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4. Bölüm Bulgular

4.4. Yaşamda Anlama Yönelik Karşılaşılan Engeller

Ao analisarmos uma determinada política pública, faz-se necessário compreendermos conceitualmente o que seja política pública e como esta é elaborada em determinado contexto histórico. Nessa direção, Hofling (2001) afirma que o entendimento acerca da concepção de Estado e de política pública de uma dada sociedade é fundamental, pois visões diferentes de Estado e de política pública originam projetos diferenciados de intervenção a partir de situações objetivas específicas.

A partir dessa compreensão e do contato estabelecido com a literatura sobre política pública, percebe-se que o termo apresenta várias definições. Para Muller & Surel (2002), as definições vão desde a qualificação mínima, “tudo o que o governo decide fazer ou não fazer”, até as mais completas quando se apresenta como um programa de ação governamental em um dado setor da sociedade ou mesmo em um determinado espaço geográfico.

Recorrendo às contribuições de Draibe (2001, p.17), esta ressalta que a política pública deve ser entendida “como a que se desenvolve nas esferas públicas da sociedade – e não no plano privado e interno das instituições ou organizações da sociedade”. Para a autora, estas políticas não se restringem à esfera estatal ou do governo, pode ser fomentada por qualquer instituição, desde que tenha um caráter público, externo.

Um registro importante apresenta-se quando Muller & Surel (2002, p.14) expõem elementos que permitem especificar um pouco a noção de política pública. Para estes “uma política pública constitui um quadro normativo de ação; combina elementos de força pública e elementos de competência e uma política pública constitui uma ordem local”.

O primeiro elemento destaca que uma política pública é formada por um conjunto de medidas que constituem a substância “visível da política”. Esta substância pode ser composta de recursos financeiros, intelectuais, reguladores, materiais e de produtos. De acordo com Muller & Surel (2002), uma política pública é um constructo social (conjunto de medidas a se atingir), mas também um constructo de pesquisa (trabalho de análise e reconstrução dos objetivos da ação pública). Acrescenta os autores que “para que se esteja na presença de uma política, é necessário que seja igualmente definido um quadro geral de ação” (idem, ibidem, p.16).

O segundo elemento aponta a política pública como expressão do poder público. Aqui se ressalta o “[...] fato de que uma política governamental compreende elementos de decisão ou de alocação de recursos de natureza mais ou menos autoritária ou coercitiva” (idem, ibidem, p.19). Percebe-se, então, o Estado como detentor do poder de definição de políticas públicas.

Cabe salientar que o terceiro e último elemento apresentado por Muller & Surel (2002) destaca que uma política pública constitui uma ordem local. Ao se estudar uma política pública, faz-se necessário compreendê-la num contexto mais complexo sobre influências internacionais e nacionais, além de considerar o conjunto de indivíduos e organizações que são afetados pela ação do Estado num determinado espaço. Nessa direção, Azevedo (2001, p. 61) destaca que o surgimento de uma política pública específica para determinado setor “[...] constitui-se a partir de uma questão que se torna socialmente problematizada. A partir de um problema que passa a ser discutido amplamente pela sociedade, exigindo atuação do Estado”.

As políticas públicas empreendidas por este Estado Moderno estão organizadas no bojo das estruturas de poder e de dominação presentes no tecido social. Estas vêm sendo implementadas, formuladas ou desativadas de acordo com as diferentes formas, funções e opções ideológicas assumidas pelos governantes nos diferentes tempos históricos.

A política neoliberal propõe a precarização do Estado, revelando o fortalecimento da concepção do Estado Mínimo, segundo a qual, ele deixa de promover políticas sociais básicas, transferindo a responsabilidade para a própria sociedade, dado a suposta incapacidade deste Estado de responder às demandas sociais. Essa diminuição

das funções do Estado implica a transferência dessas demandas para a iniciativa privada, ou seja, para a esfera do mercado. Essa nova tendência teórica e política de ordenamento do mundo capitalista:

[...] questiona e põe em xeque o próprio modo de organização social e política, gestado com o aprofundamento da intervenção estatal. Menos Estado e mais mercado é a máxima que sintetiza suas postulações, que tem como princípio chave a noção de liberdade individual. (AZEVEDO, 2001, p. 11).

Todas estas modificações, na concepção teórico-política do Estado, são realizadas para garantir a sobrevivência do sistema de produção capitalista cujas bases estão nas estruturas constitucionalizadas. Neste contexto, a Educação cumpre seu papel na política neoliberal de legitimação das desigualdades no sistema capitalista. Na proposta educativa referendada pela lógica neoliberal (em que as práticas sociais estão alicerçadas numa relação meramente econômica), a concepção de sociedade e de cidadania que vem à tona é aquela que prima pela ética utilitarista, pelo individualismo, pela exclusão e pela competitividade.

Nesta perspectiva e tratando sobre a intervenção e a regulação do Estado no campo da Educação, Azevedo e Gomes (2009, p. 11) afirmam que:

O sistema de educação ou a educação escolar é uma componente central do modo de regulação em qualquer sociedade diferenciada e desigual. A montagem e a existência de instituições educacionais diferentes, as práticas de avaliação da aprendizagem, e de avaliação das instituições de ensino da educação básica e superior, as formas de regulação intra-sistêmica que definem formas de comportamento, títulos e status não apenas são condicionadas pela estrutura social historicamente engendrada, como se relacionam com o mundo de trabalho, o qual tem como fundamento um sistema de recompensas pecuniárias e simbólicas. Assim, pode-se compreender que a educação é parte importante do modo de regulação e dele não pode se desvencilhar. Talvez seja a educação, como processo social e escolar, o lócus principal do modo de regulação, porque é ela mesma constituinte das formas e processos de reprodução social. [...]

A partir desta contextualização, passamos a refletir sobre a gênese da política pública neste contexto. Dessa maneira, Fleury (1994, p.11) anuncia que a intervenção estatal, regulando e/ou propiciando a manutenção e reprodução de uma parcela da população, é considerada uma função intrínseca do Estado moderno, que configura padrões de direitos sociais próprios de cada nação. Acrescenta a autora que a concepção de cidadania, como conjunto de direitos atribuídos ao indivíduo frente ao Estado Nacional, é produto do próprio desenvolvimento do modo capitalista de produção.

Na esfera do político consubstanciado como poder estatal, o exercício estabelecido de mediação entre Estado e Sociedade está atribuído à categoria ‘cidadania’ como principal ação de mediação entre estas esferas.

No contexto desta Reforma de Estado, afirma-se o princípio do Estado Mínimo, mantendo-se a regulação das questões sociais e o ideário da participação para subsidiar o controle dos serviços públicos. Para Rodrigues (2009, p. 28):

Observa-se, no entanto que no ideário da reforma gerencial do Estado, a participação é considerada como um princípio necessário para sustentar o proposto fenômeno da gestão compartilhada. É a partir da participação que se idealiza no contexto da reforma, a estratégia de controle do serviço público pelo “cidadão”, agora, sob o ideário do mercado, “cliente”.

O domínio dos serviços adotados na nova forma gerencial do Estado com foco na gestão escolar compartilhada incorpora o princípio da cidadania como forma de controle da qualidade social da educação. A relação contratual exige cumprimento de ações em busca de um determinado objetivo: a aprendizagem do aluno. A participação que subsidia o controle dos serviços oferecidos pelo Estado se estabelece na relação do direito do consumo de mercado. Os serviços educacionais estão incluídos nessa perspectiva de melhoria da qualidade.

Na década de 1990, iniciou-se movimento com caráter planetário, a partir da Conferência Mundial de Educação para Todos (1990), realizada em Jontiem (Tailândia), cujo objetivo era o de melhorar a educação. O que resultou na demarcação de uma reengenharia nas políticas públicas no Brasil, em que a bandeira da qualidade educacional seria a meta a ser atingida.

O estabelecimento e a implementação dos dispositivos legais citados vêm desencadeando práticas e procedimentos institucionais e interinstitucionais que inauguram um novo processo de regulação no Brasil, sob a égide do modelo de acumulação capitalista. Os entes federados estão determinados a cumprir, seja por vontade política de gestores, seja pela imposição do marco regulatório mundial o dispositivo constitucional que determina a universalização da oferta da educação pública, gratuita e de qualidade.

A discussão sobre o que é democracia no âmbito da sociedade faz parte de uma batalha das ideias no campo ideológico. Na arena do ideário político da contemporaneidade, a democracia é palavra que perpassa pela concepção partidária,

denotando, assim, um caráter geral aceitável entre correntes de diferentes projetos políticos de sociedade. Mas houve período na história em que a democracia existiu de forma diferenciada, e em outros foi duramente combatida, principalmente pelos regimes nazistas e fascistas e pelo próprio projeto liberal. Após a Primeira Guerra Mundial e a Revolução Russa, o liberalismo se apossa do discurso democrático, a fim de combater, sobretudo, o totalitarismo e o socialismo.

A concepção dos ideais democráticos viveu momentos distintos na história social da humanidade. Com a ruptura do modo de produção feudal, a burguesia passou a advogar a filosofia da igualdade entre os homens. Assim Cavalcanti (1999, p. 10) conclui:

Sobre a base da igualdade essencial dos homens é que se fundou a liberdade e é sobre esta que se postulou a reforma da sociedade. Neste sentido a burguesia retomou a sociedade, substituindo uma sociedade com base num suposto direito natural por uma sociedade contratual. No âmbito natural a igualdade estava preservada, porém, as diferenças humanas existiam, eram geradas pela sociedade e deveriam ser respeitadas. A burguesia passou a defender a proteção social como condição de constituição do mercado regulada pelo Estado, convertendo-se em ideologia dos governos nacionais. Vários teóricos entraram no campo da disputa para elucidar o que vinha a ser democracia. Rousseau (apud Bonavides, 1962) apresentou-a como a via para a plena participação de todos na feitura das leis, em que, portanto, todos são, ao mesmo tempo, súditos e soberanos, ou seja, todos são governantes e governados por nós. Para Schumpeter (1984), democracia se limita à disputa existente entre diferentes elites renováveis periodicamente através das eleições. A concepção minimalista de democracia reaparece em vários pensadores liberais contemporâneos, esta concepção está clara nos regimes liberais ou semi-liberais, em que, por volta de 1850, o sufrágio era restrito aos proprietários. É nesta época histórica que Marx e Engels definem o Estado como instrumento de coerção. Esta situação do sufrágio restrito vai sendo eliminada com a luta dos trabalhadores, pela organização dos partidos políticos, e o sufrágio tendeu a se tornar universal ao gênero masculino, em primeira instância.

A democracia que hoje se defende é a de plena participação popular, com construção efetiva da ordem social pelo conjunto de sociedade, ou seja, democracia como soberania popular. É esse o conceito que adotamos como categoria de análise deste trabalho.

O primeiro fundamento legal que refletiu um pouco da luta histórica pela educação no Brasil é encontrado na Constituição Federal de 1988 com a finalidade precípua de fortalecimento da democracia a partir da participação popular na construção das políticas públicas para a equalização das oportunidades educacionais. Mais tarde, com a promulgação da Lei nº 9.394, Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, de 20 de dezembro de 1996, esses dispositivos foram confirmados ou, em grande parte, regulamentados.

Reafirmou-se uma nova ordem democrática legitimada de acordo com os parâmetros das relações do modo de produção da sociedade. Para Cavalcanti(1999, p. 11): “Com esta estratégia as elites econômicas foram capazes de manter e reproduzir o sistema de dominação, preservar a função de classe, de exclusão e de desigualdade social, mantendo o controle da sociedade”. No processo de redemocratização pelo qual passou a sociedade brasileira na década de 1980, tendo culminado com a promulgação da Constituição de 1988, observou-se no texto constitucional que a democracia participativa direta aparece no marco legal como complemento da democracia indireta.

Esta nova forma, legalmente expressa, ainda encontra-se em construção, principalmente na cultura de nossa sociedade, marcada por inúmeros vícios de ordem ética e moral. Tomando as prerrogativas do conceito, de uma forma mais geral e no uso contemporâneo, o conceito de participação denota um conjunto de regras ou procedimentos para a tomada de decisões coletivas, criando oportunidades para a participação mais ampla possível dos interessados, especialmente daqueles envolvidos com as questões objetos dos processos decisórios (BOBBIO, 1987). Esse é, a nosso ver, o desafio do nosso tempo. Como a correlação de forças se estabelecerá entre Estado e Sociedade, expressando maior capacidade de resistência e não a dependência de um domínio? Tenderá ao Estado ou à Sociedade impor seus desígnios?