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Yeni ve düzeltilmiş standartlar ve yorumlar

Belgede FAALİYET RAPORU 2021 (sayfa 90-93)

31 ARALIK 2021 TARİHİNDE SONA EREN YILA AİT FİNANSAL TABLOLARA İLİŞKİN DİPNOTLAR

2. Finansal tabloların sunumuna ilişkin esaslar 1 Sunuma İlişkin Temel Esaslar

2.3 Yeni ve düzeltilmiş standartlar ve yorumlar

Desde a sua criação, a OIT passou por muitas mudanças de contexto sócio, político e econômico global. Ao longo do século XX, a população global mais que triplicou, a

38 O Diretor-Geral é escolhido a cada cinco anos (renováveis) pelo Conselho de Administração. Desde 1999, o Diretor-Geral da OIT é Juan Somavia, do Chile.

população urbana cresceu assustadoramente e novas economias passaram a participar do trade, em competição com países desenvolvidos.

Após a Segunda Guerra, o mundo se polarizava em modelos econômicos que disputavam hegemonia. A hostilidade da União Soviética para com a OIT – que tendia a adotar medidas de mercado, mais do que as medidas de economia planificada – e a disputa entre as superpotências reduzia o espaço de atuação da organização efetiva, embora esta continuasse com larga competência (RODGERS et alli¸ 2009, p. 29).

Após a “era de ouro” do capitalismo no século XX (anos 1950 e 1960), quando o mundo experienciou um crescimento econômico sem precedentes e o pleno empregado era uma meta bastante plausível, as mudanças organizacionais e econômicas causaram, como discutimos, importantes transformações no mundo do trabalho.

Novos pólos de industrialização emergiram em países em desenvolvimento e, após certa preeminência de idéias favoráveis ao Estado de Bem-Estar Social, o neoliberalismo avançou a partir dos anos 1980 e, sobremaneira, após o esfacelamento do mundo comunista. Isso levou a um movimento acelerado em direção à dominância global da economia de mercado.

A OIT teve dificuldades em acompanhar a velocidade da liberalização econômica dos anos 1990, implantada sob elevados custos sociais (ibidem, p. 34). A primeira década do século XXI assistiu a um acelerado alargamento e aprofundamento da globalização. Conseqüentemente, a produção global se desenvolveu em complexas relações e as transações através das fronteiras se multiplicaram, mesmo quando se trata de provisão de serviços. Nesse contexto, o forte crescimento da globalização financeira levou ao enfraquecimento do poder dos Estados para controlar e regular as economias nacionais e instrumentos de governança global continuam a demandar melhor desenvolvimento (ibidem, p. 35). Isso nos leva a entender que o atual sistema de atuação da OIT – seja no que diz respeito à produção e controle de normas, seja no que concerne ao suporte técnico que a organização provê – tem tornado-se assaz obsoleto diante das novas realidades.

Daí o entendimento de Crivelli (2010, p. 200) de que a OIT passa por uma crise diante desse novo cenário. Para o autor, o papel da organização tem-se reduzido face à disfunção do modelo jurídico por ela adotado em relação ao novo contexto sócio-econômico global.

Associada a esses fatores está a criação, em 1994, da Organização Mundial de Comércio (OMC) e a celebração do GATT-1994. O GATT – Acordo Geral sobre Pautas

Aduaneiras e Comércio39 – foi originalmente criado em 1947 com o objetivo de regular as relações econômicas internacionais no contexto do pós-guerra, amenizando as políticas aduaneiras dos Estados signatários.

Em 1994, o novo GATT (GATT-94), surgido com o nascimento da OMC, adotou mecanismos de grande eficiência para o controle de normas internacionais de comércio, tendo a vantagem de ser multilateral, incluindo a participação de grandes corporações transnacionais e medidas que incluem sanções econômicas. Um dos mecanismos utilizado pela OMC e bastante discutido é a cláusula social, que é a inserção de cláusulas de conteúdo social (e laboral) em tratados e acordos multilaterais.

As cláusulas sociais podem prever sanções e tem sido adotadas por muitas grandes empresas em suas relações com fornecedores. O uso da cláusula social não é pacífico. Enquanto países desenvolvidos tendem a defendê-la para proteger seus mercados; países em desenvolvimento, incluindo o Brasil, se posicionam contrários ao protecionismo que as cláusulas podem ensejar (KAWAY & VIDAL, 2010).

Sem adentrar no funcionamento do sistema de solução de controvérsias da OMC (via GATT), observamos com Crivelli (ibidem, p. 124) que, desde a última década do século XX, diversas novas propostas de regulação do trabalho a nível global tem sido apresentadas. Nesse sentido, processos de integração regional40, multilateralismo e acordos entre países parceiros e instrumentos jurídicos de direito privado, tem levado a um “ambiente de pluralidade jurídica”.

Evidentemente que essas novas fontes normativas vão se sobrepondo ao arcabouço normativo da OIT, mas há muitas controvérsias em aceitar mecanismos como os do GATT para tratar de questões de trabalho no âmbito internacional. Dessa forma, Kerns & Mingst (2010, p. 81) observam a existência de grupos de países que se opõem à discussão de questões trabalhistas por parte da OMC, opondo-se ao envolvimento do GATT em assuntos laborais. Eles alegam que não há relação direta entre comércio internacional e normas de trabalho. Fazem parte desse grupo muitos países em desenvolvimento que não querem perder suas vantagens competitivas (pela não adoção de razoáveis padrões protetivos do trabalho).

Assim, muitos países entendem que é preciso reforçar o papel da OIT em monitorar e exigir a adoção de normas internacionais de trabalho. Por outro lado, muitos

39 Do ingles General Agreement on Tariffs and Trade.

40 No contexto europeu, o Tratado de Roma já em 1957 tratava de relações econômicas entre países do continente sem afastar da Comunidade Econômica Européia questões trabalhistas, quando estas afetavam o funcionamento do seu mercado comum (BRONSTEIN, 2009, p. 87).

países e ONGs argumentam que comércio internacional e trabalho estão intimamente ligados e, uma vez que a OMC tem demonstrado mais força coercitiva do que a OIT, defendem a atuação da OMC no campo juslaboral41.

4.5.1. Respostas da OIT: a Agenda de Trabalho Digno e a Declaração da OIT sobre os Princípios e Direitos Fundamentais no Trabalho (1998)

Diante desses inúmeros desafios a OIT reagiu, buscando readaptar sua atuação, passando de um órgão eminentemente produtor de normas internacionais do trabalho a um importante provedor de suporte técnico para Estados, cooperativas, organizações de trabalhadores, organizações não-governamentais e empresas. Assim, a organização tem procurado fortalecer ações de prevenção, através de programas de criação de empregos, consultoria, qualificação, pesquisa, fornecimento de dados estatísticos e de fomento ao cooperativismo e ao empreendedorismo.

Os programas tem buscado demonstrar as vantagens para países, empregadores e trabalhadores de se criar um ambiente saudável de trabalho. Assim, foi adotada em 1999 a Agenda de Trabalho Digno para Todos42, proposta do então recém empossado como Diretor- Geral, Juan Somavia. Essa agenda tem direcionado a atuação da OIT com enfoque em quatro eixos: criação de empregos e desenvolvimento de empresas, aprofundamento do diálogo social, proteção social e defesa dos direitos do trabalho.

A Agenda de Trabalho Digno parte do entendimento de que o trabalho é uma fonte de dignidade humana, estabilidade familiar, paz social, democracia, e crescimento econômico que expande oportunidade para trabalhos produtivos e desenvolvimento de empresas. A Agenda busca conectar temas de trabalho com redução de pobreza e desenvolvimento equitativo, inclusivo e sustentável. Rodgers et alli (2009, p. 223) resumem bem esse complexo conceito definindo a Agenda do Trabalho Digno como uma forma de expressar o objetivo geral da OIT, aproximando vários de seus programas. A Agenda é também um conjunto de estratégias política, substantiva e administrativa para alcançar um objetivo comum, a ser trilhado por diferentes colaboradores (internos ou externos à OIT).

41 Para melhor análise das relações entre comércio internacional e relações de trabalho cf. BRONSTEIN, 2009, pp. 88-123 e KAWAY & VIDAL, 2010.

Em 2008, a Con sobre Justiça Social para u grande carta de princípios Filadélfia, de 1944) e da De de 1998. A declaração de 2 Estados-membros, ajudando A Declaração r trazidas pela globalização, e possam enfrentar os problem de assistência, consultoria informações, e prevê avaliaç Como a própria mais importante: a Declar Trabalho, de 1998 (cf. Ane quatro princípios fundamen quatro pilares é regido por d

Figura 2: Esquema explicativo d

43 Além das oito convenções fun como “prioritárias” para o func

prioritárias são a C. 81, sobre a i (1969); C. 144, sobre as consult sobre a política de emprego (1964

onferência Internacional do Trabalho aprovou a uma Globalização Justa. A organização a co os depois da Constituição de 1919 (atualizad Declaração sobre os Princípios e Direitos Funda

e 2008 reforça a necessidade de que a OIT si do-lhes na promoção de políticas protetivas no o reconhece as mudanças no mundo do trab o, e intenta identificar meios através dos quais a lemas no âmbito da proteção ao trabalho. O doc oria, responsabilidade social, pesquisa e t

liação periódica de resultados por parte da Conf ria Declaração adotada em 2008 afirma, ela ve laração da OIT sobre os Princípios e Direi

nexo B). O curto texto desta é de grande imp entais a serem garantidos pelos Estados-memb r duas convenções fundamentais43, segundo o e

a) a liberdade reconhecimento negociação col b) a eliminação d trabalho forçad 29 e C. 105); c) a abolição infantil (C. 100 d) a eliminação matéria de emp 138 e C. 182).

o dos princípios fundamentais da OIT. Elaboração do aut

undamentais, o Conselho de Administração classificou ncionamento do sistema de normas internacionais do a inspeção do trabalho (1947); C. 129, sobre a inspeção ultas tripartites relativas às normas internacionais do t 964).

ou a Declaração da OIT considera a sua terceira ada pela Declaração da ndamentais no Trabalho, sirva como suporte aos no trabalho.

rabalho e na economia is a OIT e seus membros documento reforça ações troca coordenada de onferência.

em na esteira de outra reitos Fundamentais no mportância por destacar mbros. Cada um desses o esquema abaixo: de sindical e o

nto efetivo do direito de coletiva (C. 87 e C. 98); de todas as formas de çado ou obrigatório (C. efetiva do trabalho 00 e C. 111); o da discriminação em mprego e ocupação (C. autor.

ou outras quatro Convenções do trabalho. As convenções ão do trabalho na agricultura o trabalho (1976); e C. 122,

A Declaração de 1998 tem maiores implicações normativas, sobretudo porque torna tácita a aceitação dos países que participam da organização das oito convenções respectivas a cada um dos quatro princípios fundamentais. Assim dispõe o texto da declaração aprovado pela Conferência em 1998:

“[…]

A Conferência Internacional do Trabalho, […]

Declara que todos os Membros, ainda que não tenham ratificado as convenções aludidas, têm um compromisso derivado do fato de pertencer à Organização de respeitar, promover e tornar realidade, de boa fé e de conformidade com a Constituição, os princípios relativos aos direitos fundamentais que são objeto dessas convenções. […].”

Para compreender o que significa esse pré-requisito para o ingresso ou permanência de um país como Estado-membro da OIT, é importante compreender o contexto em que a Declaração foi aprovada. Primeiramente, deve-se considerar o fato de que a OIT começou a ser reduzida em seu papel produtor e controlador de normas, sobretudo após o advento da OMC e os mecanismos do GATT-94. Ademais, observava-se que, não obstante os temas concernentes ao que foi definido como princípios fundamentais ser bastante aventado como de grande importância e largo suporte, efetivamente vários países falhavam em assegurá-los e mesmo ratificar as respectivas Convenções.

Durante debates da Conferência de 1994, foi proposta o estabelecimento de interligações de questões que estivessem na interseção entre comércio internacional e normas de proteção social e que fosse dotado de mecanismos de imposição de sanção. A idéia foi recebida com muita divergência e logo foi abandonada. Através dos subseqüentes debates em anos posteriores, chegou-se à conclusão de que os Estados-membros não estariam prontos a aceitar um instrumento normativo de exigibilidade obrigatória. Porém, entendia-se que já se tinha um grande avanço no sentido de fortalecer a posição da OIT como parte no debate global sobre os efeitos da globalização na sociedade e no mundo do trabalho (BRONSTEIN, 2009, p. 97-8).

Malgrado a grande importância moral da Declaração, Bronstein (ibidem, p. 101) identifica muitas fraquezas no documento – que de certa forma derivam da incerteza quanto à coercitividade do direito internacional. Primeiramente ele observa que a Declaração em si não

obriga os membros, pois que não se trata de uma norma da OIT, mas tão-somente um documento com valor jurídico de resolução. Ademais, a cláusula supra colacionada não submete os Estados-membros a ratificar as convenções, mas a “promover e tornar realidade, de boa fé e de conformidade com a Constituição, os princípios relativos aos direitos fundamentais que são objeto dessas convenções”.

Alguns mecanismos de acompanhamento da Declaração prevêem relatórios que devem ser apresentados pelos Estados-membros a respeito da ratificação e aplicação das convenções fundamentais. Mas também esse mecanismo não foi dotado de sanções que possam impor aos países o cumprimento dessas obrigações.

Não se perde de vista a importância que a Declaração tem como manifestação dos interesses e do foco de atuação da Organização. Porém, ainda se está a aguardar meios mais eficazes de atuação da OIT na exigência de respeito às normas por ela adotadas.

Dessa forma, podemos observar que o cenário descortinado após a queda do muro de Berlim – associado a seus decorrentes fatores econômicos e também ao surgimento da OMC como entidade dotada de mecanismos apontados como mais efetivos para a defesa de normas trabalhistas – tem desafiado a OIT a modernizar sua atuação.

Muito ainda há por se fazer para dotar de coercitividade o amplo arcabouço de normas internacionais do trabalho. Por outro lado, não se pode olvidar da importância que a OIT teve para o avanço de princípios internacionais do trabalho e sua influência para a construção de sistemas juslaborais internos (e.g. art. 427 do Tratado de Versalhes e Princípios Fundamentais da OIT). Já conhecendo melhor a organização e funcionamento dessa organização, cumpre discutirmos um pouco a respeito dos seus sistemas de produção e controle de normas.

5 O SISTEMA DE PRODUÇÃO E CONTROLE DE NORMAS DA

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