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2. SİNEMA VE DİN

2.3. TİCARİ SÖMÜRÜ ARACI OLARAK DİNİ (HAZRETLİ) FİLMLER

3.1.3. Vizontele

Os cursos de Artes Plásticas da FAAP originaram-se em período de um campo ainda em formação, a partir de um grupo heterogêneo de personagens que contribuíram por meio de seu curso com alguns dos primeiros passos da academia paulistana de design e colaboraram para divulgar as artes em São Paulo e no Brasil. O complexo idealizado por Armando Álvares Penteado integrou profissionais e atividades que contribuíram com o crescimento e a definição da área, com influência maior para a cidade de São Paulo.

Como visto, a importância da Fundação deve-se, principalmente, ao contexto em que a Escola foi pensada. Contemporânea dos principais fatos da origem do campo profissional e da academia do design, a )nstituição foi uma das precursoras ao difundir as artes e suas áreas correlatas. O nascimento de seus cursos percorreu o período de oti- mismo brasileiro dos anos de 9 0 e o desenvolvimentista do início da década de 9 0, enquanto a consolidação do ensino se deu nos anos de regime ditatorial.

Assim, a mudança no formato de seus cursos de Escola de Artes para Faculdade de Artes e Comunicação conviveu com as consequências do golpe militar e com a crise no ensino superior. Neste caso, torna- se importante ressaltar que o primeiro, ocorrido em 9 4, acontece quando a Escola de Artes já estava em funcionamento e um ano antes da abertura da Faculdade de Artes e Comunicação; o segundo, em

9 , reflete a crise pela qual passava a educação superior no País e as paralisações ocorridas em importantes centros de ensino.

Diferentemente do que aponta o registro da )nstituição 4, durante o ano de 9 , especificamente, podemos dizer que a greve ocorrida, além de acompanhar um movimento mundial, foi uma reação contrária das universidades perante o poder estabelecido pelo governo, assim identificado por Rita Couto 00 : : a reforma universitária deu-

Entrevista concedida à autora em /09/ 0 0. 4 Mattar 0 0, p.9 .

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se basicamente a partir de estudos sobre a eficiência, modernização e flexibilidade administrativa das universidades .

De acordo com a colocação de Couto, entendemos assim que a condição de excedentes , indicados na publicação dedicada à história da FAAP , não se deu porque as instituições públicas seriam incapazes de absorvê- los em seu quadro. (avia a necessidade, tanto das escolas particulares quanto das públicas, de adequação ao novo contexto da educação brasi- leira e de expansão igual ao ocorrido no ensino médio.

Com isso, a Lei 40/ resultou em trazer normas para a organização e funcionamento do ensino superior e sua articulação com a escola média. Como principais mudanças dessa lei destacam-se a extinção da cátedra e a estrutura da universidade que passava a ser prioritária como forma de organização do ensino superior, onde o ensino, a pesqui- sa e a extensão assumiam natureza privada . O Governo Federal priorizou verbas para a área de tecnologia e econômica e não investiu nas universidades públicas para que absorvessem o excedente. Assim, transferiu a responsabilidade de expansão do ensino superior para a iniciativa privada.

Desse modo, as condições e dúvidas apresentadas por um campo novo e em boa parte desconhecido o do design marcaram a montagem dos cursos na abertura da Faculdade e este campo, aos poucos, ganhou sua identidade. Naquele período, procurava-se uma orientação para os cursos e buscava-se uma didática para o campo. Exemplos disso são retirados das narrações dos professores Auresnede Pires Stephan e Donato Ferrari, em que o primeiro diz que quando a primeira turma se formou não sabia onde atuariam, e o segundo relatou a importância de trazer professores que soubessem desenvolver a atividade profissional, não necessariamente possuindo uma boa didática ou tendo experiência em áreas correlatas.

Naquele momento, o crescimento da produção industrial e a constituição de uma classe média ávida por adquirir produtos industrializados carac- terizaram o período chamado de Milagre Econômico Brasileiro. Entre o final da década de 9 0 e início da década de 9 0, o aumento no consumo de bens duráveis refletia as novas demandas da sociedade da época, o que contribuiu para acelerar a fabricação nestas indústrias. Carros, móveis e eletrodomésticos eram os principais produtos desejados por aquela classe média, e havia a necessidade de

funcionários qualificados na indústria. As empresas que começavam a investir em projetos próprios possuíam nos seus quadros profissionais que atuavam no campo do design, mas com graduação em áreas

Eram nada menos que mil excedentes, sem acesso à formação universitária. Não suportando a demanda, as universidades púbicas deram espaço para as faculdades privadas . [MATTAR, 0 0, p. ].

O Ens ino P auli stano d o D es ign F AAP - F und aç ão Ar mand o Ál var es P ent ead o 159 próximas ou sem formação acadêmica, uma vez que as instituições com

cursos específicos estavam surgindo.

Nesse contexto de busca a profissionais que suprissem um novo cam- po em desenvolvimento e com seus cursos de artes prestigiados pela sociedade, a FAAP transforma seus cursos em disciplinas de nível supe- rior, assim anunciada pelo jornal O Estado de São Paulo, em agosto de

9 : para o próximo ano [ 9 ] a transformação da Escola de Arte em Faculdade de Artes e Comunicações da Fundação Álvares Penteado e a extinção do Curso de Formação de Professores de Desenho .

De acordo com publicação em homenagem aos 0 anos da )nstituição , coube ao casal Lúcia e Roberto Pinto de Souza essa transformação, assim exposta por ele :

(avia uma mudança no ar. Era a época de se criar uma Universidade. Todos achavam que eu era maluco. A diretoria, e em especial Eudoro, me disse: Não contem comigo financeiramente . No fim, ficaram quatro diretores ao meu lado. (avia o Curso de Artes Plásticas, mas eu pensava: está para nascer um sistema de comunicação que não existe, e pensei em juntar as duas coisas, e fazer uma Faculdade de Artes Plásticas e Comunicações.

Os dados extraídos das conversas com os professores da época con- firmam que Roberto de Souza foi o responsável pela mudança e eviden- ciam também que, para alguns docentes, foi uma transformação de cima para baixo, ou seja, ocorrida nos bastidores da instituição.

A intenção de Souza e sua esposa em criar cursos de ensino superior foi posta em prática a partir do aproveitamento de suas instalações voltadas às artes plásticas e do talento de profissionais que já faziam parte do corpo docente.

A FAAP possuía certo prestígio na sociedade, e a visão do casal diante das condições de incentivo à indústria possibilitou a criação da primeira Faculdade da Fundação: a Faculdade de Artes Plásticas e Comunicações, cuja finalidade e importância estão assim descritas:

Com a criação da Faculdade de Artes Plásticas e Comunicações, a direção da Fundação pretendia formar uma cultura artística não só em ateliês e na criação de obras, mas também teórica. As aulas começaram em fevereiro de 9 e eram dadas no mesmo prédio do museu. Sinal de prestígio, a aula inaugural foi dada pelo então governador do Estado de São Paulo, Roberto de Abreu Sodré. [...]. MATTAR, 0 0, p.

Nestas condições, as bases dos futuros cursos de design da instituição foram lançadas a partir da transformação dos cursos existentes. No entanto, abalizando-se os depoimentos obtidos, esta mudança foi mais no âmbito dos nomes das disciplinas do que da prática pedagógica. Alguns dos professores entrevistados declararam que davam cursos

Mattar 0 0 . )bidem, p. .

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livres de artes e que, em dado momento, estes viraram um curso de ensino superior.

Pintura, Gravura, Desenho, Escultura, entre outros, dão um panorama dos cursos que eram lecionados antes de 9 e que continuaram depois da abertura da Faculdade. Com os dois primeiros anos básicos, as aulas, como estas acima, e outras como Estilística e Composição formavam os cursos de Desenho e Plásticas, Comunicação Visual e Desenho )ndustrial. Com grande conteúdo de disciplinas voltadas às artes, destoavam, em certa medida, das necessidades desses cursos, nos quais as questões relativas à indústria e suas técnicas seriam abordadas. Nestas condições, é importante salientar que as disciplinas do ciclo pro- fissional e técnico em projeto e oficinas, provavelmente, demandaram mais contribuições externas à FAAP, sendo a principal fonte encontrada os arquitetos que atuavam no campo do design, como os professores Manlio Rizzente, Lívio Levi, Eurico Prado Lopes, Laonte Klawa, Maurício Nogueira Lima e Ari Rocha este último, durante um tempo 9.

O momento econômico e político do País daquela época apontava a necessidade de ampliar o campo industrial e incentivar as atividades produtoras para desenvolver técnicas nacionais de fabricação, cuja finalidade era criar produtos genuinamente brasileiros em sua concep- ção, ao contrário das cópias que aqui eram produzidas.

Dentro dos acontecimentos, podemos observar a origem dos cursos em uma )nstituição cujo intuito era a divulgação da arte, principalmente brasileira, e a colaboração de pessoas do campo das artes plásticas e da arquitetura, que trouxeram suas referências e construíram um grupo representativo para o campo a partir de suas relações sociais.

No caso da capital de São Paulo, objeto de estudo, não podemos ignorar o trânsito das ideias nessa época se considerarmos o contato e o conhecimento compartilhado entre os personagens que conviviam nas poucas escolas deste campo e áreas correlatas . Um exemplo disso é a vinda de Flávio Motta do )AC quando ele já era professor de (istória da Arte na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP desde 9 4. Em substituição a Lourival Gomes Machado na FAU/USP, teve maior contato com a arquitetura e seus profissionais, chegando a participar do concurso para o plano diretor de Brasília a convite de Vilanova Artigas, como foi escrito por Juliana Costa 0 0 0, segundo depoimento de Motta: [...] A equipe apresentou um dos mais extensos relatórios do concurso e 9 pranchas. Flávio Motta redigiu o memorial descritivo. A

9 Alguns destes profissionais foram identificados pela ceramista e ex-aluna Kimi Nii nas seguintes disciplinas: Manlio Rizzente e/ou Eurico Prado Lopes Desenvolvimento de Projeto , Laonte Klawa Teoria da Comunicação . Entrevista concedida à autora em

/0 / 0 .

0 COSTA, Juliana Braga. Ver não é só ver: dois estudos a partir de Flávio Motta. Dissertação Mestrado – (istória e fundamentos da arquitetura e do urbanismo . FAU/ USP. São Paulo, 0 0. p. .

O Ens ino P auli stano d o D es ign F AAP - F und aç ão Ar mand o Ál var es P ent ead o 161 equipe desenvolveu o projeto para o concurso no edifício em obras da

FAAP, que já vinha sendo preparado para receber as escolas e o acervo do Museu.

O que se entendia como desenho industrial naquela época e o que se considera hoje apresenta certa diferença, o que demonstra que a construção do campo é um processo contínuo. Naquela época, sabia-se que havia uma indústria com potencial para receber estes profissionais, mas não se sabia o que seria aplicado na prática e qual era esta

Capítulo 4

Benzer Belgeler