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3 KURUMSAL TASARIM VE UYGULAMALAR

3.2 Üretim Sitemleri, Yönetimi ve Kurumsal Tasarım Uygulamaları

3.2.1 Yapı Üretimi ve Yönetim Sürec

3.2.2.2 Yapım Yönetim Sürec

Aristóteles, dando continuidade às idéias platônicas, se torna um marco, definindo o Ser como ente subordinado ao conhecimento humano. “A noção aristotélica de ente serve de base e fundamento para a arte concebida metafisicamente, isto é, para a Estética, em um ambiente de ruptura com o Ser e com a Verdade”255. Heidegger procura livrar-se das limitações da compreensão e da linguagem metafísicas tradicionais nas quais a estética havia se aprisionado. Tal pensamento baseia-se na idéia de que esses procedimentos tradicionais da apreciação da arte são limitados para se ver e dizer o que acontece na obra de arte. O nome “metafísica” vem do grego: tà metà physiká. Esta expressão foi mais tarde interpretada como caracterização da interrogação que vai meta –

253 Ibid., p. 36.

254 VATTIMO. G. O fim da modernidade: niilismo e hermenêutica na cultura pós-moderna, p. 122. 255 BEAINI, T. Heidegger: A arte como cultivo do inaparente, p. 54.

trans “além” do ente enquanto tal256. “Metafísica é o perguntar além do ente para recuperá-

lo, enquanto tal e em sua totalidade, para a compreensão”257. Dentro desta concepção, a metafísica pensa o ente somente enquanto ente. Ou seja, ao se perguntar o que é o ente, tem-se em mira o ente enquanto tal. A representação metafísica deve esta visão à luz do Ser. Assim, o Ser fica isento de sua essência desveladora, não sendo pensado em sua verdade. Para o filósofo alemão, a metafísica fala da inadvertida revelação do Ser quando responde as suas perguntas pelo ente enquanto tal. A verdade do Ser pode chamar-se, por isso, o chão no qual a metafísica se apóia e do qual retira seu alimento. “Pelo fato de a metafísica interrogar o ente, enquanto ente, permanece ela junto ao ente e não se volta para o ser enquanto ser”258. Ao representar o ente enquanto ente, a metafísica não pensa o próprio Ser.

O ser dos entes propõe-se, assim, como a causa sui. Causa sui é o nome metafísico de Deus. A este Deus, comenta Heidegger, na conferência Identidade e

diferença, não pode o ser humano nem rezar, nem sacrificar. Diante da causa sui, não pode

o ser humano nem cair de joelhos por temor, nem pode, diante deste Deus, tocar música e dançar. Levando isso em consideração, de acordo com Heidegger, o pensamento a-teu, que se sente impelido a abandonar o Deus da filosofia, o Deus como causa sui, está talvez mais próximo do Deus divino, isto é, este pensamento está mais livre para ele do que a onto-teo- lógica queria reconhecer259. Isso sugere diversas respostas ao encontro com o divino muito mais espontâneo do que a teologia sugere. Para Johan Huizinga, a prestação de honra ao divino, própria das tradições antigas por meio de jogos, festividades, cantos, rituais não é metafísica. Tais celebrações terrenas nada têm dos discursos eruditos nem da resposta intelectual do animal rationale – animal metaphysicum260. A estrutura onto-teo-lógica da metafísica procede da diferença que distingue e une ser pensado como fundamento e ente pensado como fundado-fundamentante. Todavia, o que é o Ser?

Ser é o que é mesmo [...] Não é Deus, nem um fundamento do mundo. O ser é mais longínquo que qualquer ente e está mais próximo do homem que qualquer ente [...] O sagrado, porém, que é apenas o espaço essencial para a deidade, manifesta-se somente, então, em seu brilho, quando antes e

256 Para Heidegger “Ente” é a multidão e o acotovelar-se dos homens numa rua movimentada. Entes somos

nós mesmos. Entes, os japoneses. Entes, as fugas de Bach. Ente, a catedral de Estrasburgo. Entes são os hinos de Hoelderlin. Entes, os criminosos. Entes, os loucos de um manicômio (1968, p. 104).

257 HEIDEGGER, M. Que é metafísica. In: Conferências e escritos filosóficos, p. 61. 258 Ibid., p. 78.

259 Idem. Identidade e diferença, p. 75.

após longa preparação, o próprio Ser se iluminou e foi experimentado em sua verdade261.

Assim, quando o ser humano ousar morar na vizinhança do Ser, descobrirá que em toda a parte habita Deus. Este fato mostra claramente que no pensamento heideggeriano não se pode confundir Ser com Deus; estes são diferentes. Heidegger acentua a sua crítica à metafísica afirmando que esta não permite que o Ser mesmo fale, porque não o considera em sua verdade. Isso acontece devido à essência da verdade sempre aparecer à metafísica apenas na forma derivada da verdade do conhecimento e da enunciação262. Ela suscita a aparência de que a questão do Ser sempre foi levantada e respondida por ela; na verdade, segundo o filósofo, a metafísica não responde, em nenhum lugar, à questão da verdade do Ser, porque não a suscita como questão; há uma troca do ente pelo Ser em todo o seu desenvolvimento. Heidegger assinala que a metafísica representa a entidade do ente de duas mane iras: A primeira considera a totalidade do ente enquanto tal, no sentido dos traços mais gerais (òn Kathólou, Koinón). A segunda pondera sobre a totalidade do ente enquanto tal, no sentido do ente supremo e, por isso, divino (òn

Kathólou, akrótaton, theion). Pelo fato de representar o ente, enquanto ente é a metafísica

em si a unidade destas duas concepções da verdade do ente, no sentido do geral e do supremo. De acordo com a sua essência ela é, simultaneamente, ontologia, no sentido mais restrito e teologia. “Enquanto metafísica ela está excluída pela sua própria essência da experiência do Ser, uma vez que representa o ente (ón) constantemente apenas naquilo que a partir dele se mostrou enquanto ente (he ón)”263. A teologia, para Heidegger, tornou-se metafísica quando seu encontro com Deus foi objetivado por meio da verbalização de acordo com as regras lógicas. O Ser não é uma qualidade ôntica do ente, visto que não se deixa representar e nem se produzir objetivamente à semelhança do ente. A angústia, neste caso, dá-nos uma experiência de ser como o outro em relação a todo ente. A disposição para a angústia é o sim à insistência para realizar o supremo apelo, o único que atinge a essência do homem.

Somente o homem, em meio a todos os entes, experimenta, chamado pela voz do ser, a maravilha de todas as maravilhas: que o ente é. Aquele que assim é chamado em sua essência para a verdade do ser está, por isso, continuamente envolvido, de maneira fundamental, na disposição de

261 HEIDEGGER, M. Carta sobre o humanismo, pp. 16-23. 262 Idem. Que e metafísica, p. 80.

humor. A clara coragem para a angústia essencial garante a misteriosa possibilidade da experiência do ser 264.

Com a obra de arte, então, se introduz algo de novo na existência do estar- aí, ela é um acontecimento em que se articula a quaternidade: a terra e os céus, os mortais e os deuses. O mundo, do mesmo modo, designa também a quaternidade. Isto é, a união essencial e mística do estar-aí com os deuses, o Ser e o Sagrado. É por meio desta união que o homem e as coisas atingem seu sentido, aparecem tal como são, preservando paralelamente o Ser enquanto tal265. O Deus de Heidegger, que supera a subjetividade, está assim, em referência direta com o Ser, mas, ambos não se identificam. Somente a partir da verdade do ser se deixa pensar a essência do sagrado. E somente a partir da essência do sagrado deve ser pensada a essência da divindade. E, finalmente, somente à luz da essência da divindade, pode ser pensado e dito o que deve nomear a palavra “Deus”266. O Deus a ser buscado, na concepção heideggeriana, é o Deus divino, o que ele chama também de o último Deus. Este deve ser refletido apenas a partir do desvelamento do Ser. Heidegger fala do último Deus como de um novo início, pelo qual haveria uma relação essencial entre o último Deus e a verdade do Ser em nível autêntico. Na conferência El último Dios, Heidegger assinala que há uma impossibilidade de qualquer saber acerca do último Deus. Este possui a sua singularidade e está fora de qualquer determinação calculadora que comunicam o monoteísmo, o panteísmo e o ateísmo. O “monoteísmo” e todos os tipos de “teísmo” existem a partir da “apologética” judaico-cristã, que tem a metafísica como pressuposto especulativo. Com a morte desses deuses caem todos os teísmos. A multiplicidade dos deuses não está submetida a nenhum número, senão à riqueza interna dos fundamentos e abismos nos lugares no instante do resplandecer e do ocultar do fazer sinal do último Deus267. Ele é totalmente outro frente aos que existiam, especialmente frente ao Deus do cristianismo. Heidegger percebe a necessidade de superar as diversas figuras metafísicas de Deus.

Heidegger propôs pensar, então, o “fim da metafísica” a partir da “hermenêutica da facticidade”, refletindo a partir da contingência, isto é, a partir de algo que não cessa de inscrever-se. “Por que existe o ente e não antes o nada?”. É a questão

264 Ibid., p. 69.

265 BEAINI, T. Op. cit., p. 37.

266 HEIDEGGER, M. Carta sobre o humanismo, p. 34.

267 Idem. El último dios. In: Revista de Filosofía. Cordoba. Año VI. N° 8-9, nov. 96. Tipeó e indexó Di biase,

Leibniziana à qual Heidegger vai retornar, não mais no paradigma da metafísica da subjetividade, mas a partir da analítica existencial. Importava-lhe superar, pela “hermenêutica da facticidade”, o dualismo metafísico que separa entre mundo inteligível e mundo sensível, através do modelo da relação sujeito-objeto. Com efeito, Heidegger afirma de forma incisiva que toda metafísica fala a linguagem de Platão. “A palavra fundamental de seu pensamento, isto é, a exposição do ser do ente é eídos, idéa: a aparência na qual se mostra o ente como tal. A aparência, porém, é um modo de presença. Nenhuma aparência sem luz – Platão já o reconhecera”268. Ser, para o escritor de Ser e

tempo, nunca é diretamente acessível, já que não pode ser objetivado. Ele só se dá

obliquamente numa dialética de retraimento, mas nesse processo, ilumina o ente, segundo determinada figura de sua verdade.

Em contrapartida, a questão do estético recebeu, no paradigma inaugurado por Ser e Tempo, um espaço totalmente novo. Entre outros, a superação da racionalidade ontológica, da coisa como único caminho, de acesso aos entes; a superação do dualismo entre inteligibilidade e sensibilidade; a crítica ao modelo da relação sujeito-objeto. É um dos pontos mais difíceis, como destaca Stein, para a metafísica, a questão da arte, na qual podemos observar as modificações que a obra de Heidegger introduziu. Na medida em que o princípio epocal representa, em sua vigência, a fonte de compreensão e racionalidade de qualquer manifestação no universo histórico, também a interpretação do belo, da obra de arte, recebe seu impulso desta racionalidade, para se inserir, ao lado do conceito de realidade e de verdade, numa ordem sistemática269. Não há dúvida de que todo dualismo

metafísico sofre particular constrangimento nesta esfera ôntica particular, em face do abismo que separa o inteligível do sensível. Assombro aos olhos da tradição do pensamento metafísico da arte, a obra é uma ocorrência da verdade.

Por conseguinte, a distinção entre matéria e forma, e decerto, nas mais diferentes variedades, é o esquema conceptual por excelência para toda a estética e teoria da arte. Este fato inegável não prova nem que a distinção matéria e forma esteja suficientemente fundada, nem que pertença originariamente ao âmbito da arte270. Forma, para Heidegger, quer dizer aqui a repartição e a ordenação das partes de matéria nos lugares do espaço, a qual tem como conseqüência um determinado contorno, a saber, o de

268 Idem. O fim da filosofia e a tarefa do pensamento. In: Conferências e escritos filosóficos, p 104. 269 STEIN, E. Prefácio. In: Heidegger: A arte como cultivo do inaparente, p. 17.

um bloco; uma matéria que está numa forma. Comentando o assunto, Nunes afirma que nem a noção de coisa, enquanto matéria sujeita à forma ou como suporte de propriedades, nem a noção de produto, ‘acrescido de um valor estético’, podem aplicar-se à obra de arte. Isso porque tais conceitos não se enquadram na categoria do ente-à-vista, e muito menos na do ente-à-mão271. Ela é, antes, um fulcro da abertura pensada sob o enfoque da essencialização do ser. A obra de arte, então, tem a ver com a verdade e, não apenas com a estética, o belo. Ela abre, a sua maneira, o ser do ente, ela desoculta a verdade do ente. A história da metafísica é segundo Heidegger, a história do esquecimento do Ser e a era da técnica, o desenvolvimento próprio e contemporâneo desta história. A forma, por conseguinte, no campo da estética, tem um valor muito maior do que a própria matéria. É fruto da dominação de um sujeito, em relação à arte, esta vinculada essencialmente à inspiração do artista, destinada a um fim qualquer.

A grande conquista de Heidegger é restituir o simbólico à arte. A metafísica parte do esquecimento do Ser. A superação da metafísica significa a superação desse esquecimento.