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YILLARA YAYGIN İNŞAAT İŞİ İLE DİĞER İŞLERİ BİRLİKTE YAPANLARIN DURUMU

Sakıp ŞEKER *

B- YILLARA YAYGIN İNŞAAT İŞİ İLE DİĞER İŞLERİ BİRLİKTE YAPANLARIN DURUMU

A instrucção publica! Eis em assupto velho que também nunca, deixa de ser novo!

(...)Já não falamos da cultura superior, mas dos primeiros rudimentos que se devem ministrar a quem quer que seja, sem

excepção, como a base, e esteio para a educação nacional.

(...)De facto, nunca poderemos sahir deste marasmo em que, parece, nos habituamos, sem que se diffunda a instrucção no seio do povo.

Ao lado das Escolas Normaes em que se ensine a ensinar o que urge é que se propaguem esses mesmos rudimentos de que falamos, é que se ministrem ao maior numero possivel dos bahianos os elementos primeiros da cultura do homem de amanhã; emffim que se abram escolas...

Mas o que pretendemos, agora, é firmar um ponto, porventura cruel, e este é que, em materia de instrucção, tudo, na Bahia, ainda está por fazer.

Convenhamos em que os governos, propositalmente, persistem em commetter o crime de leso patriotismo abandonando o nosso povo a essa miseria.

Que esperamos, pois, dessa infância?

Noite, perspectiva da subserviencia, o cretinismo, a escravidão.”1

1 Jornal ”DIARIO DA BAHIA” – Quarta-feira, 1 de março de 1916.Salvador. Anno LXI, num. 47..Pág. 1 – 3a. coluna.Grifos nossos.

O trecho acima transcrito defendendo a expansão da escolarização a todos, fazia parte do estilo apaixonado e polêmico típico dos jornais na passagem do século XX, quando estes ainda eram as tribunas declaradas de interesses pessoais e grupais, caminhando ao discurso falsamente neutro da informação e da defesa do interesse público, caso deste artigo. Para o autor, que não é identificado, os males da sociedade brasileira nascem e se perpetuam numa questão – o alto número de analfabetos, pois “Si o analphabetismo é damnoso e prejudicial a qualquer colectividade humana, mesmo sob regimen ferreo do despotismo, de consequencias ainda mais terríveis será para a que

apparece, no concerto das nações civilisadas, com

o rotulo de democracia

Num país que se queria civilizado era inadmissível que continuassem a existir sujeitos sem dominar os requisitos mínimos do letramento, ferramenta básica para o que considerava essencial, a participação política, ou nas suas palavras, como numa democracia deveria ocorrer a “Ahi a ingerencia dos cidadãos nos negocios públicos é ou devera ser fatal e inevitável.

Desiludido, lançava a indagação ao leitor:

“Como, porém, teremos esta intervenção salutar quando se ignoram os primeiros conhecimentos uteis e indispensaveis para a victoria, na

lucta pela vida?

E si assim é como terá este povo desgraçado idéa, por ligeira que

seja, dos seus direitos, das suas prerrogativas, da sua liberdade de acção e movimento dos seus deveres e responsabilidades?”

Depreende-se deste artigo a idéia da educação, no caso restrita a escolarização em massa, como o meio de progresso, modernização e civilização do país, possibilitando um maior conhecimento dos seus negócios públicos, uma maior participação dos sujeitos como cidadãos plenos. Porém, como e a quem ? Nosso articulista defendeu a todos no sentido da alfabetização básica extensiva a toda população, ferramenta essencial da cidadania moderna. Estamos em 1916. Todavia, seguindo nossa metodologia “feed-back”, sessenta anos antes,1865, tal proposta seria impossível, pois era vivenciada experiência social em que alguns eram mais cidadãos que outros; e outros, apesar de conviverem cotidianamente sequer eram cidadãos brasileiros, os escravos. E que, ainda como escravos ou ex- escravos, detinham saberes ,ofícios e linguagens de comunicação e expressão social.

E não só os escravos. Tanto que em relatório apresentado ao Presidente da Província da Bahia em 1866, o então Diretor Geral dos Estudos, João José Barbosa de Oliveira, defendeu o que chamou de “total liberalismo na educação”. É imprescindível compreender o que isto significava. O senhor Oliveira estava envolvido numa discussão que vinha tomando corpo no país naquela última década, os anos 1850-60, quais os limites da ingerência do Estado nas decisões individuais, em um processo marcado pela centralização e na proposição de Ilmar MATTOS2, da própria construção do Estado Imperial. No caso específico, o senhor Oliveira referia-se ao direito do Estado de interferir em assunto considerado extremamente delicado - a instrução e a educação. Caberia aos pais ou ao Estado orientar a educação, especialmente a escolarizada a ser dada as crianças? Deveria ser a escolarização obrigatória? Sua opinião foi negativa, chamando em apoio “(...) outros philantropos, não menos amigos da civilização, das luzes populares, porém mais escrupulosos cultores da liberdade hodierna e da justiça eterna.3

Na sua opinião a educação, no sentido de escolarização, era de foro íntimo e privado dos pais e tutores, sendo um verdadeiro anátema tentar o Estado imiscuir-se no assunto, “(...) tão vasto, que tem tantas faces e pontos de contacto tão extensos, que tocão até na liberdade de consciência, na tolerância religiosa(...) . Seria injusto os pais de família serem levados a colocar, obrigatoriamente, seus filhos nas escolas. Para Barbosa de oliveira, era errôneo forçar uma escolarização em massa pela obrigatoriedade, pois seria injusto para a sociedade que estaria investida de poderes que talvez não pudesse suprir adequadamente.

Dever-se-ia também, na sua concepção, garantir aos pais o livre arbítrio da escolha de enviar ou não seus filhos a escola, assim como respeitar a liberdade destes poderem ou não enviarem os filhos, em relação a suas possibilidades econômicas. Outrossim, o Estado obrigar o pai a fazer matricular e freqüentar os filhos à escola era, na sua visão, eximi-lo das responsabilidades , era “(...) a respeito do pae a quem despoja de seus direitos e dispensa de seus deveres;(...)”.Ora, podemos argumentar a partir de evidências contidas em muitos ofícios de agentes da Instrução Pública, professores, inspetores e diretores de instrução, assim como registradas em relatórios do Governo Provincial, que muitos pais não enviavam nem mantinham seus filhos nas escolas por falta de condições econômicas .

2 MATTOS, Ilmar.O Tempo Saqurema.SP:HUCITEc;1986.

3 Director Geral dos Estudos da Província da Bahia, Dr João José Barbosa de Oliveira.Apud: Reverendo Emilio Lopes Freire Lobo. Relatório da Directoria Geral de Instrução Publica. 5 de abril de 1879.Pp. 12. Anexos Falla do Dr. Antonio Araújo de Aragão Bulcão. Presidente da Província da Bahia. Site: www.

Entretanto, para Barbosa este não era um argumento válido, pois era gratificar as crianças com favores artificaes, privando-as das garantias naturaes, quais sejam, de ter a vida gerida pelo pae, seu diretor natural, pois

“ A suprema sabedoria assentou o mundo sobre o eixo da responsabilidade pessoal ou commum, logo, a intruzão da lei no domínio da moral é a perversão da responsabilidade(...) O dever da educação é, nos paes, de ordem puramente moral: logo não pôde dar logar a uma

acção legal4”.

Supremo liberalismo numa sociedade em que mais de 80% eram considerados como analfabetos, isto entre os livres, pois os escravos eram proibidos de freqüentar aulas públicas. Esta opinião de Barbosa de Oliveira foi referendada em 1879 por outro diretor Geral de Instrução, o cônego Emilio Freire Lobo. Ele pronunciou-se no auge desta discussão, no final do século XX, inclusive tomando a fala de Barbosa de Oliveira para legitimar sua opinião contrária à obrigatoriedade do ensino, e por extensão, favorável a liberdade de magistério, legalizada pelo então Diretor dos Estudos na Corte, professor Leôncio de Carvalho, com o decreto Nº 7.247, de 19 de abril de 1879. Este decreto tornou o ensino obrigatório na Corte e o liberou em relação a uma formação específica, no caso, a obrigação de ser aluno-mestre, licenciado por uma escola normal, para o caso daqueles que desejassem abrir escolas

“É completamente livre o ensino primário e secundário no Município da Corte e o superior em todo o Império, salvo a inspeção necessária para garantir as condições de moralidade e higiene”.

Esta posição de liberação do ensino, sem exigência de carta de habilitação pela escola normal, tinha um precedente. Na ”Reforma da Instrucção” realizada pelo Barão de São Lourenço, em 1870, com o mesmo intuito da realizada nove anos depois por Couto Ferraz na Corte, ampliar a oferta de escolas sem onerar os cofres públicos, o ensino na Província da Bahia também fora liberado, “(...)Deixando este ponto á vocação, á actividade e ao interesse particular, em toda sua expansao, exijo apenas esclarecimentos estatísticos5. O argumento do Barão de São Lourenço foi a baixa capacidade governamental de manter e expandir uma rede de escolarização.Portanto, devia permitir a

4 Idem. Pp.13.Grifo original.

5 Reforma da Instrucção Publica. Relatório de 6/3/1870. Presidente da Província da Bahia, o Barão de São Lourenço, Francisco Martins Gonçalves. Site: www. crl.edu/content/minopen.htm

quem tivesse interesse fazê-lo, fossem os pais contratando professores, fossem aqueles que se julgassem capazes, e abrissem escolas,

“ É duro certamente que o governo , que não pode proporcionar á todas as localidades e á todos os indivíduos a instrucção primaria, que a Constituição quis que á elles chegasse, que dependente da vontade , e muitas vezes do capricho que domina em muitos logares , a realisação d’esta mesma instrucção, ainda custa dos recursos particulares! Em taes casos onde não póde fazer o bem, deixe que os principaes interessados, os paes dos alumnos, promovam o ensino dos filhos, que em muitas nações está todo á elles confiado sem maior inconveniente, que entre nós será sempre o menor do que o total abandono do mesmo ensino.”

Tal não foi o entendimento do cônego Lobo em 1879. A questão foi considerada da liberdade de ensino foi considerada preocupante, perigosa .No referido relatório da instrução pública, após as costumeiras enumerações dos feitos da Diretoria de Instrução Pública, e a apresentação dos dados quantitativos, pediu uma especial atenção ao Presidente da Província, a quem era endereçado, para se pronunciar com “solita franqueza” sobre três questões, que podemos perceber, muito o preocupavam: “ três assumptos controversos”- quais fossem: liberdade de ensino, ensino obrigatório e ensino mixto. A priori, colocou-se como contrário aos dois primeiros, e sob condições quanto ao terceiro.

A questão fulcral era que essa liberdade de ensino expraiava-se para as questões do ensino religioso, ou melhor, atingia-o no seu âmago, ao ter abolido o ensino religioso no principal colégio do Império, modelo dos demais, o D. Pedro II, da Corte. Leôncio de Carvalho, no decreto 6884, de 20 de abril de 18786, tinha alterado os regulamentos desta instituição, desobrigando os acatólicos de cursarem instrução religiosa, permitindo receber o grau de bacharel sem prestar este exame, enfatizando a liberdade de divulgar as idéias,

“ Que todos os que se crêem capazes de o fazer possam ensinar, sem provas oficiais de capacidade e sem autorização previa.

Seja permitido a cada um expor livremente suas ideais , ensinar as

doutrinas que julga verdadeiras pelos métodos que julgar mais convenientes(...)7”.

6 Apud NUNES, Antonieta de Aguiar. Salvador: Revista da Faced ; 2000. Número 04. Pp 15 7 Idem. Pp16. Grifos nossos.

A postura foi execrada pelo cônego Reverendo Lobo que explicitamente considerava,

“(...) que todo cidadão brasileiro esta no caso de ensinar o que sabe independente de autorização official”.Refiro-me ás artes e ás sciencias. Julgo, porém, que o não póde fazer com offensa da Religião, da moral e

das leis que nos regem .A intolerância é um attributo essencial da verdade, porque a verdade é uma só; e desde que for permitido

sophismar-se acerca dos princípios eternos e irrefragáveis da religião, da moral e do direito, não comprehendo que possa haver estabilidade

nas instituições8”.

O cônego reverendo estava realmente preenhe de medos e receios, o principal que o direito ao ensino livre permitisse “(...) que o virus contagioso das más doutrinas inficione e contamine, no espirito da mocidade, a esperançosa seiva do futuro9. Assim, apesar de reconhecer que o ensino obrigatório tinha fortes partidários, inclusive o ministro dos Negócios do Império, João Luis Cansanção de Sinimbu, que fora uma década antes presidente da província da Bahia, continuou argumentando que não deveria ser erigido em lei. E o ensino não se tornou obrigatório na província, e depois Estado da Bahia, antes de 1925.

A razão de tanta animosidade pode ser encontrada nos próprios textos deste diretor da Instrução Pública, e nos dos demais seus coetâneos, nos quais o magistério é sempre comparado ao sacerdócio, pela necessidade do devotamento e da “moralisação” dos seus aspirantes ou já componentes. Entretanto, tais sentimentos e ações desejados não eram naturais, bem entendido, e por isso era imprescindível desenvolvê-los naqueles que iriam assumir a barca da educação/instrução, principalmente a popular, no caso os aspirantes às Escolas Normais, pelos quais “deve começar o trabalho de reorganisação do ensino provincial”.

Em diversos trechos dos dois relatórios de Emilio Lobo, e do seu sucessor, D.Romualdo Maria de Seixas Barroso, ambos padres, a relação mestre e sacerdócio foi

8 Director Geral dos Estudos da Província da Bahia, Dr João José Barbosa de Oliveira. Apud: Reverendo Emilio Lopes Freire Lobo. Relatório da Directoria Geral de Instrução Publica. 5 de abril de 1879. Pp. 12. Anexos à Falla do Dr. Antonio Araújo de Aragão Bulcão. Presidente da Província da Bahia. Site: www.

crl.edu/content/minopen.htm

9 Reverendo Emilio Lopes Freire Lobo. Relatório da Directoria Geral de Instrução Publica. 5 de abril de 1879.Pp. 12. Anexos à Falla do Dr. Antonio Araújo de Aragão Bulcão. Presidente da Província da Bahia. Site: www. crl.edu/content/minopen.htm

explicitada. Lobo, ao se referir às ingerências políticas no trabalho do professorado, explicitou ser contrário a qualquer atividade político- partidária dos mestres, argumentando que este deveria ser neutro, afastado das disputas e que “ Cumpra o mestre na parochia os laboriosos deveres do seu árduo sacerdócio, torne-se, pela dedicação espontânea, providencia, amparo e guia das pobres creancinhas entregues aos seus cuidados, que apenas sobrar-lhe-a o justo espaço para o descanso do corpo e do espirito10”.

As tentativas de aumentar a ingerência nas Escolas Normais pela hierarquia católica constituíra neste período sempre um campo de tensões.O reverendo Lobo, no seu primeiro relatório como diretor da Instrução Pública,o de 1879, reclamou da falta de religiosidade das alunas do Internato Normal por não assistirem todas as missas nos dias santificados. Considerava que elas, como mulheres e como professas do magistério, (...) aquellas que devem mais tarde ser mestras publicas(...) deveriam aceitar a (...) adopção de um regimen , em que as leis severas da moral e da religião , aliás tão consoladoras e sympathicas , tenhão a merecida preponderância11. Considerava-se neste argumento que

o elemento moral e religioso era a grande alavanca do verdadeiro progresso. Assim, caberia ao ensino da religião preencher as lacunas da educação doméstica e preparar os futuros mestres e mestras.

Importante ressaltar que, neste ponto o cônego Lobo frontalmente discordou do entendimento do Presidente da Província, quanto ao caráter das escolas normais. Araújo Bulcão, presidente, defendeu na sua Falla de 1880 que as escolas normais deveriam ser transformadas em externatos, por questões de economia e de “ motivos de outra ordem”, que não nomeou. O cônego Lobo, no ano anterior, defendera que estas deveriam retornar ao regime de internato, tomando como opinião abalizada o “digno Director do Externato” , que seria o primeiro a lastimar inconvenientes no ensino e na moralidade dos alunos, que só poderiam ser removidos com “ a restauração do Internato12”.

10 Idem. Pp7.

11 Ibidem. Pp .07.

12 Relatório do Reverendo cônego Emilio Lobo, pp 07. Anexo a Falla do Presidente da Província da Bahia, Antonio de Araújo Bulcão. Pp 11.As escolas normais tinham sido reclassificadas pela Reforma da

Instrucção Publica de 1870, feita pelo então presidente da Província Francisco Gonçalves Martins, Barão de São Lourenço, respectivamente em Externato Normal de Homens e Internato Normal de Senhoras. Logo depois, antes de concluir a reforma da instrução já iniciada o reverendo Lobo deixou a Diretoria de Instrucção Publica, em finais de 1880.

A religião Católica era, para este cônego a única salvação para a desejada moralisação da sociedade, e assim exortava o senhor Bulcão, Presidente da Província, a posições mais firmes quanto à ação religiosa na formação dos futuros professores. Neste sentido, reclamava que as alunas do Internato Normal não cumpriam sequer os rudimentos do bom católico, como assistir a missa, transformando os feriados santificados em meros dias de lazer, deturpando e permitindo a degeneração moral pois “(...)qualquer instituição, por mais circumscripta que seja, tem necessidade de um meio coercitivo de ordem elevada, que afiance, no seu grêmio, o cumprimento do dever, mesmo nos casos que fogem á intuição immediata do respectivo chefe. Este meio, todos o sabem, é a consciência, tribunal a que preside exclusivamente Deus; d’onde infere-se que só a

religião convenientemente ensinada pôde preencher tão sensíveis lacunas”.

Esta defesa da religião como essencial na formação do professor, e por este dos alunos, deveria torna-se uma cruzada. Para tanto, os párocos locais deveriam engajar-se, o que foi feito pelo padre Antonio Cezimbra, pároco da sede da Freguesia da Conceição da Praia, ao pedir permissão ao Diretor da Instrução Pública para realizar o catecismo nas escolas da sua freguesia, evidenciando uma disputa

“Tenho a honra de dirigir-me á V. S. pedindo que se digne permittir, que eu como parocho d’esta Freguesia, possa leccionar cathecismo nas escolas publicas de um e outro sexo, de conformidade com o que verbalmente já expuz á V. S, combinando com os respectivos professores os dias e as horas.”13

Outra evidência advém de correspondência enviada a outro padre Diretor Geral de Instrução Pública, o reverendo Romualdo Maria de Seixas Barroso14, imediato substituto de Emilio Lobo, sob a mesma presidência de Bulcão. Paladino ilustrado da Igreja Católica do oitocentos, herdeiro de longa tradição eclesiástica, pois sobrinho materno do mais influente ministro católico baiano do século, o homônimo Romualdo(Antonio) de Seixas Barroso, Marques de Santa Cruz, D. Romualdo Maria, ao contrário do cônego Emilio Lobo, era totalmente a favor da obrigatoriedade do ensino, que na sua ótica era a única forma de diminuir o déficit da instrução primária na província ante o número de habitantes, pois

13 APB. Fundo Instrução Pública. Maço: 6561. “Bahia e Matriz de Nossa Senhora da Conceição da Praia 23 de Agosto de 1878”. Vigário Antonio Teixeira Cezimbra.

14 Informações sobre estes eclesiásticos em COSTA E SILVA, Candido. Os semeadores e a messe. EDUFa.: Salvador; 2001.O Monsenhor Romualdo Maria foi, dentre os Diretores Gerais de Instrução, o que mais tempo total e ininterruptamente permaneceu no cargo, de 1880 a 1885.

“ A Bahia , que tem 1.500.000 habitantes, e conta com 574

cadeiras publicas de instrucção primaria, tem apenas uma inscripção escholar de 21.626 alumons. Se ajuntarmos á estes mais 421 alumnos, que freqüentam as escholas particulares, cujos mappas foram recebidos , e triplicarmos esse numero, teremos o computo de 23.310 frequentadores das aulas de primeira idade.

Sobre 100 habitantes, apenas 1,5 % tem instrução15”.

Também era defensor de uma implantação paulatina, mas firme, do ensino mixto. Este seria a grande alavanca do progresso da instrução. Aumentar, expandir o ensino mixto em todas as freguesias, paróquias, vilas, arraiais e povoados, sob a direção feminina.Assim, foi também um partidário aguerrido da expansão do ensino normal feminino, defendendo que as mulheres quanto

(...) mais luzes tiverem, tanto mais esclarecidos seremos nós, os homens. Entendo, pois, que, attenta a população infantil das localidades se deve multiplicar as escholas para o sexo feminino. Será talvez o

primeiro passo para uma reforma, que, mais cedo ou mais tarde, há de ser introduzida , de confiar exclusivamente a mulher a direcção das escholas chamadas de 1º grão16”.

Porém, quanto à presença da religião nas escolas públicas, como base da instrução elementar, conjugavam no mesmo ardor. Monsenhor Romualdo encabeçou um movimento de defesa da religião como disciplina, conclamando os párocos a exercerem um papel evangelizador direto, um retorno a uma catequese original, com a presença física dentro das próprias escolas, ensinando o catecismo. Uma circular foi enviada aos párocos e temos disto esta evidência,

“Acuso recebido o officio circular de V.S.Rmª datado do dia 1 do corrente em que me confia como aos demais R.m°.s Parochias d’ esta província o ensino do pequeno cathecismo nas escholas publicas”.

Esta interessante correspondência enviada pelo pároco da Freguesia da Vitória, em Salvador, enfocou diretamente o que o clero considerava necessidade de influir na

15 Relatório da Instrucção Publica do Monsenhor Romualdo Ma. de Seixas Barroso.1880.Pg 09. Anexo a