O Programa Patentes Verdes iniciou em 2012, porém foram identificadas através da análise do Código INID (22) - Data do depósito, algumas patentes com cujo período situa-se entre 2006 a 2011. Após pesquisa das notificações disponibilizadas pelo INPI evidencia-se que estas patentes migraram da fila de solicitação única para a do Programa Patentes Verdes, como possibilidade de agilizar a análise técnica da solicitação, no entanto, mantendo mesma data de depósito.
Isso se deve ao fato de que em 2012 (primeiro ano do programa piloto, considerado ainda como 1ª fase), os pedidos de patentes estavam restritos a data de depósito no INPI a partir de 2 de janeiro de 2011. Já na 2ª fase, em 2013, os pedidos foram ampliados, contemplando a participação de qualquer pedido que não tenha sofrido exame técnico regular publicado na Revista de Propriedade Industrial – RPI, que não apresente débitos com relação ao pagamento das taxas administrativas e não tenha sido objeto de qualquer outra forma de priorização de exame anterior publicado na RPI. (INPI, 2013).
Dessa forma foi possível fazer uma verificação do crescimento das patentes verdes dos anos de 2006 a 2013, apresentado no Gráfico 7.
Gráfico 7 – Patentes verdes depositadas por ano
Fonte: Elaborado pelo autor com dados extraídos da base de dados do INPI.
A quantidade de patentes verdes por ano está mais evidente a partir de 2011 com 28 solicitações, gradual crescimento em 2012, 41 solicitações, continuando no seguinte 2013
com 43 pedidos. A apresentação desses dados, não permite traçar uma efetiva tendência tecnológica, assim a análise de tendência, foi complementada com o estudo realizado por Reis; Osawa e Martinez (2013) sobre a “Análise do diagnóstico de depósitos de tecnologias verdes no Brasil”. Os autores realizaram uma análise focal dos anos de 2007, 2008 e 2009, (anos escolhidos por ser mais próximos ao início do Programa Patentes Verdes) permitindo apontar uma linha de tendência para os depósitos de tecnologias verdes.
A identificação dos depósitos de patentes verdes, utilizando-se da CIP e da listagem das tecnologias verdes, baseada no inventário da OMPI, entre os anos de 2007 a 2009 corresponde à média de 10% do montante anual de depósitos nacionais – residentes e depósitos internacionais - não residentes, ou seja, em cada ano, entre 2007 a 2009, consta que 90% das solicitações se referiam a diversas áreas e 10% foram referentes às solicitações de patentes que se enquadra como verde, de acordo com o inventário da OMPI.
Durante os anos de 2007, 2008 e 2009 “as áreas com maior relevância dentre todas as áreas técnicas que compõem o cenário das tecnologias verdes no Brasil se referem aos setores de energia alternativa e gerenciamento de resíduos”. (REIS; OSAWA; MARTINEZ, 2013, p.14). Essas áreas também foram identificadas nos demais anos de acordo com as áreas técnicas determinadas no Programa em relação à listagem da OMPI. Além de energia alternativa e gerenciamento de resíduos, foram observadas em grande relevância solicitações de patentes verdes classificadas nas áreas de agricultura. Vale destacar a subclasse de maior repetição, referente ao uso de processo de química geral, mais especificamente de catalisadores que abrange diversos setores como agricultura, energia alternativa, gerenciamento de resíduos, dentre outros.
Para melhor visualização dos rumos das pesquisas de tecnologias limpas, utiliza-se a quantidade de patentes por ano, correlacionando com as áreas de classificação Gráfico 8.
Gráfico 8 – Áreas das patentes verdes depositadas por ano
Fonte: Elaborado pelo autor com dados extraídos da base de dados do INPI.
O ano de 2006 registrou 1 patente classificada na seção E – Construções fixas, 2007 também apresentou 1 patente, porém na seção A - Necessidades Humanas, em 2008 não foram identificadas patentes verdes, porém isso não implica que não houveram pesquisas em tecnologias verde, somente que não constou no âmbito do programa, de acordo com a listagem verde da OMPI. O ano de 2009 apresentou a predominância das pesquisas classificadas na seção C – Química e Metalurgia.
Em 2010 as três patentes identificadas corresponderam a diferentes áreas: seção F - Engenharia mecânica, Iluminação, Aquecimento, Armas, Explosão; seção C - Química e Metalurgia e seção B – Operações de processamento e transporte. Conforme estudo apresentado por Reis; Osawa e Martinez (2013) os anos que antecedem o Programa (2007, 2008 e 2009) constou em 10% os depósitos de patentes verdes - de acordo com o inventário da OMPI, em relação ao total das patentes solicitadas estes anos. Tal percentual aumentou a partir da criação do Programa21.
21 Segundo o INPI, a perspectiva do programa piloto de Patentes Verdes é a sua prorrogação. A II etapa, que se iniciou no dia 18 de abril de 2013 vigorará até o dia 17 de abril de 2014, o Programa terá critérios mais abrangentes. Com isso, a expectativa é triplicar o resultado do primeiro ano, ultrapassando a marca de 200 pedidos de patentes protocolados. Outras expectativas do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) para a próxima fase do programa são: (i) criar um banco de dados de documentos patentários verdes; (ii) estimular incentivos governamentais à fabricação dos produtos e processos gerados pelas patentes verdes; (iii) estabelecer uma agenda de políticas públicas voltadas para as tecnologias verdes; e, (iv) incentivar a criação de linhas de financiamento com fomento à pesquisa de tecnologias sustentáveis. (REIS; OSAWA; MARTINEZ, 2013, p.15).
A partir de 2011 o número de patentes verdes aumentou consideravelmente, com destaque para a seção C - Química e Metalurgia, dados igualmente apresentados nos anos de 2012 e 2013, porém a partir desse ano também foram identificadas algumas patentes da seção A - Necessidades Humanas. A análise da subclasse da seção A os anos de 2012 e 2013 evidenciou o aumento das pesquisas na classe A01 que corresponde à agricultura, silvicultura, pecuária, caça, captura e pesca. Mais especificamente o cultivo de plantas e aparelhos que permitam a reutilização da água e aproveitamento do calor.
O aparecimento da subclasse A01 a partir de 2012 nas solicitações de patentes verdes pode estar atrelado aos investimentos governamentais dos últimos anos em agricultura familiar e agronegócio. Para Gomes; Oliveira e Machado (2013), de acordo com o MCTI, atualmente o Fundo Setorial Agronegócio, é o segundo Fundo que mais arrecada recursos e tem significativo número de projetos, atrás somente do CT – Petro. Isso demonstra a atenção com a inclusão da pesquisa científica e tecnológica no setor de agronegócio por parte do Comitê gestor dos fundos setorial.
Ressalte-se que o agronegócio encerra em alta os anos de 2010 a 2013, com crescimento gerado em 6% do PIB e mais de R$1,038 trilhão em 2013. Tal desempenho foi alavancado principalmente pelo segmento primário, que compreende a produção animal e vegetal (soja), pelo setor agropecuário e agroindustrial. Estimativas do Banco Central consideram que o aumento do PIB ano a ano, no setor de agronegócio, pode chegar a responder por 23% de toda a riqueza gerada no País. (GOMES; OLIVEIRA E MACHADO, 2013).