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Yönetici Olmaya İsteklilik ve Uyuma İlişkin Bireysel Kariyer Engeller

2.2. Kariyer ve Kadın

2.2.3. Kadınların Çalışma Yaşamında Karşılaştıkları Kariyer Engelleri

2.2.3.1. Yönetici Olmaya İsteklilik ve Uyuma İlişkin Bireysel Kariyer Engeller

Se a configuração de uma rede federal de educação profissional, no

Brasil, remonta à criação26, em 1909, da Escola de Aprendizes Artífices (EAA) em 19

estados brasileiros27, é apenas a partir da década de 30 que a educação nacional

ganha maior organicidade e apresenta expansão de sua oferta. Em conformação

com o processo de industrialização28, a educação profissional ofertada destinava-se

à formação da força de trabalho e apresentava um caráter assistencialista, ou seja, foi concebida dentro de uma perspectiva de atendimento aos “desfavorecidos da fortuna” mediante a sua capacitação e adestramento.

No início de 1910, o governo criou dezenove EAA29 no país (SOARES,

1982; CUNHA, 2000) tendo como finalidade a “formação de operários e contramestres, mediante ensino prático e conhecimentos técnicos necessários aos menores que pretendessem aprender um ofício”. (CUNHA, 2000, p.63). O sistema proposto pelo governo tinha abrangência nacional e procurou organizar a educação profissional mediante a oferta de educação primária e profissional a uma

26 Decreto n.7566, de 23 de setembro de 1909, do então Presidente da República Nilo Peçanha. 27

Dos vinte estados brasileiros existentes na ocasião, apenas o Rio Grande do Sul “não foi contemplado com uma EAA”, porque já contava com uma instituição com finalidade semelhante, o Instituto Técnico Profissional da Escola de Engenharia de Porto Alegre – Instituto Parobé. (KUNZE, 2009, p.18).

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E, por conseguinte, em conformação com o desenvolvimento capitalista.

29 Conforme Soares (1982) as EAA foram inauguradas, em 1910, nos seguintes estados brasileiros: Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro (Campos), Santa Catarina, São Paulo e Sergipe.

determinada clientela – “os desfavorecidos da fortuna” – que representava um obstáculo para o desenvolvimento do Brasil.

As razões apresentadas para a fundação das EAA, no país, foram expostas no próprio Decreto de criação desses estabelecimentos. (CUNHA, 2000, p.65-66). Tal Decreto considerava que o crescimento da população urbana demandava auxílio para as classes proletárias de modo que essas tivessem condição de vencer os crescentes desafios da luta existencial, sendo necessário "habilitar os filhos dos desfavorecidos da fortuna com o indispensável preparo técnico e intelectual, como fazê-los adquirir hábitos de trabalho profícuo, que os afastará da ociosidade, escola do vício e do crime". (Decreto n.7566, de 23 de setembro de 1909).

A análise da legislação permite identificar como foram concebidas a EAA, mas os relatórios anuais dos diretores, apesar de precários, é que permitem realizar uma avaliação do funcionamento dessas escolas. Esses relatórios permitem depreender que tais escolas foram fruto de uma barganha entre os governos federal e estaduais. O primeiro entrou com recursos para manter o quadro de pessoal e material de consumo; o segundo entrou com prédios, em geral nada apropriados para a oferta de educação profissional. (CUNHA, 2000, p.86).

Ainda avaliando as EAA, Cunha (2000, p.108-110) reitera que são poucos os dados disponíveis para se proceder a um diagnóstico da produção final dessas

escolas ao longo dos anos em que elas funcionaram30. A carência de informações,

diz o autor, “nos impede a apreciação plena dessas escolas na realização dos objetivos para os quais foram criadas. Mesmo assim, é possível constatar o pequeno número de concluintes”. Em geral, além da baixíssima produtividade, as EAA registravam altas taxas de evasão.

Também Santos (2003) indica que a rede de EAA apresentava altos índices de evasão, que essas escolas foram implantadas em edifícios impróprios, que contavam com oficinas precárias e número escasso de professores qualificados – e apresentaram, portanto, “baixa eficiência”. Mas, apesar desses problemas, “esse modelo de ensino profissional foi se consolidando ao longo do tempo e foi adquirindo os contornos necessários até constituir a rede de Escolas Técnicas do país”. (SANTOS, 2003, p.214).

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A partir de 30, com a crescente industrialização brasileira, a educação é alvo de uma série de mudanças e as EAA acabam sendo transformadas, no ano de 1942, em escolas industriais e técnicas (Decreto nº 4.127, de 25 de fevereiro de 1942). Inicialmente essas escolas foram transformadas em Liceus Profissionais, destinados ao ensino profissional, de todos os ramos e graus (Lei 378 de 13 de janeiro de 1937). Em 1942 elas são então denominadas Escolas Industriais e

Técnicas e passam a oferecer formação profissional equivalente ao do secundário31.

O período que vai dos anos 30 a 1945 abarca, especificamente, o governo provisório de Getúlio Dorneles Vargas (1930-1937) e o Estado Novo (1937- 1946). Trata-se de um período de extrema importância para o ensino profissional e para a compreensão das diretivas da educação no Brasil. Isso porque ocorrem, nesse período, fatos de grande impacto para a organização da educação brasileira, entre os quais destacam-se a reforma educacional realizada pelo então ministro Francisco Campos, o movimento de renovação da educação liderado pelos Pioneiros da Escola Nova, e a aprovação das Leis Orgânicas do Ensino – fatos que serão detalhados a seguir.

O governo provisório de Getúlio Vargas é caracterizado por medidas centralizadoras – a Constituição de 1891 é suspensa, o Congresso Nacional é fechado, assim como são fechadas as Assembleias estaduais e Câmaras municipais; os partidos políticos são extintos e ministros da confiança de Vargas são nomeados para atuar como interventores nos Estados. O país vive uma profunda crise política, econômica e social, que já eclodira desde os anos 20 com a crescente importância das forças relacionadas à indústria e perda da hegemonia da burguesia agrária. Nos “anos 30, a preponderância do setor agro-exportador – até então o eixo fundamental da economia – se deslocou para o de base urbano-industrial”. (DORE, 1989, p.2). Vargas empreende políticas de modernização do país. Cria novos ministérios, promulga uma série de decretos-leis de proteção ao trabalhador e estabelece uma legislação sindical.

31 É quando inicia a “vinculação do ensino industrial à estrutura do ensino do país como um todo” e os alunos formados nos cursos técnicos são autorizados a entrar no ensino superior apenas em área equivalente à da sua formação. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/setec/arquivos/ centenario/historico_educacao_profissional.pdf>. Acesso em: 15 mar. 2011.

No âmbito educacional, Francisco Campos32 assume a direção do recém- criado Ministério da Educação e Saúde e realiza uma ampla reforma – até então o país não contava com um sistema nacional de ensino, mas com sistemas estaduais sem articulação. Com a Reforma Francisco Campos, instituída em 31, no governo Vargas, organizam-se o ensino secundário, o comercial e o superior. O ensino

secundário33, até então exclusivamente propedêutico, passa a contar com currículo

seriado e oferta em dois ciclos, o fundamental e o complementar e sua conclusão é posta como exigência para ingresso no ensino superior. Tal ensino não guardava

nenhuma relação com o ensino profissional34 – que não permitia acesso à educação

superior. (ROMANELLI, 2007). A educação profissional permanece como espaço para a formação da força de trabalho e mantém seu caráter de “conformação dos sujeitos”.

Ainda nesse período, inicia-se, no país, um intenso debate acerca da oferta de educação pública e organização do sistema educacional brasileiro. Trata- se do embate entre os “Pioneiros da Escola Nova” e os intelectuais católicos.

Segundo Dore (1989, p.5), do conflito entre liberais e católicos35 que perdura no

período de 30 a 45, o Estado acaba atendendo parte das reivindicações de ambos, “configurando-se, desde então, o dualismo da nossa organização escolar”.

Dore (1989, p.1) explica:

No início dos anos trinta, registraram-se os primeiros confrontos entre os defensores da escola pública e os defensores da escola privada. Do lado da escola pública encontravam-se intelectuais liberais, como Anísio Teixeira (1900-1971) e Fernando de Azevedo (1894-1974). Eles ficaram conhecidos como “Pioneiros da Escola Nova” por terem apresentado suas concepções pedagógicas num manifesto em defesa da “Reconstrução educacional”, de 1932, cujos princípios estavam fundados no modelo de “escola nova”: a escola única, pública, comum, obrigatória, gratuita.

Ainda segundo a autora, em defesa da escola particular, de caráter religioso, estavam intelectuais católicos como Alceu Amoroso Lima, que criticavam o caráter laico da “escola nova”. Do embate entre essas duas tendências originaram

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Considerado um dos “mais importantes ideólogos da direita no Brasil”, de convicções antiliberais, defendia a ditadura como o regime político mais adequado à sociedade de massas. Disponível em: <http://www.histedbr.fae.unicamp.br/navegando/glossario/verb_b_francisco_campos2.htm>. Acesso em: 17 mar. 2011.

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Piletti e Piletti (1995) informa que em 1932 havia uma predominância de oferta do secundário em escolas particulares já que eram 336 estabelecimentos de ensino privados e apenas 58 públicos. 34 À exceção do ensino comercial.

35 Dore (1989) divide em quatro fases as lutas pela escola pública no Brasil. Aborda-se aqui a 1ª fase “O conflito entre liberais e católicos”. Mais adiante são abordadas as demais fases.

as diretivas para a política educacional brasileira – que acabam contemplando os interesses tanto de católicos quanto dos liberais. Assim os interesses privatistas dos católicos e o ideário liberal dos escolanovistas ganham espaço na política educacional. (DORE, 1989). Dore (1989, p.4) considera que o programa dos pioneiros era o “mais progressista”, porque criticou a educação elitista, defendeu a democratização da escola e o subsídio do Estado na oferta escolar.

Igualmente Dore (1989) elucida que a “classe operária brasileira, apenas emergente, ainda não tinha um projeto educacional articulado para opor resistência às ideias avançadas da “escola nova”.” Portanto, a esquerda só entra mais tarde na

discussão de um projeto de escola pública patrocinada pelo Estado36. Mas Dore

(1989, p.4) adverte:

Se o projeto da “escola nova” teve por fim manter a ordem social dominante, não se pode deixar de reconhecer seus elementos progressistas. Contudo, as mudanças foram propostas para garantir a ordem social dominante, que divide a sociedade em dirigentes e dirigidos. Desse modo, os escolanovistas não puderam resolver as contradições da organização escolar que se manteve dividida em duas: aquela para formar quadros técnico-científicos e aquela para preparar quadros instrumentais, destinados ao exercício de funções práticas imediatas do processo produtivo.

O governo provisório foi também cenário de muitas rebeliões – entre as quais a Revolução Constitucionalista de 32, que defendia uma nova constituição, liberal e democrática. Promulgada em 1934, a nova constituição durou apenas três anos - com o crescente fortalecimento de ideias comunistas no país, Vargas consegue apoio dos militares e de grande parte da classe média, declara o Estado Novo e promulga a Constituição de 1937 – que apresenta caráter autoritário e centralizador.

A Constituição de 37 coloca o ensino profissional como dever do

Estado37, a ser ofertado, em colaboração com indústrias e sindicatos, para filhos de

operários e associados, mas a organização desse ensino ainda permanece paralela ao ensino secundário. A exemplo do que ocorrera na França nos séculos XVIII e XIX, é possível constatar a atuação persuasiva do Estado na institucionalização do ensino e na configuração de um sistema dual de educação expresso, respectivamente, através de escolas para o povo versus escolas para a elite e na oferta de educação geral versus educação para o trabalho. (PETITAT, 1994).

36 Mais precisamente nos anos 80, como será visto mais adiante. 37

No contexto francês, conforme Petitat (1994), o ensino primário público figura como uma instrução moral do povo, e o ensino secundário e superior como uma educação para a elite. A escola primária coloca-se como a base sobre a qual várias divisões vão sendo enxertadas. Assim, instituições e programas distintos vão surgindo e constituindo, de um lado, um ensino secundário geral – que prepara a elite para o ensino superior – e um ensino secundário especial – secundário moderno pré-profissional que “conduz a diversas escolas comerciais, técnicas e profissionais que nascem entre o final do século XIX e o princípio do século XX.” (PETITAT, 1994, p.185).

No caso brasileiro, as Leis Orgânicas38 criadas na década de 40 (Reforma

Capanema) também contribuem para imprimir um caráter dualista para a escola média, ao destinar ao ensino médio secundário a formação das elites condutoras do país e propor o ensino profissional como caminho para formação dos menos afortunados. Manfredi (2002) elucida que, nesse período, o ensino técnico profissional passa a fazer parte do sistema regular de ensino e a oferecer cursos com duração semelhante ao ensino médio secundário, mas que continua paralelo ao ensino médio secundário e mantém a restrição do acesso ao ensino superior.

Conforme essa autora, até 1941 a organização da educação profissional era bastante diversa, englobando iniciativas públicas e privadas, mas com a Reforma Capanema o sistema educativo ficou com a seguinte configuração:

1) O ensino primário para crianças de 7 a 12 anos, com duração de quatro ou cinco anos.

2) O ensino médio, destinado a jovens de 12 anos ou mais, comportando

cinco ramos39: o secundário – para formar os quadros dirigentes – e os

ramos agrícola (para o setor primário), industrial (para o setor secundário), comercial (para o setor terciário), e normal (para a formação de docentes do ensino primário) – esses quatro ramos eram destinados a formar uma força específica de trabalho. (MANFREDI, 2002, p.99).

Ainda segundo Manfredi, as políticas do período não beneficiaram os interesses populares, mas do setor privado e das nascentes estatais. A autora informa que a política educacional autoritária do Estado Novo, de forma similar ao

38 Leis Orgânicas do Ensino Secundário (1942), do Ensino Comercial (1943), do Ensino Primário, Normal e Agrícola (1946); promulgadas no governo Vargas, sob a gestão do Ministro Gustavo Capanema.

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que ocorreu na Itália com a reforma de Gentile (de cunho fascista), legitima “o ensino secundário como preparatório e propedêutico ao ensino superior, separado dos cursos profissionalizantes”. (MANFREDI, 2002, p.98).

Registra-se, também, na década de 40, o processo de transformação das Escolas de Aprendizes Artífices em escolas técnicas e industriais, destinadas a ofertar formação profissional equivalente ao secundário – ou seja, as instituições que hoje compõem a rede federal de educação profissional passam por uma reorganização. Soares (1999) explica que, quando criadas as EAA, o objetivo da “nova institucionalidade” foi ofertar o ensino profissional primário gratuito. Constituíam um sistema desvinculado da escola existente que oferecia educação humanista para a elite e não contemplava a formação para o trabalho.

Para Soares (1999, p.112), no processo de “integração das “escolas do trabalho” ao sistema regular de ensino teve um papel fundamental o movimento dos “Pioneiros da Educação””. Isso porque eles buscaram:

[...] incorporar parte dos anseios dos trabalhadores no campo educacional. Assim, procuraram democratizar o acesso à escola, vincular os conteúdos do ensino ao trabalho e afirmar a participação ativa do aluno no processo educacional. Não tinham, com isso, o intuito de fortalecer os ideais operários e sim de subordiná-los à orientação dominante. (Ibid).

Na ocasião da transformação da EAA em escolas técnicas industriais, várias

escolas foram instituídas em diversos estados brasileiros40, “compondo uma rede de 23

instituições que ministravam ensino regular de primeiro grau e mais a qualificação profissional correspondente a várias profissões”. (SOARES, 1999, p.112).

A partir de então, o ensino profissional passou a atuar no nível médio e foi assumindo especificidades próprias e se configurando como um ramo dentro do sistema escolar nacional, que então estava se organizando. Entretanto, enquanto foi mantida a ideia de que o ensino secundário formaria a elite dirigente do país, o ensino técnico continuava com a finalidade de preparar trabalhadores. Assim, por suas características e seus objetivos, o ensino profissional foi diferenciado do ensino médio acadêmico e propedêutico. (Ibid).

Além da transformação das EAA em escolas industriais e técnicas, na década de 40, também se assiste à criação de um sistema paraestatal de educação profissional – o Sistema S, que se ocupa da qualificação de profissionais para a indústria e o comércio, por meio da oferta de cursos de aprendizagem com rápida

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formação. Tal Sistema inclui o Serviço Nacional da Indústria (SENAI) – criado em 1942; o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC); o Serviço Social do Comércio (SESC), e o Serviço Social da Indústria (SESI) – criados em 1946. Trata- se de um sistema organizado e gerenciado pelos órgãos sindicais de representação empresarial, que emerge para atender o processo de desenvolvimento do país na era Vargas. (MANFREDI, 2002).

Portanto, o que se constata, por meio do exame da configuração da educação profissional dos anos de 1930 a 1945, é que esse “ramo do ensino” vai se organizando em torno propósito de formar trabalhadores para a sociedade urbano- industrial como um sistema a par da educação geral, acadêmica e propedêutica. Nesse bojo, reforça-se a divisão entre trabalho manual e intelectual, e o veio privatista ganha espaço significativo nas políticas educacionais do período.