A Web 2.0 é uma plataforma naturalmente interativa que consegue suprir a necessidade de participação, cooperação e compartilhamento de informações pelos seus usuários, como explica Alex Primo (2006) ao afirmar que:
A Web 2.0 é a segunda geração de serviços online e caracteriza-se por potencializar as formas e publicação, compartilhamento e organização de informações, além de ampliar os espaços para a interação entre os participantes do processo. A Web 2.0 refere-se não apenas a uma combinação de técnicas informáticas (serviços Web, linguagem Ajax, Web syndication, etc.), mas também a um determinado período tecnológico, a um conjunto de novas estratégias mercadológicas e a processos de comunicação mediados pelo computador (PRIMO, 2006, p.01).
O aspecto estritamente característico na Web 2.0 é a participação dos seus usuários não só na questão de troca de informação, mas na formação e divulgação de documentos (texto, áudio e vídeo). A plataforma é reconhecida por O’Reilly (2005) como uma “arquitetura de participação” que tem como motor produtivo o acesso e participação do usuário que alimenta o fluxo de informação (PRIMO, 2006 apud O’REILLY).
O contexto colaborativo na Web 2.0 é aplicado nos projetos colaborativos que recebem a definição de network segundo Brunet (2009). A autora busca na definição de Tilman Baumgartel (2001) a explicação para o emprego do termo, ao dizer: “Para o autor “net-work” – é, por exemplo, obras de arte feitas especialmente para a rede e “network” – é uma obra em cooperação, feita pela colaboração de pessoas” (BRUNET, 2009 apud BAUMGARTEL, 2001, p.75). Num estudo direcionado a concepção de projetos colaborativos faz-se importante uma investigação das implicações do cenário de network na Web 2.0 feita a partir do seu potencial colaborativo de “comunicação, interação e produção”. Ainda embasando-se na análise desta premissa, Brunet classifica os usuários a partir das relações que desempenham no ambiente, dizendo:
Estes usuários podem ser descritos como participantes, colaboradores, cooperadores ou contribuinte. Estas denominações mudam dependendo do nível de envolvimento ou de preferência semântica, por
exemplo – um participante de um projeto é alguém que “faz parte” do projeto, mas talvez não esteja tão envolvido em sua execução como um colaborador ou cooperador (BRUNET, 2009, p.71).
A partir disso, nota-se que os termos colaboração, cooperação e participação pensados na perspectiva de produtos desenhados em espaços midiáticos que apresentam interatividade são muitas vezes confundidos e empregados como se tivessem um mesmo significado. Faz-se necessário um estudo de sistematização e identificação terminológicas destas palavras e o seu emprego em ambientes como o da Web e da TVDI, o que não é o objetivo da presente pesquisa. Entretanto, seguindo a linha de pensamento exposto acima, aplica-se aqui uma delimitação e diferenciação entre os termos segundo as necessidades e atividades projetadas no ambiente e para a audiência na TVDI, especificamente pensado na proposta de modelo de telejornalismo colaborativo e participativo.
Primeiramente, é importante traçar qual conceito de interatividade é estudado e aplicado na TVDI. Nesta pesquisa a definição adotada considera que “com a interatividade torna-se possível caminhar em direção ao universo da desconstrução imagética e linguística, das trocas de saberes, da participação ativa e mútua entre emissor–receptor, que se efetiva em condições colaborativas de produção de conteúdo por parte do usuário” (FEITOSA, ALVES, FILHO, 2009, p.134). Já os conceitos de colaboração, cooperação e participação tem suas bases na Web em que se apoiam num contexto de network, analisado como “projetos de network que usam a rede para, de forma colaborativa, desenvolver trabalhos e/ou propiciar comunicação, interação e produção” (BRUNET, 2009, p.70).
Aplicando-os a TVDI, a partir do ambiente proposto, se estrutura:
a) participação: a ação de pertencer e desenvolver uma das partes da produção coletiva de forma voluntária e atendendo a regras de uso definidas no ambiente, por exemplo na ferramenta JCollab o participante é a pessoa que deseja apenas participar da comunidade para acompanhar e votar nos processos de produção como: sugerir pautas, votar nas melhores reportagens e telejornais;
b) cooperação: nesta ação há um sentimento maior de comprometimento a produção, desempenhando algumas responsabilidades frente ao conjunto de atividades e a grupos presentes no ambiente, ou seja, o cooperador é a pessoa que escolhe uma das funções dentro do processo de produção para desempenhar, como repórter, apresentador entre outros;
c) colaboração: é ação de coordenar uma ou mais atividades desenvolvidas para o sistema, em que se responsabiliza em gerenciá-las a partir das atividades feitas por outros integrantes do ambiente. Aqui o colaborador é a pessoa que desempenha funções gerenciais na estrutura jornalística, como na JCollab o perfil do editor-chefe. É uma função que necessita de uma maior disponibilidade para o gerenciamento da estrutura colaborativa de que é responsável.
Esta é uma primeira proposição da sistematização da lógica colaborativa no ambiente, propensa a mudanças baseadas em variações que possam ocorrer durante os testes11. Nessa ferramenta os testes serão feitos através da formação de comunidades constituídas inicialmente por estudantes de jornalismo. São comunidades compostas por pessoas que dominam o código (telejornal), porém, não possuem as ferramentas necessárias para desenvolver os seus próprios telejornais, mesmo que no primeiro momento seja de maneira experimental. Então, a JCollab em sua primeira versão de teste avaliará uma proposta de processo telejornalístico baseado nas estruturas atuais apresentando algumas modificações no processo. Também é uma proposta organizada através de uma colaboração, participação e cooperação intensa da audiência que se torna a responsável pela concepção do telejornal.
A produção de conteúdo na TVDI deve ocorrer como forma de colaboração e participação dividida entre a audiência e os produtores de conteúdo. Mas há inicialmente uma tendência de que os produtores de conteúdos permitam apenas para uma interatividade limitada. Ou seja, oferecerá a opção de agir sobre recursos ofertados pela interface no ambiente
11 Serão feitos testes com estudantes do Curso de Comunicação Social - habilitação em
Jornalismo da UFPB e da Unesp (Campus Bauru) para a produção de protótipo de telejornalismo colaborativo na ferramenta JCollab, durante a execução do projeto que foi aprovado no edital do CTIC da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa desenvolvido pelo Lavid- UFPB. O projeto começa suas atividades em outubro de 2010.
das aplicações. O que mantém o fluxo do conteúdo transmitido sem sofrer diretamente uma intervenção.
Neste caso, o que também poderá ser aplicado é o aproveitamento das informações enviadas pela audiência, a partir das suas preferências, como pesquisa e base para as decisões na hora de pensar em um conteúdo participativo. Em vista deste contexto, a JCollab pode estimular um espaço dentro do roteiro de um programa, como por exemplo um quadro no telejornal onde a notícia veiculada é produzida pela audiência que pode ser escolhida segundo critérios adotados pela equipe do programa ou a mais votada e/ou assistida no ambiente Web. Isto já acontece em alguns meios institucionais, mais especificamente para a mídia impressa que usa os seus sites ou portais para a postagem de textos, fotos, áudios ou vídeos pelo usuário. Porém, para estes conteúdos serem veiculados necessitam antes passar por seleção, casos que são analisados no próximo capítulo.