3. Orta Anadolu’da Kalkolitik Dönem
3.2. Bölgenin Araştırma Tarihçesi
“Há que se buscar a responsabilidade do Tenente Vinícius e seus comandados, nos limites de sua culpa. Entretanto de cada um. Sem perder de vista, no entanto, outros responsáveis pelo festival de ilegalidades em que se tornou a Operação Cimento Social. É certo que não foi o tenente quem decidiu sobre a presença do Exército naquela operação. Se quisermos verdadeira Justiça temos que apurar a responsabilidade de todos, a começar pelo Comandante Supremo das Forças Armadas – o Presidente da República – e do Ministro da Justiça, a quem cabe assessorá-lo nos assuntos de Segurança Pública” (RELATÓRIO AEEF127504, 2008).
Faremos aqui uma reconstituição dos acontecimentos baseado, principalmente, em notícias produzidas pela Agência Brasil – uma agência de notícias do Governo Federal que disponibiliza virtualmente matérias de relevância nacional. Lemos, também, jornais impressos e revistas semanais de grande circulação e comparamos, superficialmente, com as matérias veiculadas no Jornal Nacional e no Jornal da Cultura. Desta forma, foi possível reconstruir, de uma maneira menos tendenciosa, o episódio ocorrido no Morro da Providência. Não obstante, levamos em conta três relatórios apresentados à Câmara43.
No dia 14 de Junho de 2008, três jovens voltavam de um baile “funk” quando foram abordados por uma patrulha do Exército na entrada do Morro da Providência. Segundo os depoimentos, eles teriam desacatado a autoridade dos militares. Desse local, eles teriam sido encaminhados ao quartel do Exército para conversarem com o comandante da tropa, de onde teriam sido liberados sem punição após serem ouvidos. Alguns soldados teriam ficado inconformados com a ausência de punição e queriam dar um corretivo nos jovens. Então, eles levaram os jovens ao Morro da Mineira, no Catumbi, e os entregaram ao grupo de traficantes ADA (Amigos dos Amigos) que são rivais do Comando Vermelho, do Morro da Providência. No dia seguinte, os corpos dos três jovens foram encontrados em um lixão, com várias marcas de tiros. A população local reagiu jogando pedras nos militares que ocupavam o Morro da Providência e depredaram nove ônibus.
A partir de então, o crime ganhou destaque na mídia, bem como a discussão sobre a atuação do Exército na Segurança Pública. Por um lado, é legal a participação das Forças Armadas para a garantia da lei e da ordem (BRASIL, 1999). Por outro, não há uma definição constitucional clara sobre o papel do Exército, já que se entendia que é a organização policial que está treinada e preparada para atuar diretamente com a sociedade civil. Esse desvio da
função militar gerou uma pressão para que fosse legalizada a participação de soldados em ações de Segurança Pública, por exemplo, ao especificar as ações e prazos do Exército e/ou criar uma lei que tipificaria o crime de milícia.
Em 16 de junho, três soldados envolvidos com o episódio teriam confessado o crime à polícia. Foi declarada, então, a prisão preventiva dos onze militares envolvidos, sendo um tenente, três sargentos e sete soldados. Mais de mil pessoas acompanharam o enterro dos três jovens. No dia seguinte, o Ministro da Defesa Nelson Jobim subiu ao Morro da Providência para pedir desculpas aos parentes das três vítimas e afirmar que o ocorrido foi um desvio de conduta isolado e não haveria motivos para a saída do Exército do local. Também, nessa data, foi criada uma comissão externa à Comissão de Segurança Pública do Congresso para acompanhar o envolvimento dos militares na morte dos três jovens. O projeto, que teve grande repercussão midiática, passou a ser visto como suspeito de fazer parte de um esquema político da prefeitura do Rio de Janeiro. E a população, por sua vez, estava revoltada e pedia a expulsão dos militares do Morro.
No dia 18, a Justiça Federal acatou a ação da Defensoria Pública da União, pedido por André Ordacgy, e determinou a saída imediata dos militares do Morro da Providência. A juíza Federal da 18ª Vara Federal do Rio, Regina Coeli Medeiros de Carvalho, determinou a troca do Exército pela Força de Segurança Nacional para realizar o policiamento, já que os trabalhadores estavam autorizados a retomarem as obras. Antes da decisão, o Presidente Luiz Inácio “Lula” da Silva havia afirmado que o Estado deveria indenizar as famílias das vítimas. Ele também defendeu a continuação do projeto, com ou sem soldados no local, e reforçou que o erro foi provocado por quem estava no comando e não por uma falha do Exército.
No dia seguinte, a polícia concluiu o inquérito sobre o crime e indiciou os onze militares por triplo homicídio triplamente qualificado, ou seja, com os agravantes: motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa das vítimas. Se condenados, a pena poderia chegar a 30 anos de prisão. No dia 20 de junho, o Tribunal Regional Federal suspendeu por uma semana a decisão da juíza, determinando que o Exército reposicione sua tropa para a rua Barão da Gamboa, na parte baixa da favela, onde está o canteiro de obras do projeto Cimento Social.
No dia 24 de junho, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TER/RJ) embargou as obras do Projeto Cimento Social depois de ter recebido uma denúncia anônima de uso eleitoral da máquina pública, sendo o beneficiado o pré-candidato à prefeitura do Rio Marcelo Crivella. O senador Crivella, antes do período permitido de campanha política, teria produzido um folheto com fotos do Morro da Providência, antes e depois do projeto de sua
autoria. E, para o juiz da fiscalização da propaganda eleitoral, o convênio entre os Ministérios foi adotado em pleno ano eleitoral, o que é proibido pela Lei 9.504 de 1997. A Justiça Eleitoral ordenou que o senador Marcelo Crivella interrompesse a distribuição dos “santinhos” e desse explicações em até 48 horas. Em nota à imprensa, ele divulgou que lamentava a determinação do TRE que interditava as obras do Projeto Cimento Social:
Respeito e acato a decisão da Justiça Eleitoral que determinou a suspensão das obras do projeto Cimento Social, realizadas pelo Exército brasileiro no Morro da Providência. Lamento, no entanto, que obra tão importante para a melhoria das condições de vida de 782 famílias tenha sido paralisada, por causa da contaminação do debate político provocada pela proximidade da disputa eleitoral; as obras foram propostas ao Presidente Lula em maio de 2007 mais de um ano atrás e iniciadas em dezembro de 2007. Lamento ainda que a suspensão da reforma das casas possa deixar sem emprego cerca de 150 trabalhadores contratados para trabalhar na recuperação da estrutura e da fachada das casas, inclusive moradores do próprio Morro da Providência. Por último, nego qualquer conotação eleitoreira do projeto Cimento Social, que pretendo ver transformado em lei, conforme o projeto de número 541/2007, que apresentei no Senado Federal em setembro do ano passado. O projeto estende os benefícios do Cimento Social a todas as áreas de risco das grandes cidades brasileiras. (CRIVELLA, 2008, p. 1)
É preciso salientar que o senador Marcelo Crivella protocolou o Projeto de Lei do Senado 541, que diz respeito ao Projeto Cimento Social, em 13 de setembro de 2007 – mesmo mês em que lançou sua pré-candidatura à prefeitura do Rio pelo PRB. As convenções partidárias, momento de oficialização da candidatura, só ocorreram 6 meses depois, no dia 28 de junho de 2008, exatamente duas semanas posteriores ao assassinato dos três rapazes do Morro da Providência. Apenas, então, foi confirmada a candidatura do senador Marcelo Crivella à prefeitura do Rio de Janeiro.
Durante o seu discurso na convenção partidária, Crivella pediu um minuto de silêncio em memória dos três rapazes assassinados e reforçou a importância do Projeto Cimento Social. No dia anterior, o TRE/RJ havia notificado o senador sobre nova denúncia, referente a um informe publicitário publicado na revista de veiculação estadual "Roteiro do Poder", da Editora WD, que o apontava como responsável pelas obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), do Governo Federal, realizadas em favelas do Rio. Crivella teve até o dia 30 de junho para prestar novos esclarecimentos à Justiça Eleitoral. Será que utilizar a propaganda eleitoral antecipada faz parte das estratégias de campanha de Crivella ou tudo foi mera coincidência?
Outro dado relevante é a sua história política no Rio de Janeiro. Crivella foi candidato em 2004 à prefeitura da capital fluminense, ficando em 2º lugar na eleição vencida por César
Maia em 1º turno, e em 2006 foi candidato a Governador ficando em 3º lugar, perdendo para Denise Frossard e o atual prefeito Sérgio Cabral. No ano de 2008, foram 11 os candidatos à prefeitura do Rio de Janeiro. Em ordem alfabética por apelido eleitoral são: Antonio Carlos (PCO), Chico Alencar (PSOL), Eduardo Paes (PMDB), Filipe Pereira (PSC), Fernando Gabeira (PV), Jandira Feghali (PC do B), Marcelo Crivella (PRB), Alessandro Molon (PT), Paulo Ramos (PDT), Solange Amaral (DEM) e Vinícius Cordeiro (PT do B).
O resultado de 2008 do primeiro turno das urnas eleitorais para a prefeitura do Rio de Janeiro foi: Eduardo Paes (PMDB) com 31,98% dos votos, Fernando Gabeira (PV) com 25,61%, Marcelo Crivella (PRB) com 19,06%, Jandira Feghali (PC do B) com 9,79% e os outros candidatos não chegaram a 5% dos votos. Apesar de seu envolvimento em um escândalo político eleitoral, Marcelo Crivella teve uma considerável votação, ficando em terceiro lugar.