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4. ÇELİK YAPILARDA TEDARİK ZİNCİRİ

4.1 Çelik Yapılar Hakkında Genel Bilgiler

Vásquez135 propondo uma definição de práxis sugere que toda a práxis é atividade, mas nem toda a atividade é práxis.

A prática que pode não ser práxis é aquela em cuja ação o sujeito em relação ao objeto não empreende uma reflexão, mas os atos são meramente repetitivos e justapostos. E sua dimensão e alcance de transformação não têm reflexos abrangentes nem produz uma nova cultura ou forma de fazer.

A práxis, por assim dizer, procurará articular uma antecipação do futuro, buscando um resultado novo, de forma intencional, que dessa forma desarticula a prática repetitiva, por que partirá sempre da tomada de consciência dos sujeitos nela envolvidos. Por esta razão, não há práxis sem conhecimento e tomada de consciência, e sem eles não há movimentos nem a retomada de novas forças e formas.

Vázquez sugere que existem tipos diferentes de práxis, a saber: a) Práxis produtiva

b) Práxis artística c) Práxis experimental d) Práxis política

Na primeira, aponta-se o ser humano como sujeito em que ele valendo-se de sua habilidade e da matéria prima disponível no mundo, faz com que elementos sejam adequados a

sua existência e úteis ao bem estar de sua própria vida. Neste sentido, é o homem participando de sua existência no mundo e do mundo extraindo aquilo que lhe faz bem. É a criação de um mundo humanizado pelo próprio homem. Para isto, ele cria instrumentos, desenvolve sistemas e usufrui o que está posto para construir dentro do mundo o seu mundo, conforme a sua imaginação e percepções da vida. Ele trabalha para ele e para os outros e se firma como ser nos limites da sua corporeidade, sempre indo ao encontro da vida: “Graças aos instrumentos, a relação entre o ser humano e a natureza deixa de ser direta e imediata. O aparecimento de instrumentos mais aperfeiçoados modifica a relação do homem com a natureza, e neste sentido é um indicador revelador do desenvolvimento de sua força de trabalho e de seu domínio sobre a natureza.” (VÁZQUEZ, 2007, p. 227).

Na segunda, a práxis artística, o sujeito desenvolve as obras de tal forma que ele possa por este intermédio comunicar-se e ser entendido. É quando o sujeito estabelece linhas de diálogo com o seu semelhante, participando de um mundo de contribuições múltiplas, facilitando e humanizando os espaços naquilo que é essencial ao homem. A matéria é, neste caso, a massa a ser moldada pelo homem para tornar-se aquilo que ele quer e que idealizou. “Como toda a verdadeira práxis humana, a arte se situa na esfera da ação, da transformação de uma matéria que deve ceder sua forma para adotar outra nova: A exigida pela necessidade humana que o objeto criado ou produzido deve satisfazer.” (VÁZQUEZ, 2007. 229).

A terceira é aquela voltada para a expansão do conhecimento em que os sujeitos se ocupam em testar suas hipóteses na análise de fenômenos e na produção também de fenômenos em espaços, tais como laboratórios. O que se destaca nesta altura é o fato de que a práxis está sempre aberta ao novo e a produzir conhecimento no campo não só prático, mas também experimental: “Nesse tipo de práxis o fim imediato é o teórico. Leva-se a cabo o experimento para provar uma teoria ou determinados aspectos dela. O experimento é feito atendendo a certas exigências com o fim de facilitar seu desenvolvimento.” (VÁZQUEZ, 2007, p. 230).

A quarta é a práxis política em que os sujeitos se aplicam a mudar as relações econômicas, políticas e sociais. Neste patamar o indivíduo não é o foco da práxis tão somente, mas sim os grupos ou as classes sociais da sociedade como um todo. Em se tratando de existirem classes operando de forma antagônica, significa que a práxis terá diante de si a luta de classe com o objetivo de tomar o poder e propôr uma nova reestruturação social que atenda a fins correspondentes deste grupo social: “A práxis política pressupõe a participação de amplos

setores da sociedade. Persegue determinados fins que correspondem aos interesses radicais das classes sociais, em situações concretas inscritas na realidade.” (VÁZQUEZ, 2007, p. 231)

Leandro Konder indica que a práxis não se limita à mera ação prática, muito embora na língua alemã práxis e prática tenham significados semelhantes. E acrescenta que a práxis exige do sujeito uma interpretação, todavia, não se limita a ela. Por esta razão, segundo o autor, o trabalho em si é uma atividade que pode se superar. A práxis é trabalho e nasce dele, mas vai além dele afirmando novas possibilidades e afirma:

O que realmente importa para nós, no desenvolvimento de nosso tema, é assinalar o fato de que a práxis, na concepção de Marx, não se limitou a unir a teoria e a poésis, pois envolvia necessariamente a atividade política do cidadão, sua participação nos debates, e nas deliberações da comunidade, suas atitudes com relação a outros cidadãos, a ação moral, intersubjetiva. Envolvia, em suma, aquilo que os gregos chamavam de práxis136.

Groome nos oferece como educador um viés de percepção da práxis denominada compartilhada, na qual ele se aplicou em experiências em classe com alunos de diferentes níveis de formação. Neste trabalho o autor sugere ao aluno num tempo relativamente curto, que o mesmo separe uma experiência do cotidiano, reflita sobre ela, leia-a sob a ótica de seus valores cristãos, assimile-a e depois tome uma decisão em torno de sua reflexão.

O autor para isto sugere dois aspectos fundamentais no exercício da práxis compartilhada no âmbito educacional, a saber: O que ele denomina de meio emocional; segundo, meio físico.

Destes dois eixos ele retira as seguintes aplicações: Para que a práxis compartilhada caminhe no seu curso sadio, faz-se necessários que os membros do grupo desenvolvam alta qualidade de confiança entre si. Segundo, que o ambiente deve ser classificado como um espaço confortável em todos os aspectos, inclusive no número de pessoas que ele sugere, no máximo de 12 componentes em cada grupo.

Os indicadores de Groome137 são substanciais em processos de transformação em que grupos de pessoas forjam seu próprio caminho, a partir de reflexões acerca do cotidiano, e se desenvolvem a partir destas ações concretas de mudanças sejam políticas, educacionais, econômicas e sociais. (GROOME, 1985, p. 334-335).

Vaz138 situa a práxis no centro da ocupação do que ele chama a civilização da Razão, que encontra obstáculos intransponíveis na indeterminação humana enquanto vigora a sua experiência de agir livremente. Sendo assim o ser humano, como formular uma Razão da

práxis, sendo que a própria práxis pode esbarrar nos seus caminhos racionais indefinidos? Esta Razão indeterminada é um grande obstáculo à práxis na medida em que o ser humano livre pode criar diferentes e múltiplos caminhos (pedagógicos, científicos, técnicos, políticos) e estabelecer a partir da práxis um projeto de mundo que nunca venha a se concretizar, ainda que marcado pelo exercício da Razão. Ainda que este conflito entre o ethos vivido e o ethos pensado seja uma realidade recorrente da civilização da Razão, este é o desígnio histórico do homem na perspectiva da práxis frente a contingência do seu mundo. (VAZ, 2004, p. 83).

Elisabeth Schüssler Fiorenza139 em seu texto apresentado no livro “Paulo e o Império – Religião e Poder na Sociedade Imperial Romana” aborda a práxis nas relações humanas a partir do texto de Gálatas, passando por Tessalonicenses e Efésios, denominando-a de práxis do discipulado coigual como uma chave de leitura proposta por Paulo no período do Império Romano, mas que tem seu alcance na cultura das relações humanas contemporâneas como forma de romper com todas as construções de exclusão, sejam estas inspiradas em quaisquer pressupostos sociais, políticos, religiosos, de gênero, e outros, como afirma: “A práxis do discipulado co-igual140 entre escravos, e senhores, homens e mulheres, judeus e gregos, romanos e bárbaros, ricos e pobres, jovens e velhos levou a comunidade cristã a entrar na tensão com seu ambiente sociopolítico. Essa tensão, engendrada pela visão cristã alternativa de Gálatas 3.28, e não por excessos entusiásticos, tornou-se o motivo para introdução de uma nova ordem patriarcal Greco-romana na Igreja doméstica”. (FIORENZA, 2004, p.237).

Tal compreensão e abrangência da fronteira aberta pela análise textual de Fiorenza aponta caminhos para uma práxis alternativa a ser agregada na experiência da Comunidade Metodista do Povo de Rua – CMPR.

Balbinot141 resgata em dois educadores brasileiros o conceito de práxis na dimensão pedagógica. Faz sua crítica à relação educador-educando como não sendo mais uma interação vertical e unilateral, mas afirma que é um caminho de duas vias em que se estabelece necessariamente a relação de reciprocidade. Estabelecida tal relação, entra-se no círculo da possibilidade de uma práxis dialógica que será eminentemente formativa na medida em que acontecendo esta relação de forma plena há consistência para construção do conhecimento.. Ele delimita desta forma: “O diálogo como práxis somente é quando está sendo com o estar sendo do ser humano e do mundo. Ele assume um caráter dialético, onde não pode ser sem estar sendo. É impossível, a partir desta ótica, buscar pela ação educativa o ser mais sem agir no

mundo, sem relacionar o se diz com a situação concreta existencial do que está sendo dito, com o sujeito que pronuncia e com o sujeito que reconhece a pronuncia” (BALBINOT, 2006, p. 149).

Nesta perspectiva da práxis pedagógica dialógica apontada por Balbinot há que se reconhecer elemento de contribuição como ferramenta na construção de relações humanas transformadoras, sendo possível sua aplicação na Comunidade Metodista do Povo de Rua – CMPR, considerando-se que a bagagem existencial e a realidade, a concretude da experiência humana que ali se congela nos beneficiários/as da CMPR constitui-se num solo fértil e sólido, capaz de, pelo diálogo pedagógico e pela troca, se construir uma nova possibilidade, na medida em que os que ali acessam, tem diante de si, paradoxalmente, todas e nenhuma possibilidade plausível à vista, desta forma apresentou-se um panorama da práxis considerando os pensamentos de Leandro Konder, Thomas Groome, Henrique Vaz de Lima, Elizabeth Fiorenza, Rodinei Balbinot. Há uma harmonia na concepção dos autores uma vez que todos convergem para a conceituação de que a práxis é um processo de transformação à partir de sucessivas reflexões.

A percepção da Comunidade Metodista do Povo de Rua - CMPR, a partir das então categorias inscritas por Vázquez - já citado anteriormente -, no que dizem respeito ao homem tornar-se sujeito na sua realidade concreta e modificá-la a partir do trabalho; a promoção de obras de arte desenvolvidas como resultado da sua mente criativa diante das realidades concretas; e, a busca do conhecimento para análise de fenômenos e elaboração de novas teorias, somada a perspectiva de que os homens como grupo podem promover reestruturação social, aponta-se de fato um caminho novo, quem sabe, à população em situação de rua.

Os gráficos nos apontam sujeitos com dedicação exclusiva, constituídos de boa formação acadêmica, mas que servem à população de rua partindo de pressupostos construídos em lógicas eclesiásticas ou acadêmicas no campo das ciências sociais e da teologia, com forte vigor da prática religiosa protestante, mas que nos olhares para estes sujeitos urbanos, os encontram já em nichos pré-estabelecidos e constroem esquemas de proteção e atendimento a ales norteados por suas competências, formação, ideologias, capacidade financeiras, mas de fato, têm uma leitura da realidade prejudicada, pois o grupo ou classe não é incentivada a ela mesma se operacionalizar na busca de uma nova ordem social em que eles se inserirão, na perspectiva de categoria de Aldaíza Sposati.

Por outro lado, cabe observar-se que a CMPR tem a possibilidade de desfazer o equívoco de que as pessoas em situação de rua querem deixar a sua condição. O olhar, a vida e a ordem social da perspectiva das pessoas em situação de rua poderá constituir-se num empreendimento de gestão de ideias e ações transformadoras a partir desses agentes, na elaboração de uma nova práxis social, não totalitária, não ideológica, nem subordinada às políticas do estado, mas nova, com novos instrumentais e novos horizontes onde estas pessoas sejam agentes de sua própria história, não como indivíduo, mas como classe urbana moderna.

Benzer Belgeler