites de suas condições de vida, principalmente à necessidade de trabalhar. Sua mãe havia deixado claro que só poderia ajudá-las até o 2º grau, mesmo assim, responsabilizando-se apenas pelo transporte. Um dos cursos que constavam do leque de suas opções era veterinária, sendo que psicologia era o que mais a seduzia. Esses, ela logo descartou pelo fato de ser “pobre”:

“Eu nem sabia que existia FUMP5, que podia ser carente na UFMG, que ia poder arrumar bolsa de trabalho... Eu nem sonhava que podia! Pra mim, quem entrava aqui [na UFMG], eram os melhores alunos, quem fazia cursinho e quem tinha dinheiro”.

Nesse contexto, a solução intermediária encontrada, foi o curso de Filosofia. Tentou então, aos 19 anos, dois vestibulares ao mesmo tempo: Pedagogia no Instituto de Educação e Filosofia na UFMG. Foi aprovada em Pedagogia, e reprovada na 2ª etapa da UFMG. “Aí fui começar o Pedagogia, seguir meu destino... Aí tô lá seguindo meu destino...”, comenta Olga. Insistindo no seu desejo, na tentativa de construir alternativas

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mais autônomas de vida profissional, ela tentou novamente vestibular para Filosofia no ano seguinte, na UFMG e, como no ano anterior, foi reprovada na 2ª etapa. Esse momento ela descreve da seguinte forma:

“Aí já estava achando que meu destino era lá mesmo [no Instituto de Educação], embora não tivesse sentindo prazer com o curso. Mas, por outro lado, já era um curso superior... já me ajudava a passar na Prefeitura, que era o meu sonho...”

Quando Natália passou no vestibular da UFMG, faltando um ano e meio para Olga terminar seu curso de Pedagogia, esta última retomou o projeto de estudar na UFMG, desta feita, para tentar Letras. Algumas razões explicam essa retomada e a escolha do curso de Letras, naquele momento. Em primeiro lugar, sua insatisfação com o curso de Pedagogia. Ela afirma que não se sentia estudante de curso superior, que o curso se assemelhava a um “magistério aprimorado”. Em segundo lugar, ela “gostava de Letras” e buscava as raízes desse interesse nas suas práticas de leitura realizadas na Biblioteca Pública, quando, criança ainda, morava no Bairro de Lourdes. Assim ela recorda dessa época:

“Como eu gostava muito de ler... A gente vivia pegando livro na Biblioteca Pública e vivia, eu e a Natália, no setor infantil da Biblioteca, lendo, lendo, fazendo teatro, aproveitando tudo que a Biblioteca tinha pra gente que era jovem, que não tinha amigo no bairro... Então o quente da gente era deitar nas almofadas que tinha no setor infantil e pegar livro!”

A possibilidade, descoberta por Natália, de isenção da taxa de inscrição ao vestibular, e o fato dessa última ter conseguido aprovação na UFMG, encorajou Olga que alimentava nesse momento um desejo muito grande de estudar na UFMG, pelas razões acima expostas, mas também, influenciada pelas descrições que Natália fazia de sua experiência de universitária na UFMG: “as maravilhas do Campus, do bandejão, das

matérias...” Ela continua: “eu sonhava em estudar naquela FAFICH!6 Nossa!” O que se realizou, portanto, quando Olga tinha 21 anos.

Olga começou a trabalhar aos 15 anos de idade, quando morava no Bairro de Lourdes; “nunca mais parei de trabalhar”, afirma. Além de ser “uma necessidade absoluta” trabalhar naquele momento, sua reprovação, de certa forma apressara sua estréia no trabalho. Extremamente envergonhada por ter que repetir a mesma série, ela aceitou de bom grado um trabalho de “secretária” num consultório de psicologia, oferecido por uma psicóloga da Clínica onde sua mãe era zeladora. Isso lhe obrigaria estudar à noite, afastada de colegas e professores mais conhecidos que a reconheceriam como “repetente”. Para realizar tarefas de faxina e de banco, ela recebia 60% do salário mínimo nesse primeiro trabalho. No ano seguinte, Olga voltou a estudar durante o dia, à tarde, e, pela manhã, fazia acompanhamento pedagógico de uma aluna de 1ª série, encaminhada pelo Instituto de Educação. Posteriormente, ela foi trabalhar também como “secretária”, na verdade como office girl, num outro consultório de psicologia, para realizar atividades semelhantes e receber, desta vez, um salário mínimo. Quando estava terminando o curso de Pedagogia e passou no vestibular de Letras da UFMG, trabalhava no SENAC como auxiliar administrativo, recebendo dois salários e meio. No entanto, seu grande sonho na época era ser professora primária na Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, sonho que Olga justificava da seguinte maneira:

“Tudo o que eu mais queria era ganhar mais dinheiro, ajudar a pagar um aluguel melhor e ajeitar minha vida. Pra quem ganhava aquela miséria e era explorada aquele tanto... falar em quatro salários mínimos pra mim, era falar de dinheiro demais! De muito dinheiro!”

Enquanto aluna do curso de Letras, trabalhou como monitora, dando aulas num curso de preparação de mão de obra industrial, e como professora de português no curso supletivo do Centro Pedagógico da UFMG.

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Um investimento sistemático e laborioso na escolarização das filhas: “eu nunca me

Benzer Belgeler