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5. BÖLÜM: PROJE ÖNERİSİ

5.4.2 İşlevsel süreklilik

De acordo com Bronckart (2012), o texto representa uma unidade comunicativa de nível superior. Nessa definição incluem-se, ao mesmo tempo, a acepção corrente do termo segundo a qual o texto designa todo exemplar de produção escrita, tais como: artigo científico, romance, editorial, receita etc., como também a acepção mais abrangente que tem sido proposta mais recentemente por meio das unidades comunicativas em modalidade oral, como as comunicações científicas, os sermões, as conversas etc.

No conjunto das diferentes disciplinas que abordam os fenômenos textuais/discursivos, já foram formuladas concepções diferentes das nossas, provenientes de outras decisões terminológicas. Na maioria, a noção de gênero está associada à de discurso, enquanto a noção de tipo vincula-se à de textos e, consequentemente, a dimensão textual aparece subordinada à dimensão discursiva (BRONCKART, 2012, p. 139).

Diante disso, é preferível, portanto, conforme pontua Bronckart (2012), apresentar um aparelho nocional que faça a distinção de três níveis de abordagem: as atividades de linguagem, que estão em funcionamento nas coletividades humanas, e que se desenvolvem no quadro das formações sociodiscursivas; os textos, como formas comunicativas globais e infinitas, constituindo os produtos concretos das ações de linguagem, que se distribuem em gêneros adaptados às

necessidades das formações discursivas; e, por sua vez, os tipos de discurso, como formas linguísticas que são identificáveis nos textos e que traduzem a criação de mundos discursivos específicos, sendo esses tipos articulados entre si por mecanismos de textualização e por mecanismos enunciativos que conferem ao todo textual sua coerência sequencial e configuracional.

Nas postulações a respeito das operações constitutivas dos mundos discursivos, são evidenciados, nessa linha teórica, o mundo do narrar e o mundo do expor. Segundo Bronckart (2012), na ordem do narrar o mundo discursivo é situado em um ―outro lugar‖, mas esse lugar, entretanto, deve permanecer como um mundo parecido, isto é, um mundo que deve poder ser avaliado ou interpretado pelos seres humanos que lerão o texto. Quanto ao mundo do expor, nessa ordem, a situação parece se apresentar de modo diferente, sendo o conteúdo temático dos mundos discursivos conjuntos interpretado, a princípio, à luz dos critérios de validade do mundo ordinário.

Dessa forma, isso parece ser confirmado pelo fato de que

a ficção que funciona nos mundos da ordem do narrar será considerada como uma característica normal do gênero adotado, enquanto a ficção da ordem do expor será geralmente objeto de uma avaliação baseada exclusivamente nos critérios de elaboração e de validade dos conhecimentos no mundo ordinário. (BRONCKART, 2012, p. 154)

As operações psicológicas constitutivas dos mundos são gerais e, a priori, universais, enquanto que as marcas linguísticas que traduzem os mundos são, por sua vez, necessariamente dependentes das propriedades específicas das línguas naturais. Assim sendo, convém fazer a distinção entre tipo linguístico e tipo psicológico ou de discurso.

Para Bronckart (2012), a expressão tipo linguístico designa o tipo de discurso tal como ele é efetivamente semiotizado no quadro de uma língua natural, com suas propriedades morfossintáticas e semânticas particulares. Quanto à expressão tipo psicológico, por sua vez, designa essa entidade abstrata ou esse construto que é o tipo de discurso, apreendido exclusivamente sob o ângulo das operações psicológicas puras, isto é, esvaziadas da semantização particular que necessariamente lhe conferem as formas específicas de recursos morfossintáticos mobilizados por uma língua natural para traduzir um mundo.

Os tipos psicológicos correspondentes aos mundos discursivos podem ser observados no Quadro 02 com dupla entrada:

Quadro 02 - Coordenadas gerais dos mundos Conjunção Disjunção

EXPOR NARRAR

_____________________________________________ Relação ao ato Implicação Discurso interativo Relato interativo de produção

______________________________________________ Autonomia Discurso teórico Narração

Fonte: Bronckart (2012, p. 157).

Para Baltar (2007), a decisão de Bronckart de colocar em relevo o que ele chama de tipos de discurso pode ser produtiva para a compreensão do folhado que configura os textos/gêneros, visto que estes indicariam algumas regularidades existentes nas atividades e ações de linguagem próprias à configuração dos gêneros textuais, constituindo uma camada intermediária entre os gêneros e os mecanismos de textualização e de enunciação.

No que concerne à concepção de gêneros, Bronckart destaca que graças às experiências vividas, cada indivíduo dispõe de conhecimentos referentes aos gêneros, o que lhe permite conhecer suas propriedades estruturais e sua adequação a determinadas situações de linguagem.

Portanto, os gêneros são produtos da operacionalização de mecanismos estruturais diversos, heterogêneos e por vezes facultativos, conforme assevera Bronckart (2006). A respeito disso, o autor acrescenta:

Esses mecanismos se decompõem em operações também diversas, facultativas e/ou em concorrência, que, por sua vez, se realizam explorando recursos linguísticos geralmente em concorrência. Qualquer produção de texto implica, consequentemente e necessariamente, escolhas relativas à seleção e à combinação dos mecanismos estruturantes, das operações cognitivas e de suas modalidades de realização linguística. Nessa perspectiva, os gêneros de textos são produtos de configurações de escolhas entre esses possíveis, que se encontram momentaneamente ―cristalizados‖ ou ―estabilizados‖ pelo uso. Tais escolhas dependem do trabalho que as formações sociais de linguagem desenvolvem, para que os textos sejam adaptados às atividades que eles comentam, adaptados a um meio comunicativo, eficazes diante de um desafio social etc. (BRONCKART, 2006, p. 143-144).

Devido a esse estado, os gêneros mudam necessariamente com o tempo ou com a história das formações sociais de linguagem. Para Bronckart (2006), se a prática de gêneros constitui-se como um espaço importante da aprendizagem social, não é, entretanto, nesse nível que se implementam os processos de mediação que contribuem para o desenvolvimento das propriedades principais das pessoas.

Assim sendo, os gêneros ―combinam modos de estruturação particularmente heterogêneos, de tal modo que eles nunca podem ser inteiramente definidos por meio de um determinado conjunto de operações cognitivas, que seriam materializadas por um determinado conjunto de unidades e de regras linguísticas‖ (BRONCKART, 2006, p. 154).

Benzer Belgeler