7. PATLATILAN YAPILARIN YIKILMA ŞEKİLLERİ
7.2. Yapının Belli Bir Yöne Devrilmesi
7.2.1 Yapının Yana Devrilmesi
A drenagem ácida é um fenômeno comum às atividades de lavra, beneficiamento e descarga de rejeito de minério sulfetado. É uma reação química produzida pela oxidação de minerais sulfetados quando são expostos ao ar e à água, seja por processos naturais ou pelas atividades associadas a desmontes de rocha, especialmente nas áreas de mineração. Os sulfetos são minerais formadores de ácidos porque reagem quimicamente com o ar e a água, liberando íon hidrogênio, íons sulfato e íons metálicos solúveis. Uma vez que a drenagem ácida é criada, os metais e metalóides são liberados, tais como cobre, ferro, alumínio, chumbo e arsênio. Para Jennings, Neuman e Blicker (2008), esta liberação de elementos tóxicos para o ambiente do entorno pode atingir córregos, rios e lagos ou, na medida em que os elementos são lixiviados para o subsolo, atingir as águas subterrâneas. Desta maneira, tornam-se facilmente disponíveis para os organismos vivos.
Há uma ampla literatura sobre os efeitos da drenagem ácida para os organismos aquáticos, assim como na qualidade da água para consumo humano. Na água, por exemplo, quando os peixes são expostos diretamente aos metais e hidrogênio iônico através de suas guelras, a dificuldade respiratória pode resultar em toxidade crônica e aguda (JENNINGS, NEUMAN e BLICKER, 2008). Muitas organizações têm documentado impactos causados nas paisagens e nas correntes de água pela drenagem ácida de águas de minas contendo elevadas concentrações de metais e de cianeto (UNEP, 2002; RAINFOREST, 2010).
O Relatório Técnico da Mina Morro do Ouro (HENDERSON, 2006) propõe reduzir o risco de exposição dos sulfetos contidos nos rejeitos ao oxigênio da atmosfera e que, consequentemente, geram a drenagem ácida. Portanto, o relatório fala em prevenção do risco de ocorrência de drenagem ácida na área da barragem de rejeito e não na sua ocorrência de fato; por outro lado, sequer considera a possibilidade de drenagem ácida na área de lavra.
Na Figura 5 podem ser observadas as lagoas de drenagem ácida. Para retirar os sulfetos e metais dos rejeitos que seguem para a barragem, a RPM coleta e segrega o concentrado sulfúrico em reservatórios específicos, localizados na área da cava. Segundo a empresa, isto tem garantido que a qualidade da água do atual lago de rejeitos e a descarga no Ribeirão Santo Antônio satisfaça os padrões regulatórios locais e as diretrizes do Banco Mundial. Evidentemente, isto não resolve o problema, apenas joga para um futuro incerto a solução, pois não há indicação do que fazer com este lixo químico. Ainda mais, a gestão desses depósitos não está isenta de riscos da geração de drenagem ácida na área de lavra.
Figura 5. Lagoas de drenagem ácida na área da lavra da Kinross.11
Fonte: Google Earth, 2010.
A mineradora indica algumas medidas relativas à drenagem ácida a serem tomadas para conduzir a etapa de fechamento da mina, tais como: re-vegetação da área oxidada da cava ou áreas não sulfetadas; disposição de material de cobertura e solo nas áreas para prevenir a geração de material ácido e sistema de drenagem para controle de vazamento de água até que as áreas recuperadas se tornem estáveis. Entretanto, os rejeitos apresentam sérias restrições ao desenvolvimento das plantas, considerando, principalmente, os teores baixos de fósforo, potássio e matéria orgânica, bem como a elevada acidez e salinidade e o alto teor de arsênio. Nessas condições, a mortalidade das plantas é próxima a 100%. Basta observar, na paisagem atual da mina, que não ocorre colonização vegetal espontânea (SANTOS, 2007).
De acordo com o planejamento, um lago será formado na parte oeste da mina (Ver na Figura 4 os limites da cava: Pit Limit). Para a empresa, isto não representaria riscos na circulação e na qualidade das águas subterrâneas devido à baixa permeabilidade das rochas locais e a adoção de medidas como a instalação de uma planta de tratamento de água e o bombeamento da água ácida para a planta de beneficiamento (HENDERSON, 2006). Entretanto, o que diferencia a região da mina é a mineralização sin-deformacional12 com o
11 As áreas cinza claro são de rocha exposta na área da cava; as áreas cinza escuras a azuladas são áreas
inundadas da mina, usadas para depósito de água ácida contendo metais tóxicos. Veja-se a proximidade estreita das áreas residenciais urbanas na parte inferior da imagem.
empurrão das rochas da sequência Morro do Ouro no sentido WSW-ENE (HENDERSON, 2006). Esse empurrão gerou uma zona de falha que é, portanto, uma zona de intenso fraturamento, o que intensifica a migração dos fluidos e amplia os riscos de contaminação das águas subterrâneas. Além disso, é preciso considerar que os tremores de terra provocados pelas detonações na mina poderão produzir fraturas e influenciar negativamente o equilíbrio hidrogeológico. Esta é uma ocorrência altamente provável, principalmente à medida que a mina se aprofunda, encontrando rochas mais duras.
Os desequilíbrios hidrogeológicos que serão causados (e que foram simplesmente mencionados no relatório SUPRAMNOR (2009), sem qualquer comentário ou discussão) poderão influir no modelo de contaminação. A hidrogeologia, em qualquer situação, é um sistema em equilíbrio (infiltração, sentido e velocidade de migração de fluidos, franja capilar, evaporação, saturação das rochas, nível do freático, permeabilidade e porosidade das rochas, fraturamento das rochas). Quando se interfere no sistema, este busca o reequilíbrio, alterando todos os fatores intervenientes. Isto leva, infalivelmente, à alteração do equilíbrio geoquímico (ou hidroquímico).
Os metais tóxicos dissolvidos nos rejeitos podem alcançar o aquífero profundo, e migrar para bacias vizinhas. O bombeamento da água dos poços tubulares em torno da mina pode gerar um fluxo subterrâneo de água contaminada a partir dos reservatórios de rejeitos da mineração. Sempre que se abre um poço, este se torna um ponto de alívio de pressão para onde migra a água que satura as rochas e a que percola as fendas subterrâneas. O grande problema é que, como tudo em geologia, a migração é lenta e isto demora a ser detectado. Os dados têm que ser colhidos em pontos de proximidade decrescente a partir da barragem e dos depósitos de rejeitos na área da mina, a intervalos regulares, para que, através de análise matemática se possa observar a marcha da migração dos contaminantes e assim prever se ela poderá tornar-se um risco. Como se sabe, isto não é feito, pelo menos não é feito por instituição independente, não comprometida com a empresa (SANTOS, NEVES e DANI, 2009).
Ainda de acordo com os autores acima citados, a cava que será aberta ao lado da cidade de Paracatu é um risco muito sério de contaminação da água subterrânea porque ela se aprofundará muito abaixo do lençol freático que supre parcialmente a demanda de água potável da cidade. Quando a jazida for exaurida, a cava se transformará em um lago de águas contaminadas pela lixiviação das rochas na área da cava, um lago rico em enxofre, ferro, arsênio, chumbo e outros metais tóxicos. Por pressão, a água da cava tenderá a reocupar os espaços vazios das rochas confinantes e fluir pelas fraturas e falhas locais.
A pré-caracterização do risco da drenagem ácida na mina foi evidentemente inapropriada. Não se trata de ignorância de um fato inerente a todas as minerações a céu aberto do mundo, mas de omissão intencional, uma vez que o contrário seria admitir que a oxidação dos sulfetos de arsênio, cobre, chumbo e de outros metais pesados contidos no minério esteja liberando elementos tóxicos para o solo e as águas subterrâneas e superficiais da região. E mais, esta omissão desobriga a mineradora das medidas para minimizar o problema, reduzindo-se assim os custos da lavra.
A drenagem ácida da Mina Morro do Ouro constitui sério problema ambiental, capaz de comprometer a qualidade dos recursos hídricos, cujas águas se tornam inadequadas para irrigação, consumo humano e animal. Ela é especialmente perigosa porque sua ocorrência se estende indefinidamente, para além do fechamento da mina.
5.4 MEDIDAS DE CONTROLE E DE PREVENÇÃO DE RISCOS AMBIENTAIS