BÖLÜM 2: EREK ODAKLI ÇEVİRİ ANLAYIŞI VE İŞLEVSEL ÇEVİRİ
3. BÖLÜM 3: YAYINEVLERİ, ÇEVİRİ BÜROLARI AKADEMİSYEN VE
3.1. Çevirinin Uygulama Alanları
3.1.1. Yayınevleri
3.1.1.1. Yayınevleri ile Söyleşi…
Vários pesquisadores propuseram parâmetros viscoelásticos que pudessem, de alguma forma, descrever uma faixa de propriedades dos ligantes asfálticos, dentro dos domínios tempo- temperatura. Tais parâmetros foram desenvolvidos em reconhecimento à complexidade das propriedades reológicas dos ligantes asfálticos e das limitações das medidas pontuais. São divididos em dois tipos: parâmetros de suscetibilidade térmica e parâmetros de suscetibilidade ao cisalhamento. O uso desses pa- râmetros resultou em uma melhor avaliação das propriedades reológicas, porém, muitos dos problemas associados com as medidas isoladas foram incorporados a esses parâmetros (ANDERSON et al., 1994).
Parâmetros de suscetibilidade térmica. Suscetibilidade térmica é definida como a variação da consis- tência, da rigidez ou da viscosidade de um material em função da temperatura. É normalmente quantificada por meio de parâmetros calculados com base em medidas de alguma propriedade do ligante asfáltico efetuadas em duas ou mais temperaturas. Até a década de 1990, a suscetibilidade térmica era normalmente citada (ANDERSON e KENNEDY, 1993) como o principal critério de desempenho para ligantes asfálticos.
Diversos parâmetros de suscetibilidade térmica foram propostos e empregados. Eles se di- ferenciam, basicamente, pelo tipo de medida de consistência e pela faixa de temperaturas coberta. No caso da suscetibilidade térmica baseada na penetração, a penetração era medida em diferentes tempera- turas e a razão entre penetrações, a diferença entre elas, a temperatura necessária para aumentar a penetração de um certo número ou a inclinação da curva log da penetração versus temperatura foram em- pregadas (PFEIFFER e VAN DOORMAAL, 193624, VAN DER POEL, 1954; NEPPE, 195225; BARTH, 1962).
Abordagens mais fundamentais empregavam a viscosidade como a medida de consis- tência para caracterizar a suscetibilidade térmica e para definir um parâmetro de suscetibilidade térmica (ANDERSON et al., 1994). Diversas relações foram concebidas, como a inclinação da curva log da visco- sidade versus temperatura (TRAXLER et al., 1936)26, a inclinação da curva log da viscosidade versus log
da temperatura (LEE et al., 1940)27, a inclinação da curva log da viscosidade versus a recíproca da
temperatura (LEWIS e HALSTEAD, 1940)28, a inclinação da curva log da viscosidade versus a recípro-
ca da temperatura elevada a uma dada potência (TRAXLER e SCHWEYER, 193629; CORNELISSEN e
24 PFEIFFER, J.P.H.; VAN DOORMAAL, P.M. (1936). The rheological properties of asphaltic bitumen. Journal of the
Institute of Petroleum Technologists, v.22, p.414.
25 NEPPE, S.L. (1952). Durability of asphaltic bitumen as related to rheological characteristics. Transaction, South
African Institute of Civil Engineers, v.2. p.103.
26 TRAXLER, R.N. et al. (1944). Rheological properties of asphalt. Industrial and Engineering Chemistry, v.36, n.9, p.823. 27 LEE et al. (1940). The flow properties of bituminous material. Journal of the Institute of Petroleum, v.26. p.101. 28 LEWIS, R.H.; HALSTEAD, W.J. (1940). Determination of the kinematic viscosity of petroleum asphalts with a
capillary tube viscometer. Public Roads, v.21, p.127.
29 TRAXLER, R.N.; SCHWEYER, H.E. (1936). Increase in viscosity of asphalts with time. Proceedings of the American
WATERMAN, 195530) e a inclinação da curva log-log da viscosidade versus log da temperatura (FAIR e
VOLKMANN, 194331; NEVITT e KRACHMA, 193732). A última é provavelmente a mais amplamente aceita
e é denominada suscetibilidade viscosidade-temperatura (VTS – “viscosity-temperature suscetibility”). A VTS calculada com base nos valores da viscosidade capilar a 60 e a 135°C, conforme proposto por Puzinauskas (1979)33, pode caracterizar apropriadamente a suscetibilidade térmica, se o
comportamento do ligante asfáltico nessas temperaturas for essencialmente newtoniano e independente do tempo de carregamento. No entanto, a VTS não pode ser extrapolada para descrever o comportamen- to do ligante asfáltico para temperaturas inferiores a 60°C, nas quais as propriedades elásticas retarda- das são predominantes (aqui o autor faz referência aos ligantes asfálticos cujo comportamento pode ser considerado newtoniano a partir de 60°C). Este parâmetro se mostra, portanto, inadequado para descre- ver o desempenho dos ligantes asfálticos exatamente naquelas temperaturas de maior ocorrência em pista.
Outros pesquisadores propuseram o emprego de medidas de viscosidade a baixas tempe- raturas para calcular parâmetros de suscetibilidade térmica. No entanto, esta abordagem é inviável, em virtude da dificuldade em se medir a viscosidade em temperaturas baixas (ensaio de fluência) e porque a viscosidade negligencia a porção elástica retardada do comportamento tensão-deformação, que é signifi- cativa sobre o comportamento da maioria dos ligantes asfálticos, a não ser sob temperaturas elevadas (ANDERSON et al., 1994).
Uma terceira forma de caracterizar a suscetibilidade térmica é empregar índices que com- binam duas medidas diferentes de consistência. A penetração e o ponto de amolecimento são combina- dos para calcular o índice de penetração (PI – “penetration index”) (Van der Poel, 1954) e a penetração e a viscosidade são combinadas para calcular o índice de penetração-viscosidade (PVN – “penetration- viscosity number”) (McLEOAD, 1972)34.
Os parâmetros de suscetibilidade térmica (ANDERSON et al., 1991) aparentam ser, em princípio, um meio efetivo de caracterizar e classificar ligantes asfálticos, uma vez que esses materiais estão submetidos a uma ampla faixa de temperaturas na pista e muitos dos problemas observados nos pavimentos estão diretamente relacionados às grandes variações de consistência que os ligantes asfálti- cos sofrem com a temperatura. No entanto, há problemas na análise e na interpretação destes parâmetros.
As propriedades reológicas dos ligantes asfálticos, sob um dado conjunto de condições de carregamento, são uma função da dependência do tempo e da temperatura e, por isso, os parâmetros de suscetibilidade térmica devem estar baseados em medidas efetuadas a diferentes temperaturas mas em
30 CORNELISSEN; WATERMAN, (1955). Não referenciada em ANDERSON et al. (1994). 31 FAIR;VOLKMANN, (1943). Não referenciada em ANDERSON et al. (1994).
32 NEVITT; KRACHMA, (1937). Não referenciada em ANDERSON et al. (1994).
33 PUZINAUSKAS, V.P. (1979). Properties of asphalt cements. Association of Asphalt Paving Technologists, v.48,
p.646-710.
34 McLEOAD, N.W. (1972). A 4 year survey of low temperature transverse pavement crackin on three Ontário test
tempos de carregamento similares.De outra forma, o parâmetro de suscetibilidade térmica será afetado pelo do efeito do tempo de carregamento, como no caso em que a penetração e a viscosidade ou o ponto de amolecimento e a penetração são combinados para calcular o PI ou o PVN (ANDERSON et al., 1991; ANDERSON e KENNEDY, 1993). Parâmetros baseados em razões entre valores de penetração também apresentam efeitos confundidos. Isto é especialmente verdadeiro quando cargas e tempos de carrega- mento diferentes são empregados em temperaturas diferentes, confundindo, assim, os efeitos do nível de tensão e da taxa de cisalhamento (ANDERSON et al., 1991).
Por causa do confundimento dos efeitos da dependência do tempo e da dependência da temperatura, em muitos casos, a informação obtida de tais índices é muito limitada e estritamente empíri- ca. Além disso, uma vez que a dependência do tempo e a dependência da temperatura são funções não- lineares, o valor de qualquer parâmetro de suscetibilidade térmica dependerá da temperatura de efetua- ção da medida, que não representa uma constante do material. Tais limitações tornam difícil e confusa a comparação da suscetibilidade térmica de um conjunto de ligantes asfálticos. Conceitualmente, os parâ- metros reológicos usados para a caracterização de ligantes asfálticos deveriam separar completamente os efeitos do tempo e da temperatura e deveriam também ser amplamente independentes das faixas de tempo de carregamento e de temperatura nas quais são calculados. Na prática, nenhum dos parâmetros de suscetibilidade térmica usualmente empregados atende esses critérios (ANDERSON et al., 1991).
Talvez a maior atenção aos métodos empíricos, na literatura, tenha sido dada ao uso do PI e do PVN. Originalmente desenvolvido por Pfeiffer e van Doormaal, o PI foi posteriormente empregado por van der Poel no desenvolvimento do seu nomograma para a previsão da rigidez. Estes pesquisadores reconheceram o confundimento dos efeitos do tempo e da temperatura, inerente ao cálculo do PI, mas verificaram que, na maioria dos casos, a dependência do tempo ou o tipo reológico (parâmetro tradicio- nalmente empregado nos modelos para descrição da curva-mestre, representado pelo símbolo R) seria o efeito dominante. Eles concluíram que o PI seria uma estimativa razoável do tipo reológico de um ligante asfáltico. No entanto, a correlação entre PI e R, sendo R medido de forma mais rigorosa por meio de análise dinâmica para os ligantes asfálticos do SHRP (CHRISTENSEN e ANDERSON, 1993), é muito baixa (R2=0,33), considerando ligantes asfálticos na condição virgem e envelhecidos. Isso provavelmente
se deve a dois fatores: a natureza empírica das medidas e das técnicas de análise empregadas no cálcu- lo do PI e o confundimento dos efeitos do tempo e da temperatura (ANDERSON et al., 1991).
O tipo reológico e a dependência da temperatura sofrem alterações com o envelhecimento, conforme indicado na Figura 2.20 (ANDERSON et al., 1991) e, em função disso, o parâmetro de susceti- bilidade térmica também deveria variar. De fato, o PI varia com o envelhecimento, porém, o PVN parece não ser sensível a esse efeito, o que desperta suspeitas quanto à sua efetividade como medida da susce- tibilidade térmica (ANDERSON et al., 198335 apud ANDERSON et al., 1991).
35 ANDERSON, D. A. et al. (1983). Properties of asphalt cement and asphaltic concrete. Association of Asphalt
0,0 0,5 1,0 1,5 2,0 2,5 3,0
AAA-1 AAB-1 AAC-1 AAD-1 AAF-1 AAG-1 AAK-1 AAM-1
ligantes asfálticos índi ce re ol ógi co ( R ) tanque TFOT PAV
Figura 2.20. Variação do índice reológico (R) com o envelhecimento em laboratório, para ligantes asfálticos do SHRP. [Adaptado de Anderson et al. (1991)]
Na Figura 2.21 são comparados os valores de PI, PVN e VTS para os oito ligantes asfálti- cos estudados no SHRP. Muito pouca concordância é observada entre os valores, indicando que a sus- cetibilidade térmica não é um parâmetro de valor único, mas depende da faixa de temperatura considera- da, do tempo e da propriedade física que é medida. Essa falta de concordância não é surpreendente, uma vez que o PI, o PVN e o VTS representam individualmente diferentes regimes de temperatura, e destaca as limitações destes parâmetros de suscetibilidade térmica na caracterização do comportamento reológico dos ligantes asfálticos (ANDERSON et al., 199136 apud ANDERSON et al., 1991).
Anderson et al. (1983)43 apud Anderson et al. (1994) utilizaram o PI, o PVN e o VTS para
avaliar o efeito do envelhecimento e também concluíram que o PI e o VTS de materiais envelhecidos aumentam, ao passo que o PVN não sofre alterações. Estes autores concluíram que estes índices não medem a mesma propriedade e que nenhuma explicação simples pode justificar a diferença do efeito do envelhecimento oxidativo sobre os valores desses parâmetros. Button et al (1983)37 apud Anderson et al.
(1994) confirmaram as conclusões de Anderson et al. (1983). Estes autores verificaram, empregando o PVN, que ligantes asfálticos, originalmente altamente suscetíveis à temperatura, tornaram-se mais susce- tíveis com o envelhecimento, ao passo que outros menos suscetíveis tornaram-se menos suscetíveis após envelhecimento.
36 ANDERSON, D.A. et al. (1991). Rheological properties of polymer-modified emulsion residue. In: WARDLAW, K.R. e
SHULER, S. (Eds.). Polymer modified asphalt binder. Philadelphia: ASTM. (ASTM - Special Technical Publication, 1108).
37 BUTTON, J.W. et al. (1983). Influence of asphalt temperature susceptibility on pavement construction and per-
-4,5 -4,0 -3,5 -3,0 -2,5 -2,0 -1,5 -1,0 -0,5 0,0
AAA-1 AAB-1 AAC-1 AAD-1 AAF-1 AAG-1 AAK-1 AAM-1
ligantes asfálticos PI , PVN , VT S PI PVN VTS
Figura 2.21. Valores de PI, PVN e VTS para os ligantes asfálticos do SHRP. [Adaptado de Anderson et al. (1991)]
O efeito da temperatura sobre o comportamento reológico do ligante asfáltico talvez seja melhor avaliado (ANDERSON e KENNEDY, 1993) em termos de dependência da temperatura (Figura 2.22). Conforme indicado pelas curvas isócronas, a dependência da temperatura varia, ao mesmo tempo, com a taxa de carregamento e com a temperatura. A dependência da temperatura é a variação do módu- lo com a temperatura e não pode ser definida com base em um único valor, porque a relação módulo- temperatura é não-linear, como indicado.
Figura 2.22. Relação entre a dependência da temperatura e o desempenho de pavimentos. [Fonte: Anderson e Kennedy (1993)]
Parâmetros de suscetibilidade ao cisalhamento. Dois tipos de parâmetros são empregados para re- presentar a suscetibilidade ao cisalhamento dos ligantes asfálticos: o grau de fluxo complexo (c) e o índi- ce de cisalhamento. A revisão bibliográfica realizada durante o SHRP, acerca dos parâmetros de susceti- bilidade ao cisalhamento, indica que esses parâmetros não são melhores que os de suscetibilidade térmi- ca. São parâmetros de natureza arbitrária e não são promissores no estudo de envelhecimento de ligan- tes asfálticos (ANDERSON et al., 1994).
O grau de fluxo complexo foi introduzido por Traxler et al. (1944)26 para a caracterização de
ligantes asfálticos. Esses autores indicaram que medidas em ligantes asfálticos diferentes mostram que a inclinação da curva log da tensão de cisalhamento versus log da taxa de cisalhamento pode ser conside- rada constante e, assim, as propriedades reológicas do material podem ser aproximadas por uma equação de fluxo complexo normalmente empregada para fluidos de comportamento descrito pela lei das potências:
c
mγ =
τ & (2.15)
onde: τ = tensão de cisalhamento; γ& = taxa de cisalhamento; c = grau de fluxo complexo; m = constante.
Esse modelo, conhecido em reologia como lei das potências, na qual c recebe a denomi- nação n (coeficiente n da lei das potências), não foi empregado no desenvolvimento da especificação Superpave, uma vez que modelos não-lineares são, na prática, bastante complexos e difícil de serem aplicados, não sendo adequados para o propósito de especificar materiais (ANDERSON et al., 1991).
O índice c representa a inclinação da curva log da tensão de cisalhamento versus log da taxa de cisalhamento. Embora os primeiros pesquisadores tenham tentado forçar uma relação linear (JIMENEZ e GALLAWAY, 196138; GALLAWAY, 195939 apud ANDERSON et al., 1994), um grande núme-
ro de estudos mais recentes mostrou claramente que essa relação é não-linear. Quando c é igual a 1, o material é newtoniano e m é a viscosidade newtoniana. Se c é menor que 1, o material é pseudoplástico. Por isso, c é um indicador do comportamento não-newtoniano do ligante asfáltico. A variação de c também foi empregada como um indicador do efeito do envelhecimento sobre as propriedades dos ligantes asfálticos por alguns pesquisadores (GALLAWAY, 195939, MOAVENZADEH e STANDER,
196740; JIMENEZ e GALLAWAY, 196238 apud ANDERSON et al., 1994).
38 JIMENEZ, R.A.; GALLAWAY, B.M. (1961). Laboratory measurements of service connected changes in asphalt
cement. Association of Asphalt Paving Technologists, v.30, p.328.
39 GALLAWAY, B.M. (1959). Factors relating chemical composition and rheological properties of paving asphalts with
durability. Association of Asphalt Paving Technologists. V.28, p.280-293.
40 MOAVENZADEH, F.; STANDER, R.R. (1966). Durability characteristics of asphaltic materials. Research Report
Alguns estudos indicaram que o grau de fluxo complexo é um parâmetro arbitrário. A rela- ção entre a tensão e a taxa de cisalhamento não é uma constante, pois a tensão de cisalhamento aumen- ta com a taxa de cisalhamento. O valor de c é constante apenas para uma faixa restrita de taxas de cisa- lhamento. Para tensões e taxas bem pequenas, a maioria dos ligantes asfálticos apresentará comporta- mento newtoniano. Esse comportamento, dependendo do tipo de ligante asfáltico, começará a mudar gradualmente para o comportamento não-newtoniano, à medida que a taxa de cisalhamento ou o nível de tensão aumenta (PUZINAUSKAS, 196741 apud ANDERSON, 1994). O parâmetro c depende, portanto, da
taxa de cisalhamento, mas também é afetado pelo envelhecimento e pelo histórico de tensões do ligante asfáltico (MAJIDZADEH e SCHWEWYER, 196542 e HALSTEAD e ZENEWITZ, 196143 apud ANDERSON
et al, 1991). No entanto, c pode ser útil no entendimento da natureza das interações moleculares em uma porção da região de comportamento não-linear e foi empregado, com esse enfoque, para caracterizar o efeito do envelhecimento (JIMENEZ e GALLAWAY, 196138 apud ANDERSON et al., 1991).
Majidzadeh e Schweyer (1965)42 apud Anderson et al. (1994) conduziram um experimento,
no qual c foi medido para o mesmo ligante asfáltico sob as mesmas condições, porém com diferentes seqüências de aplicação de carga. Foram comparados os valores de cd, medidos sob incrementos de
carga em seqüência decrescente, com os valores de ci, medidos sob seqüência crescente de incrementos
de carga. Os resultados apontaram que as duas medidas são diferentes e de natureza arbitrária.
Além das limitações anteriores, há outra deficiência na obtenção de c, relativa ao procedi- mento empregado para defini-lo. A construção da curva tensão versus taxa de cisalhamento está sujeita à mesma controvérsia associada à viscosidade aparente. Considerando-se uma curva típica do ensaio de fluência, obtida para um material não-newtoniano, a taxa de cisalhamento pode não alcançar um valor constante, dentro de um período de tempo razoável para o ensaio ou para uma deformação total aceitá- vel (ANDERSON et al., 1994).
O índice de cisalhamento é outro parâmetro de suscetibilidade ao cisalhamento empregado por muitos pesquisadores para estudar o efeito do envelhecimento. Zube e Skog (1969)44, Cullery (1969)45
e Khandal et al. (1973)46 apud Anderson et al. (1994) compararam os gráficos de viscosidade versus taxa de
cisalhamento de ligantes asfálticos virgens com ligantes asfálticos envelhecidos em laboratório e em campo. No entanto, como as relações são não-lineares e dependentes da temperatura, eles selecionaram faixas
41 PUZINAUSKAS, V.P. (1967). Evaluation of proerties of asphalt cements with emphasis on consistencies at low
temperature. Association of Asphalt Paving Technologists. V.36, p.489.
42 MAJIDZADEH, K.; SCHWEYER, H.E. (1965). Non-newtonian behavior of asphalt cements. Association of Asphalt
Paving Technologists. v. 34, p.20.
43 HALSTEAD, W.J.; ZENEVITZ, J.A. (1961). Changes in asphalt viscosities during the thin film oven and microfilm
durability tests. Philadelphia: ASTM. (ASTM - Special Technical Publication, 309).
44 ZUBE, E.; SKOG, J. (1969). Final report on Zaca-Wigmore asphalt test road. Association of Asphalt Paving Tech-
nologists, v.38, p.1-39.
45 CULLERY, R.W. (1969). Relationship between hardening ofasphalt cements and transverse cracking of pave-
ments in Saskacchewan. Association of Asphalt Paving Technologists. v. 38, p.1-15.
46 KANDHAL, P.S. et al. (1973). Shear susceptibility of asphalts in relation to pavement performance. Association of
distintas de taxas de cisalhamento e diferentes temperaturas. Todos esses estudos concordam em que o envelhecimento provoca aumento da suscetibilidade ao cisalhamento.
Assim como o grau de fluxo complexo, o índice de cisalhamento deve ser considerado um parâmetro arbitrário. Seu valor depende em grande extensão da faixa de taxas de cisalhamento conside- rada e da temperatura em que é determinado. Um índice de cisalhamento pode indicar apenas o tipo de comportamento esperado para um ligante asfáltico na temperatura e na faixa de taxas de cisalhamento nas quais é determinado. Nenhuma extrapolação ou mesmo interpolação pode ser feita. Além disso, é calculado com base na viscosidade aparente, que é dependente do tempo de carregamento. Se a visco- sidade não é constante, os resultados tornam-se de difícil interpretação (ANDERSON et al., 1994).