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YATIRIM AMAÇLI GAYRİMENKULLER................................................................................. 41-42

A maioria dos povos escolhe a religião e modifica suas escolhas com o passar do tempo, variando sua taxa de participação, modificando seu caráter ou mesmo se afiliando ao outros movimentos religiosos. As mudanças comportamentais são conseqüência da mudança nos termos da pressão da sociedade.

No campo da evolução dos movimentos religiosos, Stark produziu definições para os termos igreja e seita. O caminho adotado para diferenciar os termos foi o grau de tensão das organizações religiosas com o meio social.

Os sacrifícios e os estigmas que marcam um grupo religioso e a sociedade refletem o grau de tensão entre eles. Na medida em que as diferenças são acentuadas, aumenta-se o grau de tensão com o meio social.159

158 IANNACONE, L., “Rational Choice…”, op. cit., doc. elet. 159 Idem.

A organização religiosa que possui um baixo grau de tensão com a sociedade é uma igreja. Enquanto uma organização com alto grau é caracterizada como uma seita ou um culto.160

Um movimento de seita é um movimento desviante mas assentado sobre as crenças e práticas tradicionais. Já o culto é uma organização religiosa desviante com crenças e práticas novas.

A distribuição de recompensas ocorre de forma desigual nos intercâmbios sociais, os homens que possuem maior poder têm a posse das recompensas mais desejadas.161 Uma organização religiosa que fornece compensadores para atingir recompensas escassas está em um alto grau de tensão com a sociedade.

A situação para a eclosão de cismas em organizações religiosas é a diferença de necessidade dos membros e uma desigual distribuição de poderes.162

As organizações religiosas são compostas por uma rede de trocas sociais. Na situação em que há uma distribuição desigual de recompensas entre os membros, a tendência é a ocorrência de uma divisão interna ou um cisma.

Isto ocorre porque os indivíduos que tiveram custos para obter compensadores e não foram recompensados tenderão a participar de um cisma para recuperar seus investimentos prévios.

Grupos religiosos de alta tensão que continuam a distribuir poucos benefícios aos seus membros manterão ao longo do tempo o seu alto grau de tensão. Já que os seus membros continuarão insatisfeitos com o meio, e pretendem transformar os seus investimentos em recompensas.163

Obviamente, se a frustração de recompensa se tornar contínua, os membros originais tendem a trocar esse grupo de alta tensão por outro de mesma categoria. E essa seita ou culto caminhará para a extinção.

Os indivíduos que utilizam compensadores para atingir recompensas escassas são pessoas menos poderosas e preferem organizações religiosas com alta tensão social. Enquanto aqueles indivíduos mais poderosos, que geralmente

160 STARK, R.; e BAINBRIDGE, W., “A Theory…”, op. cit., p. 124 161 Idem, p. 134

162 Ibid, p. 136. 163 Ibid., p. 242.

não necessitam tanto de recompensas escassas, logo procurarão diminuir a tensão do grupo.

Nesse sentido, os grupos religiosos que nasceram com um alto grau de tensão, e no decorrer do tempo constituíram internamente uma camada de poderosos, evoluirão para um processo de igrejização.164 Ao mesmo tempo, esse quadro de igrejização provoca a fuga de membros de menor poder, que buscam distribuidores de recompensas escassas ou de maior benefício. O grupo apoiará uma nova organização religiosa com alta tensão social. Com isso, criou-se uma clientela potencial para a origem de uma seita.

O nascimento de uma seita ocorre no momento do encontro de um descontente líder religioso e carismático com um potencial mercado de fiéis a espera de recompensas escassas. Esse líder religioso enquadra-se na condição de um baixo clero, que estava descontente com a distribuição desigual de poder na anterior organização religiosa. Sua postura visualiza a possibilidade de obter maior prestígio e poder na fundação de uma nova organização religiosa.

Outra situação para o surgimento de organizações com alta tensão. Eclode quando as condições do ambiente externo podem desencadear repentinamente um cisma. Uma grave crise econômica, desastres naturais e guerras são fatos que provocam um aumento das privações dos humanos. Dessa forma, aumenta-se a demanda por recompensas escassas. Naquele momento, se a igreja existente não fornece esse tipo de compensador, logo se abre a possibilidade para membros dispostos a participarem de seitas.

Também situações individuais criam caminhos para a ruptura religiosa. Momentos de doença, morte de pessoas próximas, vícios, dificuldades financeiras ou em relacionamentos amorosos criam uma procura pro grupos religiosos de alta tensão.

A explosão de seitas não enfraquece os compensadores gerais de uma igreja. Na medida em que uma tradição religiosa foi preservada, o papel desempenhado pela seita é direcionado principalmente para o fornecimento de compensadores específicos. E como o comprometimento religioso do membro de

uma seita é maior do que um fiel de uma igreja, o fervor religioso do cliente de uma seita fortalece ainda mais a tradição.

Ao analisarmos o reflexo da fuga de fiéis de uma organização percebemos que o movimento de perda de membros, desde que não exagerada, pode resultar em um fortalecimento do grupo religioso através da depuração. O indivíduo que deserta de um grupo religioso provavelmente já não consegue obter benefícios na troca com a organização social; conseqüentemente, ocorre de forma natural uma queda de seus investimentos e uma desvalorização dos bens religiosos produzidos pelo grupo.165

A evaporação social moderada impede a descaracterização e fortalece o grupo religioso. Para uma igreja, a fuga pode diminuir o grau de tensão com a sociedade, criando maior comodidade para o alto clero. Já para as seitas e cultos, o abandono de alguns membros pode significar o aumento da tensão do grupo.

As organizações religiosas empreendem constantes reavivamentos,166 que representam estratégias para manter em alta o valor dos compensadores fornecidos pelos produtores religiosos. Dentre os meios utilizados aparece a palestra sazonal de um membro de outra comunidade, as grandes cerimônias que mobilizam os participantes, os sermões, testemunhos, ou a reclusão de fiéis. Toda essa ação, que aumenta, o afeto religioso, contribui para valorizar a organização.

Logo, para uma organização religiosa prosperar, deve promover mecanismos que aumentam o vínculo entre os membros, os investimentos e o aumento de conformidade com o grupo.