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4.2. Anket Soruları ve Soruların Yorumlanması

4.2.1. Anket Soruları

Os seguidores do Protestantismo sofreram inúmeras represálias por parte das autoridades católicas, transformando a Europa dos séculos XVI e XVII num palco de intolerância religiosa. Frente ao avanço protestante a reação foi a punição violenta, inclusive com a reedição dos Tribunais da Inquisição. Mas a expansão foi inexorável e o Protestantismo neste contexto atingia quarenta por cento da

população européia distribuído em várias denominações que no seu processo de formação foram influenciadas pelos movimentos descritos a seguir.

Conforme demonstrado por Oliveira (1996) vários movimentos teológicos influenciaram as religiões protestantes procedentes da Reforma: os fundamentalistas, anabatistas, avivalistas, arminianismo, pietismo e puritanismo. Citando Mendonça observa que os fundamentalistas,

“[...] defendem pontos ‘fundamentais’ na doutrina e na moral [...] caracteriza-se [...] pela verdade bíblica – a Bíblia sempre permanece como verdade eterna - bem como por sua intolerância ‘ao acreditar na posse da

verdade, não vê sentido no diálogo com os que não afirmam a verdade’”

(p. 28).

Para Campos Jr. (1995), os anabatistas foram um dos primeiros grupos reformadores. Defendiam em sua doutrina a idéia do batismo por imersão, no qual o indivíduo é imerso na água de um tanque ou rio, na idade adulta considerada a idade de razão. Conhecidos pelo sectarismo radical sofreram inúmeras perseguições tanto dos reformadores, quanto da Igreja Católica, mesmo assim conseguiram se expandir por várias regiões da Europa (Suíça, Alemanha, Morávia). Os avivalistas utilizavam técnicas e instrumentos que induziam no decorrer da experiência religiosa ao êxtase, acreditavam que assim conseguiriam maior proximidade com Deus. (OLIVEIRA, 1996)

Quanto ao arminianismo, surgiu com o teólogo calvinista Jakobus Arminius, que em contraposição à ortodoxia calvinista sobre a predestinação, defendia uma concepção na qual a salvação seria oferecida por Deus a todos aqueles que aceitassem Cristo como Salvador e não apenas aos predestinados. Em reação os calvinistas ortodoxos condenaram as teses de Arminius, com a exclusão do seu grupo e a defesa da predestinação absoluta. (OLIVEIRA, 1996)

O pietismo foi um movimento de reação à ortodoxia luterana, surgiu, no século XVII, com Philipp Jacob Spener, teólogo luterano, participaram, também, August Hermann Francke, líder luterano e Nicolas Louis von Zinzendorf, que estruturou o movimento. Nessa concepção, o ser humano ao se justificar pela fé, dá início a uma nova vida em Cristo e busca a perfeição cristã e o isolamento do mundo. Tanto a Igreja quanto o clero estavam “mundanizados”, e por isso formavam grupos

de santificação a fim de atingir a perfeição e evangelizar os novos adeptos da doutrina. A salvação não seria conseguida após a morte e sim no presente comprovando a realização do indivíduo “[...] Todo crente era considerado ministro de Deus e dirigente de sua palavra” (OLIVEIRA, 1996, p. 29).

Sobre o pietismo tem-se, ainda, a definição encontrada no Dicionário de Ética e Filosofia (2003, p. 336), que aponta neste movimento um ponto-chave: a leitura bíblica no centro da pregação, da teologia e da vida em comunidade. Comportaria seis pontos básicos: a difusão da palavra de Deus a fim de conhecê-la por si mesmo e não visando estabelecer uma dogmática; defesa do sacerdócio universal; concepção de um Cristianismo concreto vivenciado cotidianamente na prática e não sistematizado em conceitos e numa ortodoxia; recusa de controvérsias teológicas e religiosas; oratória simples e direta, sem exageros retóricos.

Por sua vez, o puritanismo foi o movimento religioso que surgiu na Inglaterra como reação à Reforma Anglicana que se desligou do catolicismo oficial, mas manteve sua estrutura litúrgica e a hierarquia clerical. Foi formado por presbiterianos, congregacionais e batistas, que embora fortemente influenciados pelo calvinismo, opunham-se a tese de predestinação. Para eles a predestinação só era discernível pela fé dos eleitos (ou seja, aqueles que aceitavam o Evangelho como axioma). E a eleição seria o “[...] primeiro passo para a santificação, nova vida em Cristo. Os sinais ‘revelados’ externamente passam a ter muita importância na ética puritana [...]” (OLIVEIRA, 1996, p.29). São marcas de distinção que comprovam a salvação e vivem em busca deles. Para os puritanos a falta de atividade religiosa e profissional é sinal de não caminho dos eleitos e ao contrário o ativismo é sinal de fé e de sua eleição.

Dessa forma, Oliveira (1996) observa que tendências teológicas diversas permeavam os preceitos doutrinários de calvinistas, luteranos batistas, presbiterianos, congregacionais e outros que foram se formando durante a consolidação e expansão da Reforma. Não obstante as diferenças pode-se observar aspectos comuns entre elas, como por exemplo, a presença da Bíblia como fonte da verdade teológica com sua interpretação literal e da retidão moral. Além do ascetismo e do sectarismo como garantia e busca da salvação e da

justificação. E a certeza de que a salvação é conseguida pela graça de Deus e pelo exercício da fé.

Rolim (1987, p. 17) destaca em sua análise que preceitos doutrinários são re- significações da idéia de Deus construídas ao longo da história dos homens, como por exemplo, o batismo por imersão e a busca pelo contato maior com Deus verificados no anabatismo e no pietismo e que também podiam ser encontrados no Cristianismo primitivo. Neste sentido as várias vertentes que influenciaram o protestantismo, num primeiro momento, e depois fundamentaram o pentecostalismo podem ser entendidos como resgate e reelaboração de visões de mundo sobre um Deus histórico, produto do fazer humano confirmando que “[...] não há história apenas de idéias e práticas religiosas. O que há é um povo que fazendo sua história, faz também a sua religião [...]”.

Esta noção, também pode ser encontrada em Berger (1985, p. 41), que por sua visão dialética aponta que a religião

“[...] desempenhou uma parte estratégica do empreendimento humano da construção do mundo. A religião representa o ponto máximo da auto- exteriorização do homem pela infusão, dos seus próprios sentidos sobre a realidade. [...] a religião é a ousada tentativa de conceber o universo inteiro como humanamente significativo”.

Além deste resgate de significações associadas a outros contextos históricos, a Reforma Protestante também assume o sentido de luta pelo monopólio do discurso religioso que busca se legitimar numa reação à ortodoxia existente e pelo controle dos bens de salvação e do poder simbólico de construir visões de mundo mais concernentes com a realidade social da época. Na análise de Bourdieu (2004, p. 62), a existência de uma forte concentração de poder no interior da Igreja Católica, naquele período, propiciava o surgimento de movimentos heréticos no seu interior, na sua concepção:

“[...] O conflito pela autoridade propriamente religiosa entre os especialistas (conflito teológico) e/ou o conflito pelo poder no interior da Igreja conduz a uma contestação da hierarquia eclesiástica que toma a forma de uma heresia [...] em meio a uma situação de crise, a contestação da monopolização do monopólio eclesiástico por parte de uma fração do clero depara-se com os interesses anticlericais de uma fração dos leigos e conduz a uma contestação do monopólio eclesiástico enquanto tal”.

Diante destas argumentações pode-se inferir que o protestantismo logrou êxito em sua expansão, a despeito da hegemonia do catolicismo, por trazer implícito idéias que faziam parte do repertório religioso, ou seja, do imaginário social, daquela parcela da população da qual obteve adesão. E, também, por seu discurso, pelo efeito ideológico que encerra, “exprimir ou inspirar” interesses religiosos e ideológicos de categorias de leigos que buscavam, em última instância, legitimar sua visão de mundo.

Benzer Belgeler