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1. GİRİŞ

1.1. Problem Durumu

1.1.1. Yapısal Eşitlik Modellemesi

1.1.1.3. Yapısal Eşitlik Modellemesinin Aşamaları

profissionais em Bioética nos países da América-Latina continua sendo um assunto preocupante. Contrário às denúncias feitas em 1997 sobre o duplo standard, os Estados Unidos da América, assumiram uma posição de liderança e desenvolveram iniciativas relacionadas com o fortalecimento das capacidades éticas em pesquisa nos países em desenvolvimento. Essas iniciativas foram dirigidas pelo The Fogarty International Center do US National Institutes of Health, órgão que investiu 5,6 milhões de dólares em quatro anos com o intuito de “treinar” profissionais dos países em desenvolvimento na área da ética em pesquisa (58). Esse processo foi denominado por Tealdi, em 2003, como “a nova ordem na ética internacional da pesquisa” (59) (p.2), questionando esta situação

como um distanciamento entre a ética e os direitos humanos no contexto da pesquisa em saúde, fato que reforça a implementação do duplo standard. Esses argumentos se apoiam nas experiências particulares vivenciadas em alguns países que serão descritas mais adiante.

O segundo desafio é a revisão do estado atual da regulação ética das pesquisas nos países da América-Latina. É necessário atentar para algumas assertivas que foram formuladas em estudos anteriores. Segundo Lorenzo (12), a proteção dos sujeitos participantes nestes países deveria estar orientada pela implementação de medidas de caráter sociopolítico. Essas medidas deverão aplicar-se em dois planos: o primeiro relacionado à formulação de normativas éticas nacionais e à adaptação dos instrumentos internacionais ao contexto local; neste ponto é pertinente esclarecer que os instrumentos normativos devem-se adaptar às necessidades de proteção dos sujeitos do país sede da pesquisa. Na consecução deste objetivo é imprescindível a reflexão sobre os “contextos político, socioeconômico e cultural” (p.170) de cada país. O segundo plano está associado à prática da bioética na tomada de decisões, manifestada no fortalecimento das funções e organização dos comitês de ética em pesquisa.

O autor problematizou a eficácia dos instrumentos normativos sobre ética em pesquisa no que diz respeito à proteção das populações vulneráveis em Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, México, Venezuela e Argentina, concluindo a persistência da influência principialista na formulação destes dispositivos, justificada nos privilégios que são dados ao princípio da autonomia - representado no eixo da “obtenção do consentimento”- em contraponto com os eixos “maximização dos benefícios” e “minimização dos riscos”, que são fortemente influenciados pelas situações de vulnerabilidade (12).

É pertinente considerar que os países periféricos ou em via de desenvolvimento possuem características como as tradições políticas, múltiplas fases de desenvolvimento econômico e a diversidade cultural que por sua vez, encontram-se associadas com uma série de fatores que geram vulnerabilidade social no contexto da pesquisa biomédica e em consequência, conflitos éticos. Especificamente esses fatores são: pobreza, baixo nível educacional, dificuldades no acesso aos serviços de saúde, questões étnicas, gênero e baixa capacidade de pesquisa do país.

É importante ressaltar que a ausência de legislação das atividades em ciência e tecnologia e/ou sua pouca efetividade, prejudicam não somente o avanço da ciência, mas também às pessoas que eventualmente poder-se-iam beneficiar com estes avanços. Conforme esta situação, os governos dos países da América-Latina, devem ter a capacidade de fornecer instrumentos de regulação ética das pesquisas formulados sob referenciais éticos em concordância com suas tradições autóctones, facilitando a sua interpretação para as tomadas de decisão sobre conflitos morais decorrentes da pesquisa.

O terceiro desafio na América-Latina está relacionado com as limitações dos comitês editoriais dos periódicos científicos e a integridade científica neste continente. Tal como realçado por Rodríguez e Lolas, em 2011 (60), os editores das revistas constituem-se em um controle para evitar a publicação de pesquisas executadas em forma antiética.

Embora concorram para esse fim, muitos periódicos científicos da América-Latina não dispõem de orientações éticas e não incorporam as recomendações internacionais, tal como as sugeridas pelo International Committee of Medical Journals Editors. Do mesmo modo, assinalou-se que nem os editores dos periódicos científicos nem os membros dos Comitês de Ética utilizam as bases públicas de registro de protocolos de pesquisa. Esta verificação facilitaria o reconhecimento dos protocolos que previamente têm sido rejeitados em outros países, contribuindo com sua revisão ética.

Em relação à integridade científica na América-Latina, os autores sustentaram a prevalência da difícil avaliação das condutas dos pesquisadores – particularmente aquelas associadas ao plágio e falsificação das publicações - situação devida à falta de sistemas de denúncia. Os autores sugerem a conformação na América-Latina dos “Comitês de Integridade Científica” com o intuito denunciar as faltas à integridade científica (60).

Finalmente, o quarto desafio constitui-se nas denúncias sobre abusos no marco das pesquisas com seres humanos na Argentina, Equador, República Dominicana e Guatemala, que advertem a profunda necessidade de reforçar a formação em Bioética e de formular propostas para otimizar a vigilância dos instrumentos regulatórios em cada país. Tal como foi assentado no início deste segmento, verifica-se a confluência de aspectos políticos, econômicos e culturais com fatores persistentes como a pobreza e as dificuldades no acesso aos

serviços de saúde entre outros que ainda afetam o continente, em efeito, a vulnerabilidade social é uma condição inerente que se deve abordar no debate sobre a proteção dos direitos dos sujeitos participantes das pesquisas.

A abordagem do segmento a seguir fundamentar-se-á nas experiências vivenciadas pelos países da América-Latina no que diz respeito à conformação dos Conselhos Nacionais de Bioética e à regulação sobre ética em pesquisa envolvendo seres humanos; entendendo que a presença de uma prescrição normativa não assegura o fornecimento da proteção integral para o sujeito participante; no entanto as regulações nacionais são ferramentas orientadoras para os membros dos comitês de ética em pesquisa e para a sociedade em geral. Em seguida, discorrer-se-á sobre as características dos sistemas de regulação social da pesquisa envolvendo seres humanos no Brasil, Peru, Chile e México.