I. 2. 7. Metin Çalışması
1.9. Yabancı Dil Öğreniminde Öğrencinin Tutumu ve Bu Tutumun Dil
Neste capítulo, discutimos a partir de uma revisão bibliográfica alguns postulados que permitem discutir as interfaces como uma prática discursiva.
Inicialmente, discorremos sobre as noções de discurso e enunciado, entendidas como unidades mais elementares das práticas discursivas. No bojo dessa revisão bibliográfica, buscamos compreender se é possível tratar de práticas discursivas efetivadas a partir da agência não-humana.
Evidentemente, o entendimento de enunciado admite múltiplos olhares e nos parece importante, numa revisão conceitual minimamente cuidadosa, dar conta das contribuições mais capitais. Nesse sentido, nos ocupamos de examinar, em primeiro plano, as ideias de Mikhail Bakhtin (Voloshinov) e Michel Foucault. Como demonstram Araújo; Lima-Neto (2015), ao esboçarem uma diacronia da noção de enunciado nas ciências da linguagem, é possível identificar, em primeiro lugar, uma bipartição entre enunciado e enunciação, importante para a discussão aqui empreendida. Esses conceitos caminham pari passu e, não raro, suas fronteiras se apresentam difusas.
A começar por Bakhtin. O tradutor Paulo Bezerra, em Estética da Criação Verbal ([1979] 2006), lembra que Bakhtin, nos originais russos, não diferencia os termos “enunciado” e “enunciação”, sintetizando ambos em uma única palavra, viskázivanie. Já em Marxismo e Filosofia da Linguagem ([1929] 2009) há o desdobramento do termo nas duas palavras em português. Outros autores, como Benveniste (1989), buscam detalhar a enunciação como atividade de apropriação individual da linguagem, capaz de deixar marcas linguísticas como os dêiticos de pessoa.
Neste capítulo, enfatizamos o conceito de enunciado por considerar que a atividade de apropriação da linguagem encontra-se pressuposta nesse construto, uma vez que, tanto para Foucault quanto para Bakhtin, há sujeitos implicados e, mais do que isso, há marcas da circulação social que permite vislumbrar a linguagem em uso. Na Tabela 6, a seguir, apresentamos características dos enunciados conforme Bakhtin e Foucault, das quais nos servimos para descrever a interface do site YouTube.
Tabela 6: Concepções de enunciado e aproximações entre Foucault e Bakhtin
Enunciado em Bakhtin Enunciado em Foucault
Sujeito do enunciado: falante real, incorporado a práticas comunicativas que pressupõem a presença de outros
Sujeito do enunciado: uma ou mais pessoas capazes de assumir um papel de agência em relação a um enunciado ou vários
Limite ou peculiaridade do enunciado em relação a outras unidades:
conclusibilidade/exauribilidade e alternância entre sujeitos
Limite ou peculiaridade do enunciado em relação a outras unidades: função-sujeito, materialidade, princípio de diferenciação e existência de um domínio associado Circulação social: por meio de gêneros Circulação social: pressupõe uma
materialidade
Fonte: Bakhtin ([1979] 2006) e Foucault (2010)
Como última reflexão deste segmento do trabalho, arriscamos a afirmar que não reconhecemos um modo de enunciação digital, como pontuou Xavier (2002), mas sim um modo de enunciação interativo, socialmente circunscrito e capaz de instaurar
um movimento associativo – em outras palavras, um modo de enunciação em rede,
que não é exclusividade das redes sociotécnicas ou de outras tecnologias digitais de comunicação e informação, mas tão somente potencializado por ditas redes.
Em tempo: a expressão modal “tão somente” não contempla uma nota de menosprezo, antes assinala nossa tentativa de atribuir às ideias de potencialização e continuidade as virtudes que lhes são intrínsecas. Como sugere Lemos (2007) ao dimensionar a chamada cibercultura, a reconfiguração é uma característica inerente dos fenômenos gestados a partir/com as tecnologias digitais de informação e comunicação. Podemos afirmar a esse respeito que se trata de admitir a ambivalência e a feição problemática da inserção social das tecnologias, não apenas aquelas surgidas no bojo da digitalização, mas a qualquer tempo.
Isso significa que as tecnologias mediam disputas de matiz simbólico, cultural, político e material já existentes antes do advento de tais ferramentas. Especificamente no que toca a essa questão, a da existência de um modo de enunciação digital, subscrevemo-nos à visada mais relativista de Lemos para ponderar que continuamos a enunciar, como temos feito desde sempre. No entanto, os investimentos semióticos necessários para tal são outros, atendendo a outras demandas enunciativas (LIMA- NETO; ARAÚJO, 2015), mas nada como uma ruptura sugerida na ideia de que existiria um regime de existência próprio das enunciações formuladas em meio digital.
Com Johnson ([1997] 2001, entendemos que as interfaces – aqui incluídas as
interfaces da web semântica que são objeto de nosso interesse – desempenham o
papel de agentes delegados, de forma semelhante ou análoga ao desempenho de uma estrutura organizativa ou seletiva de outra natureza, regida por normas e diretrizes, a exemplo da burocracia estatal ou de trabalho técnicos especializados.
Nas interfaces, essa delegação se traduz em práticas discursivas diversas, de natureza eminentemente humana, como a postagem de vídeos e comentários –
tomando o site YouTube como referência – e também de feição automatizada, como
é o caso da geração de listas de vídeos recomendados ou de resultados sugeridos em resposta a uma busca, além de atividades de ordenação de discursos, como ocorre com os comentários postados em um vídeo, exibidos conforme parâmetros preestabelecidos e vigentes a cada novo acesso a uma dada página.
No próximo capítulo, discutiremos como a interface enseja a ação dos diversos atores humanos e não-humanos nela presentificados. Para tanto, recorreremos a uma apropriação da noção de interface, além de apresentarmos os conceitos de rede, actante e agência conforme consignadas na Teoria Ator-Rede, buscando aproximá- los das condições de produção de discursos na chamada web semântica.
4 INTERFACE NA WEB SEMÂNTICA
Este capítulo promove uma discussão sobre o conceito de interface na web semântica, do ponto de vista de sua existência como uma entidade técnica, mas também da perspectiva de sua constituição como uma forma de intervenção social. O debate avança no sentido de caracterizar a interface como uma confluência de actantes, ela própria se constituindo num desses atores quando desempenha as funções de agente delegado, conforme sustentamos em nosso capítulo anterior. Aqui, sobressaem as contribuições da Teoria Ator-Rede (TAR), que advoga a favor de uma concepção de social surgida das associações entre actantes.