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Bölgenin Krono – Kültürel Çerçevesi

3. Orta Anadolu’da Kalkolitik Dönem

3.3. Bölgenin Krono – Kültürel Çerçevesi

Observe que o valor da rede tem muito a ver com o tamanho das malhas. Se você só deseja peixes grandes, mas usa uma rede que traz tudo, sua rede não é adequada. Essa é a razão por que, freqüentemente, os cientistas preferem anzóis em vez de redes. (...) Uma rede vale não só pelo que pega, mas também pelo que deixa passar. (ALVES, 2003, p. 100)

Metodologicamente, será utilizado o modelo sugerido por Lopes (2003) para as pesquisas em comunicação, aliado ao conceito de enquadramento definido por Entman (1991, 1993, 2003) e à revisão metodológica de Soares (2006). Dentre os objetivos desta pesquisa está a observação dos enquadramentos do telejornalismo praticado por emissoras de caráter comercial e público no Brasil, sendo assim, foram escolhidos dois telejornais do horário nobre de duas emissoras: Rede Globo com o Jornal Nacional (JN), líder de audiência; e a TV Cultura com o Jornal da Cultura (JC), reconhecido como praticante do jornalismo público.

A menos que as narrativas sejam comparadas, os enquadramentos serão difíceis de ser completamente detectados e com segurança porque muitos dos elementos dos enquadramentos podem aparecer como ‘naturais’, escolhas de palavras ou imagens não-extraordinárias. A comparação revela que tais escolhas não são inevitáveis ou não-problemáticas, mas são o centro da maneira que os enquadramentos noticiosos ajudam a estabelecer a literatura de ‘senso comum’ na interpretação dos assuntos. (ENTMAN, 1991, p. 6, tradução nossa, grifos no original)44.

Portanto, julgamos que os enquadramentos podem ser mais facilmente identificáveis por se tratar de emissoras com finalidades diferentes. Caso duas emissoras comerciais fossem escolhidas para a análise, seus enquadramentos poderiam ser semelhantes na hipótese de que ambos têm a mesma finalidade de conseguir maior público para vender mais publicidade e gerar lucro, ou seja, espera-se que a emissora comercial tenha um estilo jornalístico para “agradar” seu público. Como a perspectiva de uma televisão educativa-pública não se preocupa, prioritariamente, com a audiência, esta pesquisa pretende demonstrar comparativamente os enquadramentos semelhantes e distintos construídos pelas emissoras na cobertura de um fato.

Ambos os telejornais, foram gravados na casa do pesquisador por meio de um gravador de DVD. No período de coleta dos dados, o Jornal Nacional foi ao ar às 20h15 e o

44Unless narratives are compared, frames are difficult to detect fully and reliably, because many of the framing devices can appear as “natural,” unremarkable choices of words or images. Comparison reveals that such choices are not inevitable or unproblematic but rather are central to the way the news frame helps establish the literally “common sense” (i.e., widespread) interpretation of events.

Jornal da Cultura começava pontualmente às 22 horas, ambos de segunda a sábado45. As gravações começaram em março de 2008 e se estenderam até agosto de 2008. Durante o período, optamos por analisar o caso da morte de três jovens no Morro da Providência da cidade do Rio de Janeiro – um assunto relevante em termos de cidadania, para fins de análise.

Seguindo as fases de pesquisas apresentadas por Lopes (2003, p. 135-155), passamos pela definição do objeto ao delimitar “teoricamente o problema de pesquisa e os alvos de toda a investigação” e chegamos na etapa da observação que “visa coletar e reunir evidências concretas capazes de reproduzir os fenômenos em estudo no que eles têm de essencial”.

A etapa de observação envolve duas operações distintas: a técnicas amostragem e a técnica de coleta de dados. A amostragem, inicialmente, que delimita o universo de investigação, ou seja, determinaremos quais as ocorrências do fenômeno serão observadas. O período escolhido para análise engloba as últimas semanas de Junho de 2008 – desde a primeira aparição sobre o episódio da morte dos três jovens no Morro da Providência, passando pela denúncia de propaganda política eleitoral e a determinação pela Justiça Eleitoral de paralização das obras do Projeto Cimento Social. No total foram 14 edições selecionadas de cada telejornal.

Além da cobertura no telejornal, o fato esteve presente nas manchetes de diversos jornais impressos, por cerca de duas semanas. Assim, julgamos que tal episódio teve a cobertura suficiente para realizarmos as análises. O tema do fato possui várias vertentes e é relevante por lidar tanto com questões de direitos humanos, de cidadania, de abuso de poder, de uso indevido das forças armadas, de violência urbana ligada ao tráfico, de atuação de parlamentares, de campanha eleitoral antecipada e do sofrimento da família das vítimas.

Para mensurar o espaço (ou o tempo) dedicado pelos telejornais ao assunto, foi realizada a minutagem das notícias referentes ao Morro da Providência. Cada matéria foi mensurada em minutos e segundos. No quadro a seguir, observamos que o assunto apareceu por mais de 30 minutos no Jornal Nacional em 12 edições e cerca de 12 minutos no Jornal da Cultura em 9 edições. Ou seja, o JN dedicou um espaço mais de duas vezes maior que o apresentado pelo JC. Aqui revela uma amplitude do caso pela Rede Globo. Apenas no dia 30, é que o JC ultrapassou o espaço dedicado no Jornal Nacional. Nessa minutagem, nós desconsideramos o tempo destinado nas escaladas, passagens de bloco e encerramento do telejornal.

Tabela 1 – Minutagem das notícias veiculada nos telejornais Edição JN (Globo) JC (Cultura)

sab 14/jun 1’15’’ - seg 16/jun 2’22’’ 1’05’’ ter 17/jun 5’21’’ 1’56’’ qua 18/jun *6’15’’ 1’10’’ qui 19/jun 5’18’’ 1’34’’ sex 20/jun 2’50’’ 2’30’’ sáb 21/jun 1’23’’ 45’’ seg 23/jun 45’’ 25’’ ter 24/jun 2’52’’ 1’18’’ qua 25/jun - - qui 26/jun 1’10’’ - sex 27/jun 1’11’’ - sáb 28/jun - - seg 30/jun *25’’ 1’40’’ TOTAL 31’07’’ 12’23’’

* valores aproximados, pois houve um problema técnico no momento da gravação

Após a definição da amostragem, passamos para as técnicas de coleta. Nessa fase, todo o material foi assistido e decupado – transcrição jornalística com marcas de som e vídeo – para que os aspectos para análise fossem destacados (VER APENDICE A e B). Optamos por não utilizar enquadramentos pré-determinados, que impossibilitam a análise do enquadramento em si. Isso porque, cada assunto provoca enquadramentos diferentes. Sendo assim, ao invés de adotarmos itens de observação padronizados ou pré-estabelecidos, preferimos criar os nossos próprios itens, a partir da observação preliminar das matérias.

Assim, após a transcrição do material, estabelecemos os itens de observação, ou seja, os aspectos mais destacados do assunto, fixados para observação, descrição e interpretação. Essa é a primeira tarefa na investigação empírica dos enquadramentos, pois identificar os itens de observação é muito mais simples do que identificar os enquadramentos por eles mesmos (KOENIG, 2004b). Assim, foram definidos grandes itens de observação com a intenção de desvendar como os telejornais enquadraram o caso do Morro da Providência. Dentro de cada item de observação, foram criadas sub-categorias de observação, a que denominamos narrativas.

Em seguida, passamos para uma fase preliminar da etapa descritiva. Antes da análise descritiva, foi necessário fizer uma reconstrução verbal do teor das reportagens que foram

exibidas pelos telejornais, levando em conta os itens de observação e as narrativas identificadas. Obtivemos, portanto, os dados brutos da pesquisa (VER APENDICE C e D)46. Após a etapa de descrever o teor das notícias veiculadas e tendo como referencial teórico o conceito de enquadramento (framing), a pesquisa passou para a reconstrução das narrativas das reportagens.

A análise descritiva das narrativas telejornalisticas ocorreu com base nos itens de observação e sub-categorias determinadas pelo pesquisador. Nesta fase, as matérias foram separadas de acordo com a presença das narrativas nas edições do telejornal. Buscou-se fazer uma retomada de todas as aparições ou um resumo das narrativas. Acreditamos que esta é a melhor alternativa para as análises de enquadramentos noticiosos televisivos, visto que nas narrativas estão simultaneamente presentes as três matrizes: visual, verbal e sonora.

A partir das narrativas, passamos para uma análise interpretativa dos resultados, “levando a análise a um nível superior de abstração e de generalização”, com base na teoria do enquadramento e na perspectiva do papel do telejornalismo para a cidadania. Assim, foi possível chegar a um balanço dos resultados alcançados, com a “exposição dos objetivos conseguidos e das possíveis contribuições para o avanço do conhecimento sobre o tema que foi objeto da pesquisa” (LOPES, 2003, p. 135-155).

46 Inicialmente tínhamos pensado em reconstruir as cenas no modelo de um roteiro de cinema, mas logo

observamos que o telejornal possui muitos cortes, o que dividiria demais as cenas e não teríamos a integração das matrizes verbal, visual e sonora sobre um mesmo assunto, mas sim uma fragmentação da reportagem. Defendemos que a reportagem deve ser vista integralmente, como é recebida pela audiência e não separada por partes.

Benzer Belgeler