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A regulação de monitoramento, relato e verificação na Europa é obrigatória para todas as instalações participantes do mercado de carbono europeu, o EU ETS. Criada em 2004 para dar apoio à Diretiva 2003/87/EC, que instituiu o mercado de carbono na Europa, a Decisão 2004/156/EC estabeleceu diretrizes e critérios sobre o monitoramento e relato de emissões de GEE, de forma completa, consistente, transparente e com acurácia, de todas as instalações participantes (CE, 2004). Entretanto, é importante ressaltar que, para as duas primeiras fases do EU ETS (2005-2007 e 2008-2012), havia apenas a recomendação para que as instalações adotassem os princípios determinados no Anexo IV da Diretiva 2003/87/EC. As regras de monitoramento e relato adquiriram caráter mandatório somente ao fim da segunda fase35.

Conforme novos setores entram no mercado de carbono europeu, os mesmos são enquadrados nas diretrizes de MRV estabelecidas pela Decisão. Para a terceira fase, todos os participantes se enquadraram na Regulação nº 601/2012 que define as diretrizes de MRV na Europa para instalações e o setor de aviação e busca criar um sistema mais simples e harmonizado na Europa (CE, 2012a). Desse modo, observa-se que o desenvolvimento da estrutura de MRV teve estreita relação com o funcionamento do sistema de comércio de emissões.

Histórico

O mercado de carbono europeu é uma forma de os Estados-Membros da União Europeia cumprirem as metas estabelecidas em acordos internacionais de forma simples e custo-efetiva. Entre os compromissos da União Europeia, destacam-se os do Protocolo de Quioto, reforçados pela Decisão 2002/358/EC, em que a Comunidade e os seus Estados-Membros se comprometeram a reduzir suas emissões antropogênicas de gases de efeito estufa agregadas em 8%, comparados aos níveis de 1990, entre 2008 e 2012.

Em face do desafio de reduzir unificadamente as suas emissões, o Parlamento Europeu passou a Diretiva 2003/87/EC, que estabelece um mercado de carbono na Europa e conta com a participação de todos os Estados-Membros. A Diretiva ressalta as responsabilidades de cada Estado-Membro, instalação, operador etc. Similarmente, ela define as responsabilidades e compromissos da Comissão Europeia.

Com o intuito de deixar o sistema mais transparente para cada Estado-Membro, a Comissão decidiu, no dia 24 de janeiro de 2004, por meio da Decisão 2004/156/EC, definir as diretrizes de monitoramento e relato de emissões de gases de efeito estufa conforme os termos da Diretiva 2003/87/EC. Oito anos depois, tais diretrizes foram atualizadas na Regulação da Comissão nº 601/602, no dia 21 de junho de 2012.

35 I the o te t of the ide ha o isatio i a u e of a eas as pa t of the ETS e ie the o-legislators have also

decided to substantially boost the degree of harmonisation in these areas by means of mandating the Commission to adopt the follo i g t o egulatio s i this a ea e d … . Befo e the sta t of the thi d t adi g pe iod of the EU ETS in 2013, monitoring and reporting rules are specified in Commission Guidelines (MRG), Decision No 2007/589/EC. The M&R Regulation shall be based on the principles for monitoring and reporting set out in Annex IV of Directive 2003/87/EC. This means that the main change with the adoption of a Regulation is that the current M&R architecture is transformed with limited changes from (non- inding Guidelines into a inding Regulation” (CE, 2012c)– Grifo nosso.

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Esses documentos, que tratam exclusivamente do MRV do EU ETS, determinam as atividades e GEE a ser monitorados, o ciclo anual de cumprimento, o arquivamento das informações e a garantia de qualidade ao longo do processo por parte de cada Estado-Membro, entre outros. Em 19 de novembro de 2008, a Diretiva 2008/101/ passou a incluir o setor de aviação no EU ETS e, portanto, no sistema europeu de MRV. As Regulações nº 600/2012 e 601/2012 sobre MRV no EU ETS para a terceira fase do programa já incorpora diretrizes para este setor, buscando atender o objetivo mais amplo de harmonização das regras e critérios entre os diversos participantes do programa.

A Regulação estabelece metodologias básicas de monitoramento, de forma a minimizar o peso sobre os operadores e empresas de aviação e facilitar o efetivo monitoramento e relato de suas atividades e emissões.

Linha do Tempo

O programa de MRV na Europa tem uma relação muito próxima com o EU ETS e tal proximidade é espelhada também na evolução do programa e nas diretivas relacionadas a tais temas, conforme pode ser observado na Figura 6.

FIGURA 6 – EVOLUÇÃO DO MRV NA UNIÃO EUROPEIA

1996 - Diretiva do Conselho 96/61/EC do dia 24 de setembro de 1996 estabelece um quadro geral para o controle e prevenção de poluição, inclusive emissões de GEE.

1999 necessárias para a implementação da Diretiva 96/61/EC.- Decisão do Conselho 1999/468/EC do dia 28 de junho de 1999 apresenta as medidas

2002 emissões antropogênicas de gases de efeito estufa dentro do Protocolo de Quioto.- Na Decisão 2002/358/EC, a Comunidade e os seus membros concordam em reduzir as suas

2003 mercado de carbono europeu (EU ETS).- Diretiva 2003/87/EC foi estabelecida no dia 13 de outubro de 2003, criando as bases para o

2004 - Decisão da Comissão 2004/156/EC é aprovada, estabelecendo as diretrizes de monitoramento e relato de emissões de gases de efeito estufa conforme os termos da Diretiva 2003/87/EC. - Diretiva 2004/101/EC permite conexão (linking) com outros programas.

2009 - Diretiva 2009/29/EC foi estabelecida no dia 23 de abril de 2009.

2012 - Regulações nº 600 (Acreditação e Verificação) e 601 (Monitoramento e Relato) são publicadas.

26 Visão geral do MRV

A legislação de MRV na Europa tem como objetivo gerar diretrizes e critérios para o relato e monitoramento de emissões de forma completa, transparente, consistente e precisa (CE, 2004). De modo geral, os principais processos envolvidos no MRV europeu são:

a) Identificação das partes reguladas

A cobertura do programa de MRV da União Europeia, em cada uma de suas fases, abarca os seguintes setores (CE, 2012a):

1ª Fase: Produção de energia, metais ferrosos (ferro e aço), indústria química, indústria mineral (cimento, vidro, cerâmica) e papel e celulose.

Fase 2: Fase 1 + vidro, fibras minerais (i.e. fibra de vidro, fibra de cerâmica), pedra de gesso, flaring de produção de gás e óleo offshore, produtos petroquímicos, negro de fumo e aciarias.

Fase 3: Fase 2 + aviação, petroquímica, amônia, alumínio.

Apesar de a Diretiva 2003/87/EC estabelecer que podem ser regulados todos os gases listados no Protocolo de Quioto, a primeira fase do EU ETS contemplou apenas emissões de CO2 de geradores

de energia e setores industriais energo-intensivos (CE, 2003). Durante a segunda fase, a cobertura do programa foi estendida para emissões de N2O decorrentes da produção de ácido nítrico em

alguns Estados-Membros. O setor de aviação passou a integrar o EU ETS somente a partir de 2012, por meio de legislação adotada em 200836.

b) Monitoramento

O monitoramento das emissões ocorre ao longo de cada ano e é baseado em métodos definidos no plano de monitoramento de cada instalação. Um plano de monitoramento é gerado para cada instalação e aprovado pela autoridade competente no início do ciclo de cumprimento. Para autorizar tal plano, a autoridade competente precisa verificar se o mesmo está em conformidade com as exigências definidas na Regulação nº 601/2012.

O operador da instalação monitora as suas emissões ao longo do ano e, no fim do ano, prepara um relato anual de emissões. Antes de devolver o relato anual à autoridade competente ao término do ano, o operador verifica o relato. Para tal, um verificador externo, que também tem como responsabilidade identificar possíveis melhorias no plano de monitoramento da instalação, é contratado. Depois de verificado, o relato anual de emissões verificado é enviado à autoridade competente.

c) Relato

No fim de cada ciclo de cumprimento, um relato anual é submetido à autoridade competente. Os relatos são verificados e um relatório de verificação é submetido ao operador. Após receber a verificação, o operador envia um relato anual de emissões verificado à autoridade competente.

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27 d) Verificação e acreditação

A verificação das informações de emissões de GEE na Europa é obrigatória e deve ser realizada por terceira parte (independente). Tal processo tem como objetivo apoiar procedimentos de controle de qualidade, para dar informações sobre as quais o operador pode agir para melhorar o seu desempenho no monitoramento e relato de suas emissões (CE, 2012a).

Mesmo em casos em que o plano de monitoramento foi aprovado pela autoridade competente, o verificador tem como obrigação relatar quaisquer distorções relevantes no relato. Baseado nas informações coletadas durante a verificação, o órgão verificador cria um relatório para o operador. O operador entrega o seu relato anual, juntamente com o relatório do verificador, para a autoridade competente (CE, 2012a).

e) Sistema de cumprimento

O sistema de cumprimento da Europa é complexo, por permitir a cada Estado-Membro autonomia na aplicação das punições relacionadas ao não cumprimento. Por exemplo, as punições relacionadas a relatos anuais não satisfatórios são determinadas por Estados-Membros, de acordo com a Decisão 2004/156/EC. No que diz respeito ao mercado de emissões, uma instalação é penalizada caso não tenha permissões (allowances) suficientes para cobrir suas emissões de GEE, tendo seu nome publicado (por não estar em compliance) e pagando uma multa por cada tonelada em excesso37.

f) Análise dos dados relatados

Os dados de emissões, submetidos no relatório anual de emissões de cada instalação, são utilizados para determinar se uma instalação cumpriu as suas metas de redução de gases de efeito estufa e para definir a quantidade de permissões que será alocada a uma instalação no período seguinte (CE, 2012a). As informações relacionadas à alocação de permissões e aos resultados de monitoramento de emissões podem ser acessadas pelo público (CE, 2003).

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Benzer Belgeler