1.3. TEORİK VE STRATEJİK ÇERÇEVE
1.3.1. Teorik Çerçeve
1.3.1.1. Walrasgil Genel Denge ve Pareto Etkinlik Kuramı
Nos momentos em que os alunos se dispersavam no sentido de não prestarem atenção na aula e nas atividades propostas, Ana costumava ir até a frente da sala e geralmente em voz alta dizia: "Nessa bagunça não dá para ninguém trabalhar direito". Nessas circunstâncias as turmas costumavam parar, ouvir, retomar a atividade, mas esse comportamento não permanecia por muito tempo e Ana novamente chamava a atenção.
Uma das estratégias utilizadas por Ana para contornar a bagunça que os alunos às vezes provocavam na sala de aula era recorrer aos alunos que costumavam incitar a turma à dispersão, buscando apoio para “controlar” o comportamento dos colegas.
Certo dia a turma voltou do intervalo muito agitada, demorando para iniciar as atividades. Ana, então, pediu ajuda a um dos alunos (o mesmo que provocou o episódio do pedaço de mangueira relatado acima) para apagar a lousa e também pedir aos demais colegas para sentarem e começarem as atividades. O aluno pareceu ficar bastante satisfeito com o pedido de ajuda feito por ela, pois assumiu outro comportamento, indo até os colegas e dizendo que eles precisavam sentar “porque precisava ajudar Ana”.
Coincidentemente uma das funcionárias da escola interrompeu a aula para solicitar a presença de Ana na secretaria da escola. Imediatamente ela virou-se para o aluno e disse que contava com ele e também com outros dois alunos (que também costumavam protagonizar os momentos de dispersão de toda a turma) para manter a turma em ordem. Dessa vez os três alunos demonstraram satisfação com o pedido e se esforçaram para manter a turma calma até o retorno de Ana à sala.
Parece, então, que essa estratégia utilizada por Ana – o pedido de ajuda feito aos alunos – funcionava de duas formas, tanto acalmando a turma quando esta se mostrava bastante agitada e dispersa, quanto para regular o comportamento dos próprios alunos que costumam incitar a bagunça da turma toda.
Uma outra saída ainda encontrada por Ana para lidar com momentos de indisciplina das turmas acontecia em momentos de ditado. Quando, ao iniciar essa atividade, os alunos começavam a conversar, atrapalhando o andamento do ditado, ela diminuía o tom da voz, sem justificar aos alunos seu comportamento. A turma começava a ficar em silêncio para poder ouvir e mesmo quando reclamava que ela estava falando muito baixo, Ana mantinha o tom de voz baixo até toda a turma ficar em silêncio.
Apesar dos vários sucessos de Ana ao lidar de forma prática com o comportamento por vezes indevido dos alunos em sala de aula, houve momentos em que
isso não aconteceu. Em certas ocasiões, mesmo recorrendo à estratégia de auxílio dos alunos mais agitados ou diminuindo o tom da sua voz, a turma não cooperava com o trabalho coletivo e ela recorria à coordenadora pedagógica da escola, que ia até a sala de aula e os repreendia seriamente. Pouco tempo depois, em alguns casos, a bagunça provocada pela turma recomeçava. Irritada, Ana acabava retirando da sala todos os alunos que considerava responsáveis pelo início da confusão em sala de aula.
Certa vez um dos alunos conversava de forma animada com vários colegas da turma enquanto Ana tentava transmitir as orientações para as atividades da aula. Como ela não conseguiu a atenção da turma, decidiu aproximar-se do aluno e começou a observá-lo, em silêncio, o que não causou qualquer alteração no comportamento dele. Alguns minutos depois ela foi até um dos armários, pegou um pedaço de cabo de mangueira e sentou em sua mesa, de forma bem tranquila. Tanto o aluno quanto o restante da turma que acompanhou o episódio começaram a rir muito. Ana pareceu se esforçar para não rir também. O aluno, então, decidiu sentar-se e acompanhar a atividade.
Momentos como esse aconteceram algumas vezes: quando os alunos estavam agitados a ponto de não ser possível o desenvolvimento das atividades, Ana, então, parecia ficar aborrecida e buscava o mesmo pedaço de mangueira, colocando-o sobre sua mesa. Sempre que ela fazia isso, os alunos começavam a rir e concentravam sua atenção nela, que acabava aproveitando esse momento para repreendê-los verbalmente, de forma mais séria e ainda tranquila, e então retomava a atividade.
Mais tarde a própria Ana afirmou que mostrar o pedaço de mangueira quando os alunos causavam tumulto na sala foi uma estratégia que ela escolheu para repreendê-los pelo comportamento sem, no entanto, tornar esse momento muito desconfortável. Mesmo rindo quando isso acontecia, os alunos obedeciam-na e acatavam a repreensão, retomando as atividades.
Foi perceptível certo constrangimento de Ana ao conversar sobre a alternativa que encontrou para lidar com momentos como esse, em que o tumulto causado pela agitação dos alunos às vezes a impedia de trabalhar com eles em sala de aula. Possivelmente por imaginar que a pesquisadora poderia analisar negativamente tal comportamento. A princípio, a estratégia poderia ser interpretada como uma atitude agressiva de coação, o que não se caracterizou como tal para essa pesquisa, tendo em vista a reação dos próprios alunos.
Outro momento de conflito aconteceu quando uma das turmas planejou uma “guerra de bolinhas de papel” na aula de História, rasgando folhas novas dos cadernos para fazer bolinhas com elas, guardadas nas mochilas de alguns alunos. Subitamente, então, Ana pediu
para ver a mochila de um dos alunos e comprovou que os alunos estavam planejando alguma coisa. Os alunos envolvidos tentaram explicar a situação, criando várias desculpas, mas ela levou o aluno que estava motivando a turma para conversar com a diretora da escola.
Ao voltar para a sala de aula sem o aluno, Ana pediu para todos os alunos sentarem e começou a conversar com eles. Relembrou que a escola toda estava realizando os preparativos para a Páscoa e que, como eles sabiam, haveria atividades das quais eles participariam, o que os deixou bastante animados. No entanto, comunicou que a diretora da escola, ao tomar conhecimento do que eles planejavam fazer na aula de História, havia contado todas as bolinhas de papel que estavam na mochila do aluno. Caso alguma das bolinhas “sumisse” da mochila, o aluno seria responsabilizado pelo comportamento da turma através de uma suspensão. Para o restante dos alunos o castigo seria não participar das atividades de comemoração da Páscoa.
Ana apoiou a decisão da diretora em controlar o comportamento da turma mediante a ameaça de não participar de uma atividade coletiva da escola na qual, inclusive, a turma ganharia ovos de chocolate. Rapidamente os alunos ficaram quietos e Ana retomaria a atividade, mas avisou que o tempo que restara daquela aula não era suficiente para realizar qualquer atividade programada para o dia. Avisou que daquele momento até o final da aula eles ficariam em silêncio para “pensarem sobre o que fizeram”. O sinal da escola tocou anunciando o fim da aula e a turma saiu da sala sob orientação de Ana, que não lhe dirigiu a palavra para despedir-se, como era de costume.
Momentos como os relatados aqui demonstram a tentativa de Ana em lidar com a indisciplina dos alunos evitando impor-lhes normas autoritárias, o que nem sempre acontecia, como demonstrado com o caso da mangueira utilizada como instrumento de coação. Tais dificuldades encontradar por Ana para lidar com a indisciplina dos alunos nos remetem ao papel que Puig (2006) atribui às normas, ao pensá-las como instrumentos de educação moral. De acordo com o autor, as normas surgem quando há um problema que interfere nas relações com os outros e é preciso encontrar uma forma de regulá-lo. Nesse caso, seria possível afirmar, assim como o autor, que todos os comportamentos humanos são regidos por normas, mesmo que não sejam utilizadas de forma consciente.
4.1.5. A liberdade de trabalho em sala de aula: preparação para assembleia, grêmio