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Yaylalardaki ve Çevre Köylerdeki Genel Ekonomik

4. BULGULAR

4.2. Yaylalardaki Görüşmeler Sonucu Elde Edilen Bulgular

4.2.1. Ekonomik Boyut

4.2.1.5. Yaylalardaki ve Çevre Köylerdeki Genel Ekonomik

Uma nova concepção de sociedade confirmava-se no final do século XIX, especialmente em Londres. A burguesia ocupava-se cada vez mais do sucesso e da manutenção do status quo, enquanto a classe média buscava meios de ascender socialmente ou de, pelo menos, aparentar um certo êxito social. Operários e demais assalariados lutavam para sobreviver em meio a tantas novas

necessidades que se impunham no cotidiano do homem comum. O resultado dessa conformação social foi a elevação da individualidade à condição de elemento imperativo na manutenção da convivência coletiva.

Por mais que, atualmente, a questão do individualismo pareça de menor importância, no final do século XIX essa era uma temática que gerava demanda pessoal muito grande, no sentido de que alterava, irremediavelmente, a forma de se comportar perante a coletividade, gerando uma série de outras questões relacionadas a isso, dentre elas a solidão e a competição entre os membros de uma sociedade.

Há, no romance Drácula, um espaço para a reflexão sobre o papel do individual em prol do coletivo. Cada um dos integrantes da equipe possuía uma aptidão que circunda o conhecimento científico e histórico, a posse de dinheiro e de propriedades, além de influência social, elementos balizadores do auge da sociedade vitoriana.

De fato, os talentos pessoais de nada adiantariam se confrontados com a força e os poderes sobrenaturais de Drácula. No entanto, em coletivo, essas aptidões únicas foram suficientes para aniquilar a personificação do Mal. A mensagem em Drácula era a de que o conhecimento cumulativo e o trabalho em conjunto não só geram prosperidade como tornam a comunidade muito mais forte e, até certo ponto, invencível.

O Dr. Seward limitou-se a anuir com a cabeça. O professor se pôs de pé e, após colocar seu crucifixo de ouro sobre a mesa, estendeu as mãos de ambos os lados. Eu tomei sua mão direita e Lorde Godalming, sua mão esquerda; Jonathan segurou minha mão direita com sua esquerda e estendeu a outra mão para Mr. Morris. Assim, quando todos nos seguramos as mãos, o pacto solene foi firmado. Senti meu coração enregelar, mas sequer me ocorreu retroceder. Retornamos aos nossos lugares, e o Dr. Van Helsing prosseguiu com uma espécie de animação que demonstrava que o trabalho sério havia começado. Aquela tarefa devia ser levada tão a sério e profissionalismo quanto qualquer outra. – Mina Harker descrevendo a reunião em que o grupo fecha pacto contra Drácula. (STOKER, 2009. p. 478)

Enquanto o grupo era unido e forte na ficção, na realidade o individualismo anulava a consciência comunitária da sociedade londrina. Se, por um lado, ele favorecia o aparecimento de inovações em todas as áreas, fruto da genialidade e do talento pessoais, por outro lado a percepção de que se estava sozinho, em

meio à turbulência do final do século, induzia o aparecimento de fobias, imbuídas de uma espécie de anseio pela sobrevivência. Ao contrário da coletividade, sobreviver sozinho era muito mais difícil e apavorante. Juntos e em prol de um bem comum, tal qual o grupo em Drácula, até a morte pode parecer um episódio mais ameno.

Aliado à ansiedade pela sobrevivência do sujeito, encontrava-se a relação angustiante do indivíduo com o tempo, uma sensação que se agravava diante do aumento expressivo de atividades inerentes à urbanidade e ao capitalismo industrial, que alteravam indelevelmente a percepção do decurso das horas, bem como o gerenciamento das atribuições, alimentando certa histeria até então desconhecida pelo homem fosse individual, fosse coletivo.

Parti de Munique às 8h35 da noite, no dia 1º de maio, e cheguei a Viena no dia seguinte, de manhã cedo; deveria ter chegado às 6h46, mas o trem atrasou uma hora. (...) Tive que tomar meu café da manhã às pressas, pois o trem saía um pouco antes das 8h – ou melhor dizendo, deveria ter saído, pois, depois de correr até a estação às 7h30, fui obrigado a ficar sentado durante uma hora em meu vagão até que o trem começasse a se mover. Parece-me que quanto mais avançamos em direção ao Oriente, menos pontuais são os trens. Como serão eles na China? – Jonathan Harker em viagem para Transilvânia. (STOKER, 2009. p 229)

O novo posicionamento do homem frente ao tempo, ao coletivo e a si mesmo, fez com que o sujeito, imbuído de seu EU dominante, tomasse consciência do Outro, apercebendo-se dos desejos projetados e das consequentes decepções que potencializam as angústias, agruras da realidade e, como dizia Lacan: “a angústia é o signo do desejo e o sinal do real” (LACAN, 2008). Apesar de individual, o homem se via como semelhante e, mesmo ignorando o coletivo, ansiava por atender o desejo do Outro. Quanto mais se via no Outro, mais reforçava seu EU angustiado.

O desejo é a força motriz do vampiro (e também de Drácula), em todas as suas adjacências, assim como o Outro e suas implicações no EU são de tal forma intensas em Drácula que acabaram por ser legitimadas na simbólica falta de reflexo da criatura no espelho, visto que essa projeção virtualizada não se faz necessária, pois seu reflexo está ali, à sua frente, nos Desejos encarnados daquele que o combate.

Desta vez não podia haver dúvidas, pois ele estava perto de mim, e eu podia vê-lo sobre meus ombros. Sua imagem, porém, não estava refletida no espelho! Todo o quarto atrás de mim aparecia ali, mas não havia sinal de homem algum ali, exceto eu. Isso era assustador, e, somado a tantas outras coisas estranhas, começava a fazer crescer aquele vago desconforto que eu sempre sentira na presença do Conde. – Jonathan Harker ao se barbear em uma das noites no castelo de Drácula. (STOKER, 2009. p. 254)

Quanto mais o tempo e a convivência com o Outro passavam desapercebidos na agitação cotidiana, mais a urgência em se manter vivo como ser relevante e único fazia com que o homem sofresse com a Angústia: gatilho indelével para as mazelas psicológicas e físicas do homem urbano moderno.

Dessa relação ambígua, nasce uma espécie de melancolia constante que impregna os ares oitocentistas. O indivíduo, exposto à esfera pública da urbanidade moderna, podado da possibilidade de expressar seus sofrimentos (encerrados, então, na intimidade dos lares) obedecia a um conjunto de códigos sociais que lhe indicava o que era prudente ou não de ser mostrado. Aprendia a aniquilar seus instintos, deixando de pensar e agir espontaneamente. Esse corpo vitoriano, docilizado e contido, foi submetido à rígida racionalização em prol de um autocontrole baseado em uma moral ascética e pudica. (SCHMITT, 2010, p. 23)

A sofreguidão do homem da virada do século propiciou o surgimento da psicanálise com teorias e técnicas difundidas por Freud que, à época, utilizava-se da hipnose como principal método de acesso aos conteúdos escondidos na mente do sujeito em tratamento.

Apesar da antiguidade da técnica, no final do século XIX a hipnose estava no centro das discussões. De fato, era uma pauta relevante entre médicos e cientistas da época. Enquanto alguns médicos defendiam a hipnose e a estudavam como um poderoso anestésico, alguns médicos e cientistas mais céticos desconsideravam completamente suas benesses. Quando Freud reuniu a hipnose a uma abordagem psicológica, relativa a loucos e histéricos internados em hospícios, a comoção foi generalizada. Se, para os leigos, a hipnose era, até então, inexplicável, a partir daquele momento, passava a ser simplesmente aterrorizadora.

Capitalizando sobre a temática grotesca, que permeava o imaginário coletivo, Bram Stoker atribuiu a Drácula a habilidade da hipnose e, não só isso, associou a ela a catarse e o sonambulismo, ambas tão assustadoras quanto a

primeira, pois representavam a inexplicável falta de controle sobre si mesmo. Há de se imaginar o quanto isso poderia ser prejudicial em uma sociedade que prezava a retenção dos instintos em prol da aparência e dos bons costumes.

A hipnose era uma arma considerada irrefragável até então, portanto, Dr. Van Helsing, o mentor dos inimigos de Drácula, o homem mais velho e detentor de conhecimentos tão vastos que lhe permitiam alcançar o ocultismo sem ser considerado um charlatão, também dominava a técnica da hipnose.

Os temíveis manicômios também estavam presentes no romance. Mais interessante ainda, é perceber a importância que Stoker deu a essa questão, fazendo do hospício um dos cenários principais da história, particularmente o local onde Drácula encontra Mina e onde todos do grupo reúnem-se para traçar o plano de ataque.

Nessa mesma linha, o autor elegeu Reinfield, um homem histérico que se comporta como louco e que permanecia encarcerado no hospício, como elo entre o sobrenatural e o natural, entre Drácula e a sociedade vitoriana. Não há dúvidas de que, aqui, há uma crítica de Stoker à sociedade da época.

2.1.3.3. O comportamento da nova mulher e a sexualidade