• Sonuç bulunamadı

Eren: Ben yaparım Saadet’e yemek…

Kolundan tutup içeri çekmek ister Işıl kolunu kurtarmaya çalışır, içeri girmeyi reddeder Sessizce ağlamakta B.Eren üşüyor Işıl’ın üşümemesi için omzundan düşen kırmızı şalı

SAHNE 63 İÇ, AKŞAM, DENİZ ŞİRKET ODASI (Açık televizyonun sesi)

K. Eren: Ben yaparım Saadet’e yemek…

A noção de sobreimplicação diz respeito ao nível de comprometimento, de pró-atividade naquilo que se está aplicando, tendo uma adesão passiva a uma proposta ou um trabalho expressando uma forma de exploração alienada. Ao contrário disso, a implicação consiste na análise daquilo que reverbera na relação no pesquisador (no caso da pesquisa), onde a partir disso podemos perceber os atravessamentos que constituem esse ato, sendo uma importante ferramenta na construção do estudo (Altoé, 2004).

Estar no ASM no papel de mestranda acadêmica com uma proposta de pesquisa- intervenção que não foi encomendada, além de outras questões difíceis de explicitar, me fazia exercer por vezes uma postura de sobreimplicação, onde a cobrança de fornecer respostas tomava o lugar da proposta de fazer questões, de refletir, de co-produzir os analisadores. O cuidado com a análise dessa relação precisou ser feito, tendo em vista que o próprio coletivo no qual se pesquisa percebe no pesquisador a figura de alguém como aquele que planeja o processo de pesquisa sem a “interferência” desse coletivo, o que não era a minha proposta.

Gostaria de destacar ainda que para acompanhar o movimento produzido a partir dessas duas entradas no campo procedemos à escrita de um diário de campo, onde foram registrados os fatos, as conversas, as minhas impressões etc. a fim de perceber as forças que se insinuaram, as contradições nas práticas que dificultam a processualidade de uma mudança pautadas na perspectiva da desinstitucionalização.

1.3.1. Primeiros percursos no campo

A partir do uso do diário de campo, no mês de julho, procedi a uma primeira entrada no ASM durante duas semanas tentando elucidar minhas questões de pesquisa, me apropriar do cotidiano do serviço e compartilhar minimamente minhas inquietações com a equipe a fim de perceber como esta se posicionava frente à proposta de pesquisa. Nesse momento, além da participação no cotidiano (de segunda a terça-feira, na sala de espera, nos grupos de acolhimento e nas oficinas de artesanato), participei de reuniões de equipe e fiz junto à mesma uma roda de conversa acerca da questão da reinserção social no âmbito da Reforma Psiquiátrica brasileira e no cotidiano do ASM.

Além disso, nesse período de observação, alguns fatos me chamaram atenção. Um deles refere-se a uma conversa com uma usuária na sala de espera. Quando chego ao serviço, ela me fala sobre o “Bom Dia” que ocorreu anteriormente, demonstrando uma intensa satisfação em estar ali participando daquele serviço. Então converso com ela um pouco sobre sua vida. A usuária me questiona se eu conhecia o CAPS ou se havia trabalhado lá, e eu lhe respondi que não havia trabalhado, mas que o conhecia. Ela me fala de sua experiência, que tinha passado um ano no CAPS e depois tinha ido para o ASM, há cinco anos (em 2008). E eu lhe perguntei se ela não tinha vontade de sair dali. Ela disse que poderia perder o benefício, e como seria? Disse que sua patroa não a queria mais, e não conseguia arranjar trabalho do seu jeito peculiar de fazer as coisas, segundo as suas condições. Se ela conseguisse um trabalho que só permitisse que ela limpasse, pois não pode lavar a louça, pois a deixa cair. Complementa ainda que estava na perícia e menciona o fato de o juiz querer retirar seu benefício de dois anos, pois restavam apenas cinco meses.

Posteriormente, em conversa com uma das técnicas, questiono se essa não seria a mesma função do manicômio, de segurar a mão-de-obra que não se adapta aos regimes de trabalho impostos com a modernidade12, e ela me responde que talvez isso fosse uma questão política para além da clínica. Afirma sempre tentar conversar com os usuários sobre a saída deles do ASM. Disse que conversou sobre isso no grupo terapêutico com alguns usuários, principalmente com um que se vinculou através do serviço às atividades de um horto florestal da cidade, tendo, além disso, as atividades da igreja, e está bem. Essa discussão acabou na assistência completa que eles têm no ASM:

12

As críticas acerca das funções da psiquiatria podem ser encontradas nas obras de diversos autores, como exemplo na obra de Basaglia (2005). Além disso, a desarticulação entre clínica e política explícita nessa fala é criticada por alguns autores do âmbito da reforma psiquiátrica. Pretendemos analisar essa questão no capítulo acerca de processos de trabalho.

psiquiatras, medicação, benefício, atendimentos grupais, uma assistência que fora de lá eles não encontrariam, devido à deficiência na rede de atenção à saúde.

Primeira roda de conversa: reinserção social

Além da observação participante, realizamos nesse período, uma primeira roda de conversa ocorrida em julho de 2008 onde propomos uma discussão acerca da reinserção social buscando perceber o que os técnicos compreendiam acerca dessa temática. Acordamos que isso se daria no horário da reunião de equipe, tentando usar esse momento como um dispositivo13 onde o discurso da equipe pudesse circular de modo mais implicado, tendo em vista que muitas acabavam não se posicionando frente a algumas discussões nas reuniões da equipe.

Ao falar sobre a reinserção social, a assistente social enfatiza o papel de trabalhar no micro da família e da necessidade de articulação com a comunidade. Uma das psicólogas enfatizou a singularidade do desejo de cada um, rejeitando respostas pré- estabelecidas, outra coloca a importância da clínica e da ênfase que precisava haver nas questões mais macrossociais, de reinvenção de políticas públicas. A arte-terapeuta enfatizou a importância da criação do Centro de Convivência onde a circulação da comunidade pudesse acontecer e a técnica de enfermagem colocou a questão de seu filho que é usuário de CAPS e a importância da medicação. Os resultados dessa roda indicaram que o discurso de cada um acerca da reinserção social refletia um pouco do seu modo de atuação no serviço.

Através dessa roda de conversa e desse período de observação foi possível observar que os serviços substitutivos funcionavam sob a perspectiva de ofertas de