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Yukarıdaki ilkelerin bu davada uygulanması

HÜKÜM GEREKÇESİ

C. Mahkeme’nin değerlendirmesi 1. Temel ilkelerin özetlenmesi

2. Yukarıdaki ilkelerin bu davada uygulanması

Desde a primeira viagem de Colombo em 1492, colocou-se entre Portugal e a Espanha, o problema da delimitação dos espaços marítimos e terrestres que entretanto foram “descobertos”, ocupados e colonizados. A história evidenciará avanços e recuos nas fronteiras, particularmente entre o Brasil e o território das Províncias Unidas do Rio da Prata. Não obstante, quando as duas coroas se uniram em 1580, a rivalidade territorial92 entre as duas grandes potências colonizadoras foi ‘interrompida’ pela convergência de interesses, entre portugueses e espanhóis.

Efectivamente houve o avanço da linha de Tordesilhas (de 1492) porque era permitido o deslocamento dos súbditos, para além das fronteiras das suas respectivas colónias. Nesse sentido, Jean-Frédéric Schaub refere que,

“As frentes pioneiras do norte da Amazónia e do Rio da Prata, ao sul, são teatros de tensões que resultam precisamente da convergência de interesses e da concorrência

91

Excerto do poema “Los Borges” (1960), de Jorge Luis Borges.

92Gomes, Nancy (1998), “América Latina e Caraíbas: principais zonas de tensão”, pp. 64, 65. “As linhas teóricas de demarcação fronteiriça, pouco precisas, definidas pela maioria dos tratados, suscitaram na prática da colonização, divergências que ainda hoje se mantêm entre os estados que sucedem aos dois grandes impérios, português e espanhol. O Peru e o Equador – países que protagonizaram o último conflito armado interestadual que se produziu na região – resolveram as suas controvérsias fronteiriças entre 1998 e 1999. Antes, em 1990, o Chile e a Argentina já tinham solucionado todas as suas controvérsias territoriais, com a excepção da demarcação de 50 km de uma faixa glacial ao sul da Patagónia. A tendência é, pois, para que as tensões e as controvérsias territoriais e fronteiriças sejam resolvidas por meios pacíficos e negociados ou recorrendo aos procedimentos jurisdicionais próprios do Direito Internacional. No obstante ficam alguns contenciosos / assuntos por serem resolvidos, como as reivindicações da Argentina sobre as ilhas Malvinas / Falklands, nas mãos do Reino Unido desde 1833, e motivo de guerra entre os dois países em 1982; as reclamações por parte da Venezuela de 150.000 km2 (2/3 do actual território) da Guiana, disputa submetida a um processo de mediação da ONU desde 1989; as reivindicações por parte da Nicarágua de 50.000 km de plataforma marítima, na posse de Colômbia há 80 anos; e a demanda secular de uma saída ao mar por parte da Bolívia, ao Chile”.

49 entre as coroas de Portugal e de Castela. Convergência e concorrência não se excluíam mutuamente na imensa agregação colonial nascida da união dinástica”93.

Os portugueses foram motivados a passarem para o outro lado da fronteira brasileira, principalmente por questões relacionadas com a extracção mineira, produção e comércio de bens agrícolas, e tráfico de escravos. Para isso contribuiu em muito, o ‘ciclo da prata’ das colonias espanholas.94

Com efeito, a riqueza e prosperidade que resultaram da exploração das minas de Potosí (no actual território boliviano)95, e das minas de Zacatecas e Guanajuato, no México, beneficiaram largamente à burguesia mercantil portuguesa, assim como as redes financeiras de cristãos novos, oriundos da metrópole. Não estranha por isso, observa o historiador português Pedro Cardim, que existam registos de súbditos portugueses que se deslocavam e instalavam por toda a região, antes da independência daqueles territórios. Encontramos por exemplo dezenas de registos de baptismos de lusos descendentes estabelecidos, ao longo do século XVII, na cidade do México, e uma quantidade significativa de portugueses que viviam na cidade de Buenos Aires, na segunda metade do mesmo século.96

O tráfico transatlântico de escravos e o protagonismo dos mercadores portugueses.

Os mercadores portugueses, com a garantia do ‘exclusivo do abastecimento’ que lhes proporcionavam os asientos que arrendavam ao Estado espanhol, conseguiram o protagonismo no abastecimento de mão-de-obra ‒ destinada

93 SCHAUB, Jean-Frédéric (2001), Portugal na Monarquia Hispânica (1580-1640), p. 35.

94 A mediados do século XVII a prata abarcaria mais de 99% das exportações de minérios provenientes da América hispânica. Earl Hamilton (1934), American Treasure and the Price Revolution in Spain, citado por GALEANO, Eduardo (1990), Las venas abiertas de América Latina, p. 33.

95 Em 1573, Potosí tinha 120.000 habitantes. Segundo o censo de 1650, a cidade andina ganhara mais 40.000, passando para 160.000 habitantes. Era uma das maiores e mais ricas cidades do mundo, dez vezes mais habitada do que Boston, num tempo em que Nova Iorque nem sequer existia com esse nome. Cf. GALEANO, Eduardo (1990), op. cit., p. 30.

96

Intervenção do historiador português Pedro Cardim, no Seminário Histórico-Diplomático “1811-2011: Revisitar a História e Perspectivar o Futuro. As Independências Latino-Americanas”, realizado no MUDE, em Lisboa, em 7/10/2011.

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principalmente aos trabalhos domésticos e agrícolas ‒ à América espanhola, vinda de África. O historiador português Arlindo Manuel Caldeira refere nesse sentido que, “no início do século XVII, a população de muitas das cidades das «índias espanholas» (como Lima ou Cidade do México) já era entre 30% e 50% de origem africana”97.

A cidade de Cartagena das Índias (Colômbia) era um dos mais animados centros económicos das Américas. Uma das principais actividades, ou mesmo a principal, lembra-nos Caldeira, era o tráfico de escravos. “Nesse tráfico, eram os grandes comerciantes portugueses que dominavam, sobretudo, a partir de 1580, quando os Habsburgo estabeleceram com eles, chorudos contractos monopolistas, abrindo transitoriamente mão do regime de administração directa pela coroa”98. Os «assentistas» lusos instalaram os seus representantes oficiais em Cartagena, continua Caldeira, montando paralelamente toda uma rede comercial que assegurava a reexportação de mão-de-obra cativa, abastecendo grande parte do Caribe e do interior do continente (vice-reinado do Peru e de Nova Espanha) e permitindo negócios compensadores a muitos portugueses.99

A cidade caribenha tornou-se assim no principal entreposto esclavagista das Índias Ocidentais. Em cálculos por alto, estima-se que, entre 1595 e 1640, os «assentistas» portugueses tinham importado, através de Cartagena, «150.000 peças legais» (fora o contrabando). Uma parte desses escravos era retida na cidade e seus arredores mas a maioria era reexportada para outros pontos das Américas. Um dos principais destinos era a cidade de Lima, capital do vice-reinado do Peru, considerada a “Cartagena do Pacífico”. As minas de prata, que animavam por si só a economia da região, consumiam grande quantidade de trabalhadores escravos. Mas Lima funcionava também como plataforma de distribuição de mão-de-obra servil para toda a região peruana e ainda para o Equador e para o Chile.100

97

CALDEIRA, Arlindo Manuel (2013), Escravos e Traficantes no Império Português, p. 30. 98

Idem, pp. 198, 199. 99 Ibidem.

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O peso estratégico do Brasil na União Ibérica.

A partir do ano de 1600 ‒ sobretudo pela escassez que resulta do abandono dos campos durante os trinta anos de guerra que se vive na Europa ‒ , a produção de bens agrícolas adquire grande importância. As plantações tornaram-se assim um factor relevante de produção, e o motor da economia ibero-americana. Neste contexto, a viabilidade económica da exploração do açúcar do nordeste brasileiro – mercadoria bastante rara na Europa ‒ era posta à prova.

Efectivamente, depois das ilhas da Madeira, dos Açores e de Cabo Verde, foi no Brasil, que se encontraram as melhores condições para o cultivo da cana-de-açúcar. Graças às condições de temperatura e humidade favoráveis, multiplicaram-se, sobretudo no nordeste, nas regiões de Baía, Pernambuco e de Olinda, essas unidades agro-industriais que eram os «engenhos de açúcar», bases do primeiro estádio do desenvolvimento económico brasileiro.101

Por outro lado, a costa sul-americana constituía uma escala para os navios que regressavam da Índia, mas também para aqueles que tinham como destino o Oceano Indico. Acrescente-se ainda que, para as Índias de Castela, o Brasil funcionava como uma importante barreira defensiva, especialmente para as riquezas extraídas das minas de Potosí.102

A defesa do território da América portuguesa tornara-se assim uma prioridade na estratégia dos reis Habsburgo, porquanto dela dependia, em muito, a conservação dos impérios ibéricos. A tradução institucional desta tomada de consciência deve procurar-se na efémera criação de um Conselho da Índia103, de 1604 a 1614, e em particular, pela criação da Junta de Pernambuco, em 1630. Ambas instituições, segundo nos diz Guida Marques ‒ consideradas desde o início, pelos portugueses

101 Cf. MARTÍNEZ, Pedro Soares (2010), História Diplomática de Portugal, p. 214.

102Cf. MARQUES, Guida (2002), “O Estado do Brasil na União Ibérica. Dinâmicas políticas no Brasil no tempo de Filipe II de Portugal”, p. 18.

103 Órgão de administração e consulta sobre tudo o que dissesse respeito às possessões ultramarinas portuguesas.

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como sendo onerosas e perfeitamente dispensáveis ‒ formavam parte do esforço dos Habsburgo para também controlar o conjunto da fazenda portuguesa.104

A expansão para norte, com a conquista do território do Maranhão, a partir de Pernambuco, inscrevem-se neste contexto, em que o Brasil se tornara cada vez mais importante para a Coroa, assim como para os interesses locais. O sucesso do plano dever-se-á à aliança entre esses mesmos interesses. Como refere Marques, “à prosperidade das grandes plantações de açúcar do nordeste, juntou-se a importância estratégica daquela região, cobrindo a entrada de uma importante rede fluvial ligada ao rio Amazonas, abrindo por essa via uma porta de acesso às Índias de Castela”105.

Inimigos da Espanha, inimigos de Portugal.

O sentimento de degradação da situação na União Ibérica assenta, a partir dos anos de 1620, sobre os efeitos devastadores para Portugal do empenhamento da monarquia hispânica numa guerra sem tréguas, contra as Províncias Unidas, a Inglaterra, e mais tarde, a França. O reino lusitano é duplamente afectado pelas depredações holandesas e inglesas, nas Índias Orientais e Ocidentais.

No continente americano, a partir de 1624, os holandeses desembarcam na colónia portuguesa chegando, inclusive, a instalar-se em vários pontos da costa, e ocupando Salvador da Baía, por um ano. Graças aos esforços conjuntos de portugueses e espanhóis, mais precisamente de “uma armada luso-espanhola de sessenta naus”, como refere Schaub, os invasores foram expulsos daquele território.106 Mas as pretensões holandesas não ficariam por aqui.

104 Cf. MARQUES, Guida (2002), “O Estado do Brasil na União Ibérica. Dinâmicas políticas no Brasil no tempo de Filipe II de Portugal”, p. 9.

105 Idem, p. 22. 106

Shaub destaca ainda a intensidade do trabalho em comum realizado pela nobreza e a magistratura portuguesa com os oficiais castelhanos dos presídios, antes dos sucessivos revesses sofridos perante os invasores, a partir de 1631. Cf. SCHAUB, Jean-Frédéric (2001), Portugal na Monarquia Hispânica (1580-

53 Em 1630, uma expedição militar holandesa tomou a cidade (dos engenhos) de Olinda e Recife107; chegando, inclusive, a estabelecer um governo, e retomando, naturalmente, o comércio do açúcar – proibido pela Espanha durante a guerra – entre as Províncias Unidas, e a região nordestina do Brasil. Em 1637, o conde Maurício de Nassau108 ‒ designado pela Companhia Holandesa das Índias Ocidentais ‒ foi nomeado governador-geral do Brasil holandês, com o intuito de consolidar o seu domínio naquelas terras. Este episódio acabaria vinte e quatro anos mais tarde, quando os holandeses são expulsos pelos portugueses, desta vez, com o apoio dos ingleses.

II.2 O fim da União Ibérica e o reinício dos conflitos territoriais em território

Benzer Belgeler