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O tema do trabalho decente para a juventude surgiu como resultado de uma Agenda Hemisférica para a promoção do Trabalho Decente, apresentada na XVI Reunião Regional Americana em 2006. Na ocasião, foi aprovada a Década de Promoção do Trabalho Decente, tendo como objetivo central promover a formação da juventude e melhor inserção no mercado de trabalho. Conforme a Declaração do Conselho Econômico e Social das Nações Unidas em 2006, entraram nessa agenda a geração de emprego pleno e produtivo e o trabalho decente para todos.

O cumprimento da Agenda Hemisférica no Brasil tem se desenvolvido a partir da implementação de políticas públicas que possibilitem e facilitem o acesso da juventude ao mercado de trabalho. No entanto, tais iniciativas devem ser combinadas com uma série de fatores econômicos, políticos e sociais, dentro de uma perspectiva do que é possível se realizar em função do contexto atual do Brasil. Para Dussel (2007), “o princípio da factibilidade ética determina o âmbito do que se pode fazer (factibilia: o que é técnico- economicamente possível de ser feito) dentro do horizonte: a) do que é eticamente permitido fazer; b) até o que se deve fazer necessariamente” (p. 270).

A Declaração da Organização Internacional do Trabalho (2009, p. 14) estabelece a necessidade de “promover o acesso ao trabalho por meio de políticas integradas que propiciem a criação de novos empregos e de qualidade para os jovens, e facilitem o acesso a

eles, por meio de iniciativas, informação e capacitação”. Tais políticas são possíveis e factíveis, dentro de um contexto em que seja possível a ampliação dos direitos sociais da juventude, pois, para Dussel (2007), a ética é a factibilidade que permite produzir a vida:

[...] quem projeta realizar ou transformar uma norma, ato, instituição, sistema de eticidade etc., não pode deixar de considerar as condições de possibilidade de sua realização objetiva, materiais e formais, empíricas, técnicas, econômicas, políticas etc., de maneira que o ato seja possível levando em conta as leis da natureza em geral e humanas em particular. Trata-se de escolher as mediações adequadas ou eficazes para determinados fins. (p. 268)

Para a OIT, a noção de trabalho decente se apoia em quatro pilares estratégicos: a) respeito às normas internacionais do trabalho, em especial, aos princípios e aos direitos fundamentais do trabalho (liberdade sindical e reconhecimento efetivo do direito de negociação coletiva; eliminação de todas as formas de trabalho forçado; abolição efetiva do trabalho infantil; eliminação de todas as formas de discriminação em matéria de emprego e ocupação); b) promoção do emprego de qualidade; c) extensão da proteção social; d) diálogo social (MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO, 2010). Nesse sentido, foram propostas quatro prioridades para uma Agenda Nacional de Trabalho Decente para a Juventude. São elas:

Mais e melhor educação: elevação do acesso e qualidade em todos os níveis de ensino para os/as jovens, com igualdade de oportunidades e tratamento de gênero e raça, elevação da escolaridade, melhor ensino médio profissionalizante e tecnológico, ampliação do acesso ao ensino superior, mais e melhor acesso ao patrimônio cultural brasileiro, implementação de políticas públicas para garantir a observância efetiva da idade mínima de ingresso no mercado de trabalho, conforme legislação brasileira vigente, e implementação da política pública de educação do, no e para o campo.

Conciliação de estudos, trabalho e vida familiar: ampliar as oportunidades e as possibilidades de conciliação entre os espaços do trabalho, dos estudos e da vida familiar e em sociedade para os/as jovens trabalhadores e estudantes, de forma que o trabalho não se sobreponha ou mesmo prejudique as trajetórias educacionais e de integração social.

Inserção ativa e digna no mundo do trabalho: mais e melhores empregos e outras oportunidades de trabalho para os/as jovens com igualdade de tratamento e de oportunidades: a) ampliação das oportunidades de emprego assalariado e melhoria de sua qualidade; igualdade de oportunidades e de tratamento; promoção da saúde do/a trabalhador/a; combate

às causas da rotatividade; acesso à terra, trabalho e renda no campo; b) melhorias na qualidade dos empregos, com ampliação das oportunidades no campo dos “empregos verdes”; c) geração de trabalho e renda através da economia popular e solidária, associativismo rural e do empreendedorismo.

Diálogo social: ampliar e fortalecer o debate sobre as alternativas e condicionantes para a melhor inserção juvenil no mercado de trabalho; estimular as condições de participação juvenil urbana e rural nos instrumentos de defesa de direitos do trabalho, na organização sindical e nas negociações coletivas (MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO, 2010).

O jovem é motivado pela inserção no mercado de trabalho por diversas perspectivas, dentre elas: 1) melhoria das condições econômicas para si e para a família; 2) conquista de uma autonomia financeira. Entretanto, grande parte desses jovens depara-se com a baixa experiência no mercado de trabalho, que os levam muitas vezes a se submeterem a subempregos. Além disso, muitos possuem baixa qualificação, em razão do abandono dos estudos de forma precoce, pela necessidade de trabalhar. Nesse sentido, há a “necessidade de criar novos arranjos entre educação e trabalho nas políticas para a juventude” (ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO, 2009, p. 23).

É importante o reconhecimento dos jovens enquanto sujeitos de direitos, com demandas específicas que devem ser levadas em conta nessa fase da vida. Além disso, o jovem possui expectativas, e o ingresso no mundo do trabalho, para este segmento, representa “a percepção de que a experiência no mundo do trabalho faz parte da equação de construção da trajetória ocupacional” (ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO, 2009, p. 25). Gonzalez (2009) apresenta a perspectiva do desemprego juvenil como “reflexo das mudanças mais amplas no mundo do trabalho que não estão circunscritas aos jovens, mas o afetam mais intensamente em termos de oportunidades de trabalho” (p. 111).

Num país em que a agenda atual se volta à necessidade de um maior crescimento e desenvolvimento, é necessário investir neste segmento juvenil, garantindo “oportunidades para que os jovens que participam do mundo do trabalho tenham possibilidades de se inserir em postos de trabalho de qualidade com proteção social” (ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO, 2009, p. 26).

Os temas educação e trabalho, atualmente, passam por um amplo debate sobre a ampliação de vagas na educação profissional e tecnológica no país. São apresentadas ações

que visam articular o ensino médio e ensino técnico, com o objetivo de possibilitar aos jovens uma formação profissional e melhores condições de acesso ao mercado de trabalho.

Benzer Belgeler