B. Yaşam Hakkının İstisnaları
II. YAŞAM HAKKI KAPSAMINDA DEVLETİN YÜKÜMLÜLÜKLERİ
O conceito de alimentação saudável, segundo a Organização Pan Americana de Saúde, inclui em limitar a ingestão energética procedente das gorduras; substituir as gorduras saturadas por gorduras insaturadas; aumentar o consumo de frutas, hortaliças, legumes, cereais integrais e frutas secas; limitar a ingestão de açúcares livre e de sal (sódio) e consumir sal iodado (PAN AMERICAN HEALTH ORGANIZATION, 2006).
Contudo, não existem recomendações nutricionais e de ganho de peso específicas para as gestantes brasileiras. Autores nacionais que trabalham em pesquisas com gestantes usam as recomendações do Institute of Medicine2 para estimar o ganho de peso durante a gestação e quantificar os nutrientes necessários (MELERE et al., 2013). Não existindo no Brasil um guia alimentar específico para gestantes (DEMÉTRIO, 2010).
Recomendações básicas fundamentadas nas diretrizes para a Promoção de Práticas Alimentares Saudáveis voltadas para a população brasileira (BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção a Saúde, 2006) foram complementadas por Demetrio (2010) visando às orientações nutricionais e gerais para as gestantes eutróficas, como escolher uma dieta variada com alimentos de todos os grupos da Pirâmide Alimentar e evitar a monotonia alimentar; preferir os vegetais (frutas, legumes e verduras); atentar para forma de preparo dos alimentos dando preferência às formas in natura; incluir os alimentos da base da Pirâmide em maior quantidade na alimentação diária; usar açúcares, doces e sal com cautela; consumir alimentos com baixo teor de gordura saturada (carne magra); ingerir de seis a oito copos de água diariamente; evitar o consumo de álcool e buscar acompanhamento nutricional desde o início da gravidez (DEMETRIO, 2010).
Diante da ausência de um guia alimentar para gestantes, foi desenvolvida por Demetrio (2010) uma Pirâmide Alimentar adaptada para Gestantes Eutróficas na faixa etária de 19 a 30 anos (Figura 1) inspirada no modelo proposto por Philippi et al. (1999). A pirâmide Alimentar para Gestantes indica uma distribuição dos macronutrientes para o primeiro trimestre de 12% de proteínas, 62% de carboidratos e 26% de lipídios. No segundo e terceiro trimestre de gestação o percentual seria de 11% para proteínas, 60% para carboidratos e 29% para lipídeos. O valor energético foi de 2.188 Kcal para o primeiro trimestre e 2.502 Kcal para o segundo e terceiro trimestre. O autor confere a importância da Pirâmide como um
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O IOM da Academia Nacional de Ciências dos EUA: Relatórios da Recommended Dietary Allowances (RDAs) and Recommended Nutrient Intakes (RNIs) (INSTITUTE OF MEDICINE, 2002).
instrumento educativo para profissionais de saúde da atenção básica voltado para adoção da alimentação saudável na gravidez (DEMÉTRIO, 2010).
Demetrio (2010) indica o consumo na gestação de arroz, pão, massa, cuscuz (grupo dos cereais); raízes (aipim); tubérculos (batata doce, inhame) como melhores fontes de carboidratos complexos, nutrientes que contribuem expressivamente com a maior parte do valor energético da alimentação da gestante. Ainda recomenda a ingestão de 5 porções/dia no 1º trimestre e 6 ½ porção/dia no 2º e 3º trimestre de gestação. Com relação aos legumes, verduras e frutas eles são excelentes fontes de vitaminas, minerais e fibras – recomendam-se 5 porções/dia de legumes e verduras e 4 ½ porção/dia de frutas no 1º, 2º e 3º trimestre de gestação. As leguminosas, como o feijão a ingestão seria de 1 porção/dia em todos os trimestres gestacionais.
Figura 1 – Pirâmide alimentar para gestantes eutróficas de 19 a 30 anos
Fonte: Demetrio (2010, p. 771)
Nesta perspectiva, os alimentos regionais brasileiros possuem propriedades nutritivas para uma alimentação saudável na gravidez. A gestante deve ser incentivada a consumir alimentos naturais, considerando a disponibilidade dos alimentos regionais, pois são fontes de carboidratos, vitaminas, fibras e minerais. Tais alimentos compõem o grupo de raízes,
tubérculos, hortaliças e frutas, essenciais para adequação nutricional na gravidez (BRASIL. Ministério da Saúde, 2012a).
Dentre alguns alimentos regionais da região Nordeste do Brasil e indicados para o consumo durante a gravidez, está o grupo de raízes (macaxeira / aipim); tubérculo (batata doce, inhame, cará); grão (milho); hortaliças (jerimum / abóbora, maxixe, quiabo); leguminosas (feijão de corda); frutas (banana, acerola, caju, seriguela, cajá, coco, etc). Tais alimentos são exemplos de recomendações positivas e podem fomentar mudanças e auxiliar em escolhas mais saudáveis, tanto para o consumo alimentar quanto para o estilo de vida (BRASIL, 2002). Como exemplo, podem-se citar os tubérculos e raízes com alta porcentagem de água, vitaminas e minerais em quantidades variáveis, além disso, são ricos em fibras alimentares e possuem carboidratos complexos (BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Políticas Públicas, 2002).
Dada a importância da alimentação saudável na gravidez, Melere et al. (2013) criaram o Índice de Alimentação Saudável para Gestantes Brasileiras (HEIP-B) com base no Índice Americano Alternate Healthy Eating Index for Pregnancy (AHEI-P). Melere et al. (2013) desenvolveram o estudo com 712 gestantes entre 16ª e 36ª semana de gravidez em unidades básicas de saúde de Porto Alegre e Bento Gonçalves. Os autores concluem que o HEIP-B mostrou boa correlação positiva com os nutrientes que tem recomendação específica no período gestacional folato (r=0,8; p<0,001), cálcio (r=0,6; p<0,001) e ferro (r=0,7; p<0,001). Além disso, o HEIP-B apontou que 62,6% das gestantes apresentaram dietas classificadas como “precisando de melhorias”. Os autores reforçam a necessidade de trabalhar mais especificamente com educação alimentar nesse ciclo de vida.
Williamson (2006) acrescenta e conclui que para a gestante ter hábitos alimentares saudáveis e uma alimentação adequada rica em nutrientes é necessário aconselhar uma dieta que inclui os carboidratos (pães, arroz, batata e cereais), além de frutas e vegetais. Bem como, quantidade moderada de produtos lácteos e proteínas (carne magra, peixes, ovos, feijão e lentilhas) e quantidade limitada de alimentos ricos em açúcar e gordura. Existe a necessidade de um pequeno aumento na ingestão calórica e de alguns nutrientes e minerais (VIT A e C, folato, ferro, cálcio).
Estudo realizado com mulheres gestantes que faziam uso da Dieta do Mediterrâneo (DM), a qual é considerada uma dieta rica e saudável (consumo de peixe duas vezes por semana ou mais, ingestão de óleo de oliva, consumo de frutas e vegetais cinco vezes ao dia, dois copos de café por dia e carne no máximo duas vezes por semana) apresentou resultados significativos na ingestão de proteínas, carboidratos, lipídios e Vitaminas C e D, folato, cálcio
e ferro, assim como a redução do risco para partos prematuros quando comparadas às gestantes que não faziam uso de nenhuma recomendação da DM (MIKKELSEN et al., 2009).
Por outro lado, a desnutrição materna durante o período de desenvolvimento fetal tem sido associada ao crescimento fetal inferior, baixo peso ao nascer, aumento do risco da obesidade, doença coronariana, hipertensão, diabetes tipo 2 e osteoporose. Deficiências de micronutrientes podem causar retardo mental (diminuição do iodo) e defeito do tubo neural (diminuição de ácido fólico). Em adição, a inadequação precoce da dieta tem como resultados obstétricos a predisposição para pré-eclampsia, parto prematuro, diabetes gestacional e vaginose bacteriana (BARGER, 2010).
O bom estado nutricional antes, durante e depois da gravidez visa otimizar a saúde materna e reduzir os riscos de complicações obstétricas, defeitos do nascimento e doenças crônicas dessas crianças com implicações na fase adulta (BARGER, 2010; KAISER; ALLEN, 2008). A avaliação nutricional contínua na gravidez, por meio do controle do ganho de peso gestacional, biomarcadores biológicos, composição da dieta, monitoramento do crescimento fetal, suplementação de vitamina A, acido fólico e iodização universal poderão impactar na prevenção precoce dos riscos metabólicos, deficiência de micronutrientes e redução de complicações futuras para a saúde materna e fetal (BRYCE et al., 2008; SHAPIRA, 2008; WILLIAMSON, 2006).
Contudo, a abordagem da alimentação saudável no âmbito da atenção básica não está restrita à busca de estratégias técnicas a serem repassadas pelos profissionais de saúde à população. O setor saúde deve assumir a alimentação como resultada das relações entre o biológico e o sociocultural. Para isto, deve tomar como premissa o processo de aprendizagem dinâmico e constante, sendo a superação do paradigma de considerar o espaço da doença e assumir a promoção da saúde (SILVA et al., 2002).
4.3 INTERVENÇÕES EDUCATIVAS PARA PROMOÇÃO DA SAÚDE E HÁBITOS