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3. YALIN ÜRETİM

3.3 Yalın Üretimin Özellikleri

A CMPR tem como foco de sua intervenção social pessoas marcadas pelo desabrigo como referência de sua condição como morador urbano. Essa pessoa não se localiza geograficamente, nem socialmente, nem juridicamente no tecido urbano porque não se fixa em local arquitetado que constitua para si abrigo ou referência, ou espaço conquistado que lhe permita a partir dalí construir sua dignidade e evoluir em sua expressão social, quer como ser humano, quer como um agente construtor da sua própria realidade e história.

Aldaíza Sposati aponta que a figura do excluído social tem sua ascensão no século XX a partir de três fatores principais, a saber:

a) O desemprego com a deteriorização da figura da fábrica. A instalação do novo modelo produtivo;

b) O fim da garantia de emprego perpétuo mediante a mudança da legislação do

Prática do pastor e da pastora 40% Atendimento às pessoas 40% Construção do reino de Deus 20% O entendimento da expressão "ação pastoral"

trabalho. A retração do Estado em dar proteção ao trabalhador;

c) A luta pelo reconhecimento do apartado. Na medida em que a luta se instala, mais apartados são identificados. Ou seja, há mais minorias sociais que se imaginam que existam.

Assim se expressa:

O conjunto dessas situações caracteriza o novo apartheid social para além do racial. A vivência do interdito no plano social – sem que tenha ocorrido uma transgressão ou ofensa à norma ou à lei – denuncia uma ação perversa que constrói muros sociais que tornam os acessos instransponíveis: - Eis a exclusão social. Ela flagra a externalidade de uma ação cerceadora – restrita da liberdade - desigual para cada um indivíduo, um cidadão, um segmento da população. Neste sentido a exclusão social é a demonstração da incivilidade de uma sociedade ou de um indivíduo133.

Numa visão pragmática, para reagir a uma das forças propulsoras da exclusão, sabidamente a primeira, que consiste no novo modelo de presença do ser humano na sociedade no desmonte das fábricas, articulou-se que o oferecimento de emprego, de trabalho aos excluídos, principalmente com carteira assinada, os tirariam desta categoria.

Essa construção pragmática teve a sua funcionalidade na medida em que se valorizava o vínculo empregatício como fator de inclusão, sem se dar conta de que, na verdade, os efeitos da exclusão embutidas nesta perspectiva se demonstrariam nas gerações seguintes, pois o mero vínculo empregatício não ofereceria condições ao cidadão, necessariamente, de permitir à sua prole melhores condições de vida, saúde, educação e lazer.

Uma vez exaurida esta dimensão da inclusão, recorreu-se à Lei de Exclusão Social da França (1985) que propôs, dentre outras medidas, o denominado RMI, ou seja, o rendimento mínimo de inserção aos excluídos pela crise econômica.

Esta nova perspectiva introduziu uma nova cultura de verificação da relação inclusão/exclusão, mediante a aferição da qualidade de vida humana, e como esta orienta os processos de desenvolvimento, assim desde 1990 se estabeleceu o IDH – Índice de Desenvolvimento Humano134.

Ainda que tenha se evoluído na questão da percepção do fenômeno da relação inclusão/exclusão a partir do pragmatismo do trabalho vinculado com os frutos consequentes da legislação que cobre os direitos do assalariado, mas não garante a inclusão social de sua prole, e que se tenha partido para aferições mais complexas de âmbito mundial, consideram o IDH. Surgem duas novas vertentes que complexibilizam a luta pelos direitos humanos e as iniciativas

de inclusão, que, segundo Aldaíza Sposati, são elas: (a) a vertente da desigualdade; (b) a vertente da civilidade.

A primeira é oriunda da lógica do capital que produz uma centena de indivíduos inadaptados ao consumo, que inclui acesso a serviços de bem-estar, que pela natureza do mercado passam a ter grifes e a estratificar a ordem social, permitindo acesso pleno a uns, relativo a outros, e nenhum à uma maioria.

A segunda sugere a ascensão do estigma da discriminação de diferentes expressões, oportunizando inclusões restritas, criação de guetos, formação de culturas de grupos específicos, às vezes sem trânsito nem qualquer inter-relação de trocas sociais.

Acrescenta-se a esta perspectiva o fato de que as lógicas do capital construirão barreiras contra qualquer traço de solidariedade humana, construindo nesta negação, a máscara da ajuda emergencial aos não inseridos a partir dos países ricos em relação aos pobres, e das políticas públicas de inclusão, que serão ferramentas do estado, para mapear, identificar, caracterizar grupos, de tal forma que a assistência a eles obedeça à políticas que, pela sua natureza de assistencialismo, mais excluem do que incluem.

Acobertados pela categoria da cidadania elaboram um modelo de inclusão/exclusão que não considera o binômio ético-político como eixo das ações dentro de um escopo de justiça social e direitos humanos, mas uma justiça social anômala que descarta a iniciativa solidária, a fundação da igualdade como substrato ético da ação e a equidade como horizonte utópico social.

Incluir é mais que integrar. O esforço da integração é uma ação menos complexa e de pouca duração. A inclusão, por outro lado, é vista sob parâmetro mais complexo porque abarca as ideias e ideais de participação política, de acesso à cultura e ao conhecimento, de usufruto do meio-ambiente de forma inteligente e preservadora, de diálogo entre gêneros, de acesso aos mecanismos de justiça, de formação de identidade e cidadania, de preservação dos direitos inalienáveis do ser, entre outros, sendo isto expressado de forma concreta no cenário urbano.

As lentes oferecidas por Aldaíza Sposati nos indicam que as causas conhecidas e desconhecidas que desembocam na formação deste “excedente humano urbano”, são produto de uma cadeia de eventos que se procurou conter a partir de determinados modelos que logo caducaram, diante da complexidade e avalanche do processo, que não se desenvolveu em um único lugar e de maneira abrupta, mas foi crescendo de forma imperceptível, e revertê-lo hoje

demanda esforços em várias direções, uma vez que as vítimas da exclusão são crias de diferentes causas, mas com um resultado perverso, a saber, o desnudar do ser humano daquilo que lhe é mais caro, a sua vida enquanto ser histórico.

Coloca-se em análise transversa sob estas lentes e a constituição da CMPR, e aponta-se que a estruturação dos sujeitos ali responsabilizados para atender à demanda em sua complexidade, não dá conta de desenvolver uma proposta de Inclusão Social, quando muito de integração à sociedade, ainda que de maneira precária.

À CMPR, neste contexto, caberia propor-se uma reestruturação dos sujeitos e programas desenvolvidos e buscar para si uma outra presença política, mais que meramente a tarefa assistencialista.

Benzer Belgeler