C. İdareye İlişkin Bilgiler
C.4. İnsan Kaynakları
C.4.2. Yabancı Uyruklu Akademik Personel
Na proposta de Givón (2001), existe a tese de que a maioria das línguas codifica, gramaticalmente, pelo menos quatro protótipos principais de atos de fala, os quais diferem um dos outros de acordo com objetivos comunicativos dos falantes:
a) Declarativa: Objetivo = dar informação; B) Imperativo: Objetivo = provocar uma ação; c) interrogativo: Objetivo = elicitar informação; ou
d) pergunta-Q: confirmar a identidade de um termo faltante; ou e) pergunta polar: confirmar a verdade de uma proposição (GIVÓN, 2001, p. 318)38.
O autor chama a atenção para o fato de que esses atos de fala não podem ser tomados como entidades discretas, tal como o fazem os estudos tradicionais, principalmente, os de Austin (1962) e os de Searle (1970). Em vez disso, tais atos devem ser tratados a partir de um continuum, pois, a depender da marcação do contexto, eles se inter-relacionam. Na concepção de Givón (2001), a definição de ato de fala indireto como um ato codificado com um significado e mascarado com outro, a depender do contexto, ou seja, a codificação de um ato de infelicidade que executa uma função sob a codificação de outra estrutura, e não sob a que seria adequada, não dá conta de explicar o caráter contínuo desses atos, pois o que se chama de ato de fala indireto ocorre de forma sistemática na maioria das línguas. Nesse caso, as construções indiretas usadas, nesses atos, realizam funções de atos de fala intermediários em muitas línguas por meio do continuum:
Imperativo prototípico
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a. Passe o sal.
b. Por favor, passe o sal. c. Passe o sal, você poderia? d. Você passaria, por favor, o sal? e. Você poderia passar o sal? f. Você pode passar o sal? g. Você vê o sal?
h. Existe algum sal aí?
38 a) Declarative: Goal = imparting information
b) Imperative: Goal = eliciting action
c) Interrogative: Goal = eliciting information; either
d) Wh-question: to confirm the identity of a missing item; or
i. Havia algum sal lá?
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Interrogativa prototípica39 (GIVÓN, 2001, p. 319).
As extremidades dessa escala são ocupadas pelos atos de fala prototípicos,
imperativo e pergunta, representados, na escala, pelas letras (a) e (i). Os pontos
médios (d; e) apresentam características sintático-funcionais intermediárias. O ponto b está mais próximo do protótipo imperativo; os de (f) a (h), mais próximos do interrogativo. Nesses termos, o autor afirma que os pontos intermediários de (b) a (h) devem ser entendidos como um continuum, de extensões metafóricas, que se estabelece entre os protótipos imperativo e interrogativo. Givón (2001) chama a atenção para o fato de que se devem considerar questões epistêmicas e deônticas que subjazem aos atos de fala manipulativo e interrogativo:
Epistêmico
a. O alto-falante assume que os vários pressupostos associados ao enunciado são suficientemente aceitáveis para o ouvinte e que não haverá contestação;
b. O falante tem relativamente pouca certeza em relação, ou pode ser totalmente ignorante, à parte consultada do enunciado;
c. O falante supõe que o ouvinte sabe a informação requerida; Deôntico
d. A intenção comunicativa do falante é solicitar e receber informações de ouvinte;
e. O falante assume que o ouvinte está disposto a participar com a informação. (GIVÓN, 2001, p. 292)40.
Essas regras de convenções, epistêmicas e deônticas41, relacionam-se com a
porção do contrato comunicativo, nos termos de Givón, e são pautadas nas relações de ideais tidas como pressupostas, ou garantidas.
39prototypical imperative > a) Pass the salt, b) Please pass the salt, c) Pass the salt, would you please?, d).
Would you please pass the salt?, e) Could you please pass the salt?, f) Can you pass the salt?, g) Do you see the salt?, h) Is there any salt around?, i) Was there any salt there? > prototypical interrogative [Tradução nossa].
40 Epistemic: a. The speaker assumes that the various presuppositions associated with the utterance are
sufficiently acceptable to the hearer and will prompt no challenge; b. The speaker has relatively low cer- tainty in, or may be altogether ignorant of, the queried portion of the utterance;
c. The speaker assumes that the hearer knows the queried information; Deontic: d. The speaker’s commu- nicative intent is to request and receive information from the hearer; e. The speaker assumes that the hearer is willing to part with the information [Tradução nossa].
41 Convenções epistêmicas têm a ver com; i) algum estado presente do mundo é pressuposto existir; ii)
Givón estabelece os dois principais tipos prototípicos de interrogativa: as de sim ou não, também denominadas de polares, e as interrogativas Q. As primeiras codificam pressuposição implícita, no sentido de que: i) se for uma pergunta positiva, envolve uma tendência epistêmica para a resposta negativa; e b) se for uma pergunta negativa, envolve uma tendência para resposta positiva. É importante frisar que a pergunta polar também pode ser respondida com a repetição do verbo, como afirma Sorjone (2001). Em (42), temos um exemplo de pergunta polar, observe-se:
(43) Ent: quais os pontos negativos e positivos nesse curso que você escolheu?
Tia: olha até agora eu num vi ponto negativo nenhum... são vários pontos positivos... são vários pontos a favor da contabilidade (hes) primeiramente porque ele tem um leque de opções de emprego cê pode trabalhar na área pública... cê pode trabalhar na área privada eu particularmente acredito que eu vou desenvolver meu trabalho sempre na área pública porque já estou nela... trabalho em prefeitura já há mais de seis anos que eu trabalho nessa área e me identifico muito... (hes) esse curso também ele pode pode fazer com que você abra um um escritório você pode abrir um escritório um escritório e trabalhar autônomo ser autônomo (hes) você poder ser auditor... pode trabalhar na marinha... na aeronáutica... quer dizer eu eu quando entrei lá na faculdade ela me passou um folheto lá dizendo... os pontos nega- positivos e só existia os positivos mesmo... o leque de oportunidades e a cada ano lá na na na universidade eles fazem uma semana de contabilidade mostrando a você os novos campis de emprego onde é que você pode explorar... o que você aprendeu... na na vida acadêmica
Ent: você acha que a universidade pode melhorar?
Tia: sim (ENTREVISTA SOCIOLINGUÍSTICA, ITABAIANA, M, 35, 2, S, Tia).
A pergunta, em (43), foi respondida com um sim, assinalando um grau de concordância com o que foi codificado na pergunta. Já a interrogativa Q, também denominada de interrogativa de constituinte, ocorre quando o falante pressupõe que o ouvinte compartilha do mesmo evento de fala em que ambos estão envolvidos, já que falta, para o falante, um elemento desse evento. Nesse caso, o elemento faltante é o foco da pergunta; a porção restante, informação pressuposta. O foco pode ser codificado na posição de sujeito, de verbo, predicativo, objeto direto, objeto indireto, tempo, modo ou razão:
(44) Ent: o Tiago se você recebesse uma proposta de trabalho em outro estado dentro da sua área você aceitaria?
Tia: sim... eu iria fazer (hes) ia ia ver se valia a pena a questão também de salário né? que a gente ama a profissão mas tem de ver também primeiramente se lá vai dar condições da gente sobreviver já que hoje eu tenho família... teria de mudar pra lá mas é uma profissão que adoro demais da conta com certeza ia analisar a proposta com muito carinho manipulador (ouvinte) é livre para seguir a direção proposta; e o manipulador (falante) tem autoridade legítima para sobre o manipulador (GIVÓN, 2001).
Ent: qual é a exi- exigência que o mercado de trabalho faz ao contador? (ENTRE- VISTA SOCIOLINGUÍSTICA, ITABAIANA, M,35, 2, S, Tia).
No exemplo (44), o evento do qual se fala, que envolve agentes, pacientes e perfectividade verbal, é tido pelo falante como sendo de conhecimento do ouvinte. Contudo, falta um elemento desse evento que: i) foi codificado em forma de pergunta; ii) está relacionado ao modo de exigência do mercado de trabalho; e iii) constitui o foco da pergunta.
Logo, o entendimento de Givón (2001) em relação às perguntas é o de que estas são codificadas, gramaticalmente, por meio de pressupostos implícitos comuns ao falante e ao ouvinte, o que autor denomina de inferência pragmática, que ocorre na mente dos falantes.