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2. YBM KAVRAMI (BUILDING INFORMATION MODELLING-BIM)

3.3. Toplu Konut Uygulamaları ve YBM

Para fazer frente aos novos conceitos e paradigmas diretrizes do ambiente hospitalar, os arquitetos, nas últimas duas décadas, lançaram mão de três tipos básicos que se encaixavam em seus objetivos de transformar o hospital em um espaço familiar para pacientes e para visitantes. Esses tipos foram o shopping center, o hotel e a casa.

O shopping center tornou-se familiar na cultura ocidental como lugar de compras, de lazer e interação social (MONK, 2004). De acordo com Miller e Swensson (2002), a origem da idéia de apropriar o conceito do shopping mall em edifícios hospitalares pode ser rastreada até os longos corredores interligando os edifícios de consultórios aos hospitais em complexos de serviços médicos. Esses corredores, devido ao grande volume de tráfego de pessoas neles circulando, passaram a ser usados para abrigar pequenos locais: farmácias, lanchonetes, floristas, lojas de presentes, entre outros.

À parte o fato de que essa solução agrega valor ao empreendimento hospitalar, é importante ressaltar que ela possui características outras que são úteis para a organização do hospital. Por um lado, oferece conforto e segurança a pacientes e visitantes. Por outro, organiza e facilita a distribuição das circulações e dá flexibilidade aos serviços de pacientes internos e externos.

Associando esta tipologia contemporânea do shopping center – com significação de lazer e consumo – às tipologias hoteleiras, o hospital do período pós-moderno visa atingir dois

objetivos ao mesmo tempo (VERDERBER; FINE, 2000): por um lado, consolidar-se como estrutura agradável ao paciente e a visitantes; por outro, oferecer ao paciente interno, tratado como hóspede, uma atenção mais personalizada.

As repercussões mais propriamente arquitetônicas dessa tendência aparecem de forma direta, por certo, nas áreas de internação. Mas vão além disso, como lembram Miller e Swensson (2002), influenciando na oferta de espaços internos desfrutáveis e humanizados (jardins, áreas de espera, descanso e convivência), mas também nas áreas de lobbies, átrios e balcões de check-in, estruturas de cozinha e lavanderia. No caso dos apartamentos de internação, é possível observar que a arquitetura hospitalar tem primado pelo residencialismo, seja na projetação de quartos com caráter mais pessoal, flexíveis, de decoração mais próxima àquela que o tipo de cliente tem em seu próprio lar, seja na possibilidade de que os clientes possam internar-se com bens pessoais (MALKIN, 1992). Esse tipo de hospital quer se desvencilhar da imagem institucional do hospital impessoal, associado a doenças, stress, ansiedade. Por isso, segundo Miller e Swensson (2002), partem da convicção de que ambientes familiares ao paciente e a sua família podem promover, mais que ambientes não-familiares, a sua recuperação. Daí que, em interiores, esse tipo de hospital se caracterize pelo uso de texturas, cores, iluminação, mobiliário, vegetação, todos eles manipulados com conhecimentos oriundos de estudos relativos ao papel do ambiente no comportamento humano (HOSKING; HAGGARD, 1999). O intuito é o de conseguir um ambiente confortável, seguro e acolhedor para o usuário dos serviços, inclusive por interesse de mercado: esses são valores apreciados pelos clientes, e atender essas expectativas pode ser um diferencial do negócio, em um ambiente competitivo. Em síntese, as idéias de escala humana e os conceitos de humanização que foram introduzidos na arquitetura hospitalar mais recente deram origem a um novo tipo arquitetônico. Embora a consolidação desse tipo seja muito recente, pode-se afirmar que as diretrizes que ele aponta para a estruturação de forma e as definições espaciais e tectônicas do edifício hospitalar têm sido seguidas em todo o mundo ocidental (MONK, 2004).

Um exemplo que bem ilustra esse novo tipo arquitetônico pode ser apreciado no caso do Pine Lake Medical Center, em Mayfield, Kentucky (FIG. 21). O edifício, concluído em 1993, foi concebido para substituir um antigo hospital, de princípios dos anos 1950. O Centro Médico dispõe de 107 leitos de internação, em 21.000 m2 de área construída. Os

serviços da instituição são dirigidos para uma comunidade específica. Para ela, foram planejados consultórios médicos, serviços de apoio ao diagnóstico, serviço de emergência, cirurgias de média e baixa complexidade, além de serviços de atendimento a pacientes externos.

Figura 21 – Reprodução fotográfica, fachada do Pine Lake Medical Center.

Fonte: MILLER; SWENSSON, 2002

Esses serviços foram distribuídos em um pavimento térreo. Acima desse pavimento foram erguidos dois volumes. O primeiro, em forma de cruz, com três pavimentos, onde estão localizados os leitos de internação. O segundo, retangular, de quatro pavimentos, onde estão os consultórios médicos.

No pavimento térreo (ver FIG. 22), há um lobby circular – na entrada principal do edifício – que se interliga a um pátio interno, ao qual se tem acesso também pela entrada da torre de consultórios médicos. Desse contínuo formado pelo lobby, pátio e acessos parte todo o sistema de circulação horizontal e vertical do complexo.

Figura 22 – Planta do térreo do Pine Lake Medical Center.

Fonte: MILLER; SWENSSON, 2002

O pátio interno tem um pé direito equivalente a quatro pavimentos, com um teto envidraçado que cria um fluxo de luz natural que, juntamente com alguma vegetação e revestimentos, dá ao pátio o aspecto de um átrio utilizado em shopping centers ou hotéis. É em torno do lobby e do átrio que estão dispostos os serviços administrativos – para todos os pacientes –, os serviços de atenção e suporte aos pacientes externos, bem como as unidades comerciais, como a farmácia, um restaurante e a loja de presentes. O centro cirúrgico e os serviços de apoio, que necessitam de privacidade ou acesso restrito aos pacientes, são ligados com o átrio através de circulações. Ou seja, o átrio assume um peso importante na organização dos espaços. É através dele que o usuário entra no edifício e tem

acesso aos seus serviços. É valorizado pelo aspecto estético, com grande pé direito, iluminação zenital, vegetação e outras amenidades ambientais.

No centro do bloco de internação (ver FIG. 23) em forma de cruz se localiza o posto de enfermagem, de onde é mais fácil supervisionar os leitos distribuídos nas quatro alas. O espaço de interseção das alas coincide com o

lobby circular do pavimento térreo,

onde estão situados os elevadores que lhe dão acesso. Como a tendência é que esse tipo de unidade hospitalar seja cada vez mais dedicado a pacientes agudos, a forma de cruz que se deu ao bloco da internação também se justifica pela adaptação

Figura 23 – Planta do pavimento tipo da torre de internação, Pine Lake Medical Center.

Fonte: MILLER; SWENSSON, 2002

fácil do espaço a uma unidade de terapia intensiva. O outro volume retangular de quatro pavimentos está acima dos serviços de apoio ao diagnóstico do térreo e complementa esse serviço. Seu acesso é através de elevadores que estão no átrio.

As instalações estão concentradas em um único pavimento técnico e são distribuídas através de shafts e forros falsos, não interferindo de forma significativa na configuração final da edificação. A estrutura de concreto e metal proporciona grandes vãos facilitando flexibilidade ao layout. Embora seja modulada, a marcação dos pilares ou módulos não é percebida nas fachadas. Os blocos que se conectam ao átrio não formam volumes padronizados pela modulação da estrutura, como acontecia no hospital tipo rua. Nem se pode saber, através do volume externo, onde está cada zona funcional do hospital, como no tipo torre sobre pódio. Mesmo as fachadas do bloco da internação não têm o mesmo tratamento externo, como não quisesse ser identificada cada ala da cruz como tendo o mesmo uso.

No entanto, o átrio assume funções dentro da organização dos espaços semelhantes ao pátio interno do tipo claustral. Os espaços são organizados a partir dele, são voltados para ele, dele recebem luz natural e é a ele que recorrem para comunicar-se. Entretanto, sua

função é de facilitar o acesso desde o exterior, comunicar, fomentar convívio, ao contrário do claustro medieval, voltado para o interior, propiciador de isolamento. Assim, o átrio assume uma preponderância significativa para os hospitais pós-modernos.

Apesar de não haver ainda muitos estudos para avaliar esses projetos, eles já recebem algumas críticas. Miller e Swensson (2002: p. 74 e 75) dão espaço às palavras do arquiteto Henry Stolzman, para quem é um equívoco disfarçar um hospital como um “lugar que associemos a conforto”. Para Stolzman, no pior caso, a tendência tem sido “produzir hospitais tão estéreis e confusos como sempre, com um pouco de acessórios cosméticos”. Mas, no melhor caso, os novos hospitais, bem ambientados e planejados com inteligência, seriam vítimas de um erro de princípio: seguir os protótipos errados. Para Stolzman, um hospital não pode ser como uma casa; eles têm de ser espaços que reflitam um conhecimento tecnológico. Da mesma forma, não é um shopping center, no sentido de que este é um ambiente impessoal, incapaz de dotar os cuidados médicos de dignidade e calor humano.

Em que pese o fato de este debate conceitual ainda não estar suficientemente amadurecido; e apesar de que as experiências e suas avaliações é que deverão fazer emergir mais claramente uma tendência tipológica, o momento da produção arquitetônica no campo da atenção à saúde indica firmemente neste início de século a consolidação de um tipo arquitetônico híbrido, com raízes no shopping center, no hotel e na residência.

Benzer Belgeler