BAKAN YARDIMCISI
1.3.6. Yönetim ve İç Kontrol Sistemi
retinol e palmitato de retinol em células desnutridas.
Para avaliar como e por quais vias o tratamento com o retinol e palmitato de retinol exerceu efeito anti-apoptótico demostrado, repressor do ciclo celular na fase G0/G1 e promotor de diferenciação celular foram analisados os principais genes de cada via de sinalização ativadas por receptores acoplados à proteínas G.
Conforme apresentado na figura 16 e 17, a transcrição dos genes SRF, ELK-1, c-JUN, FOXO, STAT3, ATF2, GLI3 e NF-kB se mostrou aumentada nos grupos tratados com as substancias teste em relação ao controle desnutrido. O grupo nutrido também desencadeou um aumento da transcrição dos genes c-JUN (Figura 16), STAT3, MEF2 e ATF2 (Figura 17) em relação ao desnutrido. Entretanto, se mostrou diminuído nos genes c-FOS e GLI3. O tratamento com retinol e palmitato de retinol não diferiu em relação ao desnutrido nos genes MEF2c e c-FOS. Contudo, nesses 2 genes, o grupo nutrido se mostrou diminuído e elevado, respectivamente, comparado ao controle desnutrido.
Figura 16 - Efeito do retinol e do palmitato de retinol sobre a transcrição genica de mediadores das vias de sinalização celular em células IEC-6 desnutridas.
Os valores da figura representam a média ± E.P.M da expressão de cada gene relacionado a vias de sinalização celular em células desnutridas tratadas com retinol ou palmitato de retinol. Grupos: Nut - Nutrido (Glu+, SFB 5%), Des - Desnutrido (Glu-, SFB 0%). Tratamentos: desnutrido + tratamento com retinol (Ret) ou palmitato de retinol (P.Ret) na dose 11.25µM e no tempo de 48h. A análise estatística foi feito por teste T seguido do pós-teste Mann-Whitney. Os valores significativos: *P<0,05 vs Controle Desnutrido.
Figura 17 - Efeito do retinol e do palmitato de retinol sobre a transcrição genica de mediadores das vias de sinalização celular em células IEC-6 desnutridas.
Os valores da figura representam a média ± E.P.M da expressão de cada gene relacionado a vias de sinalização celular em células desnutridas tratadas com retinol ou palmitato de retinol. Grupos: Nut - Nutrido (Glu+, SFB 5%), Des - Desnutrido (Glu-, SFB 0%). Tratamentos: desnutrido + tratamento com retinol (Ret) ou palmitato de retinol (P.Ret) na dose 11.25µM e no tempo de 48h. A análise estatística foi feito por teste T seguido do pós-teste Mann-Whitney. Os valores significativos: *P<0,05 vs Controle Desnutrido.
6 DISCUSSÃO
A digestão e absorção de nutriente são funções primordiais do trato intestinal e, para exercer isto, a sua mucosa tem altas taxas de renovação celular comparadas a outros tecidos. Sua integridade é dependente da homeostase das taxas de proliferação, migração e apoptose (BHATTACHARYA; RAY; JOHNSON, 2005). A capacidade proliferativa das criptas se deve à presença das células tronco intestinais, responsáveis por essa renovação epitelial (VAN DER FLIER; CLEVERS, 2009). Sabe-se que durante a desnutrição a absorção intestinal encontra-se afetada (LUNN, 2000), resultante de uma atrofia da mucosa gástrica e intestinal, diminuição das criptas, vilosidades e microvilosidades intestinais (MOLINA; PELISSARI; FEIRHMANN, 2009).
No presente estudo foi demostrado que a desnutrição alterou a proliferação e retardou o ciclo celular. A inserção do tratamento com o palmitato de retinol modulou a taxa proliferativa, apoptose e o ciclo celular em células IEC-6 desnutridas. Além disso, o tratamento com retinol, também apresentou aspectos moduladores sobre os parâmetros do ciclo celular e fatores de diferenciação nesta linhagem de células. Tais efeitos parecem estar relacionados com a ativação gênica de ATF2, ELK1, SRF, FOXO, c-Jun, STAT3, GLI3 e NF-κB.
De acordo com Ortiz e Betancourt (1984), os tecidos que normalmente têm uma alta taxa de renovação celular tendem a apresentar uma diminuição da proliferação celular quando submetidos à desnutrição. Os dados do presente trabalho demonstram que a desnutrição prejudicou a proliferação celular de células de cripta intestinal a partir do tempo de 6h, estendendo-se até o tempo de 48h. Este resultado corroborou com outros estudos, onde foi verificado uma diminuição da proliferação em células intestinais desnutridas (UENO et al., 2011). Além disto, estudos in vivo também verificaram uma diminuição da taxa proliferativa das criptas durante a desnutrição (CHAUDHARY et al., 2000; GOODLAD; WRIGHT, 1984; HOLT; KOTLER, 1988).
A suplementação com retinoides é um fator que influencia na reprodução celular, podendo ter um efeito pró- ou anti-proliferativo (ZANOTTO-FILHO; SCHRÖDER; MOREIRA, 2008). Neste trabalho, a cinética do tratamento com palmitato de retinol em todas as doses, mas não com retinol, mostrou uma diminuição
da proliferação celular a partir do tempo de 24h. Resultados semelhantes também foram observados em células de epitélio mamário bovino na ausência de soro fetal bovino (SFB), onde o tratamento com retinoides (retinol e ácido retinoico) inibiu parcialmente a proliferação celular independente da dose de Vitamina A (CHELI et al., 2003); e o ácido retinoico também agiu diminuindo a proliferação experimental no hipocampo de animais (GOODMAN et al., 2012).
A apoptose (morte celular programada) é um evento de fundamental importância para a regulação do número celular do organismo, com grande relevância para a homeostase do epitélio gastrointestinal (BHATTACHARYA et al., 2003). Em condições normais, a taxa de proliferação coincide com a taxa de apoptose, o que mantém a integridade fisiológica do intestino. No entanto, a apoptose é também um mecanismo de defesa, ativado sempre que ocorre uma invasão por agentes patogênicos, ou ainda quando o DNA for lesado (ELMORE, 2007; GRIVICICH; REGNER; ROCHA, 2007). Neste estudo, foi observado que no maior tempo de analise, 48h, a percentagem de células apoptóticas no grupo desnutrido se encontrava mais baixa que no grupo nutrido. Dentre os tratamentos utilizados com retinoides, o tratamento com palmitato de retinol diminuiu o percentual de apoptose com relação à desnutrição, enquanto que o tratamento com retinol não apresentou modificação quando comparado ao controle desnutrido. Nos outros tempos, e na análise de necrose celular não foi verificada diferença entre os grupos.
Os retinoides, são por vezes descritos como agentes pró-apoptóticos, sendo inclusive testados para o tratamento do câncer (TYKWINSKA et al., 2013). Entretanto, há relatos de seus efeitos anti-apoptóticos, tais os efeitos encontrados para o ácido retinoico e o -caroteno, que diminuíram a apoptose em células mesangiais (KITAMURA et al., 2002; MORENO-MANZANO et al., 1999), em células de cumulus (PU et al., 2014), em células hepáticas em estresse oxidativo causado pelo excesso de etanol (PENG et al., 2013) e em células de hepatocarcinoma desprovidas de SFB (WANG et al., 2013).
Quanto ao grupo nutrido, o percentual de apoptose se apresentou mais elevado do que o grupo desnutrido no tempo de 48 h. Este fato pode ser talvez explicado em virtude de uma maior confluência das células nos poços do grupo nutrido, haja visto que as mesmas mantiveram proliferação não retardada pela desnutrição.
Estudos sugerem que as células desnutridas geralmente tornam-se quiescentes, ou seja, saem do ciclo celular e entram na fase G0 como uma forma de prevenir alguma possível lesão ao DNA e, assim, se proteger contra a apoptose (AGARWAL et al., 2006; SCHAFER, 1998). Sugerimos então que a diminuição da proliferação e da apoptose estejam relacionadas com a fase do ciclo celular.
Sabe-se que a taxa proliferativa está diretamente relacionada à progressão do ciclo celular. Desse modo, a diminuição da proliferação pela desnutrição é apoiada pelo resultado do ciclo celular, onde as células desnutridas apresentaram um aumento na percentagem da fase G0/G1, quando comparadas ao grupo controle nutrido. Além disso, o aumento da fase mitótica (G2/M) ocorreu apenas no tempo de 48h, se equiparando ao grupo nutrido. Isso revela um retardo no tempo de replicação das células IEC-6, as quais em condições normais de nutrição ocorreu em menor tempo, variando entre 19-22h (QUARONI et al., 1979). O resultado do presente estudo está de acordo com os resultados encontrados por Borelli (2009), nos quais animais com desnutrição proteica apresentaram maior percentagem de células (de medula óssea) na fase G0/G1 e menor percentagem nas fases S/G2/M com relação ao controle nutrido. Isso sugere que a desnutrição proteica diminui a capacidade proliferativa das células (BORELLI et al., 2009) devido a dificuldade que as células desnutridas têm de transpor a fase G1 em consequência da falta de nutrientes necessários para a progressão do ciclo (GÓMEZ et al., 1996; ORTIZ; BETANCOURT, 1984).
Já foi descrito que a interrupção do ciclo na fase G0/G1 em células desnutridas da medula óssea é mediada pelo aumento da expressão das proteínas supressoras da progressão do ciclo celular (p21 e p27) e, redução da expressão de proteínas que induzem o ciclo celular (ciclina D1) (NAKAJIMA et al., 2014). Essa suspensão ou prolongamento do ciclo celular na fase G0/G1 ou S parece ser necessário nos casos de desnutrição, uma vez que visa prevenir o dano ao DNA e apoptose (AGARWAL et al., 2006).
As constatações experimentais do presente estudo indicam que o declínio da taxa proliferativa de células IEC-6, quando desnutridas, podem ser causados pelo prolongamento do ciclo celular. Isso demonstra que a nutrição é um fator importante, que determina se a célula progride no ciclo e em qual taxa isto ocorre (SCHAFER, 1998).
Os retinoides parecem desempenhar um papel na interrupção do ciclo celular mediante à diferenciação celular (MCKENNA, 2012). Resultados semelhantes
ao do presente estudo foram encontrados por Ribeiro (2013) em células de melanoma, onde o ácido retinoico diminuiu a proliferação celular, porém não aumentou a apoptose. Além disso, ocorreu um bloqueio da progressão do ciclo celular na fase G1, ou seja, aumentou a percentagem de células na fase G1 e diminuiu na fase S e G2/M (RIBEIRO et al., 2013). Outros resultados também descreveram a estagnação do ciclo celular em G0/G1 mediante tratamento com ácido retinoico, ocorrido através do aumento de p27 (um inibidor de quinase dependente de ciclina) e diminuição da expressão de c-Myc e ciclina-E (envolvidos na proliferação e ciclo celular) (DIMBERG, 2002), impedindo que a célula entrasse no ciclo e se proliferasse, à medida que também mostrou ter efeito pro-diferenciativo (NICHOLLS et al., 2013).
Os retinoides são bem conhecidos como agentes propiciadores da diferenciação celular (SHI et al., 2013; TRAVERS et al., 2013; YANG; SHINKAI, 2013). Embora a maioria dos estudos revelem uma completa diferenciação celular induzida por ácido retinoico, o trabalho de Niu e colaboradores (2010) sugeriu que o ácido retinoico sozinho não conseguiu levar as células tronco de tumor cerebral a uma completa diferenciação, permanecendo apenas parcialmente diferenciadas.
Dentre os dos principais marcadores de diferenciação nas células intestinais, estão a enzima IAP (“intestinal alkaline phosphatase” – fosfatase alcalina intestinal) (BALTES; NAU; LAMPEN, 2004) e a proteína FABP (Fat acid binding protein - Proteína de ligação de ácidos graxos) (ADRIAANSE et al., 2013; PELSERS et al., 2003). As expressões de IAP, enzima presente na borda em escova, e de FABP, proteína citosólica dos enterócitos, estão restritas às células diferenciadas no intestino delgado e, desde então, são consideradas excelentes marcadores da diferenciação das cripta/vilos (BRESSENOT et al., 2012; DUBÉ et al., 2001; GOLDBERG et al., 2008).
Já foi relatado o aumento de IAP induzido por ácido retinoico em células Caco-2, inclusive em cultura com privação de SFB, demonstrando assim a diferenciação celular (BALTES; NAU; LAMPEN, 2004). Além disso, o receptor retinoide RXR, juntamente como receptor do hormônio da tireoide, parecem participar da ativação de IAP (MALO et al., 2004). Do mesmo modo, estudos ainda descreveram a relação dos retinoides com o aumento dos níveis da transcrição de FABP em diferentes tipos celulares, mostrando assim que os retinoides são capazes de ativar FABP (LARSEN; VOORHEES; ASTRÖM, 1994; POIRIER et al., 1997).
Neste contexto, as células tratadas no presente estudo com retinol ou palmitato de retinol apresentaram níveis elevados de IAP e FABP com relação aos controles nutrido e desnutrido. Desta forma, sugere-se que o tratamento com retinol e palmitato de retinol levam a uma diferenciação das células IEC-6. No entanto, necessita-se investigar ainda quais são os mecanismos celulares pelos quais os retinoides testados realizam estes efeitos.
Os dados deste trabalho demostram que a desnutrição alterou a transcrição de c-Jun, c-Fos, STAT3, MEF2C, ATF2 E GLI3, enquanto o tratamento com os retinoides induziu o aumento da transcrição gênica de ATF2, ELK1, SRF, FOXO, c- Jun, STAT3, GLI3 e NF-κB.
Já é conhecido por outros estudos que os retinoides atuam sobre a via das MAPKs. A ação do ácido retinoico em células intestinais, tal como nas células caco-2, tiveram efeito na diminuição da proliferação e aumento da diferenciação celular através da ativação da p38 MAPK, provavelmente através do mecanismo mediado por RAR (GRENIER et al., 2007).
O ácido retinoico foi descrito como inibidor da proliferação de fibroblastos através de um mecanismo associado com a modulação de ERK1/2 e ativação JNK (c-Jun), em um mecanismo dependente da estimulação de RAR (HUO et al., 2013).
Estudos sugerem que a ativação transiente de ERK1/2 esteja envolvida na proliferação celular, enquanto a ativação sustentada resulta na diferenciação dos enterócitos, uma vez que ERK1/2 também está envolvida na regulação da expressão de outro marcador de diferenciação de enterócitos, denominado SI (Sucrase- isomaltase), em células Caco-2 (ALIAGA et al., 1999).
O aumento de SRF (fator de resposta ao soro) tem sido associado ao desenvolvimento do sistema nervoso central (STRINGER et al., 2002) e na diferenciação de células do musculo liso vascular, do trato gastrointestinal e mesênquimal, relacionado a uma diminuição de ELK-1 que, por sua vez, está envolvido na proliferação (ALTHOFF et al., 2012; BROWNING et al., 1998; PARK et al., 2011). Entretanto, alguns outros estudos mostraram a participação de SRF juntamente com ELK-1 na indução da diferenciação de células hematopoiéticas (TOWNSEND et al., 1999) , estando de acordo com os achados do presente trabalho.
Além disso, estudos sugerem a participação de ELK-1 na diferenciação neuronal, na regulação da dinâmica do citoesqueleto (LAVAUR et al., 2007; SALINAS et al., 2004; VANHOUTTE et al., 2001) e no estímulo de efeitos neuroprotetores (ANGLADA-HUGUET et al., 2012). A via ERK-ELK-1 também foi referida com efeitos anti-apoptóticos (GONCHARENKO-KHAIDER et al., 2012), sendo mediadora dos efeitos da SOD3 (enzima superóxido dismutase-3), juntamente com a AKT, na sobrevivência celular e diminuição da apoptose em células induzidas a um estresse oxidativo (LAATIKAINEN et al., 2011). Mostrando assim, a participação desses fatores na diferenciação e sobrevivência celular.
Além disso, SRF e ELK-1 também estão envolvidos com a transcrição de c-Fos (JANKNECHT et al., 1993), embora seja proposto que esta transcrição exija uma interação com mais fatores além de SRF e ELK-1 (MARAIS; WYNNE; TREISMAN, 1993). C-Fos age conjuntamente com c-Jun atuando como um dimero, mas c-Jun pode, por si só, atuar na ativação de fos/jun. Este fato já foi relatado e associado com a diferenciação de células precursoras mieloides normais. Porém, apenas c-jun atuou em mieloblastos leucêmicos (LORD; ABDOLLAHI; HOFFMAN- LIEBERMANN, 1993). A ativação sustentada de c-Fos e c-Jun também foi descrita na diferenciação de células de feocromocitoma (PC12) (ERIKSSON; TASKINEN; LEPPÄ, 2007) e c-jun na diferenciação endodérmica (BJERSING; BRORSSON; HEBY, 1997).
Embora c-Jun seja referido como indutor da apoptose em vários trabalhos (BAVARIA et al., 2014; BHATTACHARYA et al., 2003; HAM et al., 2000), ele também pode desempenhar um papel anti-apoptótico, auxiliando na sobrevivência (LEUNG et al., 2008; MA et al., 2012) e na diferenciação celular (LUO et al., 2014).
Em concordância com o presente trabalho, na análise de células desprovidas de nutrientes foi verificado uma diminuição da expressão de c-jun (LI et al., 2013; YOGEV et al., 2010). Embora c-fos e c-jun atuem muitas vezes em conjunto, outros estudos também mostram que células desnutridas aumentam a expressão de c-fos, como uma forma de proteção ao estresse causado pela desnutrição (GARRETT et al., 2014; HENSEN et al., 2013; LEE et al., 2012).
O c-Jun está envolvido na diferenciação de células F9, mas este processo parece ser mediado pela ativação de ATF2, que é induzida pelo tratamento com ácido retinoico, ou seja, o ácido retinoico induz diferenciação de células F9 através da ativação de ATF2/c-jun (KAWASAKI et al., 1998). Na realidade, c-jun e ATF2 agem
conjuntamente formando heterodímeros. Esta ligação evita o egresso de ATF2 do núcleo e deste modo permite que controlem a expressão de um conjunto de genes, incluindo do próprio c-Jun e de genes envolvidos na resposta ao estresse (LIU et al., 2006). Outro estudo também sugeriu que o ácido retinóico promove diferenciação de granulócitos através da ativação de ATF2 (HONG et al., 2004).
Em discordância com os resultados deste estudo, outros trabalhos observaram que a desnutrição proteica levou a um aumento da ativação de ATF2, que por sua vez está envolvido com a transcrição de CHOP, gene cuja expressão está associada com a supressão de aminoácidos (AVEROUS et al., 2004; BRUHAT et al., 2000) e com a regulação do metabolismo energético (ROESLER, 2001).
Já é conhecido que a ativação da PI3/AKT, principal via de fosforilação de FOXO (fator de transcrição da família Forkhead Box), promove a sobrevivência em vários tipos celulares, incluindo células epiteliais intestinais (FINNBERG; EL- DEIRY, 2004; TRAN et al., 2002). Já foi relatado que o aumento da ativação de AKT em células intestinais, desprovidas de poliaminas, atua na ativação de NF-κB, que está relacionado com um decréscimo da apoptose por meio de um mecanismo que inibe a ativação da caspase-9 e caspase-3 (BHATTACHARYA; RAY; JOHNSON, 2005; ZHANG et al., 2004).
Ressalta-se que em resposta a baixos níveis de estresse oxidativo, c-Jun pode fosforilar FoxO4 levando a uma relocalização das proteínas FoxO para o núcleo, com a função de controlar o estresse oxidativo através da indução da transcrição de enzimas antioxidantes, como SOD e catalase (ESSERS et al., 2004). A proteína FoxO1 também está relacionada com o metabolismo do retinol nas células hepáticas, desempenhando função importante durante a gliconeogênese hepática (SHIN et al., 2012). Outros estudos também apontam FoxO1 e FoxO3 como fatores de sobrevivência celular em células cardíacas, uma vez que podem diminuir o estresse oxidativo e a morte celular (SENGUPTA et al., 2011). Além disso FOXO4, juntamente com MEF2c também desempenham função no desenvolvimento cardiovascular (CREEMERS et al., 2006) e na longevidade de células com restrições dietéticas (GREER; BANKO; BRUNET, 2009; GREER; BRUNET, 2009). Os níveis de transcrição dos FoxOs se associam também com a nutrição e tratamentos hormonais, assim podem se encontrar elevados diante de uma dieta desprovida de proteína e tratamento com glicocorticoide (IMAE et al., 2003).
O fator de transcrição FoxO também pode levar ao bloqueio no ciclo celular, principalmente na fase G1/S devido a promoção dos inibidores de Cdk p27 e p21 (MEDEMA et al., 2000; SEOANE et al., 2004) e a repressão da expressão da ciclina D1 e D2 (SCHMIDT et al., 2002). Embora as proteínas FoxO tenham sido bastante associadas com a apoptose e bloqueio do ciclo celular, também já mostrou participar da diferenciação de mioblastos primários (BOIS; GROSVELD, 2003). Todos esses dados comprovam a ação das proteínas FoxO em diversas funções, por mais que sejam diversificadas e complexas. No presente trabalho, foi demonstrado o aumento da transcrição de Foxo3-4 que juntamente com os outros genes analisados em células IEC-6 desnutridas e tratadas com retinol e ácido retinóico, foram os possíveis responsáveis pelos resultados do tratamento destas substancias, tais a diminuição da proliferação, a apoptose, bloqueio do ciclo celular na fase G1 e promoção da diferenciação celular.
Outro estudo indicou que a localização nuclear de FoxO1a pode modular a atividade de IL-6- agindo como um coativator de STAT3 (KORTYLEWSKI et al., 2003). A ativação de STAT3 parece inibir a autofagia, processo de sobrevivência celular desencadeado pela desnutrição (SHEN et al., 2012). Desse modo estes dados corroboram com o resultado do presente trabalho, em que as células desnutridas diminuíram a transcrição de STAT3.
Além disso, estudos demonstraram que a diferenciação de células neuronais mediante tratamento com ácido retinoico levou a uma ativação de STAT3 mediante ativação de RAR (HERRERA; CHEN; SCHUBERT, 2010). O tratamento com ácido retinoico também induziu o desenvolvimento de células dendríticas através da ativação de STAT3 (FENG et al., 2010).
O fator de transcrição STAT3 tem sido reportado como detentor de função na diferenciação de vários tipos celulares, tais como células dendríticas (PARK et al., 2004), células de leucemia mieloide (MINAMI et al., 1996), na diferenciação de gliomas, como uma forma de tratamento de supressão de tumor, através da ativação da via IL-6/JAK2/STAT3, conhecida como via de sobrevivência (SHU et al., 2011) e no bloqueio da proliferação e diferenciação de célula de carcinoma medular da tireoide (PARK et al., 2005) e de células leucêmicas (NAKAJIMA et al., 1996).
Além disso, foram observados efeitos anti-apoptóticos, uma vez que a sua inibição foi associada ao aumento da morte celular (SHIM et al., 2009) e uma associação entre a sobrevivência de células desnutridas e a ativação de STAT3
induzida por tratamento com IL-22 (LIU et al., 2012). A sobrevivência celular desencadeada por STAT3 parece estar relacionada com a inibição da abertura do poro de transição de permeabilidade (PTP) da mitocôndria e consequente inibição da apoptose (BOENGLER et al., 2010). No intestino, sua ativação também foi relacionada com a sobrevivência celular (GRIVENNIKOV et al., 2009) e na proteção contra infecção (GUO et al., 2014).
A transcrição de MEF2c neste trabalho se apresentou diminuída no grupo desnutrido quando comparado ao nutrido. Do mesmo modo, a desnutrição de células do músculo esquelético e a atrofia muscular também demonstrou uma supressão da transcrição de MEF2c (SHUM et al., 2012; YOGEV et al., 2013).
Embora a expressão de MEF2c no intestino participe diretamente do metabolismo na vitamina A, ela está principalmente relacionada com a promoção da expressão da BCMO1 (enzima que cliva o -caroteno a retinal) (GONG et al., 2006). Assim, os retinoides testados no presente estudo não mostraram uma alteração estatística da transcrição de MEF2c com relação ao controle desnutrido, em parte também devido a alta variabilidade dos grupos, principalmente do retinol.
A ativação de MEF2c através de MAPk além de aumentar a transcrição de c-Jun (expresso em células quiescentes em resposta a mitógenos) (KATO et al., 1997, 2000; MCKINSEY; ZHANG; OLSON, 2002) ainda parece desempenhar um papel importante na sobrevivência de células endoteliais (OLSON, 2004), células musculares (DEVAKANMALAI; ZUMRUT; OZBUDAK, 2013) e células neuronais (AKHTAR et al., 2012). Também destaca-se que MEF2c é uma proteína reguladora da transcrição do transportador de glicose (THAI et al., 1998). É possível que isto explique o fato de apenas o grupo nutrido apresentar aumento significativo de MEF2c.
Na maioria das células o NF-κB se encontra inativo no citosol, retido em um estado latente através da interação com a proteína IκB, a qual existe em 3 isoformas (IκB , IκB e IκBε). Na presença de um sinal, essa interação é desfeita e NF-κB pode migrar para o núcleo e se ligar à sequencias específicas do DNA (sítios κB), onde pode promover inflamação, sobrevivência ou divisão celular (GERONDAKIS et al., 2014; VAYSBERG et al., 2008).
A via de sinalização NF-kB desempenha um papel central na ativação de respostas pro-inflamatórias mediante presença de agentes patogênicos. Como
exemplo temos o LPS (lipopolissacarídeo), presente na membrana de bactérias gram-