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Rivayet Ettiği Hadîs-i Şerifler

I. BÖLÜM

1.3. Rivayet Ettiği Hadîs-i Şerifler

Os dados numéricos apresentados e discutidos anteriormente indicam a direção e a intensidade das atitudes dos licenciandos, sobre aspectos diversos do objeto de estudo, não revelando, contudo, as demais dimensões representacionais. Para isso, faz-se necessário efetuar uma triangulação destes dados numéricos com as informações verbais, obtidas por meio de uma questão aberta, contida na ferramenta de coleta de dados, na qual se indagava aos sujeitos sobre as mudanças que os mesmos acreditavam ser necessárias para a profissão docente.

Devido ao fato de que as informações disponíveis sobre o “ser professor do campo” serem incompletas e excessivas, criam-se pressões psicossociais sobre os licenciandos, tendo em vista que os mesmos se encontram engajados na apreensão desse objeto, que se apresenta de uma maneira complexa e muitas vezes divergente. Os sujeitos necessitam reorganizar coerentemente tais informações, no intuito de construir conhecimentos socialmente válidos, capazes de servirem como guias para as suas práticas cotidianas. É dessa maneira que se verifica o estabelecimento das condições necessárias à emergência das representações sociais, ou seja, a dispersão das informações, a focalização e a pressão à inferência (MOSCOVICI, 2012).

Os nove enunciados acerca do professor do campo acima descritos, foram propostos no intuito de tornar conceitualmente presente o objeto que se encontrava concretamente ausente dos licenciandos. Ao mesmo tempo se buscou evidenciar a complexidade dos significados que permeiam o objeto, bem como a infinidade de informações disponíveis, que em torno dele circulam e se interpenetram. É justamente a complexidade de informações sobre cada um desses enunciados que faz com as mesmas se tornem ao mesmo tempo excessivas e insuficientes, impossibilitando uma completa apreensão por parte dos sujeitos. Essa dispersão nas informações, associada à impossibilidade de o mesmo ser plenamente apreendido, criam o estado de conflito psicológico mencionado anteriormente.

Considerando-se o fato de que o objeto é ontologicamente importante aos sujeitos, pois participa de uma maneira ativa na construção de suas identidades sociais, quando arguidos se veem pressionados a tomar um posicionamento sobre o que é “ser professor do campo”. Para amenizar ou até mesmo solucionar a dissonância cognitiva causada pela dispersão nas informações, os sujeitos necessitam focalizar algumas dessas informações, em detrimento de outras.

Assim, alguns dos elementos desse complexo universo conflituoso são esquecidos, principalmente aqueles que não estão de acordo com as crenças e os valores dos sujeitos, ou que não fazem parte do repertório de conhecimentos previamente construídos. Outros componentes, entretanto, que se apresentam como menos ameaçadores e que podem servir como uma espécie de reforço aos valores e/ou para as crenças, potencializam-se e adquirem maior importância na explicação dos fenômenos ocorridos nesse universo. É nesse sentido que Moscovici (2012, p. 58) afirma que “[...] para penetrar no universo de um indivíduo ou de um grupo, o objeto entra numa série de relacionamentos e articulações com outros objetos que já estão lá e dos quais [...]” a representação “[...] empresta as propriedades e acrescenta as suas próprias”.

Por meio da focalização os licenciandos reduzem o excesso de significações, tornando mais coerentes as informações sobre o “professor do campo”, a partir dos “recortes” que foram efetuados tanto no objeto como no universo em que o mesmo se insere. São esses recortes que possibilitam a apreensão conceitual do objeto por parte do grupo, após a supressão de inúmeros elementos e o acréscimo de outros tantos (JOVCHELOVICH, 2011; BERGER e LUCKMANN, 2011, MOSCOVICI, 2012).

Somente a análise das atitudes dos licenciandos, sobre o objeto de interesse da presente pesquisa, não revela as representações sociais desses sujeitos, uma vez que essa se configura como apenas uma das suas três dimensões, juntamente com a imagem (ou campo representacional) e a informação. No intuito de apreender essas representações, proceder-se-á uma triangulação dos dados acima apresentados, inerentes às atitudes, com aqueles originados de uma questão aberta, na qual se indagava aos sujeitos pesquisados, as mudanças necessárias para uma melhoria na profissão docente.

Esse questionamento forneceu os elementos necessários para captar as duas outras dimensões representacionais: as informações apreendidas sobre o objeto e organizadas intersubjetivamente, formando uma imagem compartilhada pelo grupo, oferecendo coerência para esse tipo de conhecimento que, como afirma Jodelet (2001), possui uma função prática

na vida desses sujeitos. Essas informações e imagens clarificam os motivos pelos quais esses licenciandos desenvolvem as atitudes acima descritas, ao mesmo tempo em que tornam mais nítidos os sentidos por eles atribuídos ao objeto.

Os discursos, elaborados a partir da questão aberta, fornecem informações sobre o contexto no qual os sujeitos formam a atitude favorável em relação à utilidade social da docência. Essa utilidade está intimamente relacionada ao papel social desenvolvido pelo professor, que se encontra inserido numa instituição onde são depositadas todas as esperanças de mudança e/ou transformação da sociedade em que vivemos. Uma série de responsabilidades educacionais que, num tempo não muito remoto, eram atribuídas às famílias, deslocou-se para a instituição escolar, a partir da ampliação nos níveis da educação básica (educação infantil), bem como do acesso à escola pública, que passou a ser um direito de todos os brasileiros.

Juntamente com essa transferência de responsabilidades, o sentido amplo anteriormente dado ao termo “educação”, passa a se confundir com uma das diversas formas possíveis que essa expressão pode assumir. A forma institucionalizada de educação, oferecida num ambiente especialmente projetado e construído com essa finalidade, passa a ser utilizada em substituição àquela que originalmente contava com apenas uma parcela dessa contribuição. Juntamente com as responsabilidades, acentuam-se as crenças de que a escola, por ser a principal responsável pela educação das crianças e dos jovens, pode levar à transformação social tão esperada por todos. As expectativas quanto ao poder transformador da educação, tornam-se explícitos no texto em que uma acadêmica de 20 anos, que não possui experiência como professora, ao afirmar que: acredito que somente através da educação,

seremos capazes de transformar a sociedade.

Com base na crença transformadora da educação, os licenciandos desenvolvem atitudes favoráveis à utilidade que o professor possui para a sociedade, uma vez que o papel desenvolvido por esse profissional é visto como um dos mais importantes para o desenvolvimento da educação. Essa ideia se materializa no texto em que um acadêmico, de 30 anos e que possui mais de três anos de experiência como professor da educação infantil, ao afirmar que o professor é um sujeito que contribui para o desenvolvimento da educação do

país. Especificando um pouco mais esse tipo de contribuição, uma acadêmica de 24 anos, que

possui mais de dois anos de experiências na educação de jovens e adultos, acrescenta que é

por meio dos docentes que os alunos encontram estímulos para alcançarem seus objetivos.

como acrescenta a acadêmica de 43 anos, que exerce atividade docente no primeiro ciclo do Ensino Fundamental há mais de seis meses: profissão de professor que é uma profissão

muito importante, pois é responsável pela boa formação dos futuros cidadãos com direitos e deveres. Verifica-se nas palavras dessa acadêmica, a percepção de que esse profissional é o

principal responsável pela construção da cidadania, desconsiderando que essa deveria ser uma construção partilhada entre as diversas instituições pelas quais a criança transita.

As focalizações sobre a importância e a utilidade social do professor fornecem elementos que servem como justificativas para a opção profissional, bem como de reforço à identidade social desses sujeitos. Esses elementos se confirmam nas palavras do acadêmico de 19 anos, que não possui experiência com a docência, ao pontuar que: todo profissional é

preparado pelo professor, então ele merece um cargo maior na sociedade, e uma instituição que reforce esse cargo, quem é professor tem que se orgulhar, pois toda preparação vem de você. Comprova-se nessas expressões uma generalização do papel do professor e da imagem

formada do professor, a partir da focalização em determinados aspectos como, por exemplo, a preparação profissional e pela formação do cidadão.

Por meio dessas focalizações, os sujeitos descontextualizam aqueles elementos que são característicos dos docentes que atuam em níveis escolares mais avançados, mas que garantem uma imagem positiva do professor. Essa construção de imagens coerentes sobre o objeto se caracteriza como a terceira dimensão das representações sociais, que será tratada no tópico seguinte.

Benzer Belgeler