2. BÖLÜM
5.2. Sezgi Olgusunun Kaynağı
A partir da informação de quais as escolas municipais iniciariam o trabalho com a nova proposta do Programa de Inclusão Digital para o Ensino
Fundamental de São Carlos, entramos em contato com a Secretaria Municipal de Educação, que já havia autorizado nossa pesquisa, nomeando as escolas nas quais tínhamos interesse em coletar dados para o desenvolvimento do nosso trabalho.
Indicamos à Secretaria que tínhamos interesse de entrar em contato com as três instituições que iniciariam o trabalho com a nova proposta do PID no primeiro semestre de 2011. O contato foi feito por meio da SME e não diretamente com as escolas, porque isso foi um dos requisitos necessários para que o município aceitasse o desenvolvimento da pesquisa.
Passados alguns dias, recebemos o e-mail da SME informando-nos que, das três escolas contatadas apenas duas haviam respondido a solicitação, uma aceitando a pesquisa e outra recusando o trabalho. Sendo assim, nossa investigação se restringiu a apenas uma das instituições.
Tendo em mãos os dados da escola que se interessou pelo desenvolvimento do nosso trabalho, entramos em contato com a gestora, agendamos então um horário para lhe apresentarmos a pesquisa, seus objetivos, metodologia, etc.
Desde o primeiro contato, fomos muito bem recebidos na escola, tivemos livre acesso às instalações e também liberdade para observarmos as aulas de Inclusão Digital, conversarmos, entrevistarmos e pedir para que os professores respondessem ao questionário.
Nesse contato inicial, explicamos a gestora que nenhum dos professores seria obrigado a participar de nossa pesquisa, apenas os que se sentissem interessados e motivados.
No mesmo dia, tivemos o primeiro contato com alguns dos professores regulares do 5º ano42. Devido à brevidade do tempo de que dispúnhamos nesse dia (não queríamos atrapalhar as atividades dos professores), nos apresentamos e falamos brevemente sobre a pesquisa. Em geral, os professores se mostraram interessados.
Apenas quinze dias após o primeiro contato com o corpo docente da instituição foi que começamos as observações. Em 2011, o PID para o Ensino Fundamental começou com atraso, a primeira aula aconteceu no dia 04 de
42 Como foi dito na apresentação do Projeto de Inclusão Digital para o Ensino Fundamental, esse só é oferecido aos alunos do 5º ano.
maio. Nesse dia, momentos antes do inicio da aula, a gestora nos apresentou ao professor de informática, até então desconhecido por ela também, que permitiu que observássemos suas aulas.
Avaliamos o fato de a primeira observação ter sido feita já no primeiro dia de aula como algo positivo, porque, minimizou as interferências que a presença do pesquisador poderia acarretar no comportamento dos participantes, alunos e professores, durante as aulas.
De acordo com Lüdke e André (1986) sendo a observação utilizada enquanto principal meio de coleta de dados nas pesquisas de abordagem qualitativa, ela permite ao pesquisador aproximar-se ao máximo da realidade dos participantes, assim como possibilita que recorra às experiências e ao conhecimento pessoais para compreender a situação estudada.
Optamos pelo modelo de Observação Simples, no qual, segundo Gil (2008, p. 101), “[...] o pesquisador é muito mais um espectador que um ator.” De acordo com o mesmo autor, esse tipo de observação coloca-se no plano científico por ir além de uma mera constatação dos fatos, pois “[...] a coleta de dados por observação é seguida de um processo de análise e interpretação, o que lhe confere a sistematização e o controle requeridos dos procedimentos científicos.”.
Acerca desta metodologia de recolha de dados, Gil (2008), ressalta a importância do registro das situações observadas, afiançando que o melhor momento para esses registros é o da própria ocorrência, ou, em casos que isso não é possível ou conveniente, eles podem ser feitos logo após as observações.
No nosso caso, os registros foram feitos durante as observações, em um diário de campo43, no qual eram anotadas, ao longo de todo o período de observação, atividades realizadas, procedimentos das aulas, comportamento e atitudes do professor regular de cada turma, do professor de informática e dos alunos.
A necessidade de registrarmos o que observamos reside no fato de que podemos futuramente analisar criticamente os dados coletados, tendo
43 Zabalza (2004, p. 13), nos chama a atenção para o fato de que existem várias nominações para se referir a essa técnica de documentação, como por exemplo,”[...] diário de aula, história de aula, registro de incidentes, observações de aulas, etc.”
assim uma visão mais ampla e menos reducionista das situações observadas. Para tanto, acreditamos, de acordo com Falkembach (1987) que nos valer do diário reflexivo seria a melhor opção.
O diário reflexivo como instrumento de recolha de dados vai ao encontro do que a autora supramencionada defende. Segundo ela, a utilização contínua dos diários contribui para “[...] formação e aperfeiçoamento dos observadores e facilita a reflexão da prática, através do confronto de informações, opiniões, análises preliminares e visões de mundo.” (p. 21).
Corroborando esse pensamento, Bolívar et. al. (2001) afirma que o uso do diário, permite a quem o escreve (professor ou pesquisador) refletir sobre todos os fatos vivenciados, preservando as vivências e experiências passadas com suas especificidades e peculiaridades, evitando que com o passar do tempo ocorram distorções desses fatos, introduzidas pelas memórias dos participantes.
Todavia, é válido salientar a advertência que nos faz Falkembach (1987, p. 23), ao nos chamar para o fato de que o diário não deve ser a única ferramenta investigativa, ainda que valorize sua importância como instrumento metodológico de investigação, afirmando que, “O Diário de Campo busca evitar que as pessoas, ao fazerem um trabalho científico, fiem-se na memória para recordar o que viram.” Com essa afirmação, a autora nos aponta que lançar mão do diário durante as observações feitas para a coleta de dados de nossas pesquisas é uma forma de primar pelo rigor que André (2001) e Ghedin & Franco (2008) afirmam que deve existir nas pesquisas acadêmicas.
Nesse sentido, Alves (2004) respaldado pelos estudos de Zabalza (1991) nos indica algNuns cuidados necessários quando fizermos uso do diário reflexivo como instrumento de recolha de dados para trabalhos acadêmicos.De acordo com o pensamento do autor,
[...] para se poder trabalhar com diários, em investigação, necessitamos de posicionar-nos, face à sua utilização, com a requerida confiança na sua possibilidade de traduzirem, válida e confiavelmente, o pensamento e experiências dos seus autores, enquanto, por outro lado, viabilizam a interpretação
objectiva, por parte do investigador, dos dilemas que, na mente
e na prática, são vivenciados por aqueles. Sem estes pressupostos, o trabalho com diários não justificaria nem a sua
redacção, nem as aportações investigacionais que, em boa
Para nortearmos nosso olhar durante as observações foi desenhado um roteiro de observação. De acordo com o pensamento de Lüdke e Andre (1986), estruturamos nosso roteiro a partir dos objetivos que desejamos alcançar.
Nesse sentido, é válido dizer, em consonância com o pensamento das mesmas autoras, que a função desse instrumento é a de guiar o olhar do pesquisador e não engessá-lo.
Para a elaboração do roteiro de observação, valemo-nos do roteiro elaborado por Oja (2010). Dito isso, apresentamos o roteiro que guiou nossas observações:
Na rotina das aulas de informática, buscamos observar: A postura dos professores regulares na sala de informática; A relação dos professores regulares com os alunos durante as aulas do PID;
A relação dos professores regulares com o professor de informática;
A relação dos professores regulares com os novos aparatos teóricos;
Como os professores regulares auxiliam os alunos na realização das atividades;
O relacionamento do professor de informática com os alunos (motivação, diálogo, estímulos.);
As estratégias que o professor de informática utilizava nas aulas; Como o professor de informática organizava sua aula;
Como se dava a relação do professor de informática com o professor regular de cada turma;
Critérios de seleção dos conteúdos trabalhados com os alunos; Como o professor de informática auxilia os alunos na realização das atividades e define o tempo para a execução das mesmas;
Como o professor de informática se posiciona diante de imprevistos que acontecem durante as aulas;
Como os professores regulares se posicionam diante de imprevistos que acontecem durante as aulas;
Como o professor de informática avalia o trabalho nas aulas.
Com relação ao contexto das aulas do PID, buscamos observar: Como os alunos se comportam durante as aulas, seus comentários, como realizam as atividades, como (e se) respondem às expectativas do professor de informática;
A partir da observação das aulas, identificar os saberes que o professor de informática demonstra possuir e quais deles fundamentam a sua prática;
Quais os elementos que podem interferir positiva ou negativamente na prática do professor de informática e como isso reflete em sua atuação;
Como o professor de informática avalia as aprendizagens dos alunos e identifica seus avanços (formas de avaliação) e em quais momentos isso ocorre;
Qual é o relacionamento do professor de informática com o corpo docente da escola, assim como com a equipe gestora da instituição.
Na escola, onde a pesquisa se desenvolveu aconteciam semanalmente cinco aulas do Programa de Inclusão Digital para o Ensino Fundamental, tendo cada uma delas a duração de duas horas. Todas as aulas que aconteceram no período de 02 de maio a 06 de julho de 2011, foram acompanhadas, correspondendo a um total de 45 aulas, sendo 09 de cada turma.
Em relação ao comportamento e à postura do pesquisador durante as observações, Oja (2010, p. 66) pondera que é necessário,
[...] ter cautela para não me esquecer do papel de observadora, pois a partir do momento que se passa a conviver semanalmente com a rotina de uma sala de aula é inevitável que se crie um clima de aproximação e maior envolvimento.
É importante registrar que as observações foram feitas ao longo dos dois meses de aula do Programa de Inclusão Digital (PID) para o Ensino Fundamental, das escolas municipais de São Carlos – SP.
Nossas observações aconteceram no período de 04 de maio a 06 de julho de 2011, período em que se realizou o PID no primeiro semestre do ano letivo em questão. Os dados descritos aqui são referentes à observação das cinco turmas de 5º ano existentes na instituição.
Os primeiros tópicos que compõem o guia de observação das aulas de informática se relacionam com o papel que o professor regular assume ao longo dessas aulas, de que maneira esse profissional se relaciona com os demais atores presentes no processo de ensino aprendizagem, e também como esse docente se posiciona diante das novas possibilidades advindas com os recursos disponíveis na sala de informática.