2.5. İlgili Araştırmalar
2.5.2. Yurtdışında Yapılan Araştırmalar
A história do cooperativismo de crédito no Brasil se iniciou em 28 de dezembro de 1902, com a constituição, em Nova Petrópolis/RS, da primeira cooperativa de crédito brasileira (PINHEIRO, 2007). Ainda, no Rio Grande do Sul, foi constituída, em 1º de março de 1906, a primeira cooperativa de crédito brasileira do tipo Luzzatti no município de Lajeado (PINHEIRO, 2007).
Também no Rio Grande do Sul, em 1925, foi constituída a primeira cooperativa central exclusivamente de crédito do Brasil, o que pode ser considerado o primeiro passo para a organização do sistema cooperativista de crédito no Brasil (PINHEIRO, 2007). Cabe ressaltar que o pioneirismo gaúcho no setor se explica pelo grande número de imigrantes, principalmente alemães e italianos, que foram para aquele estado, levando consigo as práticas cooperativistas já existentes em seus países de origem.
Segundo Bittencourt (2001), as cooperativas de crédito, até a década de 1960, exerceram um papel financeiro importante em muitos municípios brasileiros.
No entanto, muitas delas apresentavam problemas, o que levou o governo federal, em 1962, a suspender a criação e o registro de novas cooperativas de crédito (THENÓRIO FILHO, 2002). A partir desse ano, o número de cooperativas de crédito diminuiu gradativamente, o que só veio a ser revertido cerca de vinte anos depois (PINHEIRO, 2007).
A Lei da Reforma Bancária (Lei no 4.595, de 31 de dezembro de 1964) marcou a estruturação de um novo arcabouço legal para o Sistema Financeiro Nacional, a partir da criação do CMN e do BACEN, bem como estabelecendo outras normas operacionais e rotinas de funcionamento.
Em seu artigo 17, a Lei no 4.595/64 estabelece que:
Consideram-se Instituições Financeiras, para os efeitos da legislação em vigor, as pessoas jurídicas públicas e privadas, que tenham como atividade principal ou acessória a coleta, intermediação ou a aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros.
O citado artigo completa, em seu parágrafo único, que as Cooperativas de Crédito, entre outras, se equiparam às demais instituições financeiras para os efeitos daquela lei e da legislação em vigor.
Além disso, foi atribuída ao BACEN a prerrogativa de autorizar e fiscalizar as cooperativas de crédito (PINHEIRO, 2007).
Outro marco legal para o cooperativismo nacional foi a Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971, que instituiu o regime jurídico vigente das sociedades
cooperativas, definindo as cooperativas de crédito como uma sociedade de pessoas, com natureza jurídica própria, de natureza civil, não sujeita a falência, constituída para fornecer crédito, captar depósitos e prestar serviços aos seus associados. Além disso, manteve a fiscalização e o controle das cooperativas de crédito e das seções de crédito das agrícolas mistas com o Banco Central do Brasil.
A Lei no 5.764/71 criou uma estrutura em três níveis para o cooperativismo de crédito composta por:
1. cooperativas singulares: formadas por pessoas físicas ou jurídicas em número não inferior a vinte;
2. cooperativas centrais ou federações: formadas a partir da associação de pelo menos três cooperativas singulares;
3. confederações de cooperativas: formadas a partir da associação de três cooperativas centrais ou federações.
Um marco dessa nova fase do cooperativismo de crédito foi a criação, em 1980, da Cooperativa Central de Crédito Rural do Rio Grande do Sul (Cocecrer-RS), com sede em Porto Alegre (PINHEIRO, 2007).
Outro fato importante a ser destacado foi a criação, em 1986, da Confederação Brasileira das Cooperativas de Crédito (CONFEBRÁS), a primeira confederação de cooperativas de crédito no Brasil. No entanto, tal confederação atuava mais como representação de classe e não era autorizada a atuar no sistema financeiro pelo BACEN (THENÓRIO FILHO, 2002).
A primeira confederação de cooperativas de crédito autorizada pelo Banco Central foi a Confederação Nacional das Cooperativas Centrais Unicred´s (UNICRED DO BRASIL) que foi constituída em 1994 com sede na cidade de São Paulo (PINHEIRO, 2007).
A Resolução CMN no 2.193/95 permitiu a constituição de bancos comerciais controlados por cooperativas de crédito. Com a regulamentação surgiu, em 16 de outubro de 1995, o Banco Cooperativo Sicredi S.A. (Bansicredi), o primeiro banco cooperativo do Brasil, com sede em Porto Alegre, transformado em banco múltiplo em 2001. Em 1996, foi autorizado a funcionar o Banco Cooperativo do Brasil S.A. (Bancoob) (PINHEIRO, 2007).
O sistema cooperativista de crédito no Brasil era composto, em 31 de dezembro de 2013, de dois bancos cooperativos, quatro confederações, uma federação, 37 cooperativas centrais e 1.153 cooperativas de crédito singulares. Conta ainda com 3.924 postos de atendimento, constituindo-se na terceira maior rede de agências do país, atrás apenas do Banco do Brasil e do Bradesco (BACEN, 2014), Além disso, somam mais de 4,6 milhões de associados (OCB, 2014). As quatro confederações de crédito correspondem ao Sistema de Crédito Cooperativo (Sicredi), ao Sistema de Cooperativas de Crédito do Brasil (Sicoob Brasil) e às já citadas Unicred do Brasil e CONFEBRÁS.
Segundo Soares e Melo Sobrinho (2007), os sistemas cooperativistas de crédito no Brasil podem ser classificados em três grupos:
verticais: os sistemas cooperativistas de crédito verticais buscam os ganhos pela economia de escala e a centralização, estruturando-se da maneira proposta pela Lei no 5.764/71. Os sistemas cooperativistas de crédito no Brasil que se organizaram como verticais são: Sistema de Crédito Cooperativo (Sicredi), Sistema de Cooperativas de Crédito do Brasil (Sicoob Brasil) e Unicred do Brasil;
horizontais: os sistemas cooperativistas de crédito com perfil horizontal são organizados sob uma forma radial, em que diversas cooperativas singulares se vinculam a uma central, sem que esta se vincule a uma confederação. São representados pelos diversos sistemas cooperativistas de crédito que têm foco na economia familiar e solidária. Muitas dessas cooperativas são representadas pela Associação Nacional do Cooperativismo de Crédito de Economia Familiar e Solidária (ANCOSOL), criada em 2004.
independentes: as cooperativas de crédito independentes são aquelas que, pelos mais diferentes motivos, optam por não se filiar a nenhuma cooperativa central (segundo nível).
Em 31 de dezembro de 2012, a participação das cooperativas de crédito representava 1,8% do total de ativos (R$103,5 bilhões), 2,7% do patrimônio líquido (R$19,3 bilhões), 2,3% dos depósitos (R$45,5 bilhões) e 2,3% das operações de crédito (R$46,9 bilhões), tomando-se como base o total do segmento bancário (BACEN: 2013).
Segundo Soares e Melo Sobrinho (2007), o cooperativismo de crédito tem contribuído para o fortalecimento da economia local em harmonia com seus objetivos. Bressan, Braga e Bressan (2012), inclusive, afirmam em estudo com filiadas à cooperativa central SICOOB Crediminas que essas cooperativas estariam oferecendo vantagens aos seus associados por praticarem taxas sobre empréstimos inferiores às praticadas no sistema bancário e também maiores taxas de remuneração sobre os recursos aplicados.