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1. CHAPTER

3.2 Witnessing Death of Others

O artigo 100 do CDC dispõe o prazo legal de um ano após o trânsito em julgado para que os interessados apresentem habilitação. Após esse prazo, poderão os legitimados do artigo 82 promover a liquidação, bem como a execução devida.

O prazo de um ano previsto na lei não é prescritível ou sujeito à decadência. É apenas um marco para que os legitimados do artigo 82, em razão da inércia de interessados, possam ingressar com a habilitação e posterior execução. É que em muitos casos não são apresentadas habilitações ou o número de interessados que o fazem é incompatível com a gravidade do dano.329

Na hipótese, plenamente justificável a habilitação por parte dos legitimados legais para as ações coletivas para fixação do quantum devido pelo réu, pois se isto não fosse possível, apesar da condenação imposta, não haveria sanção aos infratores da lei. Neste caso, o produto da indenização será destinado ao Fundo previsto pelo artigo 13 da Lei de Ação Civil Pública.

Mesmo após o prazo de um ano, os lesados individualmente poderão habilitar-se na liquidação, ainda que algum legitimado legal tenha apresentado habilitação coletiva, pois a lei não menciona, no artigo 100 do CDC, qualquer prazo prescricional ou decadencial. Nessa hipótese, o magistrado deverá fazer uma estimativa dos danos individuais e fazer uma compensação entre o que será pago efetivamente aos lesados individualmente e o que será

329“O legislador brasileiro não descartou a hipótese de a sentença condenatória não vir a ser objeto de liquidação pelas vítimas, ou então de os interessados que se habilitarem serem em número incompatível com a gravidade do dano. A hipótese é comum no campo das relações de consumo, quando se trate de danos insignificantes em sua individualidade, mas ponderáveis no conjunto: imagine-se, por exemplo, o caso de venda de produto cujo peso ou quantidade não corresponda aos equivalentes ao preço cobrado. O dano globalmente causado pode ser considerável, mas de pouca ou nenhuma importância o prejuízo sofrido por cada consumidor lesado. Foi para casos como esses que o caput do art. 100 previu a fluid recovery”. GRINOVER, Ada Pellegrini. et al. Código

destinado ao Fundo. Nesse sentido é o posicionamento de Ada Pellegrini Grinover.330

O prazo para os indivíduos executarem a sentença genérica do artigo 95 é o mesmo prazo prescricional estabelecido para o direito material no qual se fundou o pedido de condenação.331

6.3.1.4. A indevida limitação dos efeitos da coisa julgada aos associados que demonstrarem seu domicílio na data da propositura da ação

Por meio da Medida Provisória 2.180/2001, o Poder Executivo introduziu o artigo 2º-A na Lei de Ação Civil Pública, com a seguinte redação:

“Art. 2º-A. A sentença civil prolatada em ação de caráter coletivo proposta por entidade associativa, na defesa dos interesses e direitos dos seus associados, abrangerá apenas os substituídos que tenham, na data da propositura da ação, domicílio no âmbito da competência territorial do órgão prolator”.

Mais uma medida do governo para abalar os alicerces das ações coletivas; na verdade uma tentativa ineficaz de esvaziar a legitimidade das

330GRINOVER, Ada Pellegrini. et al. Código Brasileiro de Defesa do Consumidor comentado pelos autores do

anteprojeto, cit., p. 795.

331“De fato, inegável que sob o ponto de vista material tais pretensões não se consideram indivisíveis. O tratamento coletivo emprestado às pretensões de obtenção de uma condenação genérica e, até mesmo, a uma liquidação dos danos individualmente suportados, não induz à transformação daquelas em supraindividuais. Tanto é assim que já se convencionou denominar o fenômeno da viabilidade da tutela coletiva às pretensões ditas individuais homogêneas como “acidentes de coletivismo”, o qual se restringe à instrumentalidade predisposta aos indivíduos no intuito da efetividade da proteção jurisdicional daqueles seus direitos homogeneizados.

Desta forma, para a execução dos danos acarretados aos direitos individuais homogêneos, já devidamente fixado em título executivo, razão parece assistir àqueles que preconizam que deve a prescrição seguir o mesmo prazo prescricional estabelecido para o direito material (neste caso, de índole divisível) no qual tenha sido fundada a pretensão condenatória.” VENTURI, Elton. op. cit.

associações e, por conseqüência, atingir os efeitos da coisa julgada restringindo- os ao menor número possível de beneficiados.

O referido dispositivo legal é aplicado apenas quando a demanda é proposta contra o Estado, uma vez que integra a Lei 9.494/97, que disciplina a aplicação da tutela antecipada contra a Fazenda Pública.

Trata-se de privilégio concedido ao Estado que viola o princípio da isonomia garantido pela Constituição Federal. Mas não é só: o referido dispositivo legal também viola o princípio constitucional que garante acesso efetivo à justiça (artigo 5º, XXXV), pois conforme ressalta Ada Pellegrini Grinover, não se trata de uma prerrogativa que poderia beneficiar o Estado, mas tão somente um obstáculo criado com a finalidade de dificultar o acesso à justiça das associações que contra o Estado litigam.332

O referido dispositivo legal também é inconstitucional por se chocar com o artigo 5º, XXI, da Constituição Federal, que dispõe:

“as entidades associativas, quando expressamente autorizadas, têm legitimidade para representar seus filiados judicial ou extrajudicialmente”.

A autorização a que o constituinte se refere é a genérica, estatutária e não qualquer outro tipo de autorização como procuração ou autorização individual. Até porque a hipótese é de substituição processual e não de

332“A restrição, que beneficia apenas o Estado, opera no âmbito do art.82, IV, do CDC, que legitima as ações coletivas “as associações legalmente constituídas há pelo menos um ano e que incluam entre seus fins institucionais a defesa dos interesses e direitos protegidos por este Código, dispensada a autorização assemblear”.

A exigência de autorização assemblear, acompanhada da relação nominal dos associados e da indicação dos respectivos endereços, que representa um obstáculo para o acesso das associações à justiça e que é limitada às demandas intentadas contra o Estado e suas entidades autárquicas e fundacionais, é uma clara demonstração de privilégio que não se coaduna com o princípio da igualdade processual, decorrente da isonomia garantida pela Constituição. Não se trata de prerrogativa, que poderia se justificar em face da complexa organização dos órgãos estatais ou paraestatais e que autoriza que se tratem desigualmente os desiguais. Nenhuma facilitação da atividade defensiva surgirá para o Estado dessa exigência, que tem apenas o intuito de dificultar o acesso à justiça das associações que contra ele litigam”.

representação. Como o legislador constituinte não impôs qualquer outro requisito aos associados para que pudessem ser substituídos em juízo, além da autorização estatutária, o legislador ordinário não poderia fazê-lo.

Exatamente por isso pensamos que a limitação introduzida por meio da Provisória 2.180/2001, com o objetivo de limitar os efeitos da coisa julgada ao associados que demonstrarem seu domicílio na data da propositura da ação, é inconstitucional.

Além disso, em se tratando de direitos difusos, não existe a possibilidade de identificação de todos os lesados, até porque o que caracteriza esses direitos é a indivisibilidade do objeto e a indeterminação dos sujeitos.

No caso dos direitos coletivos a identificação é até possível, mas não sem um esforço hercúleo que desanimaria qualquer associação em demandar em nome de seus associados.

Em se tratando dos direitos individuais homogêneos, a regra é ineficaz, pois como explica Ada Pellegrini Grinover, a questão não é de eficácia de sentença, mas de pedido. “E o âmbito de competência territorial do órgão

prolator é o definido no art. 93, II, do CDC, tendo o órgão prolator competência nacional ou regional nos expressos termos do Código.”333

6.4. A tentativa de restrição territorial da coisa julgada em ações coletivas: