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Yunusemre Lisesi (Düz Lise)

I. 2. 7. Metin Çalışması

3. BULGULAR VE YORUM

3.1. Bir Yabancı Dil Öğretmeninde Gözlenen Olumlu Özellikler

3.1.1.2. Yunusemre Lisesi (Düz Lise)

Como já exposto, o escopo desta pesquisa é o site YouTube, maior repositório audiovisual da web, com cerca de um bilhão de usuários. Imaginemos que cada usuário do site tenha realizado uma postagem de vídeo ou deixado um único comentário em alguma página. Teríamos ao menos um bilhão de enunciados produzidos apenas nesse endereço web. Trata-se de um universo descomunal de dados, para os quais o pesquisador pode olhar e se questionar: como adentrar nesse

universo e de que forma proceder à construção dos dados necessários para a consecução dos objetivos da pesquisa?

Como construto metodológico para a presente pesquisa, propomos um percurso de obtenção de dados por meio de rastros, inicialmente do próprio pesquisador, e por tabela de outros usuários que se apresentam nesse percurso mediante associações visíveis. A noção de rastros se apresenta como adequada aos nossos propósitos por algumas razões:

 Permite operacionalizar preceitos das orientações teórico-metodológicas convocadas para este trabalho, tais como a ênfase dada pela Teoria Ator-Rede (TAR) nos actantes e suas associações como forma de superar a dicotomia entre posições de análise micro e macro - no caso de nossa pesquisa, a envergadura representada pela dimensão macro é um ponto a se considerar, uma vez que demandaria um enorme esforço de coleta, sistematização e generalização dos dados.

 A escolha dos rastros como estratégia metodológica também faz valer a ideia defendida pelas abordagens etnometodológicas de que as atividades cotidianas dos sujeitos devem ser levadas em conta num quadro de análise que pretenda dar conta de fenômenos sociais em atividades incorporadas e mediadas pela linguagem.

 Atribui relevo à condição de monitoramento, coleta e utilização dos dados dos usuários por meio de inteligência artificial, característica fundamental da chamada web semântica. Assim como os sites de redes sociais mais populares da web, a exemplo do Facebook, o YouTube permite a um usuário a construção de um perfil que pode ser acessado e que contém conteúdo personalizado, como a fotografia de perfil e a foto de capa (cover image) além de informar sobre certas atividades de customização, como as combinatórias de vídeos favoritados ou assistidos por esse usuário. Desse modo, pode-se percorrer o YouTube de dois modos: o primeiro, como usuário não-identificado, a quem são facultadas atividades como visualização de vídeos; o segundo, como usuário cadastrado que realizou login na página, a quem é facultado o aproveitamento de todas os itens presentes na página, como a postagem de comentários, o registro de like ou dislike, além da assinatura de canais, entre outras.

Além disso, o acesso condicionado por login prévio redefine elementos relevantes da interface, como a coluna de vídeos relacionados presente nas páginas internas de vídeos - essa coluna pode passar a exibir sugestões de vídeos relacionados a conteúdos já visualizados pelo usuário16. Aqui, a interface se realiza em suas possibilidades de coleta e metrificação de dados do usuário, de individualização da experiência de acesso a conteúdos, assim como é capaz de consubstanciar a circulação de um certo tipo de capital imaterial. Por essa razão, optamos por realizar a observação e registro de lexias a partir do acesso à pagina com login. Foram utilizados, para tanto, os dados de usuário do próprio autor da pesquisa, cujo cadastro preexistia à realização da pesquisa.

Em nossa pesquisa, levamos a cabo o pressuposto, defendido pela entometodologia, de que “(...) a análise deve ser feita do ponto de vista dos participantes, a partir de suas perspectivas” (COULON, 1995, p. 37). Consideramos, para todos os efeitos, o autor da pesquisa como um desses participantes - e mais do que isso, como sujeito a partir do qual a interface se descortina, posto que, de certo modo, é constituída a partir da atividade desse sujeito.

Essa decisão metodológica busca dar a conhecer um dos substratos fundamentais dessa pesquisa: os rastros deixados pelos atores implicados na observação da interface. A partir dessas diretrizes, realizou-se uma observação in loco da interface do YouTube, de forma não-contínua, em vídeos assistidos ou favoritados pelo autor da pesquisa no mês de outubro de 2015. A escolha foi por um período ordinário de atividade do usuário, de modo a ratificar o pressuposto da TAR de que o social surge como resultado de associações - e essas, acrescentamos, estão presentes nas interações cotidianas, como advoga a etnometodologia.

Essa observação da interface, bem como a posterior coleta de dados realizada, toma de empréstimo princípios da pesquisa netnográfica, uma abordagem que busca interpretar tais dados como expressões de comportamentos culturais (KOZINETS, 1997). Coaduna-se, dessa forma, com a relevância atribuída às ações cotidianas pela etnometodologia. Nessa perspectiva, as analises netnograficas “podem variar ao longo de um espectro que vai desde ser intensamente participativa ate ser completamente não-obtrusiva e observacional” (KOZINETS, 2007, p. 15).

16 Isso depende da manutenção do histórico de páginas visualizadas, dentro das configurações do

No sentido defendido por essa abordagem de pesquisa, a observação é um momento no qual o pesquisador busca compreender e se familiarizar com as normas e comportamentos de um dado grupo. Alguns autores, como Wallstrom (2004a, 2004b), preferem falar em "experimentador-participante" em vez de "observador- participante", motivados pela natureza do papel assumido pelo pesquisador na incursão em campo - esse papel seria menos o de um voyeur e mais o de um contribuinte que se envolve com as questões discutidas pelo grupo. Por entendermos que nosso propósito não é o de interferir tão diretamente nas ações pelos usuários humanos do YouTube, optamos por adotar a terminologia observação para designar esse momento de reconhecimento e familiarização do locus da pesquisa.

Contudo, adentrar esse campo como usuário registrado significa fornecer dados para os atores não-humanos capazes de coletá-los e atribuir algum significado a eles. Assim, admitimos que a etapa de observação não é, como se poderia supor, um processo isento. Ela também deixa rastros, a exemplo do que ocorre quando se visita uma mesma página pela segunda ou terceira vez, atividade registrada no histórico do usuário. Ressaltamos essa como uma condição de realização da pesquisa, que decreta a impossibilidade de entrada no campo sem perturbação de uma ordem previamente estabelecida.

Desse modo, entendemos que a revisita aos espaços previamente percorridos pelo pesquisador possui implicações para pesquisas em ambientes web marcados pelo monitoramento dos dados, quais sejam:

I) embora seja possível realizar pesquisas nesses ambientes de forma menos intrusiva, utilizando-se por exemplo de precauções metodológicas como a observação de páginas em abas anônimas de browsers ou consulta a versões cache dessas páginas, essas saídas tendem a negligenciar a dinâmica de produção de sentido empreendida pelas máquinas à medida que o usuário registrado avança na navegação da interface.

II) o pesquisador toma parte da pesquisa como actante dentro de uma rede, sendo considerado, assim como os demais usuários, nas suas capacidades de realizar associações e produzir sentido.

Ponderamos que as páginas web de interesse desse trabalho se afiguram como bancos de dados, mantidos pelos sujeitos (ou por terceiros, sob sua permissão) e tornados publicos por sua iniciativa. Esse consentimento previo coloca a disposição do pesquisador um ponto de mirada, para o qual se pode olhar a partir da convicção

de que se tratam de dados socio-culturalmente situados e, mais do que isso, oferecidos a visada dos demais individuos como uma forma de auto-expressão socialmente pertinente. Ainda assim, tomamos a precaução de tornar ilegíveis informações que possam identificar usuários na plataforma, por entendermos que essa condição de anonimato reduz os riscos de exposição indevida dos dados.

A noção de corpus, nesta pesquisa, destoa um pouco da noção tradicional adotada pela Linguística de Corpus, que o associa a conjuntos de dados linguísticos textuais coletados para o estudo de uma língua ou variedade linguística (BERBER- SARDINHA, 2000). Tampouco se adéqua, completamente, à noção de corpora multimodais baseados em gravações em vídeo, capazes de registrar semioses como gestos e expressões (KNIGHT, 2011). Nossa ideia de corpus remete a elementos de ambas as definições. Da primeira, mantém o interesse por dados textuais, abundantes em uma das affordances presentes em diversos arranjos semióticos da web – os comentários. Da segunda, assimila a necessidade de registrar semioses além do texto – no caso das páginas web, imagens, ícones, elos hipertextuais.

Dessa forma, o corpus da presente pesquisa consistirá de páginas (lexias) web, em toda sua extensão, a partir das quais se possa discernir os itens presentes na interface e analisá-los conforme os objetivos específicos desse trabalho. Cumpre notar que a maioria delas se trata de páginas internas do site YouTube, em que é possível visualizar vídeos, acionar comandos e registrar enunciados como parte das permissões concedidas pela interface em questão. Consideramos que nesse modelo de páginas, o mais comum dentre todas as páginas deste site, os projetos discursivos dos usuários são potencializados e tornados factíveis, diferentemente de espaços como a home page (página inicial), que se afigura fundamentalmente como instância de consulta e busca - ainda que revele, por meio de atributos de personalização, preferências do usuário e sugestões automatizadas com base nessas mesmas escolhas17.

17 Essas escolhas e sugestões se evidenciam quando o usuário adentra a página por meio de login, o

que permite ao YouTube recuperar histórico de navegação, canais assinados, vídeos curtidos, entre outras informações. A própria ideia de usar serviços como YouTube através de login parece conspirar a favor de uma lógica de metrificação e monitoramento que nos interessa averiguar no presente trabalho, como explicamos neste capítulo.