II. BÖLÜM: MUHASEBE HİLELERİ
3. Türkiye’de Muhasebe Hileleri Tarihi
3.2. Konuya İlişkin Yargıtay ve Danıştay Kararları
3.2.1. Yargıtay Kararları
92 acumulando igualmente na parte inferior das asas. Como reconstituições utilizam as bordas, prioritariamente, e os dados de análise utilizados nestes cruzamentos foram obtidos a partir da análise das bordas, e estas ficam acima da linha do diâmetro máximo do bojo, é possível que a ausência de fuligem esteja relacionada a este fator, e não à utilização destas vasilhas para a cocção de alimentos.
Figura 2.61 – Depósito carbônico (fuligem) na
face interna (Estrutura).
Figura 2.62 – Fuligem acumulada no maior
diâmetro do bojo e abaixo da asa da tigela (Estrutura).
Outro tipo de sinal de uso que aparece, mas que registramos apenas nas observações, é a adesão de camadas esbranquiçadas às superfícies interna e externa. Este embranquecimento da superfície é resultado do uso das vasilhas para o armazenamento de água. A água permeia de dentro para fora deixando estes sinais em ambos os lados.
Figura 2.63 – Fragmento de pote com
superfície interna esbranquiçada pelo uso para armazenamento de água (Estrutura).
Figura 2.64 – Fragmento de pote com engobo
vermelho e polimento na face externa, com a superfície esbranquiçada pelo uso para
armazenamento de água (Estrutura). Importante dizer que comparando os dados do repertório de formas com as áreas do sítio, isto é, com as Unidades 1, 2 e 3, e com a Estrutura,
93 observamos que as formas estão distribuídas por igual em toda a extensão do sítio, excetuando os alguidares, que não foram reconstituídos na Unidade 1. Deste modo, constatamos certa padronização dos vestígios, sobretudo com relação às formas. E, além disso, foi possível perceber que apenas com os dados provenientes da análise cerâmica não é possível estabelecer inferências quanto ao caráter temporal da ocupação em cada uma das Unidades. É bem possível, pois, que as três sejam contemporâneas, ainda que os dados de distribuição e densidade de vestígios em superfície tenham apontado para uma ocupação mais recente na Unidade 2, devido à presença de vestígios em louça e vidro em maior quantidade.
Como visto, algumas formas, como os pratos, estão presentes em maior número em toda a extensão do sítio. Outros, como os alguidares, estão presentes em menor quantidade. Estes dados, aliados às observações da produção e comercialização da loiça de barro atual, apontam para uma alteração na produção ao longo do tempo. Isso porque, nas comunidades estudadas, a produção de pratos é muito reduzida e os alguidares, por sua vez, já deixaram de ser produzidos pela maioria das loiceiras. Como veremos adiante, estas alterações são resultado de mudanças no mercado consumidor, sobretudo a partir da entrada de bens de consumo duráveis em plástico, como também em vidro e louça, similares às formas tradicionais da loiça de barro, porém a preços mais competitivos, que forçam a diminuição da procura pela loiça, causando estas alterações.
Por fim, vale dizer que estas informações apresentadas na análise do Sítio Tacaimbó 2 serão utilizadas para a construção de uma matriz de correlatos, que será apresentada no Capítulo 5.
Sítio Tacaimbó 1
Procedimentos de Campo
O sítio Tacaimbó 1 foi identificado na torre 59-1 do trecho Angelim- Campina Grande, nas coordenadas geográficas 24L 803.566 E – 9.073.321 N. Está implantado em área de média vertente, aplainada, numa altitude média de 624 m, próximo a um minador intermitente, no povoado (ou sítio) Melancia,
94 numa área de pasto, com alguns cultivos como o milho. A área do sítio é de 1.400 m² (PRANCHA 43).
Para o sítio Tacaimbó 1, a metodologia adotada para a faixa de servidão foi a mesma realizada no sítio Tacaimbó 2, e também variou em função do tipo de torre e do local do resgate – se na faixa de domínio da linha de transmissão, se fora dela, ou nos locais de sustentação das torres e nas valetas de contrapeso – e do tamanho do sítio, bem reduzido, como veremos.
Na primeira etapa de resgate, a faixa de servidão teve coleta total de superfície com estação total. Por se tratar de uma torre estaiada (torres sustentadas por estais, fixadas no solo, nos quatro cantos de uma área retangular, em que no centro do retângulo é fixado o mastro central), foram escavadas 05 quadras (nos pés e estais) e 04 valetas de contrapeso (com 30 cm de largura e 50 cm de profundidade) partindo próxima a quadra do centro do retângulo. Além disso, procedeu-se a escavação de 20 unidades de 1 m², paralelas ao sentido Vante – Ré da linha da faixa de domínio, equidistantes 10 m entre si. As quadras e valetas foram escavadas em níveis arbitrários de 0,10 m, até o esgotamento da camada arqueológica, que no caso esteve em média aos 0,20 m (PRANCHA 42) (Figura 2.65).
Figura 2.65 – Vista da Torre 57-1 a partir do Sítio Tacaimbó 1.
Na área da faixa de servidão foram coletados aproximadamente 120 vestígios, entre cerâmica e louça, além de sedimentos, sendo que deste total, 71% em superfície, predominando a cerâmica (tanto utilitária, quanto construtiva – telhas e tijolos).
95 Em virtude da pequena área do sítio, com 1.400 m², e da baixa densidade de vestígios arqueológicos em superfície (a maioria constituída de cerâmica), na segunda etapa de pesquisa o resgate fora de faixa, em toda área de ocorrência, contou apenas com a coleta total de superfície com estação total. Nesta área fora da faixa de servidão foram coletados pouco mais de 90 vestígios, entre cerâmica, louça e vidros, sobressaindo a cerâmica, novamente. Infelizmente os dados de localização peça a peça da coleta com estação total na área fora da faixa de servidão foram perdidos (pelo topógrafo), o que impede a elaboração de um mapa de densidade e concentração de vestígios em superfície, bem como interpretações mais elaboradas com relação à distribuição destes vestígios. No entanto não impede a análise tecnológica dos mesmos. E ainda que não tenhamos a localização exata do material arqueológico esta informação não foi totalmente perdida, pois através dos registros de campo sabemos que a coleta se concentrou no intervalo entre a torre 59-1 e a área lateral de uma pequena casa, que na época das escavações ainda era ocupada (Figuras 2.66, 2.67 e 2.68).
Figura 2.66 – Sítio Tacaimbó 1 – Vista da área lateral da casa, onde foi realizada a coleta de
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Figura 2.67 – Sítio Tacaimbó 1 – lixeira na lateral da casa.
Figura 2.68 – Sítio Tacaimbó 1 – Vista da residência no sítio.
É importante destacar que nesta pequena casa a área destinada à deposição do lixo parecia continuar a mesma de seus antigos moradores, já que apresentava tanto vestígios mais atuais, como de antigas ocupações. Quando retornamos a área do sítio na etapa de campo etnográfica em 2009, verificamos que esta habitação havia sido abandonada e estava em processo de desmantelamento.
Procedimentos de Laboratório
Tal como no sítio Tacaimbó 2, todo o material arqueológico resgatado no sítio Tacaimbó 1 passou por processo de curadoria rigoroso, compreendendo lavagem, triagem pesagem e numeração de toda coleção. Tendo em vista o número reduzido de fragmentos não foi realizada separação de fragmentos por
97 elementos diagnósticos durante a curadoria. Após a lavagem, triagem e pesagem, os fragmentos receberam uma numeração que compreende a sigla do sítio (Ta1) seguida por um número sequencial, garantindo assim, que todas as informações sobre a procedência dos fragmentos no sítio estivessem ligadas a ele.
Como vimos, o sítio apresentou uma baixa densidade de vestígios, incluindo fragmentos de cerâmica construtiva, louças, vidros e, sobretudo, loiça de barro (cerâmica utilitária), que foram analisados, seguindo os mesmos procedimentos metodológicos adotados na análise tecnomorfológica do material coletado nos sítio Tacaimbó 2, como visto anteriormente.
No entanto, devido à baixa densidade de vestígios, apresentaremos apenas alguns dados gerais e, mais especificamente, os dados relativos à análise cerâmica.
Dentre os 120 vestígios coletados, 1 é vidro, 3 são louças, 87 são cerâmicos; os demais se constituem por fragmentos de cerâmica construtiva.
Com relação ao vestígio em vidro, se constitui por um fragmento de base de garrafa de vidro azul (provavelmente utilizada para o armazenamento de medicamentos). Já as três louças são faianças finas do tipo whiteware, uma com decoração por faixas e frisos, uma com decoração Blue Edge e uma com a logomarca da IRFM (Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo) em base de malga. A produção da IRFM tem início em 1931 e se encerra em 1960. Neste sentido, através desta marca é possível estabelecer uma baliza temporal inicial (terminus post quem).
Figura 2.69 – Base de vidro de medicamento
azul.
Figura 2.70 – Borda de prato com decoração Blue Edge.
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Figura 2.71 – Borda de prato com decoração
em faixas e frisos (friso vermelho).
Figura 2.72 – Base de malga com marca
IRFM.
Passando à análise cerâmica, ou da loiça de barro arqueológica, 93% (81 fragmentos) da amostra pôde ser analisada.
Predominam fragmentos de parede (67% - 58 fragmentos), seguidos por bordas (17% – 15), além de borda e asa (6% - 5), parede e asa (4% - 5) e parede de cuscuzeira (3% - 2 – identificada pela junção entre o prato e a panela da cuscuzeira).
A técnica de manufatura foi identificada em 52% da amostra e o modelado predomina, com 41% (33). As demais técnicas são o roletado (3% - 3) e o roletado associado com o modelado (4% - 3).
O antiplástico mineral foi identificado em 94% da amostra (76), além da argila (1% - 1) e do mineral combinado com a argila (5% - 4). Quanto a composição, predomina o quartzo em combinação com a mica em 60% (49%).
As queimas redutoras (ou parcialmente oxidada) predominam em 89% da amostra.
Com relação à coloração da pasta, 60% (49) da amostra são marrom, 19% (15) ocre, 11% (9) preta, 6% (5) cinza e 4% (3) avermelhadas.
95% (77) da amostra possuía alisamento em ambas as faces e 46% (37) não estavam erodidos. O polimento apareceu em apenas 14% (11) dos fragmentos, a barbotina em 25% (20) e o engobo vermelho em 7% (6).
A fuligem enquanto sinal de uso aparece em 74% (60) da amostra, marcas de estria de alisamento ocorrem em 75% (61) e marcas de dedos ou digitais associadas às estrias de alisamento em 6% (5).
Importante observar que neste sítio, nos fragmentos de loiça de barro identificados como potes, notamos a presença de uma alteração de uso na face interna que ainda não tinha sido observada. Trata-se de uma incrustação
99 de pontos negros formando uma linha horizontal (em relação ao pote), que acreditamos ser decorrentes de depósitos de limo formados pela ação da água parada dentro do pote (Figura 2.77). Estas vasilhas apresentaram também linhas horizontais e paralelas indicando os diversos níveis da água dentro do pote, além da superfície interna esbranquiçada ou escurecida (se em contato com o ar) (Figuras 2.76 e 7.78).
Não foram identificados fragmentos com decoração plástica e a decoração pintada se resume a 4 fragmentos com pintura branca e 3 com pintura vermelha.
Figura 2.73 – Borda e asa de tigela.
Observam-se depósitos carbônicos na face externa, na altura do diâmetro máximo do bojo
e abaixo das asas.
Figura 2.74 – Depósito carbônico (fuligem) na
face interna.
Figura 2.75 – Fragmento de pote com
aplicação de engobo vermelho, polimento e pintura branca na face externa. Notam-se manchas esbranquiçadas decorrentes da
ação da água.
Figura 2.76 – Fragmento de pote com linhas
paralelas e horizontais, que indicam os diversos níveis de água.
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Figura 2.77 – Fragmento de pote com
incrustação de pontos negros em linha horizontal (provável limo).
Figura 2.78 – Fragmento de borda de pote
com marca do nível da água na face interna. Com relação ao repertório de formas, a partir dos desenhos de bordas e bases procedemos à reconstituição de 18 formas, sendo: 11 (61%) panelas ou chaleiras, 2 (11%) tigelas, 2 (11%) tachos, 2 (11%) pratos, e 1 (6%) pote ou jarra. A representação gráfica destas formas se encontra inserida nas
Pranchas do anexo (PRANCHAS 44 a 47).
Gráfico 2.13 – Formas das vasilhas.
Embora o tamanho da amostra seja muito reduzido, estes dados indicam certa similaridade entre a amostra coletada no sítio Tacaimbó 2 e no sítio Tacaimbó 1, e ambos se caracterizam como um sítio habitação, com consumidores da loiça de barro de produção regional.
A diferença principal se encontra no tamanho do sítio, que possui dimensões reduzidas quando comparado ao Tacaimbó 2, mas, que de certa
61% 11% 11% 11% 6%
Tacaimbó 1
Formas das Vasilhas
Panela ou chaleira Tigela
Tacho ou Torra Café Prato
101 maneira, obedece à um padrão das ocupações históricas da área, com ocupação do espaço reduzido e cultura material expedita.
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