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2.5. Varant Fiyatının Duyarlılığı

2.7.11. Yayılma Varantları

2.7.11.2. Yayılma Varantları ve Normal Varantlar Arasındaki Farklar

Berger (1985) é outro autor que trabalha a religião numa perspectiva de sistema simbólico, ou conjunto de significações, construídas e legitimadas socialmente e historicamente. Estudioso da realidade social interessa-se pelo fenômeno religioso na medida em que este se relaciona com esta realidade, ou antes, participa dela como produto histórico do agir humano. Em sua obra “Dossel Sagrado”7, Berger traça os parâmetros da sua concepção. Para, ele a sociedade é resultado do trabalho humano de construção do mundo e a religião tem lugar destacado nesse empreender do homem. Com objetivo de relacionar a religião à construção do mundo social analisa a sociedade em termos dialéticos.

Afirma que a realidade social como produto do fazer humano recua, continuamente sobre ele demonstrando o caráter inerentemente dialético e que se dá em três momentos: “a exteriorização” o trabalho contínuo físico ou mental sobre o mundo, “a objetivação” que seria a materialização conquistada pelo produto adquirindo concretude exterior e distinta dele; e a “interiorização” que define como reapropriação pelos homens dessa realidade por eles estruturada transformando-a em estruturas da consciência subjetiva.

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Neste trabalho o autor se debruça sobre a análise da religião naquilo que denomina de perspectiva, um olhar diferenciado sobre o objeto, que tanto pode ser antropológico, histórico, sociológico e outros, sempre numa visão dialética, demonstrando a multiplicidade de compreensões possíveis sobre o mesmo. Ver: BERGER, Peter L. Dossel sagrado: elementos para uma sociologia da religião. 3. ed., São Paulo: Paulus, 1985.

Neste sentido homem e sociedade são produtos um do outro. E, a exteriorização é culturalmente necessária, uma vez que ele só se concebe e existe como homem na sua relação com o mundo. Ou seja, “[...] o homem não só produz um mundo como também se produz a si mesmo. Mais precisamente – ele se produz a si mesmo num mundo” (BERGER, 1985, p. 19).

Nesta concepção, define a sociedade como um aspecto do conjunto total dos produtos dos homens que podem ser materiais ou intangíveis e a essa totalidade define como cultura. Na dialética homem/sociedade, a última estrutura sua relação com o homem pela interiorização a partir do processo de socialização, de compreensão dessa objetividade coletivamente construída compartilhada, reconhecida e significada. Significado socialmente construído, cujo objetivo é ordenar a realidade, e que confere a ela uma “qualidade protetora”.

Para Berger (1985) quando em situações marginais ou limites esta qualidade protetora não dá conta de significar o real abre hiatos de suspeição subjetiva sobre a “normalidade” da ordem social admitida como óbvia. Nesse ponto introduz a religião como produto do trabalho de construção de significação do mundo a partir do qual fundamenta um cosmos sagrado para dar conta de aspectos precários percebidos no universo social. A religião é representação máxima da “auto-exteriorização” do homem na construção de significados para a realidade, ou seja, “[...] é a ousada tentativa de conceber o universo inteiro como humanamente significativo” (p. 41). Assim, atribuí sentido e direção ao cosmos como um todo superando a percepção de que aquela já referida “normalidade” não é tão real.

Mas, enfoca a “precariedade” constante destas realidades que, por serem, socialmente construídas, tornam necessário que os “saberes”, objetivados e interiorizados como reais, sejam admitidos como determinantes na explicação e justificação da ordem social, ou seja, legitimados. O autor entende estas legitimações como respostas aos questionamentos sobre os “dispositivos institucionais”. Nesta medida propõe “o que é” e normatiza o agir social, retroagindo sobre seus produtores, assim as realidades objetivadas podem ser interiorizadas definindo e validando a realidade subjetiva. A exterioridade, para o autor, garante uma ordenação nas relações sociais que se estabelecem entre os

indivíduos e a interiorização possibilita a manutenção e reprodução subjetiva do mundo social.

Neste sentido, a religião pode ser considerada historicamente o mecanismo mais eficaz de legitimação da realidade definida coletivamente em cada contexto social que relaciona com o cosmos sagrado às construções de mundo empírico à mercê de contingências que podem perturbar a ordem objetivada e significada. Dessa forma, Berger (1985), observa que: “a religião legitima as instituições infundindo- lhes um status ontológico de validade suprema, isto é, situando-as num quadro de referência sagrado e cósmico. [...]” (p. 46).

A legitimação operada na e pela religião possibilita a interpretação da ordem social como constituída por uma realidade (um espaço) sagrada. Realidade esta que uma vez significada possibilita superar a desordem percebida como contraditória à ordem social evidenciada e objetivada. Esta visão permite compreender a legitimação operada subjetivamente pelos indivíduos uma vez que ser contrário à ordenação religiosa do mundo é arriscar-se a cair no contraditório e não-significativo “[...] é [...] aliar-se às forças primevas da escuridão [...]” (BERGER, 1985, p. 52).

Mas dado o processo intrínseco de mudanças sociais, que como contínuo produto humano está sempre em aberto, a religião necessita de um instrumento que garanta a perenidade de sua legitimação, ou seja, função de atribuir sentido e ordenação. O ritual tem sido esse instrumento que traz à memória dos homens a possibilidade constante do caos.

A religião aparece então como núcleo de significação e legitimação de visões de mundo para dar conta dos aspectos não evidenciados na construção do mundo social e natural, dos hiatos, das nebulosas. Tanto Geertz (1989) quanto Berger (1985) perceberam a condição inerente dos sistemas simbólicos que traz implícito um “vazio de significação” que precisa ser preenchido a fim de garantir o sentido e a ordenação do real. Assim, a religião estabelece seu espaço de atuação e significação do real, objetivado e estruturado como espaço sagrado e que se relaciona com o mundo social e natural pela distinção, ou seja, pela dicotomia entre sagrado e profano.

Benzer Belgeler