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2. YBM KAVRAMI (BUILDING INFORMATION MODELLING-BIM)

2.5. YBM’in Olgunluk Seviyeleri ve nD Kavramı

A opção metodológica desse trabalho se insere na linha de argumentação reconciliadora das três abordagens já mencionadas do tipo (Quatremère, Durand, Viollet-le-Duc) e de seus papéis no processo analítico em Arquitetura.

Nesta seção, explicita-se o conjunto de instrumentos que serão adotados na análise que se procederá adiante. Esses instrumentos se derivam dos conceitos de tipo estudados, sendo definidos de forma a que adquiram um caráter operativo, visando a seu uso posterior. Conforme se pode deduzir das seções antecedentes deste capítulo, são os seguintes os instrumentos a serem adotados:

(a) princípio organizador do espaço

Decorrente do conceito de tipo presente na obra de Quatremère de Quincy, o princípio organizador do espaço é um conjunto de regras que regem a organização do espaço, na forma de uma convenção abstrata. O princípio organizador do espaço não deve ser confundido com (ou tomado por) um esquema gráfico, seja de planta, seja volumétrico. Ele se exprime por palavras, não por croquis ou desenhos.

Sendo um princípio estruturador do espaço, seu enunciado define como as atividades de um edifício vão se articular em um todo e se relacionar umas com as outras. O completo entendimento de como essa regra foi apropriada em um projeto específico requer o conhecimento do repertório da arquitetura e do contexto à época de elaboração e materialização do projeto.

Logo, esse entendimento só pode se realizar verificando como ele se concretizou posteriormente em um dado edifício, ou seja, de como um princípio abstrato revelou-se materialmente em uma específica, dentre tantas possíveis, solução de planta, volumetria, sistemas estruturais e tecnologia construtiva.

Neste trabalho, a aplicação do instrumento se deu, a partir do arranjo espacial de atividades, inferindo o princípio subjacente com que foi estruturado aquele arranjo, por meio de observação de elementos caracterizadores como:

x natureza das atividades (religiosas, terapêuticas, de apoio, cuidados aos pacientes, técnico-científicas etc.);

x nível de complexidade, observando a diversidade de áreas e arranjos para executar cada atividade (quantidade de áreas e/ou compartimentos necessários para realizar cada atividade);

x relação de proximidade entre atividades (perto x longe, contínua x descontínua, acima

x abaixo etc.);

x natureza da conexão entre atividades (direta ou indireta, de primeiro ou de segundo nível hierárquico, condicionada ou independente, em série ou em paralelo etc.);

x natureza da formação de grupos espaciais de atividades (inter-relações funcionais, afinidade de uso, estética, ambiental etc.);

x modo de distribuição dos grupos ou das atividades (funcional – processo racional, inter-relações funcionais, visão sistêmica, zoneamento; estética – composição, hierarquia, simetria, significado);

x tratamento dos fluxos externos e internos à edificação (disciplinamento, controle, sequenciamento, convergência, divergência e separação de fluxos);

x orientação solar (insolação, ventilação, luminosidade). (b) esquema geométrico da planta

Originária da concepção de tipo presente na obra de Durand, a planta é a concretização gráfica do princípio organizador do espaço. Sua descrição geométrica esquemática, portanto, se dá na forma de esquemas gráficos e de comentários textuais, os quais permitem tentar inferir por que razão, em um caso específico de um projeto de edifício, adotou-se uma solução geométrica (e não uma outra) para dar guarida a um conjunto de atividades regidas por um princípio de organização do espaço. Tendo em vista o fato de que a planta materializa as pretensões que o arquiteto recolheu no princípio organizador do espaço, faz-se necessário que as observações nesse instrumento estejam articuladas com aquelas feitas com respeito ao instrumento anterior. Salientar-se-ão aspectos referidos a: x síntese da planta em uma(s) figura(s) geométrica(s) básica(s);

x dimensões relativas na direção dos eixos, tanto na horizontal quanto na vertical; x eixos principais e secundários de desenvolvimento;

x modulação em planta e na vertical;

x forma de relacionamento entre figuras geométricas básicas; x como se posicionam os compartimentos entre si;

x natureza dos volumes resultantes; x como se relacionam esses volumes.

Obtêm-se as figuras geométricas básicas representantes da planta, bem como o modo de composição dessas formas para a definição progressiva de pavimentos do edifício e do todo edificado, ressaltando-se a solução volumétrica final. Leva-se em conta o contexto social e político, bem como outros condicionantes, do empreendimento e da planta, que sejam inerentes à função do edifício.

(c) tecnologia construtiva

Devida à visão de tipo propiciada por Viollet-le-Duc, a tecnologia construtiva engloba sistema estrutural, materiais e técnica construtiva. Constitui um instrumento que analisa como a idéia estruturadora do espaço (de Quatremère), graficamente concretizada na planta (de Durand), se converte em espaço edificado concreto. Naturalmente, sua definição é dependente do contexto histórico, diretamente – dados os condicionantes tecnológicos e econômicos das decisões neste instrumento – ou indiretamente, em razão de fatos e limitações econômicas, culturais e sociais. Por outro lado, vincula-se fortemente à eleição da planta, de modo que as considerações aqui feitas devem forçosamente articular-se com as que se fizerem com respeito a esse outro instrumento de análise. Inclusive, soma-se à planta para influir na volumetria predial.

Observar-se-ão, nos edifícios concretamente construídos a solução estrutural e construtiva, sua adequação e ajustamento aos espaços projetados, em termos geométricos e volumétricos, tecnológicos e simbólicos. Por fim, há que ressaltar a necessidade de uma articulação interna no que concerne aos comentários feitos nos sub-instrumentos (estrutura, materiais, técnica de construção), uma vez que as decisões de projeto a esse respeito são necessariamente interdependentes.

Assim definido, esse conjunto de instrumentos será aplicado neste trabalho em duas instâncias distintas. Em primeiro lugar, serão utilizados para analisar a evolução dos edifícios hospitalares no mundo ocidental. Nessa instância, o material objeto da aplicação provém de informação secundária, na forma de informação bibliográfica, documental, fotográfica, iconográfica ou literária a respeito de edifícios hospitalares representativos das mais diversas épocas. É evidente que, nessa primeira instância de aplicação, haverá de simplificar o modo de aplicação dos instrumentos, uma vez que haverá casos de

informações faltantes e, ao mesmo tempo, casos em que a informação obtida só parcialmente será adequada à análise. Os resultados dessa aplicação estão apresentados no capítulo seguinte, o terceiro do documento.

Em segundo lugar, o instrumental de análise será aplicado a edifícios hospitalares de Natal, Rio Grande do Norte, com vistas a analisar a evolução tipológica por eles apresentada vis-

à-vis a evolução tipológica da arquitetura hospitalar no mundo ocidental. Nessa instância, a

aplicação dos instrumentos se dará diretamente sobre projetos de arquitetura e sobre edifícios construídos, nas condições de método que, junto com os resultados, são apresentadas no capítulo 5 deste documento.

Cabe, nesse momento, relacionar esses instrumentos e esse detalhamento operacional às perguntas formuladas na seção primeira do capítulo 1 deste trabalho. Com efeito, se a análise tipológica é um instrumento metodológico capaz de endereçar respostas àquelas perguntas, como ali se supôs, então não haverá dificuldades em perceber como a aplicação dos instrumentos analíticos acima especificados pode responder às perguntas colocadas inicialmente a este trabalho.

A primeira daquelas perguntas indaga sobre o porque de uma dada configuração geral do edifício se considerar mais adequada para atender as necessidades em um dado momento e em um dado contexto. Ora, a configuração geral é determinada pela planta organizada com base na lei geratriz da forma e efetivamente materializada pela incidência do sistema estrutural e construtivo. Mas tudo isso está relacionado, conforme se apontou na especificação acima, a fatores determinantes de contexto.

As demais perguntas ali colocadas podem ser respondidas com a afirmação de que, na medida em que configuração geral e contexto estão vinculados, mudanças de contexto produzirão, necessariamente, alteração nas configurações gerais. Desse modo, transladar experiências tipológicas de um a outro contexto, sem as necessárias adaptações, não é uma alternativa adequada. Da mesma forma, se o arquiteto for capaz de intuir as mudanças futuras no contexto, poderá antecipar, ao menos na forma de projetos mais flexíveis e adaptáveis, as configurações gerais que mais se adequarão às necessidades por vir.

E v o l u ç ã o d a s t i p o l o g i a s a r q u i t e t ô n i c a s

d o e d i f í c i o h o s p i t a l a r

Benzer Belgeler