3.2. TÜRKİYE GÖÇ POLİTİKALARININ AB GÖÇ POLİTİKALARINA
3.2.3. Avrupa Birliği İlerleme Raporlarında Göç
3.2.4.1. Yabancıların Türkiye'ye Girişleri, Kalışları ve Sınır Dışı
Butt e Lahiri (2013) mostram uma estreita relação entre os verbos leves e os verbos plenos. Por meio de análise de dados de línguas, defendem que, nas línguas em que a ocorrência do verbo leve é possível, esse é uma forma idêntica ao verbo principal. As autoras analisam, principalmente, os predicados complexos formados por V- V, em que o primeiro verbo é o verbo pleno e não carrega qualquer flexão e o segundo, o verbo leve, carrega as marcações de tempo/aspecto e está flexionado de acordo com os padrões que governam a flexão de verbo simples. Observando dados de língua
pretérita, como do velho Hindi, Butt e Lahiri notaram que essas formas são muito próximas das formas modernas da língua. Assim, as autoras propõem um modelo em que os verbos leves estão conectados com sua versão plena em uma mesma entrada lexical subjacente e os auxiliares estariam conectados com os verbos principais, como se mostra a seguir12:
Verbo principal (Auxiliar via reanálise)
Entrada subjacente
Verbo leve
Figura 1- Relação entre os verbos plenos, leves e auxiliares.
Partindo de Dowty (1991), que introduziu a noção de acarretamentos lexicais, as autoras defendem que essa entrada lexical subjacente comum para os dois tipos de verbos consiste de um conjunto de acarretamentos lexicais. Nesse sentido, o conteúdo semântico dos verbos é feito por um conjunto de acarretamentos que detalha se se trata de um evento volitivo, se há uma meta ou uma mudança de estado, etc. Essa entrada subjacente, além disso, estaria relacionada com o nosso conhecimento de mundo, que nos faz saber que alguns eventos não são volitivos ou que possuem sentido descendente (informação que, normalmente, é providenciada por um verbo leve nessa língua). Essas informações devem influenciar a estrutura argumental em relação aos tipos de argumentos realizados na sintaxe. Entretanto, a informação sobre os subeventos da predicação verbal ou a estrutura argumental sintática não está codificada nessa representação subjacente comum. Essa informação ocorre apenas quando a escolha da predicação foi feita, isto é, se o conjunto de acarretamentos lexicais fluirá para a escolha de um verbo pleno ou de um verbo leve. Dessa forma,
12
Quando o verbo entra na sintaxe como um verbo pleno, predica como um evento cheio, com uma gama completa de argumentos participantes. Quando o verbo entra na sintaxe como um verbo leve, isto é, com uma fenda para a distribuição espacial dos verbos leves na língua, então, seu conteúdo semântico lexical deve combinar com um evento de predicação cheio. Portanto, dependendo do papel sintático do verbo, a informação contida nele é empregada de forma diferente (BUTT e LAHIRI, 2013, p. 24)13.
As autoras declaram que nem todos os verbos permitem seu uso como leve, mas destacam que alguns verbos leves são comuns em muitas línguas, como come, take,
give, hit, throw, rise, fall e do/make. Por essa razão, pode-se pensar nesse conjunto de
verbos como passepartouts, o que significa que “suas especificações semânticas lexicais são tão gerais que eles podem ser usados em múltiplos contextos, isto é, eles se
‘encaixam’ em muitas constelações”14
. Além disso, segundo as autoras, são esses verbos que conseguem entrar em predicações complexas e, normalmente, funcionam como auxiliares ou modais. Observe-se que as autoras não acreditam que a forma leve é derivada da forma significativa, mas que existe uma entrada subjacente que permite ambos os usos.
Brugman (2001) também defende uma forte relação entre os verbos plenos
(denominados pela autora de “heavy verbs”) e suas contrapartes leves. A autora cita o
exemplo do verbo give em língua inglesa e o contrapõe ao verbo suru do japonês. Partindo do trabalho de Grimshaw e Mester’s (1988), Brugman destaca que, no japonês, o verbo leve suru é considerado incapaz de atribuir papel temático a seus argumentos. Entretanto, de acordo com a autora, o mesmo não parece ocorrer em inglês, visto que o verbo give, mesmo na sua acepção leve, não é nulo. A autora apresenta estes exemplos15:
(38) Lin missed the show. (39) Lin gave the show a miss.
13 “When the verb enters the syntax as a main verb, it predicates as a full event with a full range of
argument participants. When the verb enters the syntax as a light verb, i.e., is slotted into the distributional space for light verbs in a language, then its lexical semantic content must combine with a full event predication. Thus, depending on the syntactic role of the verb, the information contained in it is
deployed differently” (BUTT e LAHIRI, 2013, p. 24).
14“(...) their lexical semantic specifications are so general that they can be used in multitude of contexts,
that is, they ‘fit’ many constellations” (BUT, LAHIRI, 2013, p. 24).
15
Conforme Brugman, em (38), Lin perdeu o show acidentalmente, mas (39) implica que a ação ocorreu deliberadamente. Assim, a autora destaca que “certas
propriedades de agentividade do sujeito são impostas por GIVE” (BRUGMAN, 2001, p.
563). Brugman trabalha com o construto teórico do esquema de força dinâmica desenvolvido por Talmy (1985, 1988), que o define como
(...) construções cognitivas de interações de entidades com respeito à força – a aplicação da força, a resistência à força, a superação da resistência, a força de bloqueio e a remoção daquele bloqueio, etc – e constituem a base da organização dos princípios do significado lexical (ou léxico-gramatical) e
diferenciação lexical (...)” (BRUGMAN, 2001, p. 558)16
.
Brugman ressalta que a noção de força dinâmica de Talmy se relaciona com o conceito de Langacker de fonte de energia e redução de energia ou, mais especificamente, de fluxo de energia, que estão também relacionados com os macro- roles de Actor e Undergoer e com os proto-roles de Dowty (1991). Nessa direção, Brugamn defende que certos aspectos dos sentidos comuns (ou plenos) dos verbos servem como base para seu uso estendido como verbo leve, apelando para a força dinâmica como um organizador dessas extensões. Em outras palavras, os usos leves dos verbos importam parte do esquema de força dinâmica dos usos plenos ou básicos, normalmente quando existe, no uso básico, um domínio físico para um domínio mais abstrato que pode incluir fatores psicológicos. Por exemplo, um dos usos plenos de take pode ser exemplificado na frase Sandy took the book (from Ashley/off the table). Nesse caso, a força dêitica central vem do sujeito e volta para ele. De acordo com a autora, em
CVL’s como take a walk/shower/sniff, o esquema de força dinâmica de take pleno, que
envolve a ação e a intenção do sujeito, é importado para essas construções.
É interessante notar que tanto Brugman como Butt e Lahiri (2013) defendem uma relação entre o verbo pleno e o verbo leve. Nesta tese, também pretendemos fazer
essa relação, no entanto, mostraremos que as CVP’s motivaram as CVL’s e essas
construções estão relacionadas por links de herança. Como se verá, na seção 2.1, há
16“(...) cognitive constructions of entities’s interactions with respect to force – the exertion of force, the
resistance to froce, the overcoming of resistance, the blocking of force and removal of that blockage, and so on – and constitute basic organizing principles of lexical (or lexico-gramatical) meaning and lexical
mais vantagens em se trabalhar com o conceito de construção do que com o conceito de item lexical.