I. BÖLÜM
1.5. Aşere-i Mübeşşere’ye Dahil Edilmesi
1.1.4. Yermûk Muharebesi
A concentração das mulheres em determinados ofícios e profissões caracteriza um processo histórico, iniciado a partir da divisão social do trabalho, o qual conduziu a uma divisão sexual das atividades socialmente distribuídas, justificadas pelas diferenças anatômicas e biológicas. Baseado nessa divisão, o homem passou a monopolizar as funções públicas e intelectuais, sendo deixadas para as mulheres as atividades privadas e afetivas, possibilitando o nascimento de um modo de vida socialmente compartilhado. Essa divisão das tarefas estabelece uma ordem social e simbólica, que mantém certa coerência e se liga à fatores morais (DURKHEIM, 2010).
Essa divisão social, naturalizada entre os sexos, cria as condições objetivas de trabalho que, de acordo com Apple (1988), pode ser analizada levando-se em consideração dois eixos interconectados que as condicionam. Há um eixo vertical que estabelece as diferenças entre os sexos (sobretudo biológicas), colocando as mulheres em desvantagem em relação aos homens, quando comparadas as condições objetivas de trabalho. Os tipos de trabalho que se encontram distribuídos especificamente ao gênero feminino, seriam definidos pelo eixo vertical. Contudo, Diniz (2001, p. 84) afirma que “[...] a entrada de um número significativo de mulheres nessas profissões não é um fator que pode explicar a queda no status destas ou seu desprestígio no mercado de trabalho”.
Por outro lado, esses aspectos, construídos socialmente e definidos a longo da história, ajudaram no estabelecimento das condições que “empurraram” as mulheres para as ocupações simbólicas e financeiramente menos atrativas para os homens, as quais têm um relação direta com o afeto e/ou com o cuidado, como por exemplo a enfermagem e a docência. Nosso país,
especificamente, foi influenciado por dois fatores principais que proporcionaram o crescente aumento no predomínio feminino nas atividades docentes. Um deles se deve à crescente demanda de professores exigida pela ampliação na oferta de educação à população brasileira, a partir do final do século XIX e início do século XX. O segundo fator estaria relacionado à crescente industrialização do país, ocorrida a partir de meados do século XX, fazendo com que uma parcela significativa dos homens deixasse de se interessar pelo trabalho docente, buscando outras atividades profissionais, economicamente mais rentáveis (UNESCO, 2004).
A associação desses fatores propiciam a construção e a consolidação do processo denominado de “feminização do magistério”. Um processo que se construiu socialmente ao longo da história da educação brasileira, a partir da associação entre as características consideradas essencialmente femininas e a dependência de cuidados maternos das crianças. Essa relação entre as características maternas ao papel docente aprofunda o processo, favorecendo a criação de uma imagem de professora que é permeada de atributos associados ao amor, à dedicação, à abnegação e à doação (UNESCO, 2004; GATTI e BARRETTO, 2009; LOURO, 2011).
O processo de feminização do magistério, entretanto, não pode ser considerado como um fator homogeneizante da docência, ou seja, como algo que ocorre de forma igual e com a mesma profundidade independentemente do nível educacional. As diferenças na distribuição dos gêneros entre as distintas fases da educação brasileira podem ser visualizadas na Figura 3, por meio da qual fica visível o grau mais acentuado da predominância feminina, quanto mais elementar é o nível educacional considerado. Embora haja certa defasagem temporal entre a publicação desses dados e o presente estudo, trata-se da última compilação, neste formato, publicada pelo INEP/MEC. Sendo assim, há que se considerar que um período aproximado de cinco anos, não seja suficiente para ocorrer grandes mudanças no perfil de distribuição de gênero dos professores brasileiros, entre os diversos níveis da educação básica.
Com relação aos sujeitos do presente estudo, há que se considerar que os mesmos se encontram em processo de formação, que visa a sua atuação docente na Educação Básica e, sendo assim, os dados inerentes à distribuição de gênero entre os professores de nível superior foram deliberadamente omitidos, por não interessar ao objeto ora estudado. Por meio de uma análise rápida desta figura, torna-se evidente a crescente redução na participação docente das mulheres, à medida em que ocorre uma elevação no nível educacional.
Figura 3 – Participação dos gêneros nos diferentes níveis educacionais Fonte: INEP/MEC (2009)
Estes dados corroboram as teorizações desenvolvidas por Diniz (2001), ao afirmar que muito mais do que provocar a desvalorização ou o desprestígio de uma determinada profissão, a sua feminização provoca um efeito de hierarquização interna. Desta forma, os cargos e as especializações de menor prestígio, como o de professora da educação infantil e da pré-escola, ficam delegados às mulheres, porque essa ocupações estão mais fortemente relacionados aos estereótipos socialmente cconstruídos sobre o gênero feminino, associando-o ao papel de mãe (amorosa, carinhosa, abnegada) e de esposa (amorosa, compreensiva, submissa e dedicada) (UNESCO, 2004; LOURO, 2011; ARROYO, 2011).
Em contrapartida, os cargos de direção e controle mais elevados, especializados e que se relacionam tanto com a preparação dos jovens, bem como a sua orientação para uma profissão, são ocupados predominantemente pelos homens (UNESCO, 2004; LOURO, 2011). Consideradas as distribuições da amostra quanto ao gênero, bem como a relação dessa distribuição com fatores históricos e sociais, faz-se necessário avançar as análises e, dessa maneira, no subitem a seguir é feita a caracterização da amostra quanto a sua faixa etária.
5.1.3 Idade
A Figura 4 apresenta a distribuição da amostra, de acordo com a idade dos sujeitos pesquisados, na época em que a pesquisa de campo foi realizada. Uma parcela considerável dos sujeitos pesquisados (12%) optou em não fornecer os dados inerentes a sua idade, valores
esses que foram desconsiderados na representação gráfica por não comprometem as análises, uma vez que os dados obtidos com as respostas dos demais respondentes possibilitaram traçar um perfil etário aproximado da amostra.
IDADE Menos de 20 1,9% De 20 a 25 18,6% De 25 a 30 23,6% De 30 a 35 24,2% De 35 a 40 13,7% De 40 a 45 9,3% De 45 a 50 3,7% De 50 a 55 3,1% 55 e mais 1,9%
Figura 4 – Distribuição amostral segundo a idade dos sujeitos
A idade média dos sujeitos pesquisados foi calculada em aproximadamente 32 anos, apresentando uma dispersão relativamente grande entre os limites inferior e superior. As idades desses acadêmicos encontram-se distribuídas entre os 17 anos (menor valor) e os 60 anos (maior valor), estabelecendo-se um desvio padrão de 8,68 anos.
Assim como o apontado pelo cálculo da média e do desvio padrão, verificou-se que aproximadamente 48% dos sujeitos da amostra se encontravam numa faixa etária compreendida entre os 25 e os 35 anos. A média de idade dos sujeitos da presente pesquisa aproxima-se daquela encontrada no estudo com acadêmicos de Pedagogia em Belém-PA, realizado por Rangel (2008), ou seja, aproximadamente 30 anos. A faixa etária que compreende os sujeitos da presente pesquisa (17 a 60 anos) coincide com a encontrada por Gatti e Barretto (2009), pois naquele estudo as autoras relataram valores entre 16 e 59 anos para a idade dos licenciandos brasileiros.
De acordo com dados do INEP/MEC (2010), a idade média na qual os alunos do ensino superior deveriam concluir o ensino superior, é de 23 anos, sendo que os sujeitos pesquisados no presente estudo apresentaram uma idade média de 32 anos. Verifica-se uma defasagem entre a idade esperada e a encontrada que, em parte pode ser explicada, pelo fato destes sujeitos serem residentes do campo, locais que se caracterizam pela enorme carência na oferta de níveis educacionais mais avançados.
Associado a esse fator, pode-se adiantar que os licenciandos pesquisados são oriundos de famílias que possuem um reduzido capital econômico, como será verificado mais adiante neste estudo, impedindo que os mesmos busquem uma formação mais avançada na cidade, devido ao dispêndio financeiro que essa ação exigiria. Como uma estratégia de sobrevivência, esses sujeitos se veem obrigados a ingressar precocemente no mercado de trabalho, sendo que, por mais paradoxal que possa parecer, é a própria docência que absorve grande parte dessa mão de obra pouco qualificada.
A inserção no mercado de trabalho antes mesmo da conclusão da educação básica é uma realidade para muitos jovens brasileiros, sendo o curso superior um sonho muitas vezes protelado, em função dessa necessidade de obter, em curto prazo, um emprego capaz de trazer algum recurso financeiro extra para suas famílias. As respostas fornecidas pelos sujeitos pesquisados, para o questionamento sobre as suas atuais condições laborais, evidenciam os aspectos anteriormente descritos, pois a maioria deles (78%) declarou possuir algum tipo de vínculo empregatício. A docência se caracterizou como a principal atividade laboral declarada, pois aproximadamente 73% do total da amostra afirmou exercer suas atividades como professores.
Dentre os 132 sujeitos que declararam desempenhar atividades docentes, 97 deles afirmaram que atuavam como professores há mais de três anos, ou seja, aproximadamente 53% da amostra. Embora o grupo pesquisado seja constituído por acadêmicos de licenciatura, deve-se considerar que a maioria desses sujeitos atua profissionalmente como docente há bastante tempo. Nessa perspectiva, verifica-se a existência de uma proximidade entre a média de idade encontrada na amostra do presente estudo (32 anos) e a média de idade dos professores brasileiros (38 anos), divulgada pelo INEP/MEC (2009).
Embora a maioria dos sujeitos que compõem a amostra exerça atividade docente há algum tempo, verifica-se uma pequena parcela possuidora da habilitação legal para esse exercício profissional. Apenas 14% da amostra declarou possuir alguma formação em nível superior, sendo que um levantamento acerca de qual o tipo de formação os mesmos possuíam, revelou que se tratavam de habilitações para a docência, especificamente nos cursos de Pedagogia ou de Letras. Embora não possuam a habilitação mínima exigida pelo Ministério da Educação, quase a metade da amostra (48%) finalizou seus estudos de Ensino Médio no curso Normal de preparação para o Magistério, o qual habilitava, até há algum algum tempo, professores para para atuação no primeiro ciclo da educação básica (atualmente até quinto ano).
Quando indagados sobre o grau escolar no qual atuavam como professores, a maioria dos entrevistados (cerca de 67%) afirmou que exercia atividades docentes nos níveis mais elementares da educação básica, ou seja, na Educação Infantil e no primeiro ciclo do Ensino Fundamental. Dentre estes sujeitos, aproximadamente 13% declarou ser professor do maternal (creche) ou da pré-escola, cerca de 45% confirmou o exercício da docência no primeiro ciclo do ensino fundamental (1º ao 5º ano) e, em torno de 8% afirmou que atuava como alfabetizador, na educação de jovens e adultos (EJA). Nenhum dos sujeitos pesquisados declarou que exercia atividade docente nos níveis mais elevados da educação básica como, por exemplo, o segundo ciclo (6º ao 9º ano).