3. BÖLÜM: ENDÜSTRİ MİRASI
3.6.1 Yeniden işlevlendirmede fiziki müdahaleler
No processo de geração dos dados desta investigação, utilizamos as técnicas do olhar e do perguntar, estabelecidas por Erickson (1981 apud CANÇADO, 1994). A técnica do olhar se refere às práticas de observação e leitura de documentos (atas de audiência trabalhista); a do perguntar diz respeito à utilização de questionários e entrevistas; e, por fim, a do registrar compreende as anotações de pesquisa, conforme esclarece Paz (2008).
As referidas técnicas viabilizam a construção de uma visão panorâmica do fenômeno em estudo. A técnica do olhar, especificamente, nos coloca na condição de observador não participante, possibilitando-nos conhecer melhor a dinâmica que envolve a produção do gênero. A técnica do perguntar nos permite esclarecer dúvidas e obter informações através do contato direto com os colaboradores, técnica essa a qual compreende as entrevistas semiestruturadas, os questionários mistos e as gravações em áudio. Por fim, a técnica do registrar nos oportuniza anotar as impressões e informações geradas no decorrer do desenvolvimento das duas técnicas anteriores.
19 Disponível em: <http://www.cnj.jus.br/images/stories/docs_cnj/resolucao/rescnj_75b.pdf>. Acesso em: 05 out. 2014.
Saliente-se que a adoção dessas várias técnicas de pesquisa objetiva garantir um significativo conjunto de informações capazes de possibilitar uma melhor compreensão no processo de produção e constituição do gênero.
1.6.1 A observação
A observação, de acordo com Gressler (2003), é uma técnica de coleta de dados para obter informações e cuja utilização implica o uso dos sentidos para captar aspectos da realidade. A esse respeito, a autora declara:
Na técnica de observação, o observador é uma variável que deve ser tomada em consideração – um observador é um verdadeiro instrumento de mensuração. Como tal, deve ser treinado para ver precisamente o que tem que ver e registrar o que foi identificado, assim como anotar suas próprias inferências e interpretações. (GRESSLER, 2003, p. 169)
De acordo com a autora, são muitos os tipos de observação de que o pesquisador pode lançar mão. Nesta pesquisa, optamos pela observação não participante, a qual conduz o pesquisador a assumir o papel de espectador, pelo fato de não se constituir um membro efetivo do grupo ou comunidade estudada.
Concomitantemente às observações, foram efetivados os registros de pesquisa, contemplando aspectos relacionados ao cenário da pesquisa, aos procedimentos dos colaboradores em situação de produção do gênero em estudo, dentre outros.
1.6.2 As entrevistas
A respeito dessa técnica de pesquisa, Poupart (2010) assegura que não é raro ouvir dizer que dirigir uma entrevista é uma arte. Ainda que existam divergências sobre o que implica essa arte, não resta dúvida de que a entrevista sempre foi considerada um meio adequado para levar uma pessoa a dizer o que pensa, a descrever o que viveu ou o que viu, ou mesmo o que testemunhou.
Trata-se de um instrumental que favorece a aproximação entre o pesquisador e os colaboradores, permitindo que as informações sejam dadas satisfatoriamente e ainda que haja uma relação de confiança, a fim de que os
colaboradores possam de fato falar abertamente sobre o que pensam e/ou sabem a respeito de determinado assunto.
De acordo com Szymanski (2002), a entrevista face a face é fundamentalmente uma situação de interação humana, em que estão em jogo às percepções do outro e de si, expectativas, sentimentos, preconceitos e interpretações para os protagonistas – entrevistador e entrevistado. A autora ainda acrescenta:
Quem entrevista tem informações e procura outras, assim como aquele que é entrevistado também processa um conjunto de conhecimentos e pré- conceitos sobre o entrevistador, organizando suas respostas para aquela situação. [...] O entrevistado, ao aceitar o convite para participar da pesquisa, está aceitando os interesses de quem está fazendo a pesquisa, ao mesmo tempo em que descobre ser dono de um conhecimento importante para o outro. (SZYMANSKI, 2002, p. 12-13)
Com base nessa premissa, escolhemos a entrevista como um dos instrumentais de geração de dados pela possibilidade de diálogo orientado com os colaboradores, objetivando uma geração de dados mais precisa. Quanto ao tipo de entrevista, selecionamos a semiestruturada pela flexibilidade no tocante à estrutura e na organização dos questionamentos (Apêndice A).
Segundo Gressler (2003), a entrevista semiestruturada, ou focalizada, é construída em torno de um corpo de questões do qual o entrevistador parte para uma exploração em profundidade.
No tocante ao desenvolvimento das entrevistas do nosso estudo, organizamos um conjunto de dez perguntas que tratam, de modo geral, acerca da produção textual que ocorre no decorrer das audiências trabalhistas, com ênfase no gênero ata de audiência.
1.6.3 Os questionários
Os questionários foram elaborados essencialmente com questionamentos, abertos e fechados (Apêndice B), no tocante à faixa etária, à formação acadêmica, à experiência profissional dos colaboradores na área jurídica e função da magistratura, oportunizando, dessa forma, a caracterização dos magistrados participantes da pesquisa.
A respeito desse instrumental, Gressler (2003) afirma que os questionários são constituídos por uma série de perguntas abertas, fechadas ou mistas, elaboradas com o objetivo de se levantar dados para uma pesquisa, cujas respostas são formuladas por escrito pelo informante, sem o auxílio do investigador. Nessa investigação, optamos pelos questionários elaborados com perguntas mistas, por atenderem melhor aos nossos propósitos de pesquisa, e também por esclarecerem questões não contempladas pelas entrevistas realizadas.
1.6.4 Os registros de pesquisa
De acordo com Bogdan e Biklen (2004, p. 150), ―depois de voltar de cada observação, entrevista, ou qualquer sessão de investigação, é típico que o investigador escreva o que aconteceu, dando uma descrição das pessoas, objetos, lugares, acontecimentos, atividades e conversas‖.
Diante da importância dos registros na atividade de pesquisa, buscamos, no decorrer do processo de geração de dados, particularmente após as visitas às Varas do Trabalho, realizar os registros das impressões e vivências no cenário da pesquisa e da participação dos colaboradores na aplicação das técnicas de entrevista e dos questionários. Dessa forma, registramos impressões e situações que pudessem colaborar com a análise dos dados, possibilitando, assim, maior fidedignidade na investigação.
As notas de campo podem originar em cada estudo um diário pessoal que ajuda o investigador a acompanhar o desenvolvimento do projeto, a visualizar como o plano de investigação foi afetado pelos dados recolhidos e a tornar-se consciente de como o pesquisador foi influenciado pelos dados (BOGDAN & BIKLEN, 2004, p. 150-151).